Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso vigésimo quarto capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.


— Minha flor da neve, onde você está? — uma voz conhecida soou sorridente me procurando pelos aposentos reais e sorri atrás do sofá, colocando minhas mãos na frente da boca tentando abafar o som evitando ser descoberta — Não adiante se esconder, minha flor da neve, a mamãe vai encontrá-la onde estiver. — a voz assegurou amorosa e logo pude ouvir seus passos mais próximos, me encontrando atrás da banheira que havia no seu quarto de vestir.

— Achei você, minha flor da neve. — a mulher disse sorrindo me encarando com lindos olhos verdes amorosos iguais aos meus, antes de pular em seus braços sendo recebida com inúmeros beijos carinhosos.

— Mamãe, por que a senhora sempre me chama de flor da neve? — questionei confusa brincando com uma mecha do seu cabelo em seu colo, assim que ela parou de me beijar.

— Porque é uma flor de rara beleza que só floresce no gelo, é só podemos encontrar em um local muito especial para a nossa família — disse perdida em pensamentos, antes de sorrir para mim — E essa flor, me lembra muito a minha princesinha corajosa.

— Como posso ser parecida com uma flor da neve, mamãe, se sou uma criança?! — questionei confusa fazendo-a rir com carinho, beijando minha testa com cuidado antes de me olhar de forma séria.

— Preste atenção, querida, no que a mamãe irá lhe dizer agora — pediu e balancei a cabeça concordando, sinalizando que estava atenta — Um dia o frio do norte chegará ao vento do leste, ele irá querer cercar tudo com flores da neve derrubando o vento do leste, mas nada poderá fazer diante do fruto do frio com o vento, unido assim todos os quatro elementos em um só...O vento do Leste...A flor da neve do Norte...O fogo do Sul... E a água das montanhas do oeste...Minha flor da neve. — mamãe cantarolou amorosa e pisquei confusa, sem entender o que estava falando, mas antes que pudesse lhe perguntar algo sobre sua canção ouvimos o som de algo explodindo lá fora e ela me abraçou com força, gritando em seguida por Agnes.

E meu tão conhecido pesadelo começou novamente, repleto de som de espadas, choros gritos e fumaça, enquanto minha mãe corria comigo em direção as passagens secretas tentando salvar minha vida dos inimigos do Norte, os quais soube recentemente que eram comandados pelo falecido General do Leste, irmão bastardo do meu pai que acreditava fielmente que a coroa do Leste lhe pertencia por ser o primogênito do falecido rei.

— Virginia. — uma voz conhecida me chamou com carinho se infiltrando nos meus pesadelos, enquanto soluçava desesperada pela perda da minha mãe até um grito ser ouvido ao longe.

— Tudo bem, princesa, foi só um pesadelo — ouvi Gael dizer suave me abraçando mais ao seu peito, enquanto meu corpo tremia devido aos soluços que saiam dos meus lábios — Você está segura, meu amor, não vou deixar ninguém machucá-la. — assegurou beijando meus cabelos enquanto acariciava minhas costas sem pressa, tentando acalmar os tremores que sacudiam meu corpo causados pelo choro desesperado que vinha de mim.

Logo todos se levantaram assustados, prontos para se defender de um possível ataque enquanto olhavam alarmados para todos os cantos do quarto em busca de possíveis inimigos, antes do local ser invadido por um número considerável de soldados do Sul dispostos a defender seus soberanos.

— General, ouvimos um grito...— Arthur começou a falar depois que percebeu que não havia ninguém suspeito ali, voltando sua atenção para Gael assim como todos ali.

— Está tudo bem, Arthur, não precisam ficar alarmados — Gael assegurou baixo acariciando meus cabelos, enquanto ainda estava abraçada a ele chorando sem parar — Minha esposa só teve um pesadelo que a deixou assustada, agradeço por terem vindo ver do que se tratava, mas podem voltar para seus postos e não quero ouvir comentários sobre isso. Para todos os efeitos, nada aconteceu essa noite, assim como a rainha do Leste jamais esteve nos meus aposentos. Estamos entendidos? — ordenou severo sem desviar os olhos dos seus homens, enquanto segurava o tecido da camisa que Gael usava, tentando livrar minha mente do torpor do medo causado pelo pesadelo.

