Imperfeitos
14 Capítulo 14
Eu termino de comer, e volto para o quarto de Claire, enquanto minha mãe conversa com Roy. Eu imagino o que deve ser. Espero que ele compreenda, e não saia machucado disso. De certeza que Claire não iria gostar, e possivelmente iria terminar comigo outra vez, simplesmente para fazer o seu pai feliz. Mas a minha mãe, não aceitaria voltar para ele, sabendo o que eu sinto por Claire, ela só quer que eu seja feliz.
Claire não dá nenhum sinal. Ela continua em coma. Eu não sei até quando isso vai durar, mas espero que não muito tempo. Meu telefone vibra. Rebecca está a ligar. Eu não sei o que ela quer, mas atendo.
— Rebecca?
— Oi, George, eu queria saber se tu estavas bem.
— Eu não estou bem. Estarei bem quando Claire acordar.
— Eu lamento muito o que aconteceu. Ela não merecia uma coisa dessas. A forma como tu falaste dela, me fez entender o quanto tu a amas, e que ela deve ser uma pessoa incrível.
— Eu sei.
— Se tu precisares que eu vá para aí...
— Não! Não precisa!
— Está bem, qualquer coisa, é só ligar.
— Obrigado, Rebecca. — Eu desligo. Eu sinto muito que ela ainda não tenha me esquecido, ela merece ser feliz, mas ainda me ama, e não sei se esse amor que ela sente por mim, irá acabar assim tão cedo.
Eu pego no jornal, sento e leio, para me distrair um pouco de tudo isto. Preciso esfriar a cabeça e ser paciente. Eu quase me perco na leitura, quando oiço:
— George! — Claire diz, e eu me levanto imediatamente. Oh meu Deus, ela acordou! Ela acordou! O que eu faço? Devo chamar médico?
— Claire, tu acordaste!- Digo, ainda não acreditando no que vejo. Eu preciso chamar o médico. — Eu volto já! — Eu saio a correr, e vejo o médico conversando com a minha mãe e com Roy. Eu respiro fundo, depois digo finalmente.
— Ela acordou!
— Oh que bom. — Minha mãe diz sorrindo.
— Felizmente ela acordou. — Roy também sorri.
— Eu vou vê-la. — O médico entra no quarto onde Claire se encontra. Eu também quero entrar, mas a minha mãe me impede.
— George, tu estás muito agitado, é melhor esperares aqui.
— Está bem. — Eu sorrio. Andrea não conseguiu o que queria. Claire está bem!
— Tu amas a minha filha? — Roy pergunta.
— Muito, e se o senhor aceitar a nossa relação, eu prometo que vou cuidar muito bem dela. — Ele se aproxima, e coloca a mão no meu ombro.
— Eu acredito em ti.
— Muito obrigado, Roy, eu não vou desiludi — lo.
— Eu vou ver como está a minha filha. — Ele me larga, e também entra no quarto.
Depois de alguns minutos, Roy sai do quarto, aliviado e feliz. Eu também estou feliz! Claire está viva, e está bem. — George, Claire quer te ver.
— Está bem.
Eu ando devagar até a porta do quarto, e paro. Eu empurro lentamente a porta e entro. Claire está sentada na cama sorrindo para mim, ainda parece fraca e machucada, mas ela está acordada!
— Claire, tu estás bem.
— Eu estou. — Eu me aproximo e abraço ela, levemente para não machucá-la.
— Eu tive tanto medo, Claire.
— Eu estou aqui. — Eu a largo e a encaro.
— Como tu te sentes?
— Com dores, mas eu estou bem!
— Sério? — Ela não me parece tão bem assim.
— Sim. O meu pai já sabe sobre nós?
— Sim, sabe! Assim como a minha mãe. Eles já não estão juntos.
— Sério?
— Sim.
— George, o que aconteceu?
— Tu foste atropelada, ontem à tarde, não te lembras?
— Não! E tu sabes quem foi que me atropelou? — Eu não sei se devo dizer a ela que foi Andrea. Fico calado. — George! Não foi uma pessoa qualquer, não é? Quem foi?
— Foi Andrea.
— O quê? Como ela foi capaz de fazer uma coisa dessas? Porquê?
— Porque ela está louca por mim, e te odeia, por seres a minha namorada.
— Ela está presa?
— Não. O pai dela pagou a fiança.
— E se ela vier atrás de mim outra vez? Eu tenho medo!
— Eu não vou deixar que ela te faça mal. Eu vou te proteger, não te preocupes! Ela não volta a encostar um dedo em ti.
— Eu preciso de uma medida cautelar contra ela.
