Andrea e eu estamos na praia. Uma das desvantagens de ter uma namorada como ela, é que todos os homens olham para seu corpo incrivelmente fantástico, debaixo do biquíni que quase nem existe, de tão pequeno que ele é.
Eu só quero descontrair e esquecer tudo que aconteceu nessa manhã, e esquecer Claire. Andrea vem na minha frente.
— Querido vem nadar comigo!
— Tudo bem. — Eu tiro o meu calção, ficando apenas com a sunga, ela me dá a mão e me leva para a água.
— Sabe qual é a pior parte de ser tua namorada? — Ela coloca os braços ao redor do meu pescoço.
— Qual é?
— Ter de aturar, as muitas mulheres que não tiram o olho de cima de ti!
— O mesmo acontece comigo! — Ela me beija com muito desejo.
— Aí, George, que mulher não gostaria de te ter nesse momento? — Talvez Claire Peterson!
— Conheço uma que não gostaria.
— E quem é ela?
— Ninguém importante! Esqueça!
— Uma ex namorada?
— Não! Todas as minhas ex namoradas, gostariam! Ela é apenas uma amiga da minha mãe!
— Tem mais de cinquenta anos?
— Não! Tem vinte sete!
— E ela é apenas amiga da tua mãe? Não tem nada a ver comigo?
— Tu estás com ciúmes?
— Talvez! Quando tu disseste que ela tem vinte sete anos, eu fiquei preocupada.
— Porquê?
— Sei lá, pensei que fosse uma amiga tua!
— Não! Ela não é nada minha! É amiga da minha mãe.
— Assim espero! Sabe, eu gostava muito de conhecer a tua mãe!
— Um dia destes, eu te apresento.
— Mal posso esperar. Só espero que ela goste de mim.
— Ela vai gostar! — Ela gosta de toda a gente. Se gosta de Claire, vai gostar de Andrea.
Ao entardecer, nós saímos da praia, deixo Andrea em sua casa, e vou para a minha. Eu tiro a minha roupa e entro no chuveiro.
É tão relaxante! E é também um dos muitos lugares que uso para pensar. E ultimamente, o que é que me vem sempre à cabeça? Claire Peterson! Nesses últimos dias, só penso, Claire, Claire, Claire, Claire! Não suporto mais! Eu não consigo tirar ela da minha cabeça. Nem mesmo quando estou com Andrea.
Sempre que me lembro da sua imagem chorando, meu coração dói! Eu não sei o que vou fazer! Não sei o que se passa comigo. Talvez seja apenas culpa. O que eu disse a ela foi horrível, talvez seja isso que esteja me perturbando.
Eu saio do banho, amarro uma toalha e tiro qualquer coisa para vestir. De repente, fico com uma vontade enorme de ver como Claire está. Até aqui, não sei se isso é normal, ou se sinto alguma coisa por ela.
Eu visto minha calça jeans e camiseta azul pálido, e seco o meu cabelo. Se calhar é má ideia vê-la. Eu acho melhor ficar aqui. Eu calço e penteio o meu cabelo. Não. Eu quero ir!
Sento na cama. Vou ou não vou? Ela deve estar zangada comigo. Mas eu quero vê-la ainda assim. Só para saber se ela está bem. Só isso! Mas se eu for, ela vai ficar machucada outra vez. O que é que eu faço?
Eu levanto, agarro no meu telefone, na minha carteira, e nas chaves, e saio. Vou até o carro e acelero até Upper West Side.

Eu chego e desço imediatamente do carro. Eu fico em frente da porta. O que é que eu faço aqui? Eu não sei o que estou a fazer aqui. Ah, sim! Ver se ela está bem! Eu toco a campainha, antes que me arrependa e mude de ideias.
A porta se abre, mas não é Claire. É um senhor cinco centímetros mais baixo que eu, cabelos brancos. O mesmo que eu vi na foto com a Claire bebé, e sua mãe. Agora que penso bem, ela disse que a sua mãe morrera quando ela nasceu. Naquela foto, ela parecia ter um ano de idade.
— Boa noite. Eu gostaria de falar com Claire.
— E quem quer falar com ela? — Uau! Sua voz é muito grave.
— Um amigo. George!
