Imperfeitos
6 Capítulo 6
Eu continuo a espera da ligação de Claire, mas ela simplesmente não liga. Tudo seria mais fácil se fosse eu a ter o número de telefone dela. Ao menos, não estaria nessa situação stressante.
Eu sento na cama. Estou esperando há quatro horas! Daqui a pouco será meia noite. Eu não sei como contactá — la. Não conheço ninguém que tenha o seu número, email ou outra coisa parecida.
Philippe me vem à cabeça. Claro! Ele deve ter o número de Claire. Eu pego no meu telefone e ligo para ele, mas não atende. Eu volto a ligar para ele.
— George, o que foi? — Ele responde sonolento.
— Eu preciso do número de telefone de Claire!
— O quê? Para quê?
— É uma longa história! Possivelmente, amanhã te conto tudo. Agora me dê!
— Tu precisas agora?
— Sim! Agora!
— Tudo bem. Eu te envio por SMS.
— Estarei à espera! — Eu desligo. Depois de dois minutos, ele me enviar o número de Claire. Eu marco o número, para ligar para ela, mas meu polegar não se move para a tecla " chamar".
Eu não devia ligar para ela. Se ela não ligou, é porque não quer saber de mim. Mas ela pode ter esquecido! Já não sei o que pensar. Eu coloco o telefone na mesa de cabeceira, levanto e vou para o banheiro lavar os dentes.
Eu termino de lavar os dentes e olho para mim no espelho. Olho para os meus olhos verdes e meu cabelo desarrumado. Porquê ela não admite logo que me quer? Quer dizer, eu sou irresistível, muitas mulheres gostariam de estar no lugar dela. E elas nem pensariam duas vezes! Claire está me matando!
Eu volto para o quarto e nada de ligação perdida. Eu desisto! Vou tomar isso, como um " não". Eu deito e tento dormir, o que não é regular, desde que conheci Claire Peterson.
Na manhã de terça, eu acordo desorientado. A primeira coisa que faço é ver se Claire ligou para mim. Mas infelizmente, não ligou. Eu levanto, dispo e vou directamente para o chuveiro. Quando termino, me visto para trabalhar.
Eu paro em Roosevelt Island, para acompanhar a obra, juntamente com Patrick Olson( engenheiro civil). Eu desço do carro, coloco o meu capacete e vou ter com Patrick.
— Tudo bem, Patrick? — Eu o cumprimento oferecendo a minha mão, e ele a aperta.
— Muito bem, e você? — Bem, tirando o facto de que Claire não quer nada comigo, e que não paro de pensar nela, então está tudo bem.
— Sim está. — Ele pega na planta do projecto.
— Eu estive a analisar, e o planeamento do espaço...
— Percebi, tenho de redistribuir os espaços internos.
— Sim. Quando o fizeres, começaremos com as instalações hidráulicas.
— Tudo bem. — Meu telefone vibra. — Me dê um segundo.- Eu saio para longe do barulho.
Antes de tirar o telefone do bolso, eu rezo para que seja Claire. Tiro o telefone, mas é Andrea.
— Olá, Andrea!
— Tudo bem, querido?
— Estou melhor agora.- Não, não estou!
— É bom saber. Onde tu estás?
— Não percebo?
— Onde tu estás ?
— Na obra, em Roosevelt Island.
— Ahm, ok!
— Saímos está noite? — Pergunto.
— Claro que sim. A que horas terminas o trabalho?
— Às seis da tarde!
— Tudo bem. Eu vou buscar — te, ok?
— Se insistes!
— Então, nos vemos mais tarde. Beijos. — Ela desliga. Eu preciso esquecer Claire. E acho que Andrea pode me ajudar nisso! Eu espero mesmo que Andrea me ajude nisso!
Eu termino o meu trabalho, tanto na obra em Roosevelt Island, como no meu escritório. Eu saio e encontro Andrea a falar ao telefone, encostada no seu carro. Eu me aproximo dela.
— Claro que não! Nada de incompetência! Senão estás demitida! — Ela diz calmamente, depois desliga.
— Olá, querido! — Ela vem me beijar.
— Olá.
— Tu pareces exausto, entre no carro. — É mais tristeza do que exaustão.
— Aonde tu queres ir? -Nós subimos no carro, e fechamos as portas.
— Cinema!
— Sério? — Pergunto.
— Sério!
— Tudo bem. — Ela liga o carro e começa a conduzir. Eu olho para as pessoas através do vidro do carro.
Claire não quis sequer tentar. Se eu soubesse o que sentia por ela no dia em que ela disse que queria ser minha namorada, as coisas podiam ser diferentes, mas as vezes, o destino é injusto.