— Nós vamos tratar de tudo isto, está bem? — Eu beijo a sua testa.
— Quanto tempo estive em coma?
— Quase um dia. — Ela apoia a cabeça no travesseiro.
— Eu não me lembro do que aconteceu. Apenas me lembro de tu teres me deixado no trabalho, e teres dito que iríamos almoçar juntos, e mais nada.
— Claire não te preocupes mais com isso. Esqueça!
— George, eu tenho medo!
— Eu estou aqui, não há nada que temer. Ok?
— Ok. — Eu a abraço novamente. Eu sei que ela esteve em coma por pouco tempo, mas ainda assim, eu tive tantas saudades dela. Tudo isto que eu sinto por Claire, ainda é novidade para mim. A porta abre, eu me viro e vejo Roy e minha mãe sorrindo. Eles se aproximam de nós.
— Vocês fazem um casal tão lindo! — Minha mãe diz. Roy vai para o lado esquerdo da cama e segura a mão de Claire.
— Tem toda a razão, Rose. — Claire sorri, e olha para mim.
— É bom te ver assim, Claire. Nós estávamos tão assustados! — Roy diz enquanto abraça Claire.
— Eu lamento muito o que vos fiz passar.
— Não faz mal, a culpa não foi tua. — Eu sorrio para ela.
— Dá próxima vez, olha para a estrada antes de atravessar! — Roy repreende ela.
— Eu sei. Não volta a acontecer!
— Tu te lembras de alguma coisa, querida? — Roy pergunta.
— Não! Eu não lembro de nada.
— Não faz mal, linda. — Minha mãe responde.
— Quando eu vou poder ir para casa?
— Na segunda feira, à tarde. — Eu digo. Ela olha para mim, depois cruza os braços.
— Mas eu tenho de trabalhar! Eu tenho um caso para resolver.
— Claire, a tua saúde, é mais importante do que o emprego. — Minha mãe sorri para ela.
— Tudo bem. Um dia não vai fazer mal.
— Tu vais ficar uma semana em casa, a descansar, Claire.
— O quê? Eu estou bem! Para quê tanto tempo? Eu preciso de trabalhar!
— Lamento filha, são ordens do médico!
— Tudo bem.
— George, vamos comer qualquer coisa! — Minha mãe me dá a mão. Eu recebo com relutância. Eu não quero sair daqui. Eu quero ficar a sós com Claire, e conversar com ela. Nós saímos do quarto.
— Roy e Claire precisam conversar.
— Tudo bem, mãe. — Eu estou bem agora. Ela está sã e salva. Todo o meu medo e desespero desapareceu.
— Tu estás melhor agora?
— Muitíssimo melhor, mãe. Claire finalmente acordou, e podemos ficar juntos. Obrigado por entender mãe. — Eu abraço ela.
— George, eu entendo perfeitamente. Vocês se amam, e eu só quero que sejam felizes.
— A senhora não está triste por ter se separado de Roy?
— Não. — Ela deixa de me abraçar, e olha para mim.
— E ele? Está triste?
— Um pouco. Mas isso vai passar, não te preocupes!
— Está bem.
Já são nove da noite, e eu fico no quarto com Claire, contando para ela a minha vida, desde a universidade até agora. Ela ouve atentamente, mas tranca a cara, sempre que menciono uma ex namorada, ou alguém que eu estive apaixonado. Eu fico muito feliz por saber que ela tem ciúmes das minhas exs. Principalmente de Rebecca.
— Eu ia sempre na Diamond world, com o meu pai, e almoçavamos com a minha mãe. Um ano depois, ele teve um acidente, e ficou em coma. Nós ainda tínhamos esperança, até que ele não resistiu e se foi. Foram tempos muito difíceis para nós. — Claire limpa as lágrimas, e me abraça fortemente.
— Eu lamento muito.
— Eu também. Eu acho que já chega de falar sobre mim.- Ela me larga.
— Tudo bem. — Eu limpo as suas lágrimas.
— Claire, não chores! Está tudo bem.
— É que, quando tu falavas do teu pai, eu lembrei da minha mãe. Eu não sei como ela era, apenas a vejo nas fotos. Eu não me lembro da voz dela, não me lembro de nada, que se relacione a ela. — Eu a abraço, e ela também me abraça, porém muito apertado.
— Eu sinto muito. — Digo no seu ouvido.
— Eu estou cansada, preciso descansar! — Eu solto ela.
— Tudo bem. Eu vou ficar lá fora então.
— Não! Durma comigo!
— Claire, isso é muito tentador, mas eu não posso. Tu precisas de descanso, e eu não vou poder dormir contigo, lamento. — Ela fica aborrecida.