— Espere um segundo. — Ele encosta a porta. — Claire! — Eu oiço ele a chamar por ela.
Talvez não tenha sido boa ideia ter vindo aqui.
Claire sai e fecha a porta atrás dela. Ela está linda com o seu vestido verde escuro e com o casaco preto que está usando.
— Eu pensei que fui clara, quando disse " não voltes". — Ela coloca uma mão na cintura.
— Boa noite para ti também, e não estou muito bem, obrigado por perguntares.
— George, o que é que tu queres?
— Aquele é o teu pai?
— Sim, é! O que é que tu fazes aqui?
— Eu vim ver como tu estás. Eu me sinto muito mal pelo que aconteceu.
— A sério? — Ela caminha para perto do meu carro, eu sigo seus passos. — A sério? — Ela se vira para mim.
— Muito sério. Eu não quis te machucar. Eu sei que tu deves me odiar, e eu entendo. Peço desculpas pelo que eu fiz.
Ela encosta no meu carro e cruza os braços. — Tu vieste aqui à essa hora só para me pedir desculpas?
— Sim!
— E os livros?
— O que têm?
— Porquê tu me destes aqueles livros?
— Porque tu precisavas!
— Como tu sabes?
— Eu vi os teus livros em mau estado no teu quarto. — Ela faz uma caranca.
— O quê? Tu entraste no meu quarto? — Ela fica linda quando está brava.
— Sim! — Eu me aproximo dela devagar.
— Quem tu pensas que és?
— Tu sabes perfeitamente quem eu sou! — Eu coloco os meus braços no carro entre ela, e ficamos tão perto que nossos narizes quase se tocam.
— Eu não sei quem tu és!- Consigo sentir as batidas do seu coração.
— Tu sabes! Eu sou o homem por quem tu estás apaixonada! — Ela pestaneja várias vezes, em uma sucessão rápida.
— George... — Eu não deixo ela terminar, e beijo ela. Coloco a minha língua na sua boca, e começa a brincar com a dela. Suas mãos estão no meu peito, me privando, mas não me impede de continuar a beijá — la. Ela é tão deliciosa! Me sinto como se estivéssemos apenas os dois nesse mundo, ninguém mais. Eu quero ficar assim para sempre. Me perdendo no momento.
Ela tira as mãos do meu peito e coloca nos meus bíceps, eu me aproximo mais e nossos corpos se encaixam. Não existe espaço entre eles. Eu enclino a sua cabeça e continuo beijando com voracidade.
Nós ficamos sem fôlego, e eu finalmente a libero. Sua respiração está muito acelerada, assim como a minha. Eu não pude evitar beijá — la! Ela me trai de uma forma estranha.
— Porquê tu fizeste isto? — Ela fala como se tivesse corrido Manhattan inteira.
— Tu sabes porquê! — Eu tenho que confessar que realmente me sinto atraído por ela. E não me arrependo de tê — la beijado.
— Não! Eu não sei porquê!
— Claire, eu...
— Claire! — O seu pai abre a porta e grita o seu nome me interrompendo.
— Vou já pai! — Ele fecha a porta. — Continua!
Eu tiro o meu número de telefone e entrego a ela. — É melhor tu ires, depois me liga!
— Mas...
— Me liga!
— Está bem. — Ela caminha até a porta e entra. Eu me sinto bem. Estou maravilhosamente bem. Será que minha mãe tinha razão? Será que estou apaixonado por Claire? Ou será que é outra coisa? Será que é apenas um desejo carnal? Será que só quero ela na minha cama?
Eu subo no carro e janto num restaurante aqui perto, e vou para casa. Claire, ainda não ligou para mim. Eu quero que ela ligue para mim. Quero falar com ela.
Eu deito na cama com o telefone ao meu lado. Por favor, Claire liga para mim, por favor, liga para mim! Eu repito na minha cabeça, como se fosse mesmo acontecer. De repente, o telefone toca. Mas é Andrea. Nunca tive tanta decepção em toda a minha vida.
— Alô, Andrea!
— Oi, querido, tenho muitas saudades tuas! — Acabamos de nos ver a horas atrás!
— Eu também. -Minto.
— Que é que tu estás a fazer?
