Já se passaram duas semanas, desde que conheci Claire e Andrea. Eu comprei os livros para Claire na semana passada, mas não tive como os entregar. Não depois do que aconteceu. Mas eles não saem do meu carro.
Eu paro na casa da minha mãe. Ela não gosta de estar sozinha aos fins de semana, por isso, dou sempre um pulo em sua casa. Eu entro mas não vejo ninguém.
Será que ela saiu? Eu ando até à sala de estar e para a sala de jantar, mas não a vejo, nem a Delfina. No caminho para a cozinha, eu oiço risos . Eu entro e encontro minha mãe com Claire. Elas notam a minha presença e param de rir.
Claire fica muito bem na sua calça jeans, e blusa apertada, com o cabelo solto, saltos altos e os seus óculos nerds. Ela sorri quando me vê, e uma faísca corre por todo o meu corpo.
— Olá. — É tudo que eu posso dizer. Eu me aproximo delas.
— Oi coelhinho.
— Olá, George. — Claire continua a sorrir.
— O que fazem?
— Fizemos alguns biscoitos, quer um? — Claire me oferece.
— Não obrigado. — Eu me sento na grande ilha.
— Então, como vão as coisas? — Minha mãe pergunta.
— Que coisas? — Pergunto Obtuso.
— O trabalho, os amigos, o amor? — Claro tinha de ser.
— Vão muito bem! Melhor impossível! — Eu olho para Claire, ela não pára de sorrir para mim.
— Que bom! — Minha mãe vem perto de mim. — O que é que se passa entre ti e Claire? — Ela diz baixinho. Eu vejo se Claire está a escutar a nossa conversa. Ela come distraída.
— Nada! Porquê é que a senhora pergunta?
— Ela não pára de sorrir para ti! Quando ela chegou não parava de perguntar sobre ti. — Oh não! Será que ela está apaixonada por mim? Eu não a censuro, que mulher não se apaixonaria por mim?
— Mãe, eu não sinto nada por ela. Eu estou interessado noutra pessoa. Ela se chama Andrea Adams e vamos sair está noite.
— Andrea Adams? Filha de Ben Adams?
— Sim, ela!
— Vocês estão juntos?
— Ainda não. Mas se depender de mim, está noite ela vai ser minha namorada.
— Eu pensei que havia química entre ti e Claire.
— Pensou errado, mãe. — O seu telefone chama e ela atende.
— Alô, Rebecca. — Ela sai da cozinha. Eu sorrio para Claire.
— Eu trouxe uma coisa para ti.
— A sério?
— Sim!
— O que é? — Ela pergunta curiosa.
— Eu vou buscar espera aqui.
— Está bem.
Eu saio da cozinha, e vou para a porta principal, saio e caminho até o carro. Eu abro a porta de trás e tiro a sacola dos livros que eu comprei. Eu fecho a porta e volto para dentro.
Claire continua sozinha na cozinha. Ela vem até mim.
— Aqui está. — Eu entrego a sacola. Ela abre e fica admirada.
— Uau. Como tu sabias?
— Adivinhei.
— George, não precisavas, a sério.
— Fica com eles! São seus! — Ela me abraça.
— Muito obrigada.
— De nada. — Ela me larga.
— Eu acho que nós precisamos conversar.- Ela fica bastante séria.
— Sobre?
— Sobre nós. Sobre o que aconteceu há semanas atrás. — Cá está o assunto que eu queria esquecer.
— Eu não me lembro. — Minto.
— Tu me beijaste.
— Ah! Isso!
— Eu acho que estou apaixonada por ti, e eu quero muito, muito mesmo ser tua namorada. — Sua coragem me admira.
— Claire, eu não sinto o mesmo. Eu estou apaixonado por outra pessoa. — Ela fica triste.
— Mas tu me beijaste!
— Eu não estava bem da cabeça.
— O quê?
— Eu jamais me apaixonaria por alguém como tu. Olha para ti, e depois olha para mim. A divergência é enorme! — Seus olhos ficam encharcados, mas as lágrimas não caem.
— Eu entendo. — Ela sai da cozinha me deixando sozinho. Eu sei que fui duro com ela, mas teve de ser, eu não quero estar com ela. Eu quero estar com Andrea.
Minha mãe volta para a cozinha sozinha. — Onde está Claire? — Minha mãe pergunta olhando para todos os cantos da cozinha.
— Eu pensei que ela foi procurar a senhora.
— O que é que tu lhe fizeste, George?
— Eu não fiz nada. Só disse que eu não sinto nada por ela e que estou apaixonado por outra.
— Porquê tu fizeste isto?
— Não queria que ela ficasse confusa sobre nós.
