Imperfeitas

6 Capítulo 5: Conspiração


Notas iniciais
Por favor, não me odeiem! Gente, mil desculpas pela demora. Como leitora, sei que é uma coisa chata, quando a autora custa séculos para postar um novo capítulo. Eu mesma me odiaria e me amaldiçoaria, e se vocês fizeram isso, não tiro nem um pouco a razão de vocês. O que eu quero pedir muito humildemente é compreensão, e muita, mas muita paciência. Tive mais um bloqueio criativo, e esse foi ainda mais terrível. Isso sem contar que estive muito ocupada, dando uma de professora para as minhas amigas que estavam quase repetindo de ano (caso vocês queiram saber, passei, e com média anual 10 em três matérias. Beijos pro recalque, rsrsrs'). Eu também estava passando por um período de muitas dúvidas sobre "Imperfeitas". Recentemente, encontrei um plágio de uma fanfic de Crepúsculo que eu simplesmente adoro. A "autora" somente trocou os nomes dos personagens, o resto era tudo igual! Fiquei com muito medo de plagiarem minha história. Pensei até em excluí-la. Mas não vou fazer isso, seria uma tremenda falta de consideração, mais até do que o atraso colossal. Emfim, espero que, como autores, vocês se solidarizem comigo. Escrever - pelo menos na minha opinião - não pode ser algo forçado, feito de má vontade. Eu simplesmente não conseguia fazer sair nada da minha cabeça, e a última coisa que eu queria era escrever um capítulo mal feito, escrever "só pra atualizar e pronto". Me desculpem :( . Espero que o capítulo esteja bom o suficiente para fazer com que vocês esqueçam o atraso rsrs' Boa leitura.

ERAM KATE E BOB.

E, pelo barulho de sucção molhado e pelos gemidos roucos que preenchiam o espaço onde estávamos, só pude deduzir que os dois estavam se beijando.

Aquela era uma situação bastante constrangedora, e dei graças aos céus por estar tudo escuro.

Já me preparava para deixá-los a sós quando Kate conseguiu capturar minha atenção:

– Quando é que você vai se livrar dela, hein?

Aquilo estava ficando interessante.

– Não é tão simples, Kate – Bob falou. – Acha que eu posso simplesmente terminar tudo? Tem muito mais coisa em jogo aqui. E você sabe disso. – Sua voz trazia um aviso implícito.

– Eu sei! – Kate sibilou, irritada. – Sinceramente, Bob. Parece até que tem medo dela – provocou, e eu podia até visualizar o sorrisinho de deboche que enfeitava seus lábios.

Bob deu uma risada irônica.

– Há muitas poucas coisas que me causam medo. Nora não é uma delas, e muito menos você – disse ele, a voz dura e gélida.

– O que será que ela faria se te ouvisse falando assim? – indagou Kate, e eu podia ver seu sorriso diabólico em minha imaginação se alargar ainda mais.

– Está me ameaçando, Kate? – Ele pronunciou o nome com desprezo. Nem parecia que se beijavam tão ardentemente segundos atrás. – Eu não faria isso. Sabe que precisa de mim tanto quanto eu preciso de você nisso.

– Só nisso? Tem certeza de que não há algo mais? – ela perguntou, maliciosa, e os beijos recomeçaram, seguidos por gemidos e suspiros cheios de luxúria.

Contorci meu rosto, sentindo-me cada vez mais desconfortável com aquela situação. Somente minha curiosidade me mantinha ali. Era evidente que os dois tramavam algo, e eu estava determinada a descobrir o que era.

Depois de alguns minutos – torturantes, diga-se de passagem –, os carinhos cessaram e deram lugar a respirações sôfregas e irregulares. Maldito pesadelo. Maldita hora em que me levantei da cama, pensei.

– Então... – Kate falou assim que recuperou o folego. – Descobriu alguma coisa? – exigiu.

– Nada. – Ouvi Bob bufar, aparentemente frustrado. – Acho melhor irmos mais devagar. Ela pode já estar desconfiando – alertou ele.

– Se ela estivesse mesmo desconfiada, acha que estaríamos aqui ainda? – Kate argumentou.

Bob apenas soltou um resmungo em resposta, parecendo relutante em concordar. Todo aquele enigma que rondava Nora nos últimos dias me deixava cada vez mais nervosa. Havia alguma coisa acontecendo.

– Apenas vamos ser discretos, está bem? – ele pediu.

– Certo, certo – Kate resmungou, impaciente. – Mudando de assunto, ainda não sei por que Nora não acabou com aquelas pirralhas. Será que elas têm alguma coisa a ver com tudo isso?

Tive que tapar a boca com a mão para não gritar. Não era possível que eu e Mary tivéssemos alguma coisa a ver com aquilo.

Mas, por qual motivo Nora nos designaria para um treinamento em moldes quase militares?

A situação estava ficando confusa, cada vez mais.