— Sim, General. — disseram juntos e Gael sinalizou que podiam se retirar, voltando sua atenção para mim.

— Está tudo bem, meu amor, você está segura agora — disse gentil me abraçando um pouco mais forte, beijando o alto da minha cabeça enquanto ainda segurava sua camisa com força — Prometo que ninguém irá machucá-la, porque terá que passar por mim antes.

— Prometi? — sussurrei em seu peito sem ter certeza de que seria ouvida.

— Prometo — assegurou sem dúvida na voz — Agora, preciso que minha princesa se concentre na minha respiração — pediu e balancei a cabeça concordando — Ótimo, amor, agora tente respirar no mesmo ritmo...Isso, inspire e expire...Inspire...Expire...— Gael pediu gentil e fiz como ele me orientou, sentindo que meu coração estava voltando ao seu ritmo normal assim como a minha respiração.

— Foi o mesmo pesadelo, minha senhora? — Agnes questionou preocupada me oferecendo uma taça de água depois que me acalmei.

— Não Agnes, dessa vez foi diferente. — disse perdida em pensamentos segurando a taça de água em minhas mãos, enquanto Gael acariciava meus cabelos assegurando que estava ao meu lado e que nada poderia me fazer mal.

— Diferente como, amor? — Gael questionou interessado.

— Eu vi a minha mãe...Depois de anos sendo assombrada pelos horrores daquela noite, finalmente consegui me lembrar de uma memória em que minha mãe estava bem...— disse perdida em pensamentos, recordando o sorriso acolhedor e os beijos amorosos que ela havia me dado durante o sonho.

— Então, se o sonho não foi ruim porque gritou? — Hortência questionou me olhando confusa.

— Porque no final, ele se transformou no pesadelo que tenho desde que meus pais morreram. — expliquei perdida em pensamentos, tentando entender por que aquela lembrança havia surgido em meus sonhos agora.

— E como você se sentiu, vendo novamente sua mãe em uma lembrança feliz? — Gael questionou amoroso e voltei meus olhos para vê-lo, sem que ele deixasse de acariciar meus cabelos.

— Feliz...Ela me amava profundamente...— sussurrei sorrindo triste por não tê-la mais perto de mim — Eu tenho os olhos dela. — disse com orgulho e ele sorriu amoroso para mim.

— Mas é claro que ela te amava, Virgínia, você era um pedaço dela, por quem foi capaz de dar sua vida para proteger — ele disse gentil sem desviar seus olhos dos meus. — Os pais são capazes de tudo para proteger seus filhos, assim como qualquer pessoa que ama a outra é.

— Nisso Gael tem razão, os pais são capazes de matar e morrer para proteger seus filhos. Imagino, quanto deve ter sido difícil para a sua mãe, perceber que não tinha outra alternativa para salvar a sua vida...É uma dor e desespero, que não desejo nem ao meu pior inimigo — Hortência disse pensativa, como se tentasse se colocar no lugar da minha falecida mãe. — Nenhum filho devia crescer sem seus pais ou viver em um ambiente hostil, como viveu a vida toda, não é de se estranhar que tenha pesadelos todas as noites.

— Sim, nunca consigo dormir de forma tranquila mesmo com os chás e óleos receitados pelo médico real. Só consegui descansar na noite em que me lembrei quem era o General do Sul, depois que ouvi sua conversa com Agnes quando chegou ao Leste — expliquei desviando os olhos de Hortência para ver Gael que ainda acariciava meus cabelos de forma terna, assegurando que estava ao meu lado. — Foi a primeira vez que me senti segura depois de muito tempo, mesmo que fossemos dois completos estranhos algo dentro de mim, me dizia que podia confiar no meu amigo de infância.