— Estou a dormir. E tu?
— Estou na casa de uma amiga.
— Tudo bem. Espero que te divirtas!
— Eu irei! Não quero interromper o teu sono, nos vemos amanhã!
— Adeus. — Eu desligo.
O que é que eu sinto por Andrea? Quer dizer, eu sempre quis uma mulher como ela. Ela tem todas as qualidades que eu procuro. Claire não! Eu estou com Andrea e não com ela. Eu não devia insistir. Nós somos diferentes. Não vai resultar!

Estou no trabalho, ainda pensando em Claire Peterson. Me pergunto porquê será que ela não ligou para mim? Por um lado, eu acho que foi melhor assim. Por outro lado, eu quero muito que ela me ligue. Minha cabeça está uma confusão incrível.
Minha mãe entra na minha sala. Ela está muito feliz por me ver. Eu levanto e vou até ela. — Boa tarde, filhote! O dia não está maravilhoso? — Ela me abraça.
— Sim está. — Ela me larga.
— Como tu estás? — Seu sorriso me contagia.
— Bem. Quanto a senhora, não preciso perguntar. De onde veio essa felicidade toda?
— Não sei, talvez porque eu conheci alguém.
— Que bom, mãe! Quem é ele?
— Porquê tu achas que é um homem? Podia ser uma mulher!
— Mãe, por favor! — Eu sei que é um homem, só espero que não seja um homem da minha idade! Eu não vou permitir.
— Sim, é um homem.
— Eu sabia. Quem é ele?
— Um dia destes eu te apresento.
— Ótimo! O que traz a senhora aqui?
— Eu vim convidar o meu filhote para almoçar. — Eu estava a pensar em convidar Claire para almoçar.
— Mãe, eu não posso. Eu combinei com outra pessoa.
— Com Philippe?
— Não!
— Com Andrea?
— Não!
— Quem?
— A senhora não conhece!
— Ok.
— Podemos jantar juntos esta noite.
— Eu tenho planos para esta noite.- Claro que tem!
— Então amanhã!
— Tudo bem, filhote. Fique bem.
— Te amo!
— Eu também te amo querido! — Ela sai. Gostaria de conhecer a pessoa que fez minha mãe ficar desse jeito.

Eu vou para onde Claire trabalha. Não há sinal de Philippe felizmente. Eu vejo Claire com uma calça preta, saltos altos e blazer, simplesmente linda. Ela conversa com um homem loiro e magro. Quem será que ele é?
Eu me aproximo deles. — Olá. — Eles olham para mim. O olhar de Claire é indescritível. Eu acho que está com raiva.
— John, depois falamos.
— Tudo bem. Até mais. — Ele vai embora.
— Quem é ele?
— Não importa. O que é que tu fazes aqui?
— Eu quero saber, porquê tu não ligaste para mim?
— Eu achei que não era boa ideia.
— Porquê não!
— Por vários motivos.
— Podemos discutir isso, em outro lugar?
— Agora?
— Sim, agora!
— Podemos ir para um restaurante aqui perto.
— Eu não tenho fome.
— Vamos apenas beber qualquer coisa, se quiseres.
— Não tenho cede.
— Então podemos conversar num lugar mais calmo?
— Porquê tem de ser agora?
— Se quiseres falamos mais tarde. Eu vou em tua casa!
— Está bem. Então, até depois!
— Ou então, eu posso vir buscar — te e vamos para tua casa.
— Tudo bem.
— Até depois!

Eu saio do trabalho e vou buscar Claire. Eu espero ela no carro. Não sei porquê, mas estou tão nervoso. Ela abre a porta e sai. Eu também saio. Ela chega até mim.
— Tu esperaste muito tempo? — Ela não tiro os olhos de mim. Seus óculos ficam muito bem nela.
— Não! Vamos? — Ela caminha até a porta do passageiro e entra, sem esperar que eu o fizesse por ela. Eu também entro no carro e fechamos as portas ao mesmo tempo.
— Tu estás muito linda! — Ela me olha incrédula.
— Obrigada. Tu também estás!
— Eu sei. Sempre estou!
— Convencido! — Ela diz baixinho.
— O quê?
— Nada! — Finjo que não ouvi. Ligo o carro e levo ela para casa.