— Eu vou procurá — la. — Nós saímos da cozinha e encontro a sacola dos seus livros no sofá da sala de estar. Eu pego neles.
— O quê é isso?
— São os livros que eu comprei para substituir os que ela tinha perdido na chuva.
— Eu pensei que ela os tinha recuperado.
— Eu vi eles em péssimas condições e decidi comprar outros para ela. — Minha mãe sorri amplamente.
— O que foi, mãe?
— George, tu tens a certeza de que não sentes nada por Claire?
— Eu tenho certeza absoluta. Eu só queria ser simpático com ela, mas pelos vistos, não deu bom resultado.
— Ela deve ter ido embora.
— A culpa não é minha!
— Claro que não. — Ela me olha e me sinto desconfortável.
— Eu preciso ir, mãe. — Eu beijo a sua bochecha e saio imediatamente.

Eu levo Andrea para um dos melhores restaurantes de Nova Iorque. Eu quero impressionar ela. Nós fizemos o pedido e jantamos.
— Eu estou muito impressionada! Tu és um ótimo paquerador.
— É talento nato.
— Tu tens feito muita coisa por mim nesses últimos dias.
— Isso é mau?
— Muito bom. Mas eu não gosto muito de romance. Não sou daquelas mulheres que querem casar e ter filhos. — Eu não acredito que finalmente encontrei a pessoa certa. Isso só pode ser um sonho.
— Mas que coincidência! Eu também. Nossa! Temos tanta coisa em comum.
— Isso é ótimo! — Ela sorri para mim e depois bebe o seu vinho.
— Não podemos deixar passar a oportunidade das nossas vidas.
— É o que eu penso?
— Tu queres ser a minha eterna namorada?
— Eu adoraria. -Nós nos beijamos. O seu beijo é selvagem, mas muito quente. É claro que é ela quem eu quero.

Eu acordo no apartamento de Andrea. Ela continua a dormir. Eu estou faminto. Eu levanto e visto as minhas calças e a minha camisa.
Vou para a cozinha, mas não há nada para comer no frigorífico. Meu estômago reclama. Eu volto para o quarto, pego nas minhas coisas e vou embora.

Eu estou na estrada, antes de ir para casa, eu aproveito para ir para a casa de Claire, para entregar os livros.
Eu chego, endireito o meu cabelo e a minha camisa, pego na sacola, desço e toco a campainha. Eu espero uns dois minutos.
Claire me abre a porta. Ela fica destroçada quando me vê.
— Bom dia, Clarissa!
— Bom dia. — Ela nem me corrige. Ela termina de mastigar o que tinha na boca.
— Tu esqueceste dos livros na casa da minha mãe.
— Eu agradeço, mas não posso ficar com eles.
— Mas, tu já tinhas aceitado! Não há devoluções!
— A sério, George, não posso!
— Eu insisto que fiques com eles.
— Tudo bem. Eu fico.
— Tu estás a tomar o pequeno almoço? — Ela abana a cabeça em afirmação.
— Eu posso me juntar a ti? — Ela franze a testa.
— A sério?
— Se não te importares!
— Eu me importo! Porquê tu fazes isso?
— Fazer o quê?
— Tu me tratas mal, depois me beijas, e me ofereces livros, depois me tratas mal outra vez, dizendo que nunca te apaixonarias por alguém como eu, e um monte de coisas horríveis, e depois vens aqui, me tratas como se nada tivesse acontecido, me dás os livros e esperas que tomemos o café da manhã como amigos? Em seguida, o que vais fazer? Me beijar outra vez? Me confundir outra vez? Eu nunca fui tão humilhada em toda a minha vida como fui ontem, quando me disseste aquelas coisas todas. Tu achas mesmo que eu vou conseguir fingir que nada aconteceu? — Suas lágrimas caem por si.
— Eu lamento, eu não quis te machucar!
— Eu duvido muito. — Ela esconde o seu rosto. — Vai embora, por favor!
Eu entro e fecho a porta. Ela me olha confusa. Eu abraço ela. Ela tenta sair dos meus braços, mas não deixo. Ela finalmente se rende. Eu não sei porquê, mas eu me sinto muito mal por causa disso. Me sinto muito mal por vê-la a chorar, principalmente porque é por minha causa.
— Eu peço imensas desculpas pelo que eu fiz. — Eu a deixo livre.
— Tu achas que desculpas resolvem alguma coisa?
— Sim!
— É melhor tu ires embora, eu não quero te ver nunca mais.
— Eu já pedi desculpas.
— E que mais tu queres? — Ela chora ainda mais. Eu me aproximo dela e limpo as suas lágrimas.
— Não chores!
— Porquê não vais ter com a tua namorada?
— Ela deve estar a dormir. — Ela me olha boquiaberta.
