Não sei o que dizer. Eu vou ser pai! Eu vou ser pai! Eu vou ter um bebé! Isso não pode ser. Eu não sei o que vou fazer! Claire está grávida, e eu não sei o que fazer. Eu ando de um lado para o outro, aflito. Um bebé, é algo muito importante, mas também cuidar dele, é bastante complexo, e eu não sei se sou capaz. Claire me pára e me obriga a olhar para ela. Eu não tenho palavras para descrever o que sinto.
— George, diz qualquer coisa! — Continuo calado, não porque quero, mas porque simplesmente não consigo falar. Ela me pegou de surpresa.
— George, por favor!
— Eu não sei o que dizer!
— Você quer esse bebé, não é? — Não sei como responder esta pergunta, nem eu sei a resposta.
— Eu não sei, Claire!
— Como você não sabe? George, você disse que tinha mudado de ideias.
— Eu sei, mas eu ainda tenho dúvidas.
— Dúvidas? Você disse que queria ter filhos simplesmente porque queria que eu voltasse para você?
— Não, Claire! — Ela se afasta de mim.
— George, eu não acredito que eu confiei em você, e depois, faz isso comigo. — Ela limpa as lágrimas com as costas das mãos. — Como pode me dizer uma coisa, e depois fazer outra coisa, e agora?
— Claire, eu não pensei que fosse assim tão cedo.
— Me responde se você quer ou não esse bebé?
— Eu não sei.
— Sim ou não? — Não digo nada. Eu não sei se quero realmente esse bebé. Eu pensei que tinha mudado de ideias, mas agora já não sei de mais nada.
— Eu não acredito, George! — Eu tento tocá — la, mas se afasta. — Não se atreva a me tocar! Se você não quer esse filho, não pense que eu vou abortar! Eu posso cuidar dele sozinha, mas nunca mais me procure, George! Se afaste de mim, por favor. Eu acreditei em você, e olha no que deu! Você não quer assumir a responsabilidade!
— Claire...
— Cala a boca! Eu pensei que hoje seria um dia feliz para mim, e olha só, você não quer ter um bebé.
— Claire...
— Claire, nada! — Ela me dá as costas, tentando fugir de mim, mas agarro o seu braço.
— Claire não vá embora, por favor!
— Me larga, George!
— Se te largar, você vai embora, eu não posso fazer isso.
— George, me larga, por favor!
— Eu te amo, Claire!
— Mas não quer saber do meu bebé!
— Eu não quero estragar...
— A sua vida?
— Não! Não é isso, eu não posso Claire! Um bebé não é para mim.
— Então me deixe! — Eu largo o seu braço.
Ela entra na sala, e me deixa sozinho. Porquê isso foi acontecer? Porquê? Estávamos tão bem e felizes! Eu ia pedi — la em casamento, mas agora já não importa. Está tudo acabado.
Eu saio da varanda e vou para a sala de estar. Minha mãe olha para mim, depois me abraça. Eu choro no seu ombro.
— O que foi, filhote, Claire disse que não? — Ela me larga.
— Onde ela está?
— Ela veio para cá chorando e pediu para Roy levá — la para casa. O que houve?
— Ela... Ela...
— Negou o seu pedido de casamento?
— Eu nem cheguei a pedi — la em casamento. É que... Claire está grávida! — Minha mãe senta no sofá, depois sorri.
— Isso é uma notícia muito boa, George! Eu vou ser avó!
— Eu não sei se quero esse filho.
— Como assim, George?
— Ela foi embora por causa disso.
— Eu pensei que você tinha mudado, e que queria ter filhos. Você me disse isso, George.
— Eu não sei se eu estava bem. Não é que eu não queira, é só que, eu tenho medo, mãe.
— Medo de quê, George?
— Medo de não ser um bom pai, para esse bebé, medo de errar, medo de tudo. — Eu sento perto dela.
— George, no início é sempre assustador, principalmente quando é a primeira vez. Claire deve estar mais assustada que você, e você devia mostrar para ela, que não está sozinha nisso, George! Cuidar de um bebé sozinha, não é tarefa fácil.
— Eu não sei o que fazer.
— George, vai atrás dela, e diz que quer tentar!
— Mas e se eu não quiser tentar?
— Então você vai perder Claire e o seu filho. George, você não pode fazer uma coisa dessas! Deixar Claire cuidar do bebé sozinha?