Gael concordou sorrindo, inclinando-se para beijar minha testa com carinho me envolvendo nos seus braços abraçando-me de forma terna, passando toda segurança e paz que sentia só de estar na sua presença.

— A partir de hoje, se for do seu desejo, gostaria que dormisse aqui — ele disse assim que nos separamos e o olhei surpresa, pois aquele era um convite ousado para se fazer a um donzela mesmo que fossemos comprometidos, se algo assim chegasse ao ouvido dos servos minha honra seria contestada, resultando na minha descredibilidade como monarca assim como de todos os herdeiros que tivesse — Não quero que pense que estou com segundas intenções ou que desejo manchar sua honra, só estou preocupado com a sua saúde, querida, é visível o quanto está a ponto de desmaiar de exaustão e sei que grande parte disso é por minha causa.

— Gael, em nome de todos os deuses, o que acha que está fazendo?! Você tem dimensão do que está pedindo a rainha Virginia?! — Hortência questionou séria para o filho — Uma coisa é a rainha passar apenas uma noite ao seu lado, com a desculpa de estar cuidado do seu noivo doente outra bem diferente é convidá-la para dormir ao seu lado. Nem se vocês estivessem casados como se deve, seria correto convidá-la para a sua cama, porque um consorte jamais pode pedir algo assim a um monarca. Parece que esqueceu tudo o que aprendeu sobre as leis reais, desde que colocou os pés no Leste.

— Eu sei de tudo isso, mamãe, jamais esquecerei de como o vovô fazia questão de me lembrar todos os dias qual era o meu lugar na família real — Gael destacou com mágoa — É uma lástima que o caçula da família real do Sul tenha nascido a cara de um ex-escravo, mas vejam pelo lado bom, Gael ainda é uma criança linda e se tornará um homem estonteante que chamará a atenção por onde passar. Afinal, o trono não precisa de dois príncipes, só existe um herdeiro para a coroa o outro será apenas um fedelho mimado, usado para acalmar guerras ou fazer alianças vantajosas, fortalecendo o reinado do seu irmão mais velho. — disse imitando o tom de voz descontente e Hortência suspirou triste.

— Gael, seu pai e eu jamais pensamos isso de você. Nunca fizemos distinção entre nossos filhos, mas apesar de conversar com meu pai não podia mudar a mentalidade dele explicando o quanto estava magoando seu neto com suas atitudes.

— Eu sei, mãe. Acho que do jeito dele, o vovô estava tentando me proteger do destino de ser usado como moeda de troca pelo irmão mais velho, como aconteceu com ele.

— Sim, por isso sempre deixei claro para seu pai que o acordo de casamento seria apenas uma fachada para ajudar a rainha do Leste, depois disso ele seria dissolvido e você escolheria sua esposa, assim como aconteceu com seu irmão. Só não considerei, a hipótese de que acabaria se apaixonando pela rainha do Leste e desejaria se casar de verdadeira com ela. — destacou e Gael sorriu concordando, enquanto voltava sua atenção para mim.

— Prometo, que não importa quantos filhos tivermos jamais irei fazer distinção entre eles, muito menos os usarei para benefícios da coroa. Todos, sem exceção, poderão escolher com quem irão se casar assim como eu e você fizemos — jurei sem desviar dos seus olhos e ele sorriu comovido com as minhas palavras — E seria uma honra para mim, passar as noites ao seu lado. Só não espero que se arrependa, quando ficar sem dormir por causa dos meus pesadelos. — destaquei fazendo-o sorrir amoroso para mim.

— Não se preocupe, meu amor, posso me acostumar com isso, mas creio que seus pesadelos diminuam com o tempo, assim que se sentir mais segura em seu próprio castelo.

— Vocês só podem estar fora do seu juízo perfeito, não existe outra explicação para isso — Hortência segredou desistindo de argumentar contra o convite do filho — Bem, já que não conseguirei fazê-los mudar de ideia vou conversar amanhã com os guardas, para ignorarem a presença da rainha do Leste nos aposentos do meu filho enquanto estivermos por aqui. Só espero, não me arrepender de concordar com essa loucura. — refletiu olhando para o filho, como se o alertasse de algo.

