Imperfeitos
10 Capítulo 10
O céu está ainda mais escuro, as estradas estão a ficar vazias, apenas passam carros, poucos carros. Eu não me importo com isso, só quero ficar perto de Claire. Eu olho para ela, que está distraída, sem saber o que se passa lá fora. Talvez seja melhor assim. Eu coloco a minha mão na dela e ela olha para mim. Seus olhos azuis brilham como diamantes.
— O que se passa, Claire?- Ela tira a sua mão, debaixo da minha, e coloca por cima, acariciando a minha mão com o seu polegar.
— Nada! — Responde concisa. Será que quer dizer alguma coisa?
— Tu queres me dizer alguma coisa? — Espero que seja algo que eu queira ouvir.
— Não. Eu estou bem. — Ela está preocupada com alguma coisa. Será que está pensando em Frank Rogers? Ou será que é outra coisa!
— De certeza?
— De certeza. Tu sentes alguma coisa pela tua namorada? — Ah! Era isso que a incomodava! Andrea! Eu já disse para ela um milhão de vezes que não sinto nada por ela, e que ela já não é, minha namorada. O que mais ela quer que eu diga?
— Primeiro, ela não é mais a minha namorada! E segundo, eu não sinto nada por ela. Eu já te disse!- Digo calmamente.
— Ela é mais velha? — O que é que isso tem a ver?
— Tem 33 anos!
— E tu?
— Tenho 32. Porquê a pergunta?
— Tu gostas de mulheres mais velhas? — Ela olha para mim com tristeza.
— Claire, isso era antes!
— De certeza? O que te fez mudar de ideias?- Eu olho para ela sem pestanejar.
— Tu! — Ela endireita os óculos, depois esconde o seu rosto.
— A sério? — Pergunta como se isso fosse a coisa mais impossível de acontecer.
— Claro. Tu estás bem?
— Sim! — Ela olha pela janela, e vê os chuviscos. Em seguida, se levanta imediatamente, tira os óculos e os coloca na caixa de óculos, e põe na bolsa. — George, está chovendo!- Ela diz baixinho.
— Calma, Claire.
— Eu acho melhor nós irmos para casa!
— Tudo bem. — Eu tiro o dinheiro da carteira e coloco por cima da mesa. Eu me levanto e levo Claire comigo.
Nós saímos, e andamos até o carro. A chuva aumenta, e Claire se apercebe que deixou o telefone no café.
— Oh não! O meu telefone! Está lá dentro!
— Eu vou buscar! — Eu volto para o café, na mesa em que estávamos, e pego o telefone de Claire. Eu saio e Claire vem ter comigo. Nós andamos na chuva para alcançar o carro. Eu não deixo de olhar para ela. Com cabelo molhado, a roupa molhada, marcando cada parte do seu corpo. Eu paro de repente, no meio do nada. Claire também pára, e vem até mim, preocupada.
— George, o que foi?
— Eu estou sentindo!
— O quê?
— Claire, eu não aguento mais! Eu estou realmente apaixonado por ti! Eu não consigo tirar — te da minha cabeça, não consigo dormir, não consigo me concentrar em mais nada. — A chuva aumenta ainda mais me fazendo gritar, ainda mais. — Tu és a primeira coisa que eu penso quando acordo, e a última, quando vou dormir! Eu não aguento ver — te com outro homem. Eu não consigo ser apenas teu amigo! Eu simplesmente não posso! Eu só quero que tu sejas minha namorada, minha companheira, minha amante. Tu não imaginas, como é difícil eu não dizer para a minha mãe, que estou sofrendo muito por não te ter. Eu preciso de ti! — Ela fica boquiaberta.
— George, depois nós falámos, vamos sair da chuva! — Ela dá um passo para a frente, e quando está prestes a dar o segundo, eu agarro o seu braço, e puxo ela para mim, fazendo com que fiquemos cara a cara. O nosso corpo colado um no outro, os nossos olhares se cruzam, a nossa respiração acelera. Oh céus!
— Eu te amo, Claire Marie Peterson! — Eu beijo ela, com paixão, com desejo, com tudo! Minha língua na sua boca, começa a brincar com a dela. Seu beijo é doce, carinhoso e quente. Ela coloca as mãos no meu cabelo, e me puxa mais para ela.
A chuva cai sobre os nossos corpos, as nossas bocas, e é tão sensual, e tão quente! Nós apenas ouvimos os carros passando, não nos largamos, não nos incomodamos com a chuva, não nos incomodamos com nada! Apenas nos beijamos.
Eu sinto, em seu beijo, o quanto ela me quer. E eu também quero tanto ela. Nunca quis tanto em toda a minha vida. Nós deixamos de nos beijar, e recuperamos o fôlego.
— Vamos para casa! — Eu pego na sua mão e a levo até ao carro. Nós entramos, molhando os bancos. Parece que a segunda parte do plano, vai ser cumprida hoje. Eu ligo o motor rapidamente e conduzo para o meu apartamento.
