Imperfeitos
7 Capítulo 7
Eu ainda estou chocado por saber que a minha mãe, e o pai de Claire estão juntos. Eu e Claire também estamos juntos. E se os nossos pais estão juntos, significa que nós não podemos ficar juntos. Como isso foi acontecer? Como? Será que o universo conspira contra mim? Será que eu fiz algo terrível para merecer isso?
Claire não diz nada apenas olha para mim. Eu também não digo nada. Me faltam palavras, para descrever esta situação. Minha mãe dá a mão ao pai de Claire, e o traz até mim .
— Filhote, este é Roy Peterson, Roy, George, meu filho. — Nós apertamos as mãos.
— Muito prazer. — Eu digo, nada convincente. É esse senhor que ela quer que seja o meu padrasto? O pai de Claire? A minha mãe é a pessoa mais complicada do mundo. Ela sabia que eu sentia alguma coisa por Claire, vivia o tempo todo me dizendo isso. E agora, namora com o pai dela?
— O prazer é todo meu. Já conheces a minha filha, Claire?- Nós nos olhamos. Eu tenho uma vontade enorme de dizer, " ela é a minha namorada". Mas não vou fazer isso.
— Perfeitamente.
— Que bom!
— Vamos nos sentar. — Minha mãe leva Roy para a sala de estar. Eu vou para perto de Claire. Ela parece indiferente, com essa situação. Eu não entendo porquê. Será que ela sabia?
— Tu sabias? — Pergunto.
— Claro que não sabia! Eu apenas soube, quando chegamos aqui.
— Tu sabes o que isso significa? — Ela esconde o seu rosto.
— George, significa que nós temos de nos separar!
— O quê? Eles é quem têm de se separar! — Ela levanta a cabeça imediatamente.
— George, o meu pai, está muito feliz. Ele voltou a ser o homem que era antes graças a Rose, voltou a ter esperança! Eu não quero arruinar a vida dele.
— Mas estarás a arruinar a tua!- E a minha!
— Pensa na tua mãe. Vê como ela está feliz. As vezes temos que sofrer, para fazer feliz quem amamos. — Clássico.
— Eu não aceito isso. Claire...
— É o melhor a fazer. Está tudo acabado entre nós!
— Eu não posso aceitar isso!
— George, por favor! Deixa de agir assim. Estamos a falar da felicidade dos nossos pais.
— Eu não quero ser teu irmão. Isso não faz sentido.
— Temos de aceitar.
— Eu não aceito! Eu vou embora!
— George, não faça isso.
— Eu vou embora! — Minha mãe chega até nós. Eu quero gritar com ela por ter escolhido o pai de Claire, mas não posso. Ela é minha mãe.
— George, tu disseste que ias embora?
— Sim. Eu não me sinto muito bem.
— George, o que se passa? — Ela chega perto de mim, e coloca a sua mão na minha testa.
— Eu estou enjoado! — Eu olho para Claire, mas ela desvia o olhar. Eu não aguento mais ficar aqui! Se fico mais um segundo, eu desmaio.
— Se quiseres cancelamos o jantar, e ficas cá em casa, para eu cuidar de ti.
— Não precisa! Eu consigo cuidar de mim mesmo. Eu vou embora!
— De certeza que não queres ficar aqui, para que eu possa cuidar de ti?
— Sim! Não se preocupe. Eu vou ficar bem. Adeus mãe. — Eu beijo a sua bochecha. — Adeus Claire. — Eu ando até a porta e saio.
Subo no carro e bato com a cabeça no volante, inúmeras vezes. Se eu soubesse o que sentia por Claire, antes, evitaria está maluquice. Estou fervendo de raiva, só não sei se é da minha mãe, do pai de Claire, ou da própria Claire. Me custou muito para chegar até aqui, por isso, não vou desistir agora! Minha mãe não vai ficar com aquele homem insuportável. Eu não deixo! E Claire vai ser minha. Eu prometo, ou não me chamo George Edward Renner. Eu ligo o carro e conduzo até ao tráfego.
Eu paro no apartamento de Philippe. Preciso falar com alguém, preciso desabafar, se não o fizer ainda explodo. Eu toco a campainha, e ele abre a porta depois de dois minutos.
— George, tu aqui, a essa hora? O que é que se passa? — Ele me deixa entrar, e eu me jogo no sofá.
— É uma história muito longa!
— Felizmente para ti, eu tenho tempo. Pode dizer! — Ele senta na minha frente. Eu respiro fundo.
— Sabe, a Claire?
— Claire Peterson?
— Eu estou apaixonado por ela.
— O quê? — Ele me olha chocado.- Eu pensava que tu estavas apaixonado por Andrea, quer dizer, ela era a mulher perfeita para ti.
