Imperfeitos
15 Capítulo 15
Claire vai receber alta hoje. Eu não a vi desde sábado, quando ela estava com Frank, nem tive noticias dela, mas sei que ela deve estar bem. Estou relutante em entrar no quarto onde ela está, mas eu preciso trabalhar e levá — la para casa. Não sei se ela está zangada comigo ou se não está, mas ainda assim, eu vou vê-la. Eu entro e ando devagar até Claire. Ela fica sentada na cama e apenas me observa. Eu não sei o que vou dizer a ela.
— Tu estás bem? — Pergunto. Ela esconde o seu rosto, e cruza os braços.
— Tu queres mesmo saber?
— Claro que quero Claire! — Ela levanta o rosto e olha para mim fixamente, sem pestanejar.
— Porquê tu queres saber?
— Porque eu sou o teu namorado!
— Se tu realmente quisesses saber, ou te importasses comigo, tu virias para cá, nestes últimos dias. — Eu sabia que ela ficaria zangada!
— Claire, eu não pude! — Eu não sei porquê, mas não pude.
— Porquê? Porque estavas a fazer algo muito importante? Estavas com outra?
— Claro que não! Eu não estava com ninguém. — Como ela pode pensar uma coisa dessas?
— Então, apenas não vieste porque não querias me ver!
— Claire, não é verdade!
— Tu estavas com a tal de Rebecca? — Por amor de Deus!
— Eu não estive nem com Rebecca, nem com Andrea, nem com mais ninguém.
— Eu estive aqui, pensando que tu já não querias mais saber de mim, e tu...
— Claire, não fique zangada por favor!
— Tu não vieste, porque eu pedi que Frank ficasse naquele dia?
— Eu não disse isso!
— Eu não sei porquê tu estás a te comportar desse jeito, George. Tu não queres mais nada comigo, não é?- Ela chora.
— Claire, pára de dizer idiotices! Eu não quis que tu ficasses assim, peço perdão!
— Tu não vais trabalhar?
— Eu queria levar — te para casa primeiro.
— Não precisas de te preocupar, eu vou com o meu pai, podes ir para o trabalho. Me deixa em paz!
— Claire, tu estás zangada comigo? — Ela limpa as lágrimas, deixa de olhar para mím e fica calada. — Tu queres que eu vá embora? — Ela continua sem dizer nada. A culpa é de Rogers! Não! É de Andrea! Sabe que mais, é de ambos! Graças a Andrea, Claire teve de vir para o hospital, e Rogers veio visitá — la.
— Por favor vá embora!
— Claire, vamos conversar por favor!
— Eu acho que já não temos mais nada para conversar.
— Temos sim, e tu sabes que sim. — Ela olha para mim novamente.
— Não temos nada!
— Claire, eu pensei que tu estavas zangada, quando eu disse que não sabia se iria refazer a minha vida, se estivesses em coma para sempre, e não tive coragem de te enfrentar. Depois tu aceitaste ficar com Rogers em vez de mim, eu fiquei muito triste e com raiva, fui embora. Nestes últimos dias eu não quis falar com ninguém.
— Nem comigo?! Eu pensei que fosse a tua namorada, George!
— E tu és!
— Eu não sei se realmente sou! Não sei se tu me consideras como tua namorada.
— Claro que considero, Claire. — Eu me aproximo dela.
— Nestes últimos dias, eu fiquei confusa quanto a isso.
— Claire, eu te amo, já disse isso! Eu peço desculpa. Eu errei, e não volta a acontecer, eu prometo!
— Tu não estavas a pensar em terminar comigo?
— Não! E tu? — Ela desvia o olhar.
— Talvez! Tu não querias saber de mim.
— Eu precisava organizar os meus pensamentos. Eu estava preocupado contigo sim, eu só não fui ver como estavas.
— Porquê? Porquê tinhas que ficar sozinho, sem falar com ninguém, organizando os teus pensamentos?
— Porque sim! Há momentos em que precisamos de estar sozinhos Claire.
— George, por favor, não diga mais nada. — Eu pego no seu cabelo, mas ela se afasta.
— Claire, tu queres terminar comigo?
— Eu apenas preciso de um tempo para pensar.
— Claire, eu não quero isso! — Ela não pode fazer isso. Eu não quero isso! Não quero que demos um tempo. Ainda agora começamos a namorar, e ela está a pedir um tempo?
— George, então o que é que tu queres?
— Estar contigo!
— Tem graça, porque tu não quiseste estar comigo nesse fim de semana.
— Eu não aceito! Eu não quero dar um tempo!
— George! A culpa de tudo isto é tua!
— Claire, não importa de quem é a culpa, eu não aceito.
