Notas iniciais
Como prometido (já que amanhã não vai ter capítulo novo) postei mais uma parte da história hoje mesmo (para compensar o dia seguinte).

“Dia 4. Operação em espera. Aguardando resultados...” Anotei em meu celular e enviei a mensagem a eles. A tarde já estava cedendo ao crepúsculo, alguns pássaros cantavam ao longe, estudantes andavam apressados pelos corredores, e eles nem tinham ideia do que eu iria fazer.

Saí do meu dormitório, andei pelos corredores e torci para não encontrar nenhum rebelde pelo caminho, tinha que ser uma ação rápida e imperceptível, ou seja, tinha que ser perfeita. Dirigi-me para a cabana velha, ao chegar lá, agachei-me e comecei a me esgueirar pelo chão. “Tem que ser perfeito, perfeito...” pensava enquanto me escondia.

A grama era alta e mal cuidada, e isso era muito bom, assim ninguém iria me ver. Cheguei à porta, prendi a respiração, e abri-a deixando apenas uma pequena fresta, suficiente para que se veja o que há dentro da cabana. Mary estava (como de costume) sentada em sua cadeira, lendo alguns papéis que estavam sob a escrivaninha.

Fechei a porta novamente, com cuidado, voltei a respirar e novamente deitei-me no chão e esperei... Alguns minutos se passaram e nada... Passaram-se algumas horas, mas nada... Parece que ela não quer sair de lá hoje...

A porta se abriu, finalmente. Em um salto eu coloquei um pano sobre o rosto dela, e a segurei com força para que não escapasse. Ela começou a se contorcer e se mexer de todas as formas possíveis, até que... Ela desmaiou.

-- Perfeito. Um já foi, faltam quatro.

Havia um pequeno porão embaixo da velha cabana, com a ajuda do diretor eu consegui uma corda, e com ela, amarrei Mary a um pilaste de sustentação, que mantinha a estrutura do quartel-general.

Meu segundo alvo: Isaac. Ele é um idiota, então não vai ser difícil capturá-lo. E realmente não foi: com um bilhete, eu o atraí a um local deserto que ficava ao lado da cabana; neste bilhete eu dizia que os rebeldes fariam um belo piquenique, com muita comida, diversão, comida, amizade e mais comida ainda. Ele caiu como um patinho, depois eu usei o mesmo método surpresa que utilizei com a líder.

Meu terceiro alvo foi John. Ele podia ser um burro e idiota, mas ele desconfia de mim desde que eu cheguei ao instituto. Como ele estava discursando em um lugar meio deserto eu não tive dificuldades para pegá-lo. Usei o método surpresa novamente, ele resistiu por um bom tempo, mas eu o imobilizei e ele ficou à deriva, só esperando o seu ar acabar.

Quarto alvo: Alice. Ela foi a mais fácil de todas, eu nem precisei me esforçar. Como ela ficava isolada em um armário eu só precisei trancar a porta e pronto. Uma hora ela acabou se cansando de gritar e bater na porta e acabou dormindo. A parte mais difícil foi levar uma garota, desacordada (que pesava quase 47 quilos) para uma cabana na mata sem chamar atenção.

Último alvo: Sthephanie... Isso não vai ser nada fácil...

Sthephanie costumava ficar a maior parte do tempo em seu dormitório, mas quando ela não fazia isso ela ficava lendo algum livro na biblioteca. O tempo em que eu fingi que era amigo dela me ajudou muito a descobrir as suas atividades diárias; agora eu só precisava tentar não estragar tudo.

Ela estava na biblioteca no dia em questão. Não havia mais ninguém lá, o que era perfeito para agir. A maga estava lendo um livro, sentada em uma cadeira com uma mesa que ficava no centro da biblioteca.

Era tudo ou nada. Mais do que nunca eu deveria ser perfeito, e caso conseguisse minha família estaria salva. Comecei a engatinhar lentamente em sua direção, já era noite, o que tornava as coisas um pouco mais fáceis. “Você consegue, lembre-se, é por sua família!” Pensei, enquanto engatinhava. Mas aí o meu plano foi todo por água abaixo... Eu esbarrei sem querer em uma pilha de livros que estava no chão, e isso fez um barulho estrondoso. Sthephanie se alertou.

-- Quem está aí? – perguntou, e eu fiquei em silêncio. – Diga!! – novamente fiquei em silêncio.

Pelos sons que o piso de madeira emitiu, deduzi que ela deu alguns passos para frente. Depois ela disse a palavra que nenhum rebelde quer ouvir:

-- Dagger... – pelo som que ela fez, deduzi que a mão dela já havia de transformado na adaga. E por alguma razão, a palavra dagger soou um pouco robótica, assim como... Como aquela vez em que ela ameaçou Mary no meu dormitório!

Esse é o fim... Eu não posso morrer assim... Mas pelo menos essa vida fingida que eu venho levando por tantos anos irá acabar, não é...?