Imperdoável
1 ✁ Medo...
Não era para esse ser meu destino. Não era para ninguém jamais saber. Eu jamais fui assim, até sentir aquele ar melancólico de medo, raiva e ódio. Nunca era para isso acontecer.
Jamais!
O que eu afrontava era meu próprio medo. Um medo incompreensível.
Era sangue que se via ao seu redor.
Era alívio que a mesma sentia.
Eram agora traumas de uma vida que estava morta.
Queria não poder mais temer. Esse medo incontrolável. Fazendo-me seguir para um lado imperdoável.
Pude ouvir aqueles gritos de horror. E meu sorriso se formando de espontaneidade. Àquelas noites de um crime que me foi cometido. E a faca que entrava em sua carne como um lobo faminto, apodrecendo na beira de um abismo próximo a uma floresta temível.
O choque... A dor... O alívio... O medo. Tudo era um continente de emoções frias, solitárias e desprendidas de um ser tolo.
Na madrugada de quinta-feira foram encontrados registros da pessoa desaparecida...
A polícia investiga o criminoso que ainda não foi encontrado.
O corpo estava aos ossos e carnes vivas. Há registro de que o crime foi cometido em cinco noites passadas.
Quem seria o assassino?
Era isso? Jornal estúpido. Nunca vão me pegar, foi um crime muito bem elaborado. Quem eu pensava que era? Ser jogada pelos meus pecados. Não deveria ter reputações sobre meu crime cometido. Eu devia estar alucinada.
O telefone toca... E a encontram.
Como isso foi acontecer? Por que há tantas pessoas me olhando dessa maneira? E porque ele estava ali? Sorrindo tão cruelmente?
Então foi depois de instantes que me caiu a ficha. Ele sabia. Sabia que fui eu. Era meu próprio vizinho, como não iria saber de uma maníaca que viva bem ao seu lado? Mas eu não sou assim. Eu apenas não queria mais sentir esse medo. Um medo grandioso que não se desprende de meu ser.
Matá-la de desprezo e de inveja. Ser mais amada por todos e por ele. Com aquele sorriso sarcástico. Esse foi um erro sem dor e sem arrependimentos. Mas foi tarde demais. Eu deveria ter matado enquanto podia. Aquele tolo, covarde... Frágil e lindo.
Eu deveria ter matado aquele que um dia amei... E que sempre continuarei amando.
Aquele ser desprezível.
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