— George, entenda por favor!
— Tu é quem tens de entender! Tu estás a ser muito injusta comigo, Claire. Eu cometi alguns erros, erros esses que não tem nada a ver com eu ter dormido com outra, ter estado com outras, e tu não me perdoas, por ter estado sozinho, a reflectir sobre a minha vida.
— Tu é quem estás a ser injusto comigo, George!
— Tu queres mesmo dar um tempo, Claire? Tudo bem. — Eu saio do quarto furioso. Em outras palavras, ela acabou comigo. Não sei se ela está satisfeita com a decisão, mas eu não estou. Eu pensei que iria perdê — la, e quando a recupero, ela termina comigo. Eu preciso ir trabalhar, e tentar esquecer esse assunto.
Claire! Claire! Claire! Tudo que eu penso, é em Claire. Como posso me concentrar se não paro de pensar em Claire. Ela não devia ter terminado comigo. Agora vou pensar nela em cada segundo num minuto, em cada minuto numa hora, em cada hora num dia, em cada dia, uma semana, em cada semana, num mês, em cada mês num ano e assim sucessivamente. Eu não sei se é melhor voltarmos, mas não quero que ela fique com Rogers, quero que fique comigo.
Ela pediu um tempo, e eu devo conceder. Não sei quanto tempo vai durar, mas eu vou ter saudades dela. Só espero que depois de pensar, volte para mim, e não termine comigo. Estou tão furioso! Só não sei se é comigo mesmo, ou se é com Claire. Mas ela tem razão, eu não devia ter feito o que fiz. Não devia ficar sem visitá — la nestes últimos dias, eu fui um completo imbecil!
Eu pego no meu telefone, e marco o número de Claire. Eu quero ligar para ela, e pedir desculpas pelo que eu fiz, mas também não quero fazê-lo. Acho que ela exagerou, pedindo um tempo, quer dizer, eu não fiz nada de mais. Eu elimino, e disco o número de Philippe.
— George!
— Oi Philippe, como tu estás?
— Eu acho que estou melhor que tu, o que é que se passa contigo?
— Eu e Claire decidimos dar um tempo!
— Porquê?
— Ela acha que eu não me importo com ela, que não a considero como namorada, e outras coisas.
— E tu não vais fazer nada para mudar isso?
— Fazer o quê? Eu não sei o que fazer.
— George, se tu amas Claire, não podes deixar ela escapar. E tu sabes que Rogers está de olho nela, por isso, deves fazer qualquer coisa. Mostre para ela o quanto tu te importas com ela, o quanto tu te importas com vocês. — Nunca pensei pedir conselhos amorosos à Philippe, estou impressionado!
— Tu tens razão, Philippe, obrigado pela ajuda.
— É para isso que servem os amigos.
— A sério, eu estou muito grato!
— Não precisa agradecer.
— Bem, eu preciso desligar, tenho uma coisa muito importante para fazer.
— Imagino. — Eu desligo.
Preciso me concentrar no trabalho, e esquecer Claire por um segundo, mas é inútil. Eu levanto, pego no meu telefone e ando até a janela. Não sei se devo ligar para ela ou não. Eu preciso ligar, e saber como ela está, mas também, ela pediu um tempo, e eu devia dar — lhe. Eu não ligo e ponto final. Mas nesse momento, ela pode estar a chorar nos braços de Rogers, e ele deve estar a aproveitar a situação para fazer Claire se apaixonar por ele. Eu devia mesmo ligar para ela.
Eu volto a sente e coloco o telefone sobre a secretária. Eu devia estar a trabalhar ao invés de estar aqui sem fazer nada, pensando se ligo ou não para Claire. Eu definitivamente vou ligar para ela. Eu não quero que ela pense que eu não me importo com ela, ou que não a vejo como sendo minha namorada, quero que ela saiba que eu amo ela mais do que imagina. Eu pego no telefone novamente, e desta vez eu ligo para Claire. Ela não atende à primeira, e volto a ligar, até que ela finalmente atende.
— Alô. — Eu consigo sentir a mágoa em sua voz.
— Claire, eu quero saber se tu estás bem.
— O que é que tu achas, George?
— Eu perguntei Claire! Eu lamento se o que eu fiz foi errado, mas eu estou arrependido, e peço desculpa pelo que eu fiz, não volto a cometer o mesmo erro. Eu não quero te perder, Claire. Eu te amo! — Ela fica trinta segundos sem dizer nada. Eu olho para o telefone e ela continua em linha.
— Claire? Claire, tu estás aí? — Eu acho que ela está a chorar.
— George, eu não sei o que dizer! — Ela diz com a voz trémula. Sim está a chorar.