— Mas...
— Mas nada! George, eu já não sei o que fazer com você. Se você deixar Claire sozinha, eu não vou deixar, porque esse bebé é meu neto! Você não quer o bebé, e vai deixar que ela cuide dele sozinha? Onde eu errei com você, George?
— Entenda, mãe!
— Eu não entendo! Realmente eu não entendo! Sabe que mais, George, faz o que quiser, você me desiludiu muito. Nem imagino como Claire deve estar se sentindo.
— Eu preciso ir embora, mãe. — Eu me levanto.
— Eu espero mesmo, George, que você não tome a decisão errada e se arrependa!
Eu saio e ando até o carro, depois entro e ligo o carro e vou embora. Só quero ir para bem longe de tudo isso. Quero ir para um lugar, melhor, sei lá, qualque lugar menos aqui. Não quero ver ninguém, muito menos falar com ninguém.

Chego em casa, e ainda encontro as coisas de Claire. Eu me deito na cama, e tento não chorar. Eu pensei que estávamos bem, como isso foi acontecer? Ela engravidou, e eu fiz com que fosse embora. Pego no meu telefone e ligo para Philippe.
— George!
— Oi Philippe. Porquê não me disse que Rebecca é sua namorada?
— Você não imagina quantas vezes eu tentei George, mas você nunca me deixava falar, me interrompia para falar de Claire!
— Não fala o nome dela, por favor!
— Porquê não? Discutiram outra vez?
— Ela está grávida!
— O quê? Você vai ser pai?
— Parece que sim.
— Espera aí! Não é o que eu penso, pois não? Você terminou com ela porque está grávida?
— Eu não quero errar com esse bebé!
— Amigo, acredita, já errou!
— Eu não sou capaz!
— Quer dizer que vai deixar ela ser mãe solteira? Vai deixar que ela cuide do bebé sozinha? Vai deixa que ela vá as consultas pré — natais sozinha? Comprar tudo o que o bebé precisa sozinha, vai abandoná — la desse jeito, como se tivesse feito esse bebé sozinha? Se sim, eu não sei quem você é George, e vou entender se ela voltar para Rogers!
— Não precisa falar assim, Philippe!
— Não?
— Se Rebecca dissesse para você que está grávida, o que faria?
— Faria o que tinha de fazer. Apoiá — la, ajudá — la, e cuidar dela, porque eu sei que gravidez não é coisa fácil, e faria de tudo para que o meu filho não tivesse à falta de nada. Ia garantir que ele tinha tudo, principalmente à mim.
— Mas as pessoas são diferentes!
— Sabe George, se Claire te deixar e casar com outro que queira cuidar desse bebé, e te afastar para sempre dele, não fala que eu avisei! E mais devia agradecer por ter um filho, porque milhões de pessoas não podem, e você que pode não quer saber dele? Sabe que mais, George, eu cansei te dar conselhos! Faz o que quiser da sua vida, só não se arrependa depois! — Ele desliga, sem me deixar falar nada. Nunca vi Philippe desse jeito, devo tê — lo irritado mesmo. Todos estão zangados comigo, sem entender a minha situação.

Na manhã seguinte, me levanto cedo, mas não tenho vontade de fazer nada, nem trabalhar, nem nada! Só quero ficar aqui, e não ser incomodado por ninguém. Ligo para Philippe, mas ele não atende, depois para a minha mãe, mas diz que está ocupada. Eu sei que eles estão zangados por causa do que fiz ontem.
Me levanto e vou para a cozinha beber um copo de água. A campainha toca em seguida, fazendo com que o meu estômago se contraia. Quem será?
Caminho até a porta lentamente, mas estou relutante em abri — la. Eu tenho medo. E se for Claire por detrás dessa porta?
Eu abro a porta, e o meu medo se transforma em realidade. Claire está aqui! Vestida com uma calça jeans, blusa branca, e com o cabelo num rabo de cavalo. Seu olhar, é tão triste que aperta meu coração. Ela entra antes que eu diga alguma coisa, e se dirige para o quarto. Eu vou atrás dela, e ela não diz nada. É como se eu não estivesse aqui. Me aproximo dela, e coloco a minha mão no seu ombro, fazendo com que ela vire para mim, e me encare.