— Tudo bem. Então fica aqui até eu adormecer, por favor! — Ela pestaneja várias vezes e faz beicinho. Eu rio.
— Tudo bem. — Eu volto a sentar — me. Claire fica triste de repente. Eu fico incomodado quando ela está triste. Ela esconde o seu rosto, e respira fundo.
— George, se eu não tivesse acordado, tu esperarias por mim?
— Claro que sim, Claire. — Porquê essa pergunta?
— Nem que fossem anos? — Tudo que eu quero é estar ao lado dela, mas eu não sei se esperaria tanto, tanto, tanto tempo assim.
— Ainda assim. — Escondo a minha dúvida.
— E se tu soubesses que eu não voltaria a acordar, refazias a tua vida? Ou continuarias comigo na mesma? — Pergunta difícil. Eu não sei o que faria, é uma posição muito difícil. Eu amo ela, mas se o coma fosse para sempre, eu ia tentar refazer a minha vida. Eu continuo em silêncio por um bom tempo, evitando contato visual.
— George, responde!
— Eu não sei, Claire. — Ela cobre — se, não diz nada, e fecha os olhos. Espero que não esteja zangada comigo, por causa da minha resposta. Ela iria querer que eu ficasse preso a ela para sempre? Sem aproveitar a vida? Ou iria querer que eu fosse feliz. Eu me sinto um pouco mal, não sei exatamente porquê, mas sinto. Só espero que ela não esteja zangada nem triste.
Claire termina o pequeno almoço, e lê o livro que Roy trouxe para ela. Desde ontem a noite que eu não falo com ela. Eu não sei se está zangada ou não, apenas não tive coragem de falar com ela. Eu fico na porta do quarto. Não sei o que faço aqui, mas estou. Frank Rogers aparece do nada, com um ursinho de pelúcia nas mãos, uma caixa de chocolates, e flores de Lótus brancas. Eu não sei o que é que ele faz aqui, mas vou acabar com a sua festinha!
— O que é que tu fazes aqui? — Ele sorri, depois tenta entrar no quarto onde Claire se encontra, mas eu o impeço.
— Vim ver como Claire está! Há algum mal nisso? — Eu odeio tanto esse idiota energúmeno!
— Tu achas que ela quer te ver?
— Tenho a certeza absoluta. Se quiseres, entramos juntos. — Eu faço um grande esforço para não dar um murro na cara do imbecil.
— É melhor eu perguntar se ela quer te ver.
— Faça o favor! — Ele me deixa passar, sorrindo. Eu entro no quarto, e Claire olha para mim de imediato, como se estivesse esperando alguma coisa de mim. Eu me aproximo dela.
— Bom dia, Claire.
— Oi George. — Eu olho para a porta, depois volto a encará — la. Ela parece enfadonha.
— Tu estás bem? — Pergunto.
— Eu acho que sim.
— Frank quer te ver.
— Diz para ele entrar.
— A sério, Claire? Tu queres falar com ele?
— Sim, George! — Eu saio do quarto, e fecho a porta. Frank continua lá especado.
— Pode entrar!- Digo. Ele sorri, e entra no quarto, eu entro em seguida.
— Oh querida, mesmo depois de um atropelamento tu continuas linda como sempre. — Ele entre o ursinho, as flores e o chocolate à Claire, e ela sorri amplamente. — Eu trouxe isso para ti.
— Uau! Muito obrigada Frank. São as minhas flores preferidas, como tu soubeste? — Não é óbvio? Ele tem investigado a tua vida!
— Um pássaro me contou.
— Tu já viste como ela está, entregaste as tuas prendas, agora Claire precisa descansar, tu tens de sair! — Estou fervendo de raiva.
— Mas eu nem fiz cinco minutos!
— Lamento! Claire precisa de descanso.
— George, não faz mal. — Responde Claire.
— Ah não? Tudo bem. Podem continuar a conversar, enquanto isso, eu vou lá para fora, apanhar ar. — Eu saio do quarto e fecho a porta com raiva.
Ela quer ficar com ele em vez de mim? Será que está com raiva de mim, por causa de ontem? Eu sento no banco do hospital, tentando esfriar a cabeça. Estou com muita raiva, que acho que preciso sair daqui, porque posso entrar no quarto e bater em Rogers, mas também posso esperar ele sair, e bater nele, não importa! Eu preciso sair daqui. Levanto e paro na porta do quarto onde Claire está. Eu acho melhor ir embora! Ela deve estar ocupada com Frank. Eu caminho pelos corredores do hospital, sem rumo, apenas procurando uma saída.
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