Choro até me aperceber que as minhas lágrimas estão gastas. Me sinto muito mal. Me sinto como se estivesse no inferno. Claire está grávida e foi embora da minha vida. Eu não sei o que vou fazer de agora em diante. Me levanto, tomo banho e me preparo para ir trabalhar.
Eu não sei se vou conseguir ultrapassar isso, Claire é muito importante para mim, e saber que nunca mais estaremos juntos, ou que ela me odeia me machuca. Eu saio de casa sem tomar o pequeno almoço, e vou para a John Renner.
De repente, algo me faz parar no meio da estrada, fazendo com que os carros à minha trás buzinem com raiva. Lágrimas escapam dos meus olhos, e não consigo mais continuar conduzindo. É isso que eu quero para mim? É isso que eu quero para a minha vida? Ou quero estar com Claire até que a morte nos separe?
Eu tiro o anel, que eu comprei para Claire, e o observo demoradamente. Tudo o que ela me disse há uma hora me machucou muito. Me machuca que ela pense que eu a enganei. Eu não a enganei! Eu amo ela, e não queria perdê — la! Eu não quero perdê — la!
Coloco o anel no bolso, e conduzo até à Diamond world. Eu preciso de ajuda. Eu não sei o que se passa comigo. Eu quero que Claire volte para mim, quero cuidar dela e do nosso filho, mas tenho medo que não seja um pai à altura.

Entro no grande edifício da Diamond World, e caminho que nem um louco ao elevador. As pessoas apenas olham para mim, mas não me importo. Quando chego ao piso superior, eu corro até ao escritório da minha mãe, mas não a encontro. Sua secretária diz que está numa reunião. Eu sento na sua cadeira e espero durante uma hora.
Minha mãe e Rebecca entram na sala e olham para mim confusas, e incrédulas. Eu me levanto e abraço a minha mãe.
— George, o que foi? — Ela fica ainda mais confusa com o meu comportamento.
— A senhora tinha razão! Todos tinham razão!
— Sobre o quê?
— Sobre mim.
— Eu vou resolver alguns assuntos... — Rebecca diz, mas a corto.
— Não precisa sair. Não é novidade nenhuma que eu sou um idiota, e que estrago sempre tudo! Ao longo desses anos, eu sempre quis uma mulher que fosse outro nível, ou seja diferente, perfeita! Eu namorei com muitas mulheres inclusive você Rebecca. Mas eu não o fiz por amor. Foi egoísmo mesmo. Não me apercebi que as coisas vêm por si só. Eu cometi alguns erros. Alguns não! Muitos erros! E agora, eu vejo que tudo que eu fazia, não era benéfico para mim, nem para ninguém. Eu sempre fui um cabeça dura, e sempre pensei e entendia as coisas de uma forma diferente, só para não dizer errada. Machuquei muitas mulheres. E tudo porquê? Porque eu julgava tudo que elas demonstravam ser, sem me aperceber de que eu era, ou sou pior do que elas. Eu não sou o que todos esperam que eu seja. Ninguém é! Ninguém pode agradar a todo mundo e nós como humanos devemos saber disso muito bem, mas não é porque tentamos fazê-lo, mas porque obrigamos que os outros nos agradem. E isso está errado. Uma coisa é boa, não quando pedimos ou obrigamos, mas sim quando nos dão por merecer. Eu sei que estou a falar de mais, mas onde eu quero chegar é, eu lamento muito se te desiludi, mãe, eu sempre senti que não merecia o seu orgulho, porque eu não sou um bom filho, e não quero que pense que é culpa sua mãe, não é! Fui eu quem escolhi os meus caminhos, eu errei, e não fui prudente nessas mesmas escolhas, mas, eu tenho orgulho em ser seu filho, e ainda que a senhora não tenha, eu te amo muito mãe, e peço desculpa por tudo.
— George! — Minha mãe limpa as lágrimas. — Não precisa pedir desculpa por nada.
— Preciso sim. E você Rebecca. Eu lamento o quanto eu te fiz sofrer. Você de certeza merece alguém melhor. Alguém como Philippe. Eu espero que vocês sejam muito felizes, e se alguma vez, eu te disse ou fiz coisas erradas peço mil desculpas e espero que possamos ser amigos novamente.
— Claro que sim, George! Sempre! — Nós três nos abraçamos.
— Agora, eu preciso ir. Claire precisa de mim! — Eu saio e corro até ao elevador, antes de entrar, oiço a voz de Rebecca: — Nunca desista de Claire, George! — Ela sorri para mim, e eu devolvo o sorriso. Depois entro no elevador, e espero até chegar no piso térreo.

