Imperatriz do Leste
21 Vigésimo capítulo
Notas iniciais

— Não ouse...Encostar um dedo...Na minha esposa. — Gael exigiu furioso sem desviar os olhos da mulher em minha frente que o encarava em choque, por sua ameaça e o fato de finalmente seu filho ter acordado.
— Meu filho...— rainha mãe Hortência disse entre lágrimas, dando alguns passos em direção ao filho que a interrompeu severo.
— Fique aí mesmo, rainha mãe Hortência — Gael ordenou severo deixando todos surpresos diante do seu tom de voz para com sua mãe — Como pode...usar as mesmas palavras cruéis com Virgínia que sua mãe disse...Para o meu pai?! A senhora sabe o quanto...Isso magoo o papai... E a machucou por anos...Porque está fazendo a mesma coisa...Comigo...E com a mulher que amo?! — questionou com dor enquanto lágrimas caiam dos seus olhos, sem desviar o olhar da sua mãe.
— Meu filho...Eu estava nervosa...Falei sem pensar, me perdoe. — rainha mãe Hortência implorou entre lágrimas e Gael negou com a cabeça.
— Apesar de amá-la, respeitá-la...E ser grato por tudo que fez por mim...Não posso perdoar, seu ato abominável, mãe. A senhora, não só ameaçou...Minha princesa...Como amaldiçoou nossos futuros filhos...Me diga, como posso...Perdoá-la?! — ele questionou com dor enquanto lágrimas rolavam de seus olhos assim como dos da sua mãe, diante das palavras que o filho dizia.
— Gael, filho — rainha mãe Hortência suplicou se aproximando da cama em que o filho estava deitado — Apenas, me deixe explicar...— implorou para o filho que a interrompeu severo.
— Não quero...Ouvir suas explicações, mamãe. — Gael disse severo e gemeu de dor, enquanto sua mão direita ia para o ferimento na lateral do seu corpo, ficando suja de sangue imediatamente, antes dele perder os sentidos nos braços de Henrik deixando todos aflitos com o seu estado.
Sem pensar em mais nada, corri em sua direção enquanto Henrik amparava meu marido desacordado ordenado que chamassem o médico real com urgência, enquanto o secretário do príncipe do Sul pedia panos limpos para Agnes, colocando-os sobre o machucando de seu senhor pressionando-os na tentativa de estancar o novo sangramento que acometia meu marido.
Enquanto esperávamos o médico real, Henrik tentava a todo custo evitar que Gael perdesse mais sangue, desesperada me ajoelhei ao lado da cama segurando a mão esquerda do meu marido, implorando entre lágrimas que resistisse mais um pouco até que a ajuda chegasse.
Foi um verdadeiro alívio quando o médico real entrou nos meus aposentos, começando o seu exame detalhando em Gael enquanto me mantinha ajoelhada ao lado da cama segurando a mão do homem que amava, como se pudesse de alguma forma evitar que ele me deixasse. Já a mãe de Gael e a rainha consorte Kiara, rezavam entre lágrimas sem desviar os olhos do homem desacordado em cima da cama.
— E então, médico real como meu filho está? — rainha mãe Hortência questionou entre lágrimas, assim que o médico terminou de realizar os procedimentos necessários.
— O estado do rei consorte é extremamente delicado, a partir de agora em hipótese alguma ele deve sofrer qualquer tipo de emoção forte, como aborrecimento ou choque, isso poderá ocasionar outra perda de sangue que seria fatal a ele — explicou sério desviando seus olhos da rainha mãe Hortência, para ver o homem deitado na cama enquanto chorava apavorada com a possibilidade real de perder o homem que amava. — Só do soberano está vivo agora, depois de tudo que passou já pode ser considerado um milagre dos deuses, mas ele precisa de toda tranquilidade possível e uma alimentação nutritiva para se recuperar plenamente.
— Faremos isso, médico real. A partir de agora, Gael terá toda a tranquilidade e alimentação nutritiva que precisa para se recuperar. Assim que meu filho recobrar os sentidos, farei pessoalmente um caldo de carne para que possa recuperar suas forças. — ouvi a mãe de Gael dizer enquanto estava mergulhada em meu próprio desespero, só de pensar na possibilidade de perder mais alguém que amava na vida.
