Notas iniciais
Desculpa a demora meus amores,mas estava sem tempo para escrever.Espero que me perdoem,boa leitura.

–Meu filho, meu bebê ,minha vida -eu digo desesperada ,enquanto tento tampar o local do tiro com as mãos para estancar o sangue.

–Japa ,o que eu faço?-grito

–Temos que levá-lo a um hospital.

–Mas se eu for ,vou ser presa.E morta.- Respondo — E eu prometi a ele uma família. -digo aos prantos.

Ele parece estar em um conflito interno do que fazer.Mas por precação continua atirando.Entretanto,eles eram muitos, estavam se aproximando com facilidade e tudo por minha causa. Penso um pouco, preferia salvá-lo e deixar minha mãe com ele, seria sua família, sempre fora .Me levanto com ele nas costas e o coloco em cima de Japa que o segura rapidamente e surpreso:

–O que foi isso?-me pergunta

Pego a arma de sua mão e atiro em seu lugar:

–Fuja com ele. Leve-o a um hospital e depois comunique minha mãe. Eu vou ficar bem se ele estiver bem.

–Vão matá-la. Não posso permitir isso. -Ele se desespera-Eu te amo Vivian, não me magoe por favor.

–Eu vou me entregar Japa, não posso fugir eternamente. Por favor, se me ama ,fará isso por mim.

Vejo uma lágrima em seu olho .Ele põe Leandro em um lado do corpo ,me dá um beijo e corre por entre os becos.Me agacho e crio coragem ,pego um pedaço de minha blusa ,ela era branca e balanço no ar, afim de que entendessem a mensagem.Os tiros cessam ,me levanto ,jogo as armas no chão e deixo minhas mãos a mostra. Dois policiais correm em minha direção ,me jogam no chão e algemam minhas mãos. Sou levada para a viatura mais próxima e por segurança me colocam no banco traseiro, com outros dois policiais.

Estou em uma cela de segurança máxima, em um presidiário feminino qualquer, há três dias.Ninguem fala comigo, a não ser para me dar ordens. Enquanto o tempo passa, penso apenas em Leandro.Será que meu filho estava bem?. Esperava que sim. Me deito no chão e me preparo mentalmente para ser morta.Adormeço ali mesmo.

Sou acordada por um chute de um guarda qualquer:

–Levante-se ,o capitão quer vê-la.

Não digo nada, apenas obedeço. Ele me leva até um sala.Há apenas uma mesa e uma cadeira.Me sento ali. Há espelhos por toda a sala. Eu sentia que estava sendo vijiada.Mas não ligo, me olho um pouco, tudo que eu havia engordado em 14 anos, perdi em um mês. Apenas para salvar meu filho.

Um homem alto e robusto, com cabelos grisalhos e olhos cansados entra na sala. E para do outro lado da mesa, me analisa por alguns minutos e depois sorri, deveria estar contente pois o sorriso ia de orelha a orelha:

–Olá Vivian. -me diz, mas eu não respondo, então ele continua-Você me deu muito trabalho ,sabia querida?. Anos te procurando, você é muito boa, mas uma hora ou outra, seria encontrada.E foi.Me diga ,como conseguiu fugir, todos esses anos?

–Sendo esperta. — Respondo

–Acho que não foi esperta o suficiente por muito tempo. -Ele revida- fugiu a vida inteira por diversos países ,matou tantas pessoas. No início achei que fosse psicopata mas então um caso seu me intrigou muito, você tem a mente sã. Então não era psicopata ,me restando uma única opção. Matadora de aluguel.

–Bravo. Eu lhe aplaudiria se não estivesse algemada.

–Não necessito de seus aplausos e nem da sua ironia. Dediquei 8 anos a você. Sabia que minha mulher se divorciou de mim por sua causa?. Você me deixou louco. Pensei em arquivar os seus casos, mas seria muito desaforo fazer isso.

Olho para ele fingindo estar interessada, mas apenas queria socá-lo, entretanto ele me poderia ser útil:

–Qual é o seu nome?-pergunto

–Para você ,capitão.

–Ok ,Capitão. Me diga , porque ainda não fui morta?

–Quem lhe disse que seria morta?

–Um policial.Creio que deve estar morto.

