Imperfeitos
19 Capítulo 19
Claire veste o seu vestido, e arruma o cabelo, mas seus pés ainda estão descalços. Já estamos aqui há uma hora. Não sabemos o que se passa lá em baixo. Não sabemos se a festa continua, ou se já terminou, e minha mãe deve andar a minha procura. De certeza que o último lugar que ela me procuraria, seria no quarto de hóspedes. Bem, se Delfina nos viu, então é provável que ela venha para cá. Eu observo atenciosamente Claire, arranjando o seu cabelo. É lindo ela achar que isso é uma despedida.
— Claire, fica mais um pouco.
— George, eu tenho de ir.
— Porquê?
— Tu não vais querer que eu durma aqui, pois não? — Não é uma má ideia.
— Sabes, o que tu fizeste não foi nada justo.
— A que te referes?
— Tu fizeste com que eu me apaixonasse por ti, que nem um idiota, e depois procuraste outro.
— Já falamos sobre isso, George!
— Porquê tu sempre me afastas de ti?
— Eu não te afasto. — Eu levanto da cama e vou até ela.
— Sério? Eu sei do que falo, Claire.
— Então me perdoe. — Ponho a mão na sua cintura e a encosto à mim.
— Se queres que eu te perdoe, vais ter de fazer uma coisa por mim.
— A sério, George? Tu já não tiveste o suficiente por esta noite?
— Não! Eu acho que não.
— George, eu preciso ir embora.
— Eu te levo.
— Não precisa!
— O que é que eu tenho de errado, Claire?
— Nada! É só que, eu tenho namorado, e ter feito amor contigo, faz de mim, uma traidora. Não devia estar aqui. Eu não quero machucá-lo, George!
— Mas queres machucar à mim?
— Não! Eu não quero machucar ninguém.
— Então, volta para mim!
— George, eu preciso ir. — Ela sai dos meus braços, e coloca os seus sapatos. Eu também me visto. Quando Claire está prestes a sair, puxo o seu braço.
— Tu terias coragem de transar com ele?
— George, eu acho que isso não te interessa!
— Interessa sim.
— Eu preciso ir. — Ela arranja sempre uma maneira de fugir de mim.
— Tudo bem. Eu já sei a resposta. Tu queres que eu te leve até casa?
— Eu só aceito, porque sei que tu só vais me largar quando me render. — Garota esperta!
— Ótimo, vamos!
Nós desçemos às escadas, e ainda encontramos pessoas na sala. Rebecca também continua aqui, e olha para nós com mágoa. Eu reviro os olhos. Por favor, ela tem de entender que acabou! Ou terei de fazer um desenho? O que não é difícil para mim, desenho muito bem. Desçemos o último degrau e caminhámos até Rose.
— Aonde vocês estavam? — Ela pergunta sorrindo. Minha mãe é tão curiosa.
— Conversando. — Claire diz rapidamente.
— Tudo bem.
— Mãe nós já vamos. E mais uma vez, muitos parabéns.
— Muitos parabéns Rose.
— Obrigada, meus queridos. Cheguem bem.
— Claro que sim. — Digo e levo Claire para fora de casa.
Nós andamos até o carro, e entramos. Eu observo ela a colocar o cinto de segurança. É incrível como um simples coisa que todo mundo faz, quando é Claire a fazê-lo parece ser algo tão genial, tão fantástico e incrível de se ver. Eu continuo a observá — la até que termina, e ela se apercebe depois sorri para mim.
— O que foi George?
— Rogers tem muita sorte por te ter, Claire. — Digo tristemente, e seu sorriso desaparece.
— Não exageres. Vamos embora, por favor!
— Ok.
Eu também coloco o cinto, ligo o carro e conduzo. Eu sinto que ela olha para mim o tempo todo. Gostaria de saber o que ela deve estar a pensar. Nós ficamos calados. Ninguém diz nada a ninguém. Eu não quero mesmo dizer nada! Vou deixar ela pensar que isso é uma despedida. Ela liga a rádio, que por ironia está a passar a música Sorry de Justin Bieber. É como se ela estivesse a falar através da música, que veio mesmo a calhar. Pedir desculpa seria muito bom.
Nós chegamos, e Claire desce do carro como se eu fosse um bandido que a raptou e parou o carro por descuido, fazendo ela aproveitar para fugir. Eu também desço e corro atrás dela. Eu sei que ela se sente mal com essa situação, mas não precisa fugir assim de mim, como se eu fosse um animal feroz.