– Não sei – Bob respondeu, ponderando a teoria de Kate por um momento. – Acho que não. Elas me pareceram sinceras no interrogatório.

Eles ficaram em silencio por um breve instante, e imaginei que Kate estivesse procurando um argumento em sua mente maldosa para envolver a mim e a Mary naquela confusão. Quando finalmente achou um que julgasse convincente – ou venenoso – o suficiente, disse:

– Pois eu ainda acho que são duas mentirosas. Ou você acreditou naquele papo furado de “Victoria nos contou” e blá-blá-blá...? – Não gostei nem um pouco de ouvir o nome de minha amiga sendo pronunciado por Kate, nem de suas acusações estúpidas.

– Dói muito dizer isso – Bob falou, parecendo lamentar realmente –, mas você tem um ponto. Há um furo nessa história delas.

– Está vendo só? – ela perguntou com superioridade. – Mas acho que Nora está tramando alguma coisa. Ela não é burra; aposto que não acreditou nem um pouco naquele teatrinho. – Me amaldiçoando, concordei com Kate. Nora não era nem um pouco burra. Quantas pessoas conseguem liderar com maestria uma sociedade secreta, e ainda ser amada por todos, como ela obviamente era?

– É provável – Bob concordou –, mas é melhor não nos precipitarmos, ok? As garotas podem ser inocentes. – Pelo menos ele tinha algum senso de justiça. Ouvi Kate soltar um resmungo contrariado.

– Mesmo assim, não gosto delas – falou ela, como se isso justificasse tudo.

O sentimento é recíproco, pode ter certeza, pensei, passando a partir daquele momento a nutrir um profundo ódio e desprezo por Kate – mais até do que pelas Guardiãs. Elas aparentavam não ter consciência do mal que causavam, enquanto Kate era cruel por puro prazer. Bastou aquele primeiro olhar na minúscula sala mofada para perceber isso.

– E por acaso você gosta de alguém? – Bob indagou, zombando dela, para minha satisfação. Segurei o impulso de rir apertando os lábios. Isso fez minha afeição por ele aumentar em um décimo – embora ele estivesse se mostrando um traidor e nem merecesse subir no meu conceito. Imaginei o quanto seria doloroso para Nora descobrir que estava sendo enganada, provavelmente há um bom tempo. Já fora testemunha da mesma situação anos atrás. Kate interrompeu meus pensamentos, falando:

– Gosto de você. – Sua voz era tão enjoativamente manhosa que me fez revirar os olhos e contrair meu rosto numa expressão de nojo. Queria ir embora dali imediatamente, mas precisava descobrir o máximo possível. Temia que minha vida e a de Mary – e até a das refugiadas – estivesse em risco.

Tenho que admitir que talvez eu estivesse exagerando um pouco. Mas meu pessimismo natural me impedia de não pensar nas piores hipóteses.

– Já considerou seguir carreira como atriz? – Bob gracejou. Segurei o riso novamente. Mais um décimo agora. – Nós dois sabemos que isso é apenas um negócio – ele lembrou, agora com seriedade. – Com alguns... benefícios, sim, mais ainda sim apenas um negócio.

– Sabe, nós negociamos muito pouco hoje, você não acha? – Kate ronronou, e os beijos recomeçaram, desta vez mais violentos e barulhentos, intercalando-se com risadinhas e pedidos de silêncio sussurrados.

Era evidente que eles não iriam mais conversar.

Dei meia volta e fui me afastando devagar, um pouco zonza depois de absorver e sentir tantas coisas em um único dia. Ainda lembrava vividamente do pesadelo – o que me deixou ainda mais preocupada e reascendeu meu já esquecido pavor. Nora planejava algo, Kate e Bob planejavam algo, e eu tinha certeza que as Guardiãs planejavam algo para Victoria também, caso ela continuasse guardando nosso segredo. Se é que já não haviam feito alguma coisa.

Mas que droga! Pare de ser tão paranoica, Valentina, me repreendi mentalmente.

Ainda tendo a parede como guia, comecei a lentamente me afastar dos amantes, e quando já havia me distanciado consideravelmente dos dois, acelerei o passo. Tudo o que eu queria era a companhia de Mary, mesmo que ela estivesse inconsciente. Tinha o horrível pressentimento de que Kate faria alguma coisa contra nós duas.

De repente, a Resistência não era mais um lugar seguro.

.

– KATE E BOB TÊM UM CASO?!

– Será que dá para falar mais alto? Acho que os chineses não ouviram! – eu disse entredentes, encarando com os olhos em fendas uma Mary histérica que gritava a plenos pulmões.

Encontrávamo-nos num dos muitos corredores da área ao fundo do galpão, e algumas pessoas passavam. Já era quase meio dia; eu e Mary estávamos no meio das nossas tarefas quando a chamei para conversar. Mal havia dormido na noite anterior, remoendo em minha memória todo o diálogo entre Kate e Bob, indecisa se deveria contar tudo a minha melhor amiga ou não. Após uma manhã inteira de procrastinação, resolvi que ela precisava saber – afinal, dizia respeito a ela também. Eu me sentia uma velha fofoqueira.