— Apenas diga que vamos esquecer a discussão que tivemos nesta manhã e que vamos estar juntos.
— Eu não sei. George, eu quero estar contigo! Eu também te amo, mas eu tenho dúvidas.
— Dúvidas sobre o quê, Claire? Sobre o que eu sinto por ti?
— George, por favor, entenda!
— Eu entendo Claire! Tu não acreditas que eu te amo. — Digo totalmente magoado. — Eu sinto muito, mesmo Claire. — Eu não deixo ela dizer mais nada e desligo.
Isso só pode ser um pesadelo! Claire não acredita que eu amo ela. O que vai ser de mim agora, se eu estou completamente apaixonado por essa mulher. O que vou fazer? Eu não posso obrigá — la a acreditar em mim, não posso fazer nada. Eu quero que ela acredite em mim. Tudo que eu fiz para que ela acreditasse em mim, pode ter sido em vão. Eu preciso fazer alguma coisa.
Depois do trabalho, conduzo até a casa da minha mãe. Eu abro a porta e entro, e caminho até a sala de estar. Para a minha surpresa, encontro Claire, e minha mãe sentadas a conversar. Nós nos olhamos profundamente. Olhando nos seus olhos sinto uma dor que nunca tinha sentido antes, e também sinto isso por parte dela. Eu desvio o olhar, e não digo nada. Eu não quero dizer nada! Não sou capaz.
Minha mãe se levanta. — Oi filhote! Tu estás bem?
— Sim. Eu queria falar com a senhora, mas se quiser falámos amanhã, já que está ocupada!
— George, nós podemos conversar. — Olho para Claire, e ela esconde o seu rosto com o seu cabelo. — Tu queres te juntar à nós?
— Tudo bem. — Não sei porquê me rendi.
Eu me sento ao lado de Claire. Porquê eu aceitei ficar? Agora eu só quero fugir daqui. Minha mãe vai perguntar um monte de coisas sobre nós, se é que ela ainda Claire não disse que nós demos um tempo.
Eu olho para Claire e ela para mim, depois olhamos para Rose, e voltamos a olhar um no outro. Ela desvia o olhar, e eu olho para minha mãe que franze a testa para nós.
— Eu acho que vocês precisam conversar! — Ela levanta e sai da sala. Não! Eu não quero conversar! Eu não sei o que vou dizer a ela. Ela vira para mim, e me encara.
— O que tu fazes aqui? — Eu olho para ela. Essa é uma pergunta muito estúpida!
— Essa é a casa da minha mãe. Eu é quem devia perguntar, a ti. O que fazes aqui?
— Eu sou amiga da tua mãe.
— Tu contaste que já não estamos juntos?
— Não. Eu não sei como ela descobriu. Pensei que foste tu!
— Eu não falei com a minha mãe o dia inteiro.
— E nós não nos separamos, demos apenas um tempo.
— Tu não acreditas em mim, Claire. Simplesmente porque eu não fui ao hospital ver como estavas. — Dito as coisas dessa maneira, até parece que eu não quis mesmo saber dela.
— George, tu gostas de mulheres com uma classe social alta, mais velhas, que não queiram casar nem ter uma família, são esse tipo de mulheres que tu gostas!
— Eu pensei que tinha de ser eu a determinar isso.
— Então estás a dizer que é mentira?
— Se fosse isso o que eu realmente quisesse, tu achas que teria feito tudo aquilo para ficar contigo, Claire? Tu achas que eu iria tentar? Achas que eu teria terminado com Andrea?
— Eu não sei de mais nada, George!
— Eu também não. Apenas sei que por ti, eu estava disposto a tudo. Até a me casar e ter filhos. Eu não achava mais que isso não era algo para mim. Eu mudei de opinião Claire!
— E tu já não estás disposto a isso tudo?
— Eu não sei. Tu não confias em mim, não acreditas em mim, Claire.
— Porquê tu fizeste aquilo?
— Porque, eu sou uma pessoa muito complicada Claire! É por isso que os meus relacionamentos não duram. E eu pensei que contigo seria diferente.
— Eu também pensei que nós éramos compatíveis.
— E tu achas que já não somos?
— Eu não sei, George.
— Quando tu disseste que todos nós temos um sonho Claire...- Eu me levanto. -... tu passaste a ser o meu. Apesar de já não quiseres ficar comigo, tu sempre serás! Eu só lamento, se te machuquei, Claire Peterson!
Eu olho para seus lindos olhos azuis encharcados, e faço o esforço enorme para não chorar. Eu sei que ela pediu apenas um tempo, mas eu sinto como se isso fosse definitivo. Sinto que acabou! Acabou e já não existe"nós".
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