Nestes últimos três meses, os meus dias têm sido extraordinários. Claire e eu estamos muito felizes, temos saído muitas vezes para jantar, passear, ir ao cinema, andar de bicicleta, fazer piquinique, temos dormido juntos todos os dias, por vezes em sua casa, por vezes na minha. Já esquecemos todo que aconteceu, agora está tudo bem entre nós.
Na manhã de domingo, Claire decide fazer um bolo. Eu fico na cozinha observando, todo o procedimento que ela faz. Coloca o açúcar e a manteiga na batedeira e bate. Depois acrescenta ovos, e volta a bater. Acrescenta também o leite e bate novamente.
— Sabes, tu és a única mulher que eu conheço que sabe cozinhar. — Peneira a farinha o fermento e o cacau em pó.
— Sério? Nem Rebecca, sem Andrea sabem?
— Não! Nunca namorei com uma mulher cozinheira. -Adiciona o que tinha peneirado na batedeira e bate mais uma vez.
— Ainda bem, que eu apareci na tua vida. Eu vou te mostrar muita coisa, senhor Renner!
— Ah é? Mal posso esperar! — Me aproximo dela e beijo a sua testa.
Ela termina de bater, coloca a massa numa forma circular e coloca no forno.
— Já terminei!
— Eu acho que não.
Pego num ovo, parto na sua testa e despejo no seu cabelo. — George Edward Renner, eu não acredito que você fez uma coisa dessas! Se você quer jogar, tudo bem, mas eu vou ganhar! — Ela pega no leite e atira na minha cara.
Agarro na farinha e jogo nela, e ela recebe a tigela da farinha, despeja toda ela em mim, enquanto solta gargalhadas. Eu agarro na outra tigela de ovos, e ela foge de mim.
— George, não te atrevas a fazer isso! — Eu rio.
— Ah não? — Ela fica do outro lado da ilha, seguindo meus passos. — Vem cá, Claire!
— Não me parece. Você vai ter de me apanhar mesmo!
— Tudo bem.
Eu corro até ela, e ela foge, mas eu a agarro rapidamente, prendo ela nos meus braços e despejo os ovos no seu cabelo. Estamos completamente sujos, mas estamos nos divertindo. Eu estou me divertindo como nunca me divertir com nenhuma outra mulher. Pego no guardanapo, e limpo o seu rosto, depois nós beijamos apaixonadamente.
— Meu Deus! Olha o estado da cozinha! — Claire olha para o chão todo sujo. — É melhor começar a limpar.
— Eu ajudo. — Ela me dá um beijo, e começamos com a limpeza.

Nós terminamos de arrumar a cozinha, e vou tomar banho, enquanto Claire faz a cobertura do bolo. Lavo o meu cabelo para tirar todos os resíduos, e depois o meu corpo. Quando chego ao fim, amarro uma toalha, e utilizo outra para limpar o cabelo. Claire entra no banheiro, e tira a roupa.
— Se eu tivesse esperado, mas um pouco, teríamos tomado banho juntos. — Digo.
— Que pena! Haverá uma próxima vez! — Ela entra no chuveiro.
Eu vou ao quarto, me visto, e seco o cabelo. A campainha toca, após vinte minutos. Eu vou para a sala abrir a porta, e para a minha surpresa, vejo Rebecca Williams na minha frente. Ela sorri, e sem a minha permissão, entra e senta no sofá. Eu fecho a porta, e vou até ela.
— Rebecca, o que é que tu estás a fazer aqui?
— Eu vim te ver. E tomar o pequeno almoço contigo.
— Eu tomei o pequeno almoço há imenso tempo.
— O que é que se passa? — Claire entra na sala, e dá um daqueles olhares gélidos para Rebecca.
— Oi Claire. Eu vim visitar George, não sabia que tu estarias cá. — Rebecca diz arrogantemente.
Claire anda até mim, e responde: — Eu percebi.
— Vamos nos sentar. — Digo, e levo Claire até ao sofá, nós nos sentamos, de frente para Rebecca.
— Como está Michaela? — Claire pergunta enquanto apoia a cabeça no meu ombro. Oh céus! Eu tenho a certeza de que isto não vai acabar bem.
— Está muito bem.
— Mas que falta de educação, tu não queres nada Rebecca? Talvez uma fatia de bolo de chocolate? — Claire pergunta.
— Estou de regime, mas tudo bem.
Claire levanta e vai para a cozinha. Se eu fosse possível escapar daqui, eu iria mas, infelizmente moro aqui.
Rebecca sorri para mim, e brinca com o cabelo, depois cruza as pernas, fazendo com que seu vestido suba, e suas pernas apareçam, e inclina o tronco para frente, mostrando os seus decotes. Que Deus me ajude!