– Tá, tá certo. – Ela revirou os olhos, suspirando impacientemente. – Mas como é que você sabe disso? – Seu olhar era desconfiado. Olhei para os lados, soltando um muxoxo.

– Aqui não. Vem. – peguei em sua mão e a puxei pelo labirinto de corredores até nosso quarto. Entramos e nos jogamos na cama.

– Certo, cuspa tudo para fora – ela ordenou.

– Ok. Bem, eu... – pensei em contar o que havia acontecido antes, sobre o pesadelo, mas mudei de ideia. – Eu os ouvi ontem quando... – tentei explicar, mas Mary me interrompeu bruscamente.

– Ouviu? Onde? Meu deus! Você estava espionando eles dois? O que eles estavam fazendo, hein? Você é uma pervertida! – Ela soltou uma sonora gargalhada.

– Não! Posso falar, por favor? – supliquei, um pouco envergonhada com as suposições de Mary. Não que eu tivesse sempre os mais puros e inocentes pensamentos. Mas ainda sim, aquilo era nojento.

– Tudo bem, continue. Quero saber de tudo! – ela disse, quase quicando de animação na cama.

Contei a Mary tudo o que ouvira na noite passada, desde quando me levantei da cama para “tomar um ar”, até a parte da conspiração de Kate e Bob e as insinuações da ruiva. Obviamente, excluí a parte do pesadelo. Não queria deixá-la assustada e ainda mais preocupada comigo ou com Victoria. Ela ouviu tudo com atenção, de vez em quando dando sorrisos maliciosos – para os quais meus olhos rolavam nas órbitas – quando eu narrava os momentos tórridos entre Kate e Bob, e franzindo o cenho quando reproduzi a conversa dos dois. Ambas concordamos que havia algo realmente grande acontecendo. Nora tinha um segredo, e estávamos determinadas a desvendá-lo.

– Quer saber o que eu acho? – Mary perguntou-me, depois de alguns minutos de silencio entre nós duas.

– Manda.

– Eu acho – verbalizou, estreitando os olhos para um canto qualquer da parede atrás de mim enquanto levava um dedo aos lábios ceticamente. Ela parecia um detetive que acabou de fazer uma súbita ligação dos fatos desconexos de um caso complicado –, que Nora já sabe de tudo. Ela só está esperando o melhor momento para frustrar os planos daqueles dois.

– Não tinha pensado nisso antes. Mas eu não me surpreenderia – constatei.

– Seja lá o que for, nós duas temos que descobrir – ela anunciou decididamente, abrindo um largo sorriso em seguida. – Já imaginou? Vai ser tão legal! Vamos agir sorrateiramente, como espiãs russas...

Enquanto Mary delirava sobre espionagem, eu apenas ria. Admirava sua capacidade de se empolgar com as menores coisas, de ver uma saída em tudo, até nos momentos mais difíceis. Ela discursava sobre os melhores métodos de interrogatório e tortura quando fomos interrompidas por uma batida tímida na porta. Levantei-me, e ao abrir, deparei-me com ninguém menos que Daisy. Ela parecia apreensiva, seus olhos – que lembravam os de um cachorrinho – disparavam de um lado para o outro do corredor e do meu rosto para o de Mary, rápida e nervosamente.

– Oi, Daisy. O que houve? – perguntei, sua ansiedade me contagiando.

– Nora quer falar com vocês duas. Agora – ela disse. Mary e eu nos olhamos, cismadas.

Seguimos Daisy pelo mesmo caminho que fizemos no dia do interrogatório, e adentramos na pequena sala, que aparentemente era o “gabinete” de Nora. Ela estava sentada à cabeceira, exatamente como da última vez, limpando a sujeira debaixo das unhas com um canivete reluzente. Estremeci. Em minha cabeça, fantasiava sobre o que ela poderia fazer com a arma.

Para meu profundo alívio – eu já estava ficando louca, paranoica –, ela colocou a faca em uma capa de couro preto, e a guardou no bolso da calça jeans azul escura, ao mesmo tempo em que se levantava, limpando as mãos na camiseta de moletom puída enquanto caminhava em nossa direção. Abriu um sorriso simpático e falou:

– Devem estar se perguntando por que as chamei, certo?

Mary e eu nos olhamos mais uma vez. Meus ouvidos zumbiam, tamanha era a expectativa em relação ao que ela iria dizer em seguida.

– Muito bem, vou ser direta. – Ela suspirou. – Chegou a hora de resgatar Victoria.

Notas finais
Mais uma vez, não vou dar garantias de que o capítulo 6 vai ser postado logo. Vou tentar dar um jeito na minha criatividade, para ela parar de sumir tanto. Muito obrigada por não desistirem de mim :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.