— Vai embora, por favor! E fique com os teus livros, senhor Renner! — Ela enfatiza o meu sobrenome.
— Tudo bem. Eu vou embora, mas não vou levar os livros, ficas tu com eles.
Ela abre a porta para mim. — Não voltes! — Eu saio magoado. Vou para o meu carro. Minha fome sumiu. Ligo o carro e conduzo para a casa da minha mãe.

Eu entro na casa da minha mãe e vou direito para a cozinha. Delfina está a limpar. — Bom dia, Delfina. Prepare qualquer coisa para eu comer, por favor! — Eu sento na ilha.
— Sim, senhor. — Meu telefone vibra. Eu atendo.
— Andrea!
— Oi, querido, onde tu estás? Eu acordei e não te encontrei.
— Eu estou na casa da minha mãe.
— Ahm, ok! — Ela responde impassível. — Então, nos vemos mais tarde. Adeus.
— Adeus. — Ela desliga.
— O que é que se passa contigo? — Eu oiço a voz da minha mãe e me viro.
— Bom dia, mãe. — Eu sorrio.
— Parece que o teu dia está a ser ótimo!
— Muito. — Delfina coloca na minha frente, panquecas, bacon, ovos e café. O meu apetite voltou.
— Tu entregaste os livros a Claire? — Ela senta perto de mim.
— Sim, antes de vir para cá. — Eu corto um pedaço da panqueca e como.
— Sabes filho, as mães, conhecem os seus filhos melhor do que ninguém, e eu sei que tu estás apaixonado por Claire!
— Não! Eu estou apaixonado por Andrea!
— A sério?
— Sim!
— Tudo bem. Se tu o dizes. Mas eu acho que tu estás a enganar a ti próprio.
— Eu não sinto nada por Claire. — A campainha toca e Delfina corre para a sala.
— Mas eu vi como tu olhavas para ela ontem. Não me diga que tu não pensas nela a todo o instante!
— Ela não é o meu tipo!
— Eu acho que Claire é a pessoa mais indicada para ti.- Ela pára e olha atrás de mim. — Olá Rebecca.
Rebecca? Oh essa não! Eu me viro e vejo ela. Porquê que eu vim aqui.
— Olá Rose, olá George!- Ela sorri.
— Olá, Rebecca. — Eu bebo o café.
— Eu vim ver como você está Rose.
— Eu estou fantástica, obrigada. Como está Michaela? — Eu olho para minha mãe. Ela sabia?
— Está ótima. Eu posso falar consigo?
— Sim, vamos para o meu escritório.
— Não! Podemos falar aqui! — Eu já imagino o que deve ser.
— Tudo bem. O que foi?
— É que, eu queria dizer isso há imenso tempo, mas não fui capaz.
— O que é? — Minha mãe pergunta impaciente.
— Eu e George estamos juntos! — Eu engasgo.
— George! — Minha mãe vem até mim.
— Eu estou bem!
— Espera aí! Vocês estão juntos?
— Não! — Eu me levanto e olho para Rebecca.
— Sim estamos! — Rebecca diz muito convincente.
— Eu não acredito nisso. Porquê vocês me esconderam uma coisa dessas?
— É George, tu estás com Rebecca e Andrea, ao mesmo tempo?
— Não! Mãe, eu e Rebecca terminamos há duas semanas!
— Eu não entendo! Estão juntos ou não?
— Não! Mãe ela tem uma filha!
— E qual é o problema?
— Eu não gosto de crianças! A senhora sabe disso. Quando eu descobri que ela tinha uma filha, eu terminei tudo com ela.
— George! — Minha mãe me olha como se fosse um estranho. — Eu não acredito nisso!
— Eu não tenho mais nada com Rebecca! Eu estou com Andrea agora!
— O quê? — Rebecca se aproxima de mim.
— Eu não entendo porquê esconderam isso de mim!
— Porquê eu pensei que a senhora não iria gostar!- Me desculpo.
— Rebecca, tu podes nos deixar a sós, por favor! Me espere no meu escritório.
— Está bem. — Ela sai.
— George, o que se passa contigo? A cada dia que passa, eu não te reconheço mais!
— Eu sou assim, mãe, ninguém jamais me fará mudar!
— Quer dizer, que tu não queres me dar netos?
— Não!
— Nem se forem adoptados?
— Muito menos!
— George, o que é que te aflige?
— Nada mãe! Eu estou perfeitamente bem!
— Eu não sei. Mas eu ainda tenho esperança! Tenho esperança que tu mudes essa tua forma de pensar! Agora eu vou falar com Rebecca. Pensa no que te disse. — Ela vai embora.
Porquê muitas pessoas pensam que a vida se resume apenas em casar e ter filhos?