— Eu não sinto nada por Andrea. Eu quis terminar com ela, para estar com Claire, mas agora já não adianta. É inútil!
— Porquê?
— Eu pedi Claire em namoro, está tarde.
— E ela não aceitou!
— Claro que aceitou. Quem não aceitaria? Nós passamos a tarde toda juntos, inclusive.
— Então qual é o problema?
— Eu te disse que tinha um jantar na casa da minha mãe, não é?
— Para tu conheceres o novo namorado dela, sim! E porquê não estás lá?
— O namorado dela, é o pai de Claire!
— O quê? Porquê tu não disseste nada a tua mãe?
— Claire só quer que o seu pai seja feliz, e volte a ter esperança. Eu não aguentava mais ficar ali, por isso, fui embora. Agora eu não sei o que fazer.
— Se eu fosse você, eu deixava as coisas como estão. Tu mesmo disseste que a tua mãe sofre muito com a morte do teu pai. Talvez essa seja uma oportunidade que ela não vai voltar a encontrar. E tu, és jovem, tens um longo caminho pela frente. Tenho a certeza que vais encontrar outra pessoa.
— Eu não quero que Claire seja minha irmã!
— Ela será a tua meia — irmã.
— Qual é a diferença? Eu não quero que ela seja uma parente minha. Eu não posso deixar os nossos pais ficarem juntos!
— E o que é que tu vais fazer?
— Essa é uma ótima pergunta! — O que devo fazer? O que devo fazer?
— George!- Philippe diz calmamente. Como sempre!
— Eu já sei. Eu minto para ela!
— Como?
— Faço com que ela pense que eu quero ser seu irmão, quando na verdade não quero. Passo algum tempo com ela, e mostro todo o meu charme para que ela não resista e fique louca por mim, depois, vai acontecer o que tem de acontecer, e Claire não vai aceitar o relacionamento dos nossos pais, volta para mim, e viveremos felizes para sempre.
— É uma ideia maluca! Não vai resultar!
— Não me subestime! Eu sei sempre o que faço.
— E se não funcionar?
— Escreve o que eu digo. Vai funcionar perfeitamente. George Renner, nunca falha.
— Isso é discutível!
— Dê um exemplo.
— Andrea Adams.
— Por acaso não foi um plano falhado. Nem com ela, nem com todas as outras mulheres. Foram elas, quem falharam, não me dando o que eu deveria ter.
— George, eu já não sei o que fazer contigo! — Ele abana a cabeça em negação.
— Não diga à Claire que eu estou a elaborar um plano malévolo para separar os nossos pais.
— Claro que não. Mas George, pensa muito bem no que você vai fazer.
— Eu já pensei! — Eu levanto. — e já decidi. — Eu vou até ele, e o bato nos seus ombros. Ele dá um meio sorriso e eu saio.
Eu chego em casa quase vinte e meia. Será que o jantar na casa da minha mãe já terminou? Eu quero ligar para Claire. É melhor fazê-lo mais tarde. Eu sento no sofá, e ligo a TV. Nada de importante a dar, por isso, desligo.
Eu não aguento esperar mais. Preciso ligar. Eu disco o seu número. Ela atende ao quarto toque.
— Alô. — Ela responde docemente.
— Claire, tu estás na casa da minha mãe?
— Não, acabei de chegar em casa. Porquê é que tu ligaste?
— Eu queria dizer que tu tens toda razão. Eu fui um pouco egoísta, mas eu quero muito que nos demos bem, por causa dos nossos pais. — Nem eu acredito no que estou a dizer.
— Eu também. Ainda bem que tu entendeste.
— Olha, se tu quiseres, na terça eu te levo para a obra que estou a trabalhar.
— Adoraria. Mas é melhor na quarta, terei folga.
— Ótimo. Então nos vemos na quarta.
— Nos vemos na quarta! — Eu desligo. Só espero que isso resulte. Se não resultar, Claire vai ser a minha irmã. Eu não posso deixar.
Eu acordo sem vontade para fazer nada. Absolutamente nada. Levanto relutantemente e vou lavar a cara. Eu volto para o quarto, sento na cama. Olho para o relógio e são apenas 7 horas. Oh céus! Eu só quero que esse dia termine.
Meu telefone vibra. É Andrea. Eu esqueci que ela existe. Há cinco dias que eu não sei nada sobre ela, só espero que termine comigo. Eu atendo depois depois de trinta segundos.
— Alô, Andrea!
— Olá, George, tudo bem contigo?
— Sim e contigo? — Não me interessa!
— Eu tenho estado muito preocupada contigo. Tu não me ligas, nem respondes aos meus emails.
— É que...- Não sei o que dizer. -... eu tenho estado com a minha mãe, desculpa.