Paro o carro na casa de Claire. Philippe me disse que não foi trabalhar, e eu tenho a certeza de que ela está em casa. Talvez chorando, por minha causa. Eu toco a campainha, e ela abre a porta depois de cinco minutos.
— Oi Claire! — Ela olha para mim com raiva.
— Pensei que tinha dito para se afastar de mim, e do meu filho.
— Nosso filho, Claire!
— Está muito enganado! Meu filho!
— Nosso!
— O que você faz aqui?
— Eu preciso que me oiça Claire. Eu não quis dizer aquelas coisas. Eu não quis dizer que não queria o bebé, eu apenas tinha medo, Claire.
— Medo?
— Eu não sei se eu serei um bom pai para ele, e se não for, não quero que você e o bebé me odeiem. Eu não tenho experiência nenhuma com isso, e você me diz que está grávida, como queria que eu ficasse?
— Eu também não tenho experiência nenhuma com isso George, mas a gente aprende com o tempo.
— Mas e se não aprender?
— A gente sempre aprende!
— Eu quero que me perdoe, Claire, e que possamos ser uma família, eu, você e o nosso filho. — Eu me ajoelho, tiro o anel do bolso e abro a caixinha. — Lembra quando eu disse ontem, que tinha um presente para você? — Ela faz que sim.
— Eu quero que você case comigo Claire! — Ela olha para mim, e suas lágrimas são param de cair.
— George, eu não sei o que você quer! Eu também tenho medo. Que você esteja cometendo um erro. Que não seja isso que você quer.
— Eu nunca tive tanta certeza em toda a minha vida, Claire, e eu só saio daqui, se aceitar se casar comigo. Eu juro!
— Você me ama tanto a assim, George?
— Você não?
— Claro que sim, mas você me machucou muito. Eu lamento. — Ela entra e fecha a porta.
Eu não saio daqui até Claire disser que aceita casar comigo! Não importa quanta fome tiver, quanta cedo tiver, ou quanto frio, eu não saio daqui!
Eu sento na frente da porta de sua casa, esperando, mas Claire nem sequer olha pela janela. Eu quero que ela saiba, que eu estou arrependido e quero muito resolver essa situação. Agi mal, e fui muito cruel com ela. Fui um idiota, e espero que ela me perdoe.

Já são quase oito da noite, e estou aqui desde manhã. Tenho muita fome, muita sede, e muito frio, mas não vou sair daqui! Se tiver que parar no hospital assim será, mas não saio daqui até Claire disser que aceita ser minha mulher.
Claire sai de dentro de casa, finalmente, e olha para mim, preocupada.
— George, por favor, vá para casa.
— Eu não saio daqui, até que você me perdoe e aceite casar comigo.
— Você precisa se alimentar.
— Não importa! Não saio daqui.
— Tudo bem. — Ela fecha a porta.
Cinco minutos depois ela sai novamente. Me entrega uma sanduíche, mas me recuso a comer.
— George, por favor!
— Eu não saio daqui!
— Você tem de trabalhar amanhã, George!
— Não saio! — Ela deixa o prato com a sanduíche no chão e vai embora. Eu quero muito comer, mas não! Não posso. Vou continuar aqui, não importa até quando.

Na manhã seguinte, Claire me acorda, e me obriga a ir embora, mas eu não saio. Não vou desistir! Eu não sou um desistente.
— George, porquê não comeu?
— Claire por favor, me perdoe! Eu como se disser que me perdoa e que casa comigo.
— George, eu já disse...
— Então, só saio daqui numa ambulância!
— George, você não come desde ontem de manhã, está sujo e tem sede, eu não quero que adoece.
— Eu não saio daqui já disse!
— George, por favor! Você precisa trabalhar para cuidar do nosso filho.
— Claire, eu só vou comer, beber, tomar banho, ou ir trabalhar se você aceitar se casar comigo.
— Tudo bem. — Ela leva o prato de sanduíche para dentro e fecha a porta novamente.

Já são meio dia, e ainda estou aqui. Estou tão fraco que eu não sei se vou mais aguentar. Eu não sinto sequer as minhas pernas, não as movi desde que me sentei aqui.
Claire sai de dentro, e ajoelha na minha frente. Seus olhos estão vermelhos e cheios de lágrimas. Eu não quero que ela sofra! Apenas quero que case comigo.
— George, você não vai mesmo sair daqui? — Eu abano a cabeça em negação. Ela chora ainda mais. — Nunca ninguém fez algo assim por mim. Você me ama tanto assim? — Faço que sim com a cabeça. Não consigo falar. — Eu sei. Eu acredito em você. Não precisa ficar um dia inteiro sem comer nada, sem beber nada. Eu também te amo, e quero tentar outra vez. — Finalmente!
— Sério? Você quer ser minha esposa?
— Sim! — Eu faço um esforço para sorrir, depois entrego o anel e ela o coloca. — Vamos para dentro você está muito fraco. — Ela me ajuda a levantar.