—Obrigado, mamãe. — Gael disse com sinceridade olhando em seus olhos azuis escuros.

— Me agradeça, se recuperando e casando de uma vez, só assim terei a minha paz novamente. — destacou fazendo todos rirem diante do seu desabafo. — Acho melhor todos irmos dormir, já tivemos emoções demais para um único dia.

Logo todos voltaram para suas camas improvisadas, enquanto me acomodava nos braços de Gael e ele acariciava meus cabelos sem pressa, um gesto que parecia estar se tornando um hábito para ele.

— Como era sua mãe? — questionou de repente e sorri surpresa por sua pergunta, sabendo que estava tentando me distrair com recordações felizes, evitando que voltasse a ter pesadelos naquela noite.

— Ela era muito amável...Linda...Inteligente...Tenho a vaga lembrança de que ela sempre cantava para mim antes de dormir, mas nunca consigo lembrar a música — disse perdida em pensamentos tentando me lembrar da canção que embalava meu sono quando criança — Foi a primeira vez em anos, que consegui lembrar do rosto dela novamente...Como pude esquecer como era minha mãe?! Se não fosse pelas pinturas que existem por todo castelo, não saberia como meus pais eram. — sussurrei me sentindo culpada por meu esquecimento.

— Não se culpe por isso, amor. Você era muito nova quando seus pais morreram, talvez tenha sido a maneira que sua própria mente encontrou de protegê-la depois de tudo o que passou. A guerra por si só, já é algo que poucos homens conseguem suportar, devido a tudo que veem ou tem que fazer para se manter vivos, imagine uma menininha de sete anos presenciar um verdadeiro massacre sem ao menos entender o que estava acontecendo ao seu redor. — Gael disse perdido em suas próprias lembranças parando de acariciar meus cabelos.

— Como conseguiu se manter são, após passar tanto tempo nos campos de batalha? — questionei em seu peito e ele suspirou voltando a acariciar meus cabelos como antes.

— Foi você — admitiu sincero e levantei minha cabeça do seu peito para vê-lo — Lembrar a cada instante que estava me esperando e que não podia quebrar minha promessa, me fez ter forças para resistir ao mal das guerras...Perdi muitos soldados para o caos emocional, resultado de anos em combate, porque a maioria não sabe mais viver sem estar em guerra. — disse perdido em pensamentos, lembrando de todos os soldados que perdeu no campo de batalha e depois dele.

— Sinto muito. — sussurrei ciente de que viver mergulhada em memórias dolorosas, poderiam afetar a mente de uma pessoa.

— Eu também — disse sincero. — Prometi a mim mesmo que deixaria os campos de batalha depois que me casasse, sendo apenas um príncipe e assessorando meu rei, com os conhecimentos militares adquiridos durante anos de estudo e prática.

— Gael, sabe que como meu consorte, não precisará entrar em um campo de batalha nunca mais. Sua função será garantir que o herdeiro do trono tenha a melhor educação possível, para se tornar um monarca a altura do cargo que ocupará.

— Estou ciente disso, Virgínia, assim como sei que se o Leste entrar em guerra você terá que liderar o exército e jamais a deixaria ir sozinha para um campo de batalha, mas meu coração se parte em pensar que poderíamos deixar nossos filhos sem ambos os pais, se algo assim acontecesse. — Gael disse dividido entre está ao meu lado em uma possível luta e deixar nossos futuros filhos sem os pais tão cedo.

— Gael, não vamos pensar nisso agora. Tenho fé que os deuses não permitirão que nosso reino entre em guerra com ninguém, merecemos anos de paz depois de tudo que o Leste viveu. — assegurei tentando distrai-lo de possíveis preocupações que poderiam ou não se concretizar.