–Ah sim...Minha cara, você realmente deveria ser morta, mas não vai.Sua nacionalidade é Brasileira portanto, infelizmente é problema nosso.

–Que infelicidade a sua.

–Não imagina o quanto. Você será julgada amanhã e depois, se tiver bom comportamento se unirá as outras presas.E fique avisada ,eu posso não matá-la ,mas farei da sua vida um verdadeiro inferno. Assim como você fez da minha.

–Posso conviver com mais um inimigo, Capitão. Mas fique avisado, eu posso matá-lo e fazer dos seus últimos minutos um verdadeiro inferno.

–Tirem-na daqui-Ele ordena aos guardas.

Sou levada para a minha cela novamente e naquele dia, não me trouxeram o jantar, algo me dizia que havia o dedo do Capitão no meio disto. Não me importo, fome era o que eu menos tinha ,queria apenas o meu filho comigo ,saudável ,longe de tudo e de todos. Sendo feliz. Deito na minha cama e choro ,até cair no sono.

Sou acordada pelo barulho da minha cela abrindo, uma guarda me agarra pelos braços e me leva entre becos e escadas até um carro da polícia. Me senta no banco traseiro e vamos até o local do julgamento.

Conto os minutos até chegarmos, eram exatos 43 minutos, sem trânsito. Então sou colocada em uma cadeira e ao meu lado fica o meu advogado, oferecido pelo governo, o que queria dizer que não faria diferença alguma sua presença. A juíza chega e todos silenciam. Ela começa a falar, mas não ouço o que diz, ser absolvida era o que eu menos esperava. Até que chamam o meu nome e sou posta na cadeira ao seu lado. O Capitão se aproxima e me faz perguntas:

–Senhorita Vivian, observe este lugar.Está lotado ,não?. -Ele tinha razão ,eu não havia observado isto.- Todas essas pessoas, são familiares das vítimas que você matou. Porque fez isso?

–Eu apenas fiz o que me mandavam fazer. Não quis prejudicar ninguém.

Uma mulher se revolta e fica de pé ,gritando comigo:

–NÃO QUIS PREJUDICAR NINGUÉM? MEU FILHO ERA APENAS UM VICIADO,ELE TINHA CURA.NÃO PRECISAVA SER MORTO POR UMA DÍVIDA. COMO SE SENTIRIA SE EU ENTRASSE EM SUA CASA,PEGA-SE SEU FILHO ,MATA-SE-O E DEPOIS ENVIA-SE O CORPO DELE DENTRO DE UMA SACOLA DE LIXO? ME DIZ!

–Me desculpe senhora.Me arrependo.

–Pois deveria ter pensando antes de se enfiar nesta vida. -diz ela mais calma.

O capitão parece contente com a minha vergonha. A juíza pede ordem e que o capitão prossiga.

–Pois bem, então assume que matou mais de vinte homens por dinheiro?

–Nunca neguei.

–Mas também, nunca afirmou. Me diga ,para quem trabalhava.

–Para ninguém, eu era de aluguel , não fixa.

–Então ,vou reformular a pergunta. Quais foram os seus clientes ?

–Me desculpe Capitão ,mas foram muitos e além do que, não sou dedo duro.

–Prefere ficar presa por mais anos ,por não ser dedo duro?

Fico calada.

–Senhorita Vivian ,se não colaborar terei que culpá-la.- diz a juíza

–Protesto. -gritou meu advogada-Meu cliente tem o direito de não responder a algumas perguntas ,ela jurou dizer a verdade ,não em responder.

–Protesto aceito-diz a juíza indignada. -pois prossiga Capitão.

–Sim ,excelência. Vivian , quantos anos tinha quando começou a matar?

–Acho que com 16 anos, mas apenas por diversão. Depois virei matadora com 18,parei por um tempo e retornei aos 20 anos.

–E porque parou?

–Por conta do meu filho, ele era recém nascido.Tentei dar a ele uma vida melhor ,mas não existe um salário muito digno para o trabalhador honesto hoje em dia.

O capitão se cala e diz que as perguntas estão encerradas. Me volto para o meu lugar e a juíza atrasa a decisão para daqui a 15 dias. Sou escoltada para minha cela novamente.

Notas finais
Novidades vêm por aí ,me digam, o que acharam? beijos,Adriana.