Imperfect Utopia

11 Uma vida amaldiçoada


A aula no colégio durava cinco horas, tanto para estudantes do fundamental, quanto para estudantes do ensino médio. As aulas começavam às 8 horas, e o intervalo começava às 11, durando apenas quinze minutos.

Três horas... Pode não parecer, mas isso parecia uma eternidade, eu pensei que pelo menos as aulas fossem interessantes; e o pior: tinha aulas nos sábados (e pior ainda, Isaac e John simplesmente desapareceram, pois eu não os encontrei na sala de aula)!

Que tipo de escola tem aulas aos sábados? Que injustiça, talvez não valha à pena estudar num dos melhores institutos do estado. Enfim, quando finalmente o intervalo chegou... “Wesley Almer, favor comparecer à diretoria imediatamente” anunciou um megafone. Mas que droga, isso só aconteceu porque a operação infiltração seria iniciada (o que é muito bom, já que eu não queria participar dela, mas logo eu seria liberado, e ao sair da sala do diretor eu voltaria a ser um rebelde disfarçado)...

Ao chegar lá (na direção) o diretor me recebeu com um rosto não muito agradável, ele dispensou seus funcionários com um gesto, mandou-os fechar a porta, e por um instante éramos só ele e eu.

-- Gostaria de não ter que chamá-lo aqui.

-- É sobre o meu atraso de hoje?

-- Quem me dera fosse...

-- Entendo, então, é sobre...

-- Sim.

-- ...

Fiquei em silêncio, pouco depois o diretor careca retomou o assunto.

Ficamos conversando por dez minutos que pareceram uma eternidade, as perguntas dele estavam ficando cada vez mais sérias... O assunto da conversa não é importante, então voltemos para Sthephanie.

Chegando ao refeitório vi alguns funcionários do shopping distribuindo pratos de comida para os alunos, Sthephanie estava sentada em uma mesa que ficava afastada de tudo e de todos, não havia uma pessoa sequer comendo ao lado dela. A sua aparência infantil e seu olhar melancólico demonstravam sua solidão. Era uma cena triste de se ver... Ela até me lembra de mim, quando era mais novo: o nerd, sem amigos, sentado em uma mesa vazia, comendo pequenas porções de arroz que minha mãe preparava... Não! Recomponha-se! Isso é uma missão, e eu não devo falhar! Maria me observava ao longe para ter certeza de que eu não falharia.

Sentei no banco da mesa de forma sutil.

-- Umm... Oi – falei.

Ela me olhou com seus olhos deprimentes, sua pele parecia ainda mais anêmica que antes, e o seu cabelo parecia branco como a neve.

-- Oi... – até o “oi” dela era deprimente.

-- Eu... Posso me sentar aqui, né?

-- Não seja tão informal...

-- Desculpe.

Um breve silêncio começou, mas eu precisava me tornar amigo dela, afinal, essa era a minha missão, então eu tentei “quebrar o gelo”.

-- Então... Qual é o seu nome completo? – perguntei.

-- Eu não sei...

-- Ãhn? Como assim não sabe?

-- Meus pais me abandonaram quando eu era criança, eu não cheguei a aprender o meu sobrenome...

-- A... Entendo... Mas, Sthephanie é um nome bonito!

-- Eu não ligo para a sua opinião...

Uau, ela era boa em ser rude! Mas eu não podia parar agora!

-- Você não tinha outros parentes com quem ficar?

-- Todos os meus familiares morreram misteriosamente... E todos no dia do meu nascimento...

-- ... Uau... Que macabro...

-- Desculpe, eu não queria te assustar...

-- Tudo bem, eu não me assustei... Então, qual é o dia do seu nascimento?

-- Dia 13, mas especificamente em uma sexta-feira 13.

Mas que maravilha! Entre tantas garotas no mundo eu tinha que tentar ser amigo justo dela. Que divertido! Aposto que ela tem um gato preto em seu dormitório.

-- Ei, você não é o garoto que eu carreguei para o alojamento...? – perguntou.

-- Alojamento...? Ah! Você quer dizer dormitório?

-- Sim...

-- Bem, a resposta é sim, mas... Por que você me deu um golpe de karate naquele dia? -- que no caso foi ontem.

-- Eu pensei que você fosse um rebelde... Desculpe-me...

-- O.K.

-- Mas, você não devia ficar saindo da escola pela madrugada.

-- E você também não!

-- É meu dever proteger os alunos normais, os que não são rebeldes.

-- Entendo, você é tipo uma guarda-costas?

-- Não. Eu trabalho para o governo, então, os rebeldes são meus inimigos...

Sthephanie parecia estar com dificuldade para cortar um pedaço de bife no seu prato.

-- Dagger— disse ela, invocando sua adaga mortal.

-- O quê foi Sthephanie...? O que eu fiz?!

-- Nada, eu só queria cortar esse pedaço de bife... – respondeu-me, usando sua arma para cortar um simples pedaço de carne, “que ameaçador”!

O intervalo terminou, a maga se despediu friamente e seguiu rumo à sua sala. Mary veio ao meu encontro.

-- Então, o que você descobriu? – perguntou-me.

-- Nada, só descobri que ela parece uma...

-- Garota normal? – interrompeu-me

-- Não... Uma idiota que usa uma arma para cortar carne.