Nós chegamos finalmente. Saímos do carro e sigo ela para dentro de casa. Entramos e ela fecha a porta.
— Senta! — Eu me sento, e ela vai para o quarto. Eu quero entrar lá, mas não vou fazer isso. Não quero que ela se assuste.
Depois de dez minutos, quando eu me levanto para entrar no quarto, ela aparece com uma blusa branca de mangas compridas, e calção jeans.
— O teu pai?
— Ele saiu. E tenho a certeza que não volta tão cedo.
— Ótimo! Assim temos mais tempo para conversar. — Eu me sento outra vez e ela faz o mesmo.
— Porquê não ligaste para mim?
— George, tu tens namorada. Eu não quero complicações na minha vida.
— Mas tu sabias que tínhamos que conversar. Eu passei a noite toda a espera da tua ligação.
— A sério?
— Sim!
— Porquê tu me beijaste outra vez? Estavas mal da cabeça? Outra vez?
— Não! Eu não consegui evitar! — Ela esconde o seu rosto. — Eu me sinto atraído por ti. — Ela levanta o rosto, e fica com a boca aberta.
— Pensei que jamais te apaixonarias por alguém como eu!
— Eu não sei se estou apaixonado, mas eu não paro de pensar em ti.
— Tu estás a brincar não?
— Nunca falei tão sério em toda a minha vida. Eu quero saber se tu me queres. — Eu me aproximo dela e ela levanta e fica perto da porta. Eu também me levanto. Ela encosta na parede. Ótimo, um lugar que não vai conseguir fugir de mim!
— Isso é errado! — Eu fico a sua frente e coloco as mãos na parede, e ela fica no meio dos meus braços para que ela não fuja
— Errado, é o meu nome do meio, baby! — Ela esconde o seu rosto. — Não se esconda por favor! Apenas me diz se tu ainda me queres! — Ela olha para mim profundamente.
— Tu mesmo disseste! A divergência entre nós é enorme!
— Eu não quero saber disso!
— Eu quero. Tu tens namorada!
— Posso deixar de ter! Se tu quiseres.
— A sério?
— Sim! Se tu dizeres que ainda me queres!
— George, nós somos como gato e rato, e água e azeite, não vai resultar!
— Claire, não diga isso! Não me machuque!
— Eu só digo a verdade!
— Não! Tu dizes o que tu achas que é verdade! A verdade é, que tu me queres como eu te quero. — Ela abana a cabeça em negação. Suas palavras sumiram.
Eu olho para ela e subo os seus óculos para acima da testa. Seus olhos azuis não saem dos meus. Eu sei o que ela quer! Ela quer a mim, e eu quero a ela. Eu beijo ela sem piedade, e com bastante desejo. Ela me deixa muito louco. Ela me faz sentir, o que nenhuma outra mulher me fez sentir.
Ela coloca as mãos na minha cabeça, me puxando para ela. Eu quero tudo com ela nesse momento, tudo!
Eu quero parar mas ela não me deixa. Eu paro com muita relutância, por parte dela.
— O que foi? — Ela pergunta, suas mãos ainda na minha cabeça.
— Eu preciso ir embora!
— Porquê, tu tens sempre de ir embora, num momento destes?
— Eu preciso ir!
— Eu entendo. Tu vais ter com a tua namorada?
— Tu estás com ciúmes?
— Sabes, é melhor tu ires embora. — Está com ciúmes! Ela tira as mãos da minha cabeça, mas continuo a manter ela presa na parede. Eu não quero ir embora! Eu quero ficar assim para sempre.
— Vá embora, George! — Eu dou um selinho nela e me afasto.
— Me liga! Desta vez me liga e diz o que tu queres que eu faça, tá?
— Como assim?
— Apenas me liga. — Eu dou as costas para ela e ando até a porta sorrindo. Eu abro a porta e olho para ela. — Se tu não ligares, eu vou considerar como um não. — Eu saio, e fecho a porta.
Minha mãe tinha razão. Eu estou apaixonado por Claire Peterson. Espero que ela diga que quer ficar comigo. Eu quero que ela seja minha namorada. Eu não sei como, mas caí na sua armadilha. E agora, só me resta esperar!