Depois de dois meses, Claire e eu nos casamos. Minha mãe está muito orgulhosa de mim, e eu estou muito feliz por me casar com a mulher que eu amo. Nunca pensei que fosse ter um relacionamento tão sólido com alguém, simplesmente não esperava.
Seis meses depois Natasha nasce. Nós decidimos chamá — la de Natasha em homenagem à mãe de Claire. Nossa filha é linda. Tem cabelos castanhos como nós, mas olhos verdes como eu. Estamos tão felizes por tê — la por perto. Principalmente eu, porque pensava que não queria essa vida, mas agora me pergunto porquê demorei tanto para perceber esse lado maravilhoso da vida.
No primeiro aniversário de Natasha, nós damos uma grande festa. Rebecca e Claire agora são amigas inseparáveis, Michaela e Natasha também. Claire está grávida outra vez, e dessa vez é um menino. Decidimos que o seu nome seria John, em homenagem ao meu pai. Claire teve essa ideia, e eu achei muito bom.
O nascimento de John, por coincidência foi no meu dia de aniversário. Melhor presente que esse é impossível. Claire e eu estamos muito felizes. No mês seguinte decidimos nos mudar na nossa nova casa. Claire leva John no colo enquanto eu carrego as nossas coisas. Nós arrumamos tudo depois colocamos John a dormir. Ele é também tem cabelos castanhos mas olhos azuis como Claire. Natasha tem quase dois anos, e é muito brincalhona. Já anda e fala, mas não tão bem.
Minha mãe decide nos visitar na nossa nova casa, juntamente com seu novo marido italiano Francesco, Rebecca, Philippe, Michaela, e Robin, o filho deles de um ano de idade. Claire os recebe e nos sentamos na grande sala de estar.
— Natasha, você está tão grandinha! — Minha mãe abraça ela.
— Robin também está! — Eu brinco com o seu cabelo.
— Claire, eu posso ver John? — Michaela pergunta.
— Ele está dormindo Michaela, quando ele acordar está bem? — Philippe responde.
— Está bem, papai.
— Claire, muitos parabéns, fiquei sabendo agora que você vai ser colega de Philippe. — Minha mãe diz sorrindo.
— Eu sei. Magistrada Claire Renner! Soa muito bem. — Nós rimos todos. Ouvimos o choro de John, e Claire corre para o quarto.
— Acredite que não é tarefa fácil ser magistrado do ministério público.- Philippe responde.
— Eu acho que vou me reformar daqui a uns anos, estou cansada de trabalhar.
— Eu também acho mãe. A senhora trabalha há mais de trinta anos na Diamond World, agora a senhora precisa de descanso! — Natasha senta no meu colo.
— Eu sei.
— Sabe Rose, sem a senhora na empresa não vai ter graça. — Rebecca diz um pouco triste.
— Eu sei, eu sou uma idosa bastante divertida. — Nós rimos. Claire desce das escadas com John nos seus braços.
— Olhem quem acabou de acordar. — Ela senta ao meu lado.
— Já posso ver John? — Michaela pergunta.
— Claro que sim. — Ela se aproxima de Claire, olha para ele.
— Posso pegar nele?
— Está bem. — Ela coloca John nos braços de Michaela, mas não deixa de segurá — lo.
— Ele é muito bonito. — Diz Michaela.
— Ele é sim. — Respondo.
Após almoço, nos despedimos de todos. Natasha e John estão dormindo. Nós lavamos a loiça, e depois vamos para o quarto descansar.
— George, tu nem imaginas como eu estou feliz. — Claire me abraça ainda mais apertado.
— Não! Tu é que nem imaginas o quanto estou feliz! Você me faz feliz, Claire!
— Você é a minha felicidade!
— Eu te amo.
— Eu também te amo.
Nós dormimos abraçados, como fazemos sempre, numa paz, que não pode ser expressada por palavras.
Eu era um homem perdido. A vida veio, e complicou ainda mais a minha vida. Aí veio a escolha e complicou ainda mais. Depois veio Claire, e complicou ainda mais, mas depois a complicação se tornou em algo completamente claro. Conheci algo diferente, algo indescritível, e imutável, algo que nunca pensei que fosse conhecer. Quanto à perfeição? Bem, é algo que muitos dizem que nunca teremos. Mas o fato de nos aceitarmos como imperfeitos, nos torna "perfeitos".

Notas finais
Esse foi o último capítulo, muito obrigado por terem lido, e espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!