Claire volta da cozinha com uma bandeja, e coloca na mesa de centro. Rebecca, volta à posição que estava antes de Claire sair, pega no seu bolo, e come.
— Como vai o teu trabalho, Rebecca? — Claire não pára de perguntar. Eu sei que ela ainda tem ciúmes de Rebecca.
— Muito bem. Adoro trabalhar com a tua mãe, George. Ela é uma mulher incrível, e eu quero ser como ela quando fizer sessenta!
— Todas as mulheres querem. Ela é uma mulher excecional, é amorosa e é uma ótima sogra! — Claire levanta uma sobrancelha para Rebecca, depois como o seu bolo.
— Eu imagino. — Rebecca responde derrotada. — George, tu lembras quando, ela levava a gente naquele restaurante chinês todos os fins de semana? — Ela sorri.
— Impossível esquecer! — Com você lembrando, mais ainda.
— Ah sim! Eu gostava muito de conhecer. Você me leva lá, meu amor! — Claire olha para mim e faz beicinho. Eu sei o que é que essas duas estão a fazer, e preciso acabar com isso, mas ainda não sei como.
— Claro que sim, querida! — Responde impassível.
— Tu vais adorar Claire. Por vezes, nós íamos lá ás escondidas, quando éramos namorados, depois íamos ao cinema, e depois vínhamos para cá. Eram noites loucas! — Rebecca diz se sentindo vencedora. Ela não disse isso!
— Sério? — Claire olha para ela com raiva.
— Isso foi a muito tempo. — Tento me desculpar.
— Há cinco meses atrás, seu bobo! — O que é que eu faço para calar essa mulher?
Claire olha para mim, e depois para Rebecca, que termina o bolo e coloca o prato de sobremesas de volta na bandeja.
— Quer mais Rebecca? — Claire pergunta como se fosse colocar veneno na sua comida.
— Não obrigada, eu estou bem, mas estava delicioso.
— Eu fiz com muito amor para George.
— Claro que fez!
O meu telefone chama, me fazendo cantar "Aleluia", mil vezes por dentro. Quem quer que seja, muito obrigado por me salvar dessa conversa maluca entre a minha namorada e a minha ex. Eu levanto e vou para o quarto atender. É minha mãe.
— Alô, mãe, muito obrigado por ligar.
— O que houve Coelhinho!
— Nada de importante, apenas estava com saudade.
— Eu também meu amor, eu queria muito que você e Claire fossem jantar comigo está noite, não há problema, pois não?
— Claro que não, mãe. Estaremos aí, às seis.
— Ótimo. Como vão as coisas entre vocês?
— Muito bem, mãe. Eu estou muito feliz.
— Eu fico muito feliz, que você esteja feliz filhote.
— Eu sei.
— Bom, estão, até mais tarde, e mande beijos para Claire. — Eu oiço gritos na sala. Mas o que será que está acontecendo?
— Está bem, mãe. — Eu desligo, e vou para a sala.
— Você é uma idiota, é por isso que George deixou você!
Fico chocado quando vejo Claire por cima de Rebecca, dando bofetadas e ambas estão despenteadas e parecem dois pitbulls zangados e esfomeados. Eu tiro Claire de cima de Rebecca e a prendo nos meus braços.
— Me larga, George! — Claire tenta sair dos meus braços, mas falha miseravelmente.
— O que foi que aconteceu? — Pergunto num tom gélido.
— A sua querida namoradinha, me atacou! — Rebecca olha para Claire com desgosto.
— Porquê Claire?
— Porque ela mereceu!
— Claire! — Eu a repreendo.
— Manda ela embora, George!
— Não se preocupe, eu já vou! — Rebecca caminha graciosamente até à porta, e sem olhar para trás, vai embora. Eu largo Claire, e ela me empurra com raiva. Nunca vi essa mulher desse jeito!
Ela vai para o quarto, e eu sigo que nem um cachorro. Ela senta na cama, e não diz nada, apenas olha para mim, com mágoa, eu acho.
— O que houve Claire?
— A sua queridinha Rebecca, disse muitas coisas horríveis para mim.
— Ela não é minha nada, em primeiro lugar, e em segundo, me diz o que foi que ela disse para te deixar desse jeito!
— Ela disse que é só uma questão de tempo, até você me deixar e procurar outra, disse que eu sou uma interesseira nojenta, disse que você ainda se sente atraído por ela, e disse que não vai desistir de você.
— Claire, você acredita mesmo no que ela diz? — Eu sento ao seu lado. — Eu não vou te deixar! Eu não posso, porque fazer isso, é declarar guerra à mim mesmo, porque eu te amo, Claire. Não pense bobagem!
— Você sempre gostou de mulheres mais velhas, aliás que idade tem Rebecca? — Quando é que ela vai parar de pensar essas idiotices! Eu já expliquei que ela me fez mudar de opinião.