Eu a agarro e faço com que me encare. Prendo os seus braços, e a obrigo a olhar para mim. — Porquê tu estás a fugir, Claire? — Sua respiração está bastante acelerada.
— George, me solta e vai embora.
— Não vou a lado nenhum.
— SOLTA A MINHA NAMORADA! — Eu oiço alguém a gritar ao fundo. Frank Rogers! A pessoa que eu não esperava ver essa noite.
Eu largo Claire, e me viro para ele. Ele anda até nós como se fosse um soldado, está tão furioso que parece que vai acabar comigo. Eu quero rir, mas me concentro para não o fazer. Se ele quiser me bater, tudo bem. Eu não vou fazer nada, para que Claire fique com raiva dele. Ele finalmente chega à minha frente, e puxa Claire para o seu lado.
— Deixa a minha namorada em paz. Ela já não quer saber de ti.
— Frank, deixa isso pra lá! — Claire diz olhando para mim.
— Eu a trouxe para casa só isso.
— Da próxima vez que se aproximar de Claire, eu acabo contigo.
— Frank!
— Oh não, estou morrendo de medo! — Digo super sarcástico. Espero que ele me bata.
— Frank, George, parem com isso agora!
— Tu não tens medo? — Ele pergunta.
— Tu achas que se eu tivesse medo faria isso! — Eu dou um murro na cara dele. — Oops! É que a minha mão não consegue se controlar. Quis fazer isso desde o dia que te conheci.
— George, por favor, vai embora.
Rogers levanta o rosto, e fica bastante furioso. Eu não tenho medo. Pode bater a vontade! Eu me aproximo. Ele devolve o murro, e bate com o joelho na minha costela. Eu caio no chão. Ele fica por cima de mim e dá mais um no meu rosto.
— Diz que eu sou melhor!
— Frank, por favor, pára com isso! — Claire suplica.
— DIZ QUE EU SOU MELHOR! — Eu não digo nada.
— Frank por favor! -Claire chora.
— Tu vais deixar Claire em paz, senão...
— Senão o quê? Tu vais me matar? — Eu rio. — Eu não vou deixar Claire em paz, se tu quiseres me impedir terás mesmo de me matar!
— George, por favor, não diga uma coisa dessas! — Claire não pára de chorar.
— Eu não preciso sujar as mãos com o teu sangue ruim. — Ele levanta e olha para mim de cima.
Eu me levanto, com dificuldade, e ando até o carro. Claire vem até mim. — George, tu estás bem?
— Agora, tu queres saber de mim, Claire?
— Claire, deixe esse idiota, e vá para casa. — Frank ordena.
— Não vá, Claire. Tu podes vir comigo e deixar esse imbecil.
— É isso que tu queres? — Frank pergunta. — Ele nunca vai querer casar contigo, Claire. Ele só vai te fazer sofrer!
— Não, Claire. Eu mudei. Eu quero tudo contigo acredite em mim.
— George, eu lamento.- Ela diz e vai ao lado de Rogers. Será que ele está a chantagear Claire? Será que ele a obrigou a alguma coisa? Ou será que ela faz isso por vontade própria?
Eu subo no carro e vou embora. Eu pensei que Claire deixaria Rogers, depois de ver como ele se comportou comigo, mas eu me enganei. Eu sempre me engano.
A campainha toca, e toca, e toca, me despertando. Eu levanto da cama de pijama, e vou lavar a cara imediatamente. Quando saio do banheiro, vou para a porta, e abro. Claire aparece, e sem que me mova ou diga alguma coisa, ela entra. Eu fecho a porta, e quando me viro, olho para ela friamente.
— O que é que tu fazes aqui?
— Eu queria saber como tu estás.
— Tu queres saber como eu estou? Ok. Para começar, eu acho que parti uma costela. Depois, tu me machucaste, Claire.
— Desculpa.
— Desculpa nada! O teu queridinho bateu em mim, e tu ainda assim ficaste do lado dele.
— George, entenda!
— Entender o quê? Claire, tu disseste que não irias desistir de mim! E agora, fazes exatamente o contrário, simplesmente porque achas que ele pode te dar algo que eu não posso. Quando tu foste atropelada, Claire, eu pensei que ia te perder para sempre. Eu estava contigo, mas ele não esteve! Ele não quis saber de ti. Fui eu quem passou horas, esperando por ti, e se queres saber, esperaria mais. Eu não te larguei nenhum segundo, quando estavas em coma, enquanto ele viajava pelo mundo.