— Eu entendo. Felizmente é só isso. Pensei um monte de coisas na minha cabeça.
— Eu peço desculpa.
— Não faz mal. Nos vemos mais tarde?
— Sim! Nos vemos mais tarde. — Eu desligo. A minha vida está uma confusão incrível. Eu já não sei mais o que é que se passa! O que é que eu estou a fazer? Eu não sei! Apenas estou a fazer.
Eu levanto e vou para o chuveiro. Não acredito que a minha vida esteja mais complicada que um quebra cabeças. Eu preciso resolver um problema de cada vez.
Eu vou para casa da minha mãe, resolver o maldito problema com a minha mãe e o pai da Claire. Eu entro e vou para a cozinha. Encontro Minha mãe e o senhor Peterson a tomarem o pequeno almoço. Eu me aproximo.
— Bom dia, mãe. Senhor Peterson!
— Filhote!
— Bom dia, George. E me chame de Roy! — Ele sorri para mim.
— Tudo bem, Roy.
— Tu estás melhor?
— Sim, mãe. Eu estou muito melhor.
— Tu queres tomar o pequeno almoço connosco?
— Não! Eu não tenho fome! Eu apenas queria falar com a senhora.
— Tudo bem. Vamos para sala. — Ela se levanta e me acompanha até a sala de estar. Nós nos sentamos. Ela olha para mim preocupada.
— Mãe, eu queria pedir desculpa por ontem!
— Filho, não faz mal. Tu não estavas bem.
— Eu estava chocado por saber que o seu namorado é o pai da Claire.
— Eu sei que tu não gostas dela, George, mas eu gostava muito que se dessem bem.
— Claro. Eu estou muito feliz por si, mãe.
— Oh! George, fico feliz por isso. — Ela me abraça. — Tu és o meu maior tesouro.
— Eu sei, mãe. — Ela me larga e aperta as minhas bochechas.
— Venha tomar o pequeno almoço connosco. Assim tu conheces melhor Roy. — Talvez não seja uma má ideia.
— Tudo bem. Vamos.
Estou com Andrea, no bar onde tudo começou. E será aqui que tudo vai terminar. Infelizmente ela está muito bonita, para alguém que vai receber um tampa.
— Andrea, tu estás muito bonita. — Ela sorri amplamente. Ela é uma mulher incrível, mas eu estou apaixonado por outra.
— Obrigada. Tu também estás bem. — Eu sempre, sempre, sempre estou bem. Isso é indubitável!
— Eu sei disso perfeitamente. Eu tenho uma coisa muito importante para te dizer.
— O que é? — Eu devia começar por: Andrea, tu és uma mulher maravilha, és bonita, inteligente, e tudo de bom, mas não tenho esse tempo.
— Está tudo acabado entre nós! — Ela fica boquiaberta. Eu sei. É tão difícil perder alguém como eu. É difícil de suportar, é doloroso perder um homem tão bem sucedido e fantástico.
— O quê?
— Eu lamento. Mas isso não está a funcionar.
— George, tu não podes terminar comigo! Ninguém termina comigo!
— Mas já o fiz! Foi difícil, mas já o fiz!
— Não! Eu não posso aceitar isso!- Esse é o efeito Renner! Todas me querem!
— Andrea Adams. Tenha uma boa noite!
— Tu não podes ir embora!
— Ah não? Observa! — Eu pago ao barman, levanto, e caminho com graciosidade, sem olhar para trás.
Eu estou no trabalho. Tenho muito que fazer. Mas não consigo me concentrar. Eu preciso me concentrar, eu preciso me concentrar. Eu repito isso na minha cabeça, mas é inútil! Eu simplesmente não consigo parar de pensar em Claire.
Eu preciso rever o programa de necessidades: Fazer a revisão e eventual complementação. Rever informações sobre o terreno e seu entorno, em especial os documento cadastrais, fotos do terreno e seu entorno, dados geo-climáticos e ambientais locais, em especial, temperaturas, pluviosidades, insolação, regime de ventos e marés. Tudo isto, mas não consigo. Só consigo pensar em Claire.
Eu me levanto. Eu não vou esperar até quarta-feira, para vê-la! Não sou capaz. Eu volto a sentar e espero o tempo passar.
Depois de tanto esperar, eu saio da John Renner e vou para a Corte Federal de Nova Iorque. Eu fico parado no carro, esperando Claire sair. Eu devo ser a pessoa mais incrível do mundo. O que é que eu faço aqui?
Eu olho para a porta. Claire sai com um homem moreno, de terno. Um homem que, detesto admitir, mas é bonito. Eu só espero que não seja seu namorado. Porque teria de aumentar, mais um problema a solucionar na minha lista.
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