Imperfect Utopia
10 Uma chance de se vingar
“Wesley Almer, favor comparecer à sala de aula do segundo ano, C; corredor 7, o professor já aguarda sua presença” anunciou alguém em um megafone.
Por que isso sempre acontece comigo? No primário, eu me atrasei quase meia hora no primeiro dia. No fundamental, eu me atrasei quase duas aulas. Porquê...? Por nada, na verdade eu não queria estudar naquele dia. E agora isso... Eu levei cerca de quinze minutos só para me arrumar, depois foram mais cinco minutos para escovar os dentes, arrumei o cabelo, e tentei deixar o meu pé colossal o mais apresentável possível, colocando o meu melhor tênis, o meu melhor par de meias, e depois eu fiquei torcendo para que ninguém notasse o fedor delas.
Comecei a correr pelos corredores procurando a sala segundo ano C. Ahn... Vejamos... Segundo ano A, segundo ano B, segundo ano D... Espera onde está o segundo ano C? Droga, que vergonha, eu vou chegar atrasado à aula (de certa forma eu já estava atrasado)...
-- Eu te ajudo, idiota – disse-me uma voz feminina.
-- Mary...? O que você...
-- Na escola você pode me chamar de Maria. Ah! E nem pense em me chamar de capitã, o diretor odeia quando dizem isso. Então... – ela segurou a minha mão e começou a me puxar – Eu espero que você pelo menos tenha inteligência para me seguir.
-- EI!
-- Desculpe-me, mas você não conseguiu nem encontrar uma sala de aula, imagine se você fosse um cão de rua! Provavelmente você já estaria morto, ou perdido...
Aquelas brincadeiras dela não me agradavam, mas apesar disso... Eu me sentia bem quando estava ao seu lado.
Nós finalmente chegamos! Por alguma razão a sala C ficava muito afastada das outras, bom, mas pelo menos eu não fiquei perdido no colégio feito um cachorro.
-- Wesley... – falou Mary ao chegar à porta de entrada da sala C. – Eu... – ela começou a rir por alguma razão.
-- O quê foi, por que você está rindo?
-- Wesley Safadão... HÁ, HÁ, HÁ!...
-- Pare com isso...
-- Desculpe, eu não resisti... Bom, de qualquer forma – Mary recobrou o foco, seu rosto agora era sério – a operação infiltração começa hoje, você se lembra do que fazer não é?
-- Não, eu não tenho a mínima idéia do que eu devo fazer.
Ela me deu um tapa no rosto.
-- Idiota... – ela se virou para o outro lado. -- Por quê? Por quê? Por que Deus só manda pessoas retardadas para serem rebeldes?
-- EI! Não fale isso na minha frente!
-- Tá bom... O seu objetivo é retirar informações da maga, seja por bem, ou por mal.
-- Eu sei disso.
-- Tente se aproximar dela durante o intervalo, e tente não demonstrar medo. Sthephanie é como uma cobra que fareja o medo dos seus oponentes e depois os mata.
-- Que macabro...
-- Desculpe, não sabia que você tinha pesadelos à noite.
Fiz uma expressão séria com o rosto, que deve ter ficado parecido com uma careta.
-- Não se irrite, eu não sou seu oponente, mas ela sim.Bom, de qualquer forma, nessa sala estudam o Mijão e o Superman, eles podem te ajudar...
-- Superman?
-- Sim! Na verdade ele é o Jonathan, mas como ele saiu voando por causa da explosão dessa madrugada, nós o apelidamos de...Ah, esquece... Você não estava lá.
Na verdade eu estava sim, mas eu não queria lhe dar essa satisfação.
Despedi-me de Maria, o professor estava bravo com a minha demora; ele me chamou e eu fui apresentado para um público de trinta pessoas! Que divertido! Principalmente para alguém tímido como eu. Depois da apresentação, dirigi-me ao fundo, todos me olhavam fixamente, me avaliando, avaliando minha aparência etc. Eu não gostava daquilo. Cheguei à carteira indicada pelo professor, que alívio... Muitos alunos ainda me encaravam, mas eu fingia que não me importava (mas eu me importava).
Retirei o material da bolsa: cadernos, livros (que o diretor me deu na noite do dia anterior), bolsinha, régua, esquadro, compasso... Ufa... Depois disso, comecei a me concentrar em Sthephanie, olhei ao redor, mas não a vi, Isaac e John também pareciam não estar lá, ou pelo menos não estar tão perto de mim.
Uma classe nova, novos amigos, um novo objetivo de vida, e uma chance para me vingar do atual governo, isso era ótimo! A parte ruim era saber que naquela escola havia uma garota angelical que podia me matar. Que pensamento otimista! Mas é melhor não pensar nisso agora, primeiro os estudos, depois a rebeldia.
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