— É tudo o que desejo — disse esperançoso — Mas saiba que sempre vou estar ao seu lado, seja dentro dos muros desse castelo ou no meio de um campo de batalha, não permitirei que se sinta sozinha nunca mais. — prometeu suave beijando o alto da minha cabeça.

— Você jamais me deixou sozinha, sua lembrança sempre esteve viva na minha memória e me fazia companhia todas as vezes em que pensei que não suportaria ou que não teria forças para lutar pelo meu trono.

— Você é bem mais forte do que acredita ser, meu amor, uma verdadeira flor da neve — destacou e me afastei de Gael confusa, por ouvir o mesmo adjetivo pelo qual minha mãe havia me chamado no sonho — Amor, está tudo bem? — perguntou preocupado fazendo menção de se levantar da cama, mas seu machucado o impediu de se sentar ao meu lado.

— Por que me chamou de flor da neve? — questionei séria sentindo meu coração bater acelerado, tentando entender por que ele havia usado o mesmo adjetivo carinhoso pelo qual minha mãe me chamava.

— Porque combina com você — explicou com sinceridade enquanto o olhava ainda confusa — Quando era criança, Henrik sempre me contava histórias sobre seu tempo nos campos de batalha, antes de se tornar meu secretário particular, e uma das narrativas que sempre gostei foi da flor da neve. Uma flor, delicada em sua aparência, mas que possui uma força sem igual, por florescer durante o rigoroso inverno do Norte, devido as patrulhas que fiz quando estava em treinamento tive a oportunidade de vê-la com meus próprios olhos.

—Ela floresce em outro local sem ser no Norte? — questionei tentando entender a ligação da minha mãe com aquela flor.

— Não que eu saiba, ela é natural do Norte, assim como os carvalhos são típicos do Leste e as fontes termais são próprias do Sul — assegurou enquanto tentava entender como minha mãe sabia sobre uma flor que nem existia em nosso reino — No que está pensando, princesa?

— Nada, acho melhor dormirmos. Foi um longo dia, você deveria estar descansando a uma hora dessas e não conversando comigo até tarde.

— Gosto de conversar com você, me permiti conhecê-la melhor além da sua flor favorita ou da sua forma criativa de nomear os habitantes do jardim do seu castelo. — revelou sorrindo e concordei, porque também sentia necessidade de conhecê-lo além das poucas informações que trocamos durante a infância e recentemente, quando nos reencontramos depois de anos.

Em silêncio, Gael afastou os cobertores da cama expondo o local em que estava deitada anteriormente e esticou sua mão direita para mim, um convite claro para que voltasse para o meu lugar ao seu lado o qual fui sem reclamar, me acomodando no calor dos seus braços como antes.

— Se eu não conseguir mais dormir sozinha, a culpa será inteiramente sua. — segredei sonolenta, enquanto ele recomeçava a acariciar meus cabelos com carinho.

— Você não precisará mais dormir sozinha, amor.

— Mas em algum momento, isso vai acontecer... Você voltará para o Sul e me deixará sozinha... — sussurrei sonolenta lembrando que assim que estivesse totalmente recuperado, Gael voltaria para o seu reino natal retornando um ano depois para o nosso casamento.

— Posso ser obrigado a voltar para o Sul, mas meu coração ficará aqui com você e contarei os dias para que possamos finalmente ficar juntos. — prometeu e suspirei resignada, fechando meus olhos me entregando finalmente ao sono.


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Acordei com a brisa suave da manhã em meu rosto, logo os sons dos movimentos do castelo se fizeram presentes anunciando que mais um dia havia iniciado e os servos já estavam exercendo suas funções diárias.

Com cuidado, temendo acordar Gael, retirei seu braço que estava em volta da minha cintura beijando o dorso da sua mão colocando-a em cima da cama, levantando-me com a intenção de ir para os meus aposentos, antes que minhas damas de companhia notassem que não havia passado a noite no meu quarto.