— George...
— Eu ainda não terminei! Eu nunca senti o que eu sinto por ti, Claire, por nenhuma outra mulher. Eu estava disposto a casar e criar uma família contigo, Claire. Eu pensei em ter três filhos contigo. Eu mudei a minha maneira de pensar. Agora nada disso importa! Tu eras o meu sonho, Claire. Se tu querias me ver mal, tu conseguiste. Agora, eu não quero mais me envolver com nenhuma mulher como você. Eu vou voltar a minha antiga vida. Porque eu era mais feliz antes de te conhecer, Claire Marie Peterson!
Ela senta no sofá, chorando muito. Eu não estou a ser duro com ela, apenas disse a verdade. Eu caminho até ao sofá e sento perto dela. Não gosto de vê-la a chorar, me dói muito. Ainda que ela mereça... não! Claire não merece chorar. Eu não posso deixar ela ficar desse jeito.
— Claire, eu só acho que tu estás a cometer um erro, e isso nos prejudica. — Enfatizo "nos". Ela limpa as lágrimas e olha para mim. Ela parece destruída, sem rumo, cansada e triste, tudo isto, por minha causa.
— Eu sei. Eu entendo que tu me odeies, George. Eu não te mereço.
— Não é verdade! Sou eu quem não merece estar perto de alguém como tu, e eu não te odeio.
— Me perdoa. Eu terminei tudo com Frank, George! Depois do que ele fez contigo, eu não quero mais saber dele. — Felizmente. Frank Rogers já era. Eu consegui o que queria?
— Tu estás a falar a sério?
— Sim. Além disso, eu não o amo. Eu não quero passar o resto da vida ao lado dele, mas sim do teu, George. Sem ti, a minha vida é vazia, sem sentido.
— Tu queres voltar para mim? — Estou realmente surpreendido. Eu não esperava uma coisa dessas!
— Mas vejo que agora já não importa, tu queres voltar a tua vida anterior não é?
— Claire, tu sabes perfeitamente que eu falei aquilo de boca para fora.
— Sério? Eu não sei quantas vezes eu vou ter de pedir desculpas, George.
— Uma é suficiente!
— Me perdoa, por eu ter sido uma idiota! Peço mil perdões.
— Eu te perdoo, Claire. — O que é que uma pessoa não faz por amor? Isso é novo para mim, mas já domino bastante bem.
— E agora? — Pergunta.
— E agora, o quê?
— Como nós ficamos?
— Isso depende. Tu queres voltar a ser minha namorada? — Seu sorriso é tão grande que cobre seu rosto inteiro.
— Claro que sim. Eu te amo, George! — Ela levanta, senta no meu colo e me beija. Parece que o meu plano sempre deu resultado. Claire deixou o imbecil do Rogers.
— Ainda são seis da manhã, o que é que tu queres fazer? — Pergunto.
— Voltar para a cama contigo. Eu quero dormir.
— Tudo bem. — Eu coloco — a nos braços e a levo até o quarto, para que possamos dormir.
Claire continua a dormir e já são oito e meia. Eu fico deitado olhando para ela, como se nunca tivera visto uma mulher em toda a minha vida. Nunca dormi com uma mulher como Claire. Ela parece um anjo a dormir, inocente, linda, e imaculada. Desta vez eu não vou perder ela. Não volto a cometer o mesmo erro.
Eu coloco uma mecha do seu cabelo atrás da orelha, e beijo a sua testa, fazendo ela acordar. Ela sorri para mim.
— Como é que eu não iria querer acordar ao teu lado, todos os dias? Dormir contigo todos os dias? — Digo.
— Tu queres mesmo ter três filhos comigo?
— Sim! O George júnior, a Christine e o Richard.
— Uau! Tu até tens nomes para eles.
— Ultimamente tenho pensado muito sobre isso.
— Eu fico feliz por saber que tu mudaste de ideias.
— Eu também.
— Eu vou fazer o pequeno almoço.
Ela levanta da cama, e sai do quarto. Continuo a olhar para o lado da cama que Claire dormiu.
Agora sim, a ordem do universo voltou ao normal. Claire está comigo novamente. Minha mãe tinha razão quando disse que a nossa separação não demoraria, e agora, estou aqui, feliz e completamente apaixonado por Claire Peterson!
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