Nós chegamos e desçemos do carro. Eu levo Claire para dentro de casa, e fecho a porta. Ela cruza os braços e olha para mim. Eu coloco as nossas coisas no sofá, e me aproximo dela.
— É aqui que tu moras? É grande! É muito bonita. — Eu não quero falar sobre casas, nem decorações. Só quero falar sobre nós!
— Ainda bem que tu gostas! Vem comigo! — Eu dou a mão para ela e ela recebe. Eu a levo para o quarto. Ela olha ao redor e depois para mim.
— Tu te lembras do que eu disse, antes de virmos para cá? — Eu me aproximo dela devagar.
— Tu disseste que me amas! — Ela treme com frio. Ela está tão linda, agora!
— E tu não vais dizer nada? — Nós ficamos tão perto que nossos narizes quase se tocam.
— Eu... eu também te amo, George! Muito! — Sabe tão bem ouvir isso.
— Eu sei, baby! Eu sei.
Eu coloco a mão na sua cintura e depois, tiro a sua blusa, deixando ela apenas com sutiã. Ela desabotoa a minha camisa e atira para o chão. Ela me empurra na cama, abre o ziper da minha calça e a tira de mim. Em seguida, ela tira as suas botas, e a sua calça. Ela fica apenas de sutiã e calcinha. Eu olho para ela, apreciando o seu corpo.
Ela sobe na cama, em cima de mim, e me beija feito louca, embaraçando o meu cabelo, e me possuindo, me deixando louco a cada segundo que passa.
Depois da chuva passar, eu acordo, e vejo Claire dormido como um anjo, enrolada no cobertor. Ela é tão adorável! Eu acaricio o seu rosto, fazendo com que ela acorde. Ela abre os olhos lentamente.
— Olá. — Eu coloco uma mecha do seu cabelo atrás da orelha.
— Olá. — Ela sorri amplamente.
— É impressão minha, ou tu estás muito sorridente?
— Eu estou feliz!
— E a que se deve a tua felicidade? — Eu também sorrio. Seu sorriso é contagiante!
— Tu!
— Só isso?
— Nós termos feito amor. — Ela coloca a cabeça no meu peito.
— Isso quer dizer, que tu já não queres que os nossos pais fiquem juntos?
— Sim! Eu acho que nós precisamos falar com eles.
— Sim, precisamos. Mas isso será mais tarde.
— Eu sei. — Ela levanta e senta na cama, a minha frente. — Eu lamento muito se te fiz sofrer, George.
— A culpa não é tua, Claire! — Eu brinco com o seu cabelo.
— Eu terminei tudo contigo. Eu devia dizer ao meu pai, o que sentia por ti e ele podia ter entendido, mas eu não o fiz! Eu só queria que o meu pai fosse feliz.
— Eu também só queria que a minha mãe fosse feliz. Mas ela sempre me disse que, de nada serve a sua felicidade, se eu não estiver feliz. Devia ter contado antes, mas tu disseste que querias que o teu pai voltasse a ser quem era, e eu não o fiz.
— Desculpa. Olha, não vamos mais falar sobre isso.
— Concordo.
— Há quanto tempo, estive a dormir?
— Três horas.
— Já passou do meio — dia?
— São duas da tarde, e eu estou com fome! — Ela se levanta e pega numa camisa minha e veste.
— Encomenda uma pizza! — Ela tira a roupa molhada do chão.
— Eu pensei que tu irias cozinhar para mim!
— Tu queres que eu cozinhe?
— Sim! Eu quero.
— Tudo bem. Mas eu não sei fazer comida requintada.
— Eu não me importo.
— Está bem. — Ela vai para a cozinha,, e eu vou para o banheiro, tomar banho e lavar o meu cabelo.
Nós almoçamos juntos. Claire também tomou banho, e está usando minhas roupas, que mesmo largas lhe ficam bem. Ela cozinhou rolo de carne. Não estava a brincar quando disse que gostava muito.
— Está muito bom. — Eu digo. Ela deve ser a única mulher que eu conheço que sabe cozinhar.
— Ainda bem que tu gostas! O ingrediente secreto é amor!
— Eu imagino. — Eu sorrio.
— Eu estou tão feliz!
— Eu também estou muito feliz, Claire, mas ficarei ainda mais, se a minha mãe, entender a nossa situação, e apoiar o nosso relacionamento.
— Tu tens razão. Eu não sei se o meu pai vai aceitar.
— Vamos tentar, não vamos desistir!
— Claro que não. — O telefone de Claire toca. Ela levanta e vai até o sofá, abre a bolsa e tira o telefone.
— Alô. — Ela atende e olha para mim. — Eu não estou em casa... tudo bem... eu estou bem...hoje a noite, eu vou estar ocupada...está bem, adeus. — Ela desliga. Deve ter sido Rogers. Eu tenho a certeza disso.
— Quem era?
— Frank. Ele me convidou para jantar com ele outra vez.- Ele precisa saber que Claire tem namorado.
— Tu não estás zangada com ele?
— Estou! Eu disse que não.
— Porquê tu não disseste que tens namorado?
— Não me passou pela cabeça. Não vamos mais falar sobre Frank.