— Sei que não é fácil, mas precisa respirar fundo e se acalmar, rainha Virgínia. — ouvi a rainha Kiara dizer suave, se ajoelhando ao meu lado e balancei a cabeça negando.
— Não vou aguentar...Se ele me deixar...— solucei com dor em meio as lágrimas e ela balançou a cabeça concordando, enquanto colocava sua mão direita em cima da minha que ainda segurava a mão de Gael.
— Eu sei, minha querida, assim como meu cunhado sabe disso, mas nesse momento Gael precisa que sejamos fortes porque se desabarmos, não poderemos lhe dar a tranquilidade que precisa para melhorar. Seja a mulher forte, da qual sei que é, só um pouco mais — pediu séria sem desviar os olhos dos meus — Sei que é pedir muito, mas a cabeça que usa a coroa não pode se perder ou inocentes sucumbiram e inimigos ascenderam. — aconselhou e balancei a cabeça concordando, a rainha consorte do Sul tinha razão, meu reino ainda estava muito instável permitindo que qualquer inimigo se aproveitasse dessa situação para tomar o poder, já que a minha casa não possuía uma linha sucessória.
— Isso, minha querida, respire fundo e tente se acalmar, tenho fé que os deuses salvarão a vida de Gael, porque os dois merecem viver esse amor que cultivaram de forma inconsciente desde crianças. — disse amorosa e comecei a fazer o que ela me pediu, respirando fundo tentando acalmar minhas emoções instáveis.
O médico real fez mais algumas recomendações a rainha mãe Hortência, enquanto sua nora me ajudava a levantar do chão, me ajudando a sentar em uma das pontas da cama vendo o médico real deixar meus aposentos.
— Gael nunca me enfrentou dessa forma, esse comportamento sempre foi de Liam, meu primogênito — a mãe de Gael disse perdida em pensamentos caminhando em direção a cama em que seu filho estava deitado, ajeitando as cobertas que o envolviam antes de se sentar na outra ponta da cama — Meu caçula, sempre foi um menino gentil, doce e amoroso, que evita conflitos a todos custo, da mesma forma que o pai era. Os dois só se exaltam para defender quem amam...Mesmo sem ter um título real, Marco enfrentou minha mãe sem temer a própria vida, para me proteger da sua irá por renegar um casamento arranjado e anos depois, nosso filho fez a mesma coisa, para proteger a mulher que ama mesmo sem condições para isso...— a rainha mãe Hortência sussurrou entre lágrimas como se revivesse seu passado por alguns instantes, antes de voltar seus olhos cheios de lágrimas para mim.
— Me perdoe, pelas palavras horríveis que disse, minha querida, você não teve culpa de nada do que aconteceu foi apenas uma vítima de toda essa história. Não consigo imaginar, como deve ter sido tão difícil para você crescer temendo pelas sombras desse castelo, tomando cuidado com qualquer coisa que falaria, pensaria ou comeria, com medo de dar um passo errado e descobrirem seus planos...Deve ter sido tão sufocante e exaustivo, fingir ser alguém que não é o tempo todo. — disse gentil e balancei a cabeça concordando enquanto lágrimas desciam por meus olhos, por saber que de alguma forma me sentia segura ao ponto de chorar na frente de duas desconhecidas.
— Vossa majestade, não faz ideia de quantas vezes achei que não fosse conseguir sobreviver a tudo isso. — segredei entre lágrimas e ela sorriu gentil colocando sua mão direita em cima da minha, tentando me passar algum tipo de apoio.
— Mas você conseguiu. Lutou e resistiu bravamente, até que Gael pudesse ajudá-la — assegurou suave enquanto enxugava as minhas lágrimas com a mão livre — Sei que não começamos de maneira apropriada e peço novamente perdão por isso, mas espero que possamos ter uma boa relação, já que pela forma com que meu filho caçula me enfrentou, ele não deixará a princesa dele por nada nesse mundo. — confidenciou sorrindo gentil e sorri agradecida por suas palavras.
— É tudo que mais desejo nesse mundo, rainha mãe Hortência — segredei enxugando as lágrimas que ainda restavam em minha face, voltando minha atenção para a soberana ao meu lado — Isso quer dizer que vossa majestade...— comecei a questionar e ela me interrompeu amorosamente.