— Claire, você está bem? — Seus olhos ficam encharcados, mas tenta evitar as lágrimas.
— O que você acha?
— Claire, você sabe que eu...
— Eu não sei. Eu pensei que sabia! Eu me separei de Frank, para ficar com você, George! E tudo porque eu te amo! Você me garantiu que queria o mesmo que eu, mas não! Eu me sinto enganada! Talvez se eu tivesse ficado com Frank, eu, não teria esse desgosto! Porque ele não faria o mesmo que você!
— Você não sabe, Claire!
— O que eu não sei, é quem você é! Também não sei porquê eu continuei com isso! Eu devia me separar de você, a partir do momento em que me disse que não queria essas coisas, mas eu fui uma idiota, e caí na sua armadilha.
— Eu não queria te machucar, eu juro!
— Sabe, você e Andrea se merecem! Eu devia ter ficado bem longe de você, George! Você nem imagina como eu me arrependo de ter conhecido você! Me arrependo de tudo!- Eu não acredito que ela pense assim. Ela não pode dizer uma coisa dessas. É mentira!
— Eu não me arrependo, Claire! O que você me fez sentir, o que você me fez, mudou a minha vida para sempre Claire! Nunca fui tão feliz em toda a minha vida! Você me fez feliz de uma forma que nunca nenhuma outra mulher conseguiu. Eu aprendi muitas coisas com você Claire! Você me fez alguém melhor, me mostrou o mundo de uma forma diferente. Se você está arrependida de tudo isso, eu não estou!
— Ainda bem, que você pode ser feliz. Mas já acabou! O que você fez George, eu não esperava de você! Eu acreditei em você! Eu pensei que fosse um homem maravilhoso, por isso me apaixonei mais e mais por você! Eu acreditei em você, George! Consegue ver a gravidade da situação?
— Já não acredita?
— Não! Tudo que eu sei, é que o homem por quem eu me apaixonei, não existe! Não é o que eu pensei que fosse. Você me enganou George! Eu confiei em você, e você me enganou descaradamente! E quando eu chego toda feliz e digo que vamos ter um bebé, você me deixa, me abandona, como se não fosse nada! Como se nunca na sua vida...
— Não é verdade, Claire!
— Não? Você negou o seu próprio filho, George!
— Porquê ninguém me entende?
— Não há nada para entender! Apenas que você não quer uma criatura que é sangue do seu sangue! Nunca fui tão humilhada e desiludida em toda a minha vida, George! Muitos parabéns por me fazer sentir assim!
— Você sabe que eu...
— Chega! Já chega George! Eu não quero mais ouvir! — Ela arruma as suas coisas, e chora.
— Claire...
— Eu quero você bem longe de mim e do meu filho, entendeu? Nunca mais me procure!
— Claire...
— Não era o que você queria? Eu vou me afastar de você, e pode fazer o que quiser da sua vida mas, esqueça que eu existo! Esqueça que alguma vez me conheceu! Esqueça que alguma vez, fui sua namorada! Esqueça que alguma vez, eu disse que te amava, esqueça que eu disse que teríamos um filho, esqueça tudo! Meu nome, morada, telefone, meus beijos, meus olhos, meus abraços, meu rosto, meu coração, minha alma, meu corpo, apague tudo isso da sua memória! E sempre que me vir, não se aproxime! Não olhe para mim, sequer!
Ela agarra nas suas coisas, e antes de sair olha para mim com raiva e dor. Muita dor. Me observa como se estivesse guardando a minha imagem na sua cabeça. Como se nunca tivera visto meu rosto. E eu quero abraçá — la, e beijá — la, mas não! Ela me odeia! Eu estraguei tudo, e dessa vez, é definitivo. Eu perdi Claire Peterson para sempre!
Depois de um bom tempo olhando para mim, ela limpa as lágrimas, e me olha com carinho.
— Espero que não se arrependa depois, George!
— Claire, eu... — Eu agarro a sua mão.
— Adeus, senhor Renner!
As nossas mãos se separam, e Claire vai embora, me deixando com o coração partido. Eu caio de joelhos no chão, e choro como nunca chorei em toda a minha vida. É como se já nada fizesse sentido. Me sinto perdido, e não sei o que fazer. Perdi tudo que eu tinha de mais precioso. Perdi Claire. Para sempre.