— Que coisa feia, rainha Virgínia, saindo escondida dos braços do seu marido adormecido sem ao menos se despedir. — ouvi Gael dizer com a voz sonolenta enquanto virava para vê-lo, no instante em que abria os olhos para me ver com um sorriso carinhoso nos lábios.

— Não queria acordá-lo, o médico foi bem claro quando informou que você precisa de muito repouso para se recuperar. — justifiquei me sentando ao seu lado na cama.

— Estou ciente das recomendações médicas, tanto para a minha recuperação quanto para o seu bem-estar, por isso adoraria convidar minha esposa para tomar café da manhã comigo, pois assim terei certeza de que não irá pular as refeições.

— Não devia se preocupar comigo, quando é você que precisa de toda atenção e cuidados. — destaquei e ele balançou a cabeça concordando.

— Sim, mas odeio tomar café da manhã sozinho e a uma hora dessas, todos já devem ter feito o seu desjejum. — pediu suave me olhando com um par de olhos azuis cristalinos, os quais jamais conseguiria negar algo.

— Tudo bem, também odeio tomar café da manhã sozinha. — segredei a ele fazendo-o sorrir carinhoso, olhando ao redor assegurando que estávamos sozinhos e a porta do quarto estava fechada, antes de me inclinar em direção a Gael beijando seus lábios com carinho passando meus braços ao redor do seu pescoço, enquanto suas mãos se infiltravam por meus cabelos, me mantendo em seus braços por mais tempo.

Só interrompemos nosso beijo, quando nossos pulmões exigiram por oxigênio e tivemos que nos separar por uma necessidade básica de sobrevivência, da qual nunca pensei que ficaria com raiva algum dia.

— Bom dia, amor. — sussurrei amorosa com a minha testa encostada na sua, enquanto tentávamos recuperar o nosso folego depois do beijo que trocamos.

— Bom dia, meu amor. — Gael disse carinhoso, afastando-se em seguida para beijar a minha testa com carinho sussurrando o quanto me amava e eu lhe dizia o mesmo, mas nossas juras de amor foram interrompidas pelo som de passos em direção ao aposento em que estávamos.

Com um suspiro contrariado, Gael me deu um último beijo, rápido demais para o meu gosto, se separando de mim em seguida e fiz o mesmo, ficando a uma distância considerável aceitável pela sociedade, antes da porta do quarto ser aberta e Hortência adentrar ao aposento com um sorriso no rosto.

— Que bom que estão acordados, Henrik e Agnes já estão a caminho para os auxiliarem em sua higiene matinal, antes de servir o café da manhã. — ela comunicou alternando olhares entre mim e Gael.

— Obrigada, Hortência. — agradeci por sua gentileza e ela sorriu simpática, me fazendo estreitar os olhos diante da sua cordialidade após termos discutido ontem à noite.

— Bom dia, para a senhora também mamãe. E não me lembro, da senhora entrar no quarto do Liam e da Kiara sem ser anunciada antes. — Gael apontou sério e sua mãe sorriu concordando.

— Você tem razão, filho, mas seu irmão é casado e tem direito de não ser importunado quando estiver a sós com a esposa, ao contrário de vocês. — apontou séria e Gael revirou os olhos, odiando não ter argumentos para dizer a mãe, enquanto Agnes e Henrik entravam nos aposentos.

— Bem, agora que Agnes chegou vou me arrumar e logo virei para tomar café com você, querido — disse agindo como se quase não tivesse sido surpreendida aos beijos com meu futuro marido por sua mãe, e ele balançou a cabeça concordando enquanto me levantava da cama e sorria para a rainha mãe do Sul. — Bom dia, Hortência.

— Bom dia, Virgínia — me cumprimentou analisando-me atentamente. — Você parece bem mais disposta essa manhã.

— Sim, graças ao seu filho. — segredei fazendo-a estreitar os olhos e Gael começou a rir, mas disfarçou sua risada com uma crise de tosse assim que ganhou um olhar severo de sua mãe, enquanto deixava o local na companhia de Agnes.