— Meus filhos, são meus bens mais preciosos nessa vida, rainha Virginia, e estou novamente lhe entregando um deles, por isso imploro que o faça feliz...Que o ame com todo o seu coração e o proteja com todas as suas forças, porque não tenho dúvidas de que meu filho fará o mesmo por você. — assegurou sem dúvidas na voz e apertei sua mão com força, sem desviar os olhos dos seus.
— Prometo fazer seu filho feliz, o amarei com todo meu coração e o protegerei com todas as minhas forças até meu último suspiro nessa vida, porque ele é o bem mais precioso que possuo nessa vida — jurei sem desviar os olhos dos seus — Eu a perdoo por tudo que disse, entendo que só estava agindo como mãe, dizem que tal sentimento nos impedi de agir com clareza.
— Sim, minha querida, qualquer mãe que ama seus filhos, age como uma leoa para proteger a cria. Quando chegar o momento certo, espero que meu filho possa lhe conceder a dádiva de ser mãe.
— Acha que serei uma boa mãe? — questionei insegura para a mulher ao meu lado que abriu a boca para responder, mas uma voz conhecida a interrompeu.
— Você seria uma mãe incrível, meu amor...E eu seria o homem mais feliz desse mundo...De ser o pai dos seus filhos. — Gael disse fraco nos olhando com ternura deitado na cama e sorri amorosa para ele feliz por vê-lo acordado novamente.
Sem dizer uma palavra me afastei da rainha Hortência, me aproximando com cuidado de Gael segurando sua mão esquerda com carinho beijando-a, antes de afastar algumas mechas de cabelo da sua testa beijando-a em seguida.
— Achei que fosse perdê-lo.— confessei sem desviar os olhos dos seus enquanto acariciava seu rosto com a mão livre.
— Eu jamais te deixaria...Quando sei que já perdeu, tantas pessoas que amava...Não me perdoaria em ser mais uma delas — disse cansado, como se usasse todas as suas energias para se manter acordado e falando — Eu te amo. — confessou amoroso colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
— Eu também te amo. — confessei amorosa e ele sorriu feliz ao ouvir a minha declaração.
— Não sabe o quanto ouvir isso me faz feliz...Da mesma maneira que ouvi-las se entendendo...E de saber que minha mãe, aprova nosso casamento. — segredou suave e sua mãe fingiu assumir um ar de reprovação.
— Que coisa feia, príncipe Gael, ficar escutando a conversa de duas damas. Não lembro de tê-lo ensinado um hábito tão feio, seu moleque malcriado. — repreendeu o filho com doçura que sorriu com carinho para a mãe.
— Realmente a senhora nunca ensino isso, mas tendo um irmão mais velho como o Liam...Sempre podemos aprender algo fora da etiqueta palaciana — segredou brincalhão para a mãe que sorriu concordando, antes de assumir um ar sério e envergonhado — Me perdoe, por tudo que disse antes, mãe...Jamais quis desrespeitá-la ou lhe fazer recordar dores antigas, — Gael começou a se desculpar, mas foi interrompido pela mãe.
— Você não tem que me pedir perdão, Gael. A errada nessa história toda fui eu, você só estava defendendo sua esposa como um bom marido, mesmo que não tenha jurado fazê-lo na frente de sacerdote...Um fato que espero que mude, assim que estiver plenamente recuperado. Porque não desejo ouvir fofocas, de que meu filho deixou seu respeitado lugar de príncipe do Sul, para se submeter ao degradante lugar de amante da rainha do Leste — disse séria se levantando do local em que estava sentada, caminhando em direção ao filho inclinando-se para beijar sua testa com carinho, afastando-se em seguida para olhar em seus olhos — Se isso acontecer, meu rapaz, virei pessoalmente do Sul acertar minhas contas com você, porque já dei minha permissão para a oficialização do seu casamento com a rainha do Leste, então trate de se recuperar e cumprir a minha palavra e a sua, porque sabe o quanto não tolero acordos descumpridos — segredou amorosamente para o filho que sorriu concordando. — Vou até a cozinha preparar um caldo de carne para você, para que recupere as suas forças.
— Caldo de carne...A senhora só ia para a cozinha fazê-lo... Quando ficávamos doentes. — Gael apontou e sua mãe concordou, beijando sua testa novamente.