Eu continuo o caminho sem dizer nada. Eu não quero mais pensar em Claire. Mas tudo que eu faço, faz com que pense nela de alguma forma. E agora, eu sinto que estou a trai — la. Ela não é minha namorada, Andrea é! Não me sinto culpado por ter beijado Claire, mas me sinto culpado por estar com Andrea.
— O que é que se passa, George?
— Nada. Eu estou bem.
— Não parece.
— Mas estou!
— Eu fiz alguma coisa errada? — Não foste tu!
— Não! Está tudo bem. Não te preocupes.
— Ok.
Nós terminamos de ver o filme e cada um vai para a sua casa. Eu fico deitado na cama, pensando em Claire, claro. Meu telefone vibra. Eu atendo.
— Alô, mãe.
— Filhote como tu estás?
— Bem. Como foi o jantar de ontem?
— É sobre isso mesmo que eu quero falar.
— Correu mal? Muito mal?
— Correu lindamente! Eu quero que tu o conheças!
— Vocês estão juntos?
— Sim! No sábado jantamos todos juntos.
— Mãe, ele tem filhos?
— Só uma, mas já é adulta.
— Tudo bem. Se é importante para a senhora, eu vou.
— Obrigada, filhote.
— De nada, mãe.
— Como vão as coisas com Andrea?
— Muito bem!
— Que bom! Eu só espero que ela te faça muito feliz.
— Ela faz!
— Isso é muito bom. Bem, eu preciso de desligar. Até amanhã.
— Até amanhã. — Eu desligo. Uau! Minha mãe está muito feliz. Espero que isso não seja temporário. Ela sofreu muito por causa do meu pai, e eu pensei que não voltaria a se apaixonar, mas aconteceu.
Meu telefone chama outra vez. Eu me estico para tirar da mesa de cabeceira e vejo " Claire" na tela. Meu coração salta. Eu atendo e caio da cama.
— Alô. — Eu levanto dolorido, e sento na cama.
— George, sou eu, Claire.
— Eu sei. Eu esperei a tua ligação o tempo todo.
— Eu só não liguei porque, há coisas que não se pode falar pelo telefone.
— Eu entendo. Então, porquê não me procuraste?
— Eu procurei! E é sobre isso que eu quero falar contigo.
— Pode falar.
— Eu fui a John Renner, às seis da tarde. — Ela pára. Oh não! Ela me viu com Andrea. — E, eu te vi! A ti e a tua namorada.
— Claire...
— Eu não entendo, qual é a tua! Tu dizes que me queres, depois vais ter com ela?
— Eu pensei que tu não querias nada comigo!
— Porquê?
— Eu avisei que se tu não ligasses, eu iria considerar como um não.
— Eu esqueci! Desculpa. É melhor eu desligar!
— Não! Não! Não! Não desligues. Me diz o que tu queres. Por favor.
— Me diz tu, o que tu queres.
— Eu já disse! Eu te quero!
— E a tua namorada?
— Eu termino tudo com ela!
— Eu também te quero!
— Eu sei disso.
— Mas, eu preciso de pensar.
— Pensar sobre o quê?
— Sobre tudo isso!
— Tu me queres, e eu te quero, não há mais nada no que pensar.
— George, por favor, respeita a minha decisão.
— Quanto tempo?
— O quê?
— Quanto tempo precisas para pensar?
— Sei lá, três dias para mim é o suficiente.
— Então, no sábado, almoçamos juntos, e tu me dizes o que realmente queres!
— George?
— O que foi?
— Obrigado por ser compreensivo comigo!
— Tudo bem. Então nos vemos no sábado?
— Nos vemos no sábado! — Ela continua em linha.
— Não vais desligar?
— Tu queres que eu desligue? — Se estive com você aí, eu não sei o que aconteceria!
— Não! — Eu sorrio amplamente.
— Como foi o teu dia?
— Para ser sincero, melhorou apenas a alguns minutos. — Quando você me ligou!
— Que bom! Fizeste algo de interessante?
— Só passei a maior parte do tempo a acompanhar uma obra.
— Que interessante!
— Tu achas?
— Sim! — Ela deve estar a ser simpática, ou quer apenas prolongar a conversa.
— Que bom que tu achas!
— Se as coisas resultarem entre nós, um dia, tu me levas lá? — Eu acho que ela está a falar sério.
— Claro! Com certeza!
— Que bom. Então, até sábado.
— Até sábado. — Ela desliga finalmente. É estranho minhas conversas com Claire, durarem mais do que as minhas conversas com Andrea. Quando falo com Andrea é como se fosse indiferente. Mas quando falo com Claire, eu não quero terminar nunca.
Eu estou feliz que ela ligou para mim, e disse que me quer. Estou tão feliz, tão apaixonado por ela, que só espero que ela queira ficar comigo. Não aguento mais esperar por sábado, faltam imensos dias. Finalmente, hoje eu vou dormir feliz.