— Está bem. Com quem tu estavas antes de mim?- Essa pergunta me bateu de repente. Isso não parece nada meu.
— O quê? Como assim?
— O teu ex namorado!
— O meu último namoro, foi na Universidade. Ele se chamava Eliot.
— Porquê se separaram?
— Ele era infiel.
— Ele era um idiota!
— Deve ter sido. — Ela ri. — E tu? Quantas namoradas tu tiveste?
— Muitas. Talvez umas 12 ou 13.
— Antes daquela mulher com quem eu te tinha visto, estiveste com quem?
— Antes de Andrea, eu estive com Rebecca. O braço direito da minha mãe.
— Porquê as coisas não resultaram entre vocês?
— Não éramos compatíveis.
-E nós? Somos compatíveis?
— Indubitavelmente! — Eu sorrio para ela, e ela me devolve o sorriso. Eu tenho medo que na verdade, na sejamos compatíveis. Tenho medo que ela seja daquelas que querem se casar e ter filhos. Isso não pode acontecer. Eu não quero isso! Não quero me separar dela!
Nós terminamos de comer, Claire leva os pratos na cozinha. Eu continuo sentado, pensando. Tenho a certeza que Claire não é como Andrea, ela vai querer se casar, e vai querer ter filhos. E o que é que eu vou dizer para ela? Vou dizer" Claire, eu não sou como todos os homens, eu sou bastante diferente. Eu não sou aquele tipo de homem que quer criar uma família. Eu espero que tu compreendas! ". Se disser isso, ela termina comigo outra vez. Eu não quero isso! Mas também não quero que ela tenha uma ideia errada sobre mim.
Eu me levanto e vou para a cozinha. Eu observo ela, enquanto lava a loiça, distraída. Eu gostava de saber no que ela está a pensar! Só espero que não se arrependa de ter dispensado Rogers.
— Claire! — Ela olha para mim estranha.
— Sim?
— Tu estás bem? — Ela sorri.
— Muito bem! Nunca estive melhor.
— No que é que tu estás a pensar? — Eu me aproximo.
— Em nós! — Eu afasto o seu cabelo do seu rosto. Ela é tão linda! Que sorte eu tenho!
— Eu também não paro de pensar em nós. Não paro de pensar sobre nós, termos feito amor.
— Eu também não. — Ela deixa a loiça e me abraça fortemente. Eu também a abraço. Porquê é que eu sinto uma onda de arrependimento vindo dela?
— Claire, tu te arrependes de ter feito amor comigo? — Ela olha para mim chocada.
— Não! Porquê tu pensas isso?
— Tu pareces meio triste, sei lá. Estás um pouco distante, e eu pensei que tu estivesses arrependida.
— Eu não me arrependo de nada! Eu te amo, George, e é contigo que eu quero ficar! Sempre! — Ela me abraça novamente. É tão bom ouvir isso. Me faz sentir vivo! Me faz feliz!
— Eu também te amo, muito, Claire. Tu és um dos meus sonhos! — Eu abraço ela ainda mais apertado, como se ela fosse fugir.
Nós voltamos para a cama e ficamos a tarde toda abraçados. Ao anoitecer, eu levo Claire para casa, porque sei que ela precisa trabalhar amanhã, e eu não serei grande ajuda se ela quiser acordar cedo, nem ela à mim.
— Durma comigo, por favor! — Ela pede.
— Claire, eu gostava muito, mas amanhã eu vou ter de me levantar cedo.
— Por favor! Por favor! Por favor! Por... — Eu sei que ela não vai parar, por isso é melhor me render.
— Está bem. Eu fico! — Ela me beija, satisfeita.
— Ótimo. — Nós sentamos no sofá. Ela brinca com o meu cabelo. — Sabes, eu nunca pensei que alguém como tu, se apaixonaria por alguém como eu. Eu não sou como a tua ex namorada!
— E é por isso que eu te amo. Tu és diferente de todas as mulheres com quem eu me relacionei. Tu me fazes sentir algo que sempre me faltou!
— Que bom! O que é que tu gostas em mim?
— É difícil. Eu gosto de tudo em ti!
— Mas o que é que tu mais gostas?
— Os teus olhos! — Acho que essa é uma das partes das mulheres que sempre me atraiu.
— Porquê?
— Porque, quando eu olho para os teus olhos, eu vejo tudo que eu quero na minha vida!
— Uau! Eu não sabia.
— E tu, o que mais gostas em mim?
— São tantas coisas! Mas é tua inteligência!
— Porquê? — Isso me surpreende!
— Tu és tão inteligente que eu tenho orgulho, e inveja ao mesmo tempo.
— É bom saber. — A campainha toca. Quem será a essa hora? Ah! Eu imagino quem deve ser!
— Tu estás a espera de alguém? — Pergunto.
— Não! — Ela tenta se levantar, mas eu não deixo.
— Deixa que eu abro. — Eu levanto e vou abrir a porta. Aposto um milhão de dólares de que é Frank Rogers . Rogers sorri para mim, quando eu abro a porta. Só podem estar a brincar comigo!
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