— Isso não interessa! Eu estou com você, não estou?
— Eu quero saber!- Quanta insistência!
— Tudo bem, Claire! Ela tem 35, quase 36, e você tem 27, é uma diferença enorme e isso não me interessa, porque eu amo você. Entenda isso Claire! Se fosse por eu gostar de mulheres mais velhas, eu talvez ainda estaria com ela, ou com outra, mas não, eu estou com você que por acaso é seis anos mais nova que eu! Eu te amo, coloca isso nessa sua cabecinha linda!
— Você não sente nada por ela? — Mais uma pergunta idiota.
— Não! Eu gostava dela sim, mas não era amor de certeza. Quanto mais agora, eu apenas vejo ela como uma amiga, sei lá, uma pessoa da família. E mais uma coisa, você não é nenhuma interesseira nojenta, não acredito no que ela diz, ela está com inveja, por ser você a minha namorada e não ela. Ela só disse aquilo por que gostaria de estar no seu lugar.
— Você não sente nada, de nada?
— Não Claire! Eu não sinto nada.
— Vocês são apenas amigos?
— Sim!
— Mas eu não quero que você tenha amigos que não gostem de mim, nem que eu não goste!
— Onde você quer chegar, Claire?
— Não quero que você esteja perto de Rebecca, ainda mais agora que eu sei que ela não vai desistir de você. Ela pode estar com você fingindo que é sua amiga, mas vai querer te envenenar contra mim, vai fazer você mudar de ideias sobre mim, e vai nos afastar lentamente, e vai fazer com que você se apaixone por ela de novo, e depois acabou tudo. Acabou a nossa relação, e você vai estar feliz com ela, e eu vou estar sofrendo, e tentando esquecer você, mas vai ser difícil porque o amor que eu sinto por você, George é muito forte.
— Isso não vai acontecer! Eu nunca me apaixonei por Rebecca.
— Mas eu não quero que ela coloque você contra mim, ou nos separe.
— Você se sente ameaçada por Rebecca, meu amor?
— Eu só não quero que a gente se separe por culpa dela. Ela não te deixa em paz, e eu sei, eu tenho a certeza absoluta de que ela ainda te ama.
— Você se sente ameaçada, eu sei, mas não precisa, Claire. Eu não sinto nada por ela, apenas amo você é só você, e se quer que eu me afaste de Rebecca, tudo bem.
— Sério?
— Sério!
— E está tudo bem para você?
— É o que você quer, não é?
— Você não quer?
— Eu nem tinha pensado nisso, você me pediu que me afastasse, então, tudo bem!
— Simplesmente porque eu pedi, e não porque você quer também?
— Claire, eu só quero o melhor para a nossa relação, para de complicar as coisas!
— Eu estou facilitando, afastando aquela loira idiota das nossas vidas.
— Você confia em mim?
— Claro que confio!
— Então, porquê está me pedindo isso?
— George, eu não pensei que fosse ferir a sua sensibilidade. Se você não quiser, tudo bem, eu só não gosta que ela esteja perto de você.
— Porque você não confia em mim?
— George, claro que eu confio em você, eu só não confio nela, e se você não quiser deixar de ver Rebecca, eu vou entender!
— Vai? Vai mesmo?
— Você quer continuar a ser amigo dela? Se quiser, tudo bem, George! Eu não quero ser aquela que te impede de ser feliz.
— Eu sei que não é isso que você quer, Claire. Você quer que eu me afaste. — Ela levanta e olha para mim profundamente.
— Quero sim! Mas você não quer, e é como se estivesse a escolher ela ao invés de mim!
— Isso não é verdade, Claire!
— Se você continuar a ver Rebecca, é como se fosse uma questão de tempo até a gente se separar, não entende! Ela não vai desistir!
— Eu não disse que queria ver Rebecca!
— Ah não? Mas foi o que eu entendi! — Ela anda pelo quarto, pega nas suas coisas, depois me levanto e a impeço de sair do quarto.
— Aonde você vai?
— Pra minha casa! Não posso?
— Claire, por favor! Eu não disse que...
— George, me deixa passar!
— Eu não vou mais ver Rebecca!
— Eu quero que faça isso porque me entende, e porque tenho razão, e não porque você não quer que eu vá embora!
— Mas eu entendo!
— George, me deixa passar! Eu não quero bater um você!
— Tudo bem. Mas a gente ainda está junto não é?
— Quando eu chegar a casa, e pensar sobre o assunto, te dou uma resposta!
— Claire!
— Tchau! — Ela sai do quarto, e vai embora, completamente zangada. Muito obrigado Rebecca! Também estou com raiva. Espero que nós ainda estejamos juntos, porque não quero reviver todos os dias que estive sem Claire.