— Sim, enquanto estou fora preparando seu caldo, tente descansar para que possa se recuperar mais rápido — pediu ao filho acariciando seus cabelos claros e ele concordou sorrindo, beijando sua testa com carinho novamente afastando-se dele, voltando a sua atenção para as outras pessoas no quarto — Agnes, Henrik e Kiara, creio que precisarei da ajuda de vocês para preparar a refeição do meu filho — solicitou e todos concordaram enquanto ela voltava sua atenção para nós. — Sugiro que os monarcas do Leste, aproveitem esse tempo a sós para conversarem.
— Obrigada rainha mãe Hortência, faremos isso. — assegurei antes deles saírem do local nos deixando a sós.
— Ela falou comigo...Como se ainda tivesse quatro anos de idade. — Gael disse admirando e sorriu diante do cuidado da sua mãe.
— Mas ela não deixa de ter razão, você precisa de tranquilidade e cuidado para se recuperar plenamente, meu amor. — expliquei e ele balançou a cabeça concordando.
— Eu sei, não quero mais preocupar ninguém que amo...Mas gostaria de saber o que houve...Depois que desmaiei...O General do Leste a machucou? O que aconteceu com ele? Nós ganhamos? Em que parte do plano...Estamos? — questionou com preocupação no olhar e acariciei seu rosto com carinho, tentando acalmá-lo.
— O General do Leste não me machucou, o matei depois que ele o feriu, e sim, nós ganhamos. Agora, sou a soberana plena do Leste — assegurei fazendo-o sorrir feliz em saber que havia conseguido o que tanto almejei durante anos — E estamos na parte do plano, em que farei de tudo para que meu rei consorte se recupere, mas para isso meu corajoso — disse amorosa depositando um beijo em sua testa —... Gentil — outro em sua bochecha direita —...Querido — outro em sua bochecha esquerda — E...Amado marido, precisa descansar. — sussurrei depositando o último beijo na ponta do seu nariz, antes de acariciá-lo com o meu fazendo-o respirar pesadamente, enquanto meu coração batia acelerado devido a nossa proximidade e seu cheiro de madeira silvestre a me envolver.
Com cuidado temendo machucá-lo, me inclinei em sua direção e encostei meus lábios nos seus, sem ter a menor ideia se estava fazendo da maneira correta já que nunca havia beijado alguém antes, mas minhas preocupações foram esquecidas assim que Gael correspondeu ao meu beijo infiltrando sua mão livre por meus cabelos me trazendo para mais perto de si, enquanto apoiava minhas mãos ao lado da sua cabeça, tentando aliviar meu peso sobre seu corpo evitando atingir seu machucado sem querer.
E me deixei ser guiada por ele no início do nosso primeiro beijo, correspondendo-o com paixão assim que me arrisquei em imitá-lo fazendo-o suspirar de prazer em meus lábios, enquanto compartilhávamos esse momento de entrega e cumplicidade que jamais senti a necessidade de ter com outra pessoa, antes do homem em meus braços.
Enquanto nos beijávamos, senti meu corpo ser consumido por inúmeras sensações desconhecidas, fazendo meu coração acelerar em resposta e um calor desconhecido se apossar de mim me fazendo desejar estar ainda mais perto do homem que eu amava, como se a proximidade que estivéssemos não fosse o suficiente para saciar a necessidade que havia tomado conta de mim naquele momento.
Nos beijamos até que o ar se fez necessário e tivemos que nos separar para recuperarmos o fôlego, enquanto mantínhamos nossas testas unidas e um sorriso de felicidades nos lábios, por termos compartilhado um momento tão único e verdadeiro, mas me afastei dele assim que percebei o que havia acabado de fazer.
— Meu amor, o que houve? Por que se afastou tão... De repente de mim? — questionou me olhando com preocupação, antes de uma sombra de tristeza tomar conta do seu olhar — Por acaso...Você se arrependeu de ter me beijado? — perguntou com pesar e balancei a cabeça negando, disposta a esclarecer esse terrível engano.
— Não é isso...Beijar você, foi bem melhor do que achei que seria. Nunca senti meu coração bater tão rápido e uma felicidade sem igual, tomou conta de mim me deixando mais leve — disse perdida em meio as recordações vivas do beijo que havíamos trocados segundos atrás e tive que reunir toda a minha força de vontade, para não beijá-lo novamente — Mas o médico real, nos alertou que seu estado é extremamente delicado, que devíamos evitar que sofresse qualquer tipo de emoção forte, como aborrecimento ou choque, e estou fazendo absolutamente o contrário...Me perdoe, por ser