Demorou imenso, mas sábado, finalmente chegou. Eu troco de roupa umas cinco vezes. Eu estou tão nervoso. Nunca me senti assim em toda a minha vida. Eu finalmente encontro a roupa certa: jeans, camisa branca. Agarro no meu telefone, carteira e chaves e vou para a casa de Claire.
Nós chegamos no restaurante, ocupamos o nosso lugar e fazemos o nosso pedido. Eu não consigo tirar os olhos dela. Ela está muito linda, com vestido azul escuro, saltos altos e seus óculos nerds.
— Eu já disse que tu estás muito linda?
— Só umas cinco vezes! Mas obrigada, pela quinta vez.
— Tu tens pensado sobre nós? — Estou tão impaciente! Preciso de uma resposta!
— Muito. Tu terminaste com a tua namorada?
— Eu o farei, prometo!
— Eu acredito em ti. — Ela come o seu frango. Eu não tenho fome! Só quero saber se ela quer ficar comigo.
— Sabes, nestes dias, eu também estive a pensar imenso sobre nós. E não há nada que eu mais queira do que estar contigo! — Ela esconde o seu rosto. — Claire, olha para mim!
Ela levanta o rosto, e seus olhos brilham. — Eu sinto o mesmo.
— Então, tu queres ser minha namorada?
— Claro que sim. — Eu grito por dentro, como se tivesse marcado o golo da vitória. Uau! Isso é melhor que ser o homem mais rico do mundo! É melhor que qualquer coisa!
— Eu te beijava, mas...
— Eu sei. Fica para depois! — Nós comemos solenemente.
Nós andamos em Central Park, de mãos dadas. Eu estou muito satisfeito. Não acredito que ela é finalmente minha namorada.
— Sabes, eu estive a pensar, como tu sabias que eu trabalho na John Renner?
— Era só juntar as evidências. Tua mãe é Rose Renner, tu és George Renner, teu pai era John Renner. Tu construíste em homenagem ao teu pai. Logo, trabalhas na John Renner.
— Tu és uma menina bastante erudita, Claire Peterson!
— Obrigada, George qualquer coisa Renner.
— Edward!
— George Edward Renner!
— É isso mesmo. — Eu fico na sua frente. — Claire Louis Peterson! — Ela ri.
— Não é Louis!
— Qual é?
— É Marie!
— Claire Marie Peterson! Que lindo!
— Tu achas?
— Claro que sim. — Eu me enclino para beijá — la. Ela me beija de uma forma muito diferente, me beija com paixão, com humildade. É como se nos comunicássemos através do nosso beijo.
— Eu adorava te levar para o meu apartamento. — Falo entre seus lábios.
— Eu não posso. Tenho um jantar importante!
— Quem diria, eu também!
— Mas é a pedido do meu pai. É importante para ele por isso vou.
— Tudo bem. Te levo para o meu apartamento amanhã.
— Tudo bem.
— Olha eu preciso ir embora daqui a pouco.
— Eu entendo. Podemos ficar só mais um pouquinho?
— Claro. — Eu beijo ela novamente. Nós nos sentamos no banco, e nos olhamos.
— Como vai o teu trabalho?- Ela pergunta. Eu estou surpreso. Apenas minha mãe e Philippe me perguntam sobre o trabalho.
— Muito bem! E eu prometo que te levo para a obra que estamos trabalhando.
— Que bom! — Eu seguro a sua mão.
— Philippe trabalha contigo?
— Tu conheces Philippe?
— É o meu melhor amigo.
— Ele nunca me disse.
— Tu gostas do teu trabalho?
— Eu já respondi uma vez, lembra?
— Tinha esquecido. Eu acho que é melhor irmos embora. Se eu chegar atrasado, minha mãe dá cabo de mim.
— Concordo! — Nós nos levantamos e vamos para casa.
Eu chego na casa da minha mãe e vejo ela a conversar com Delfina. Ela está deslumbrante. Está com um vestido vermelho até ao joelho, saltos altos e o cabelo solto. Uau! Ela quer mesmo impressionar!
— Olá mãe.- Ela se vira e vem me abraçar.
— Tudo bem, querido.
— Muito bem! E parece que com a senhora também!
— Tu nem imaginas filho.
— Cheguei a horas?
— Nem por isso, mas não faz mal. Não te preocupes!
A campainha toca. — Eu abro! Eu abro! — Ela vai a correr abrir a porta.
— Olá, entrem por favor! — Eu oiço seus passos.
— Sejam bem vindos! — Eu me viro e vejo Claire. Oh não! Minha Claire?! Minha mãe está com o pai da minha Claire?! Nós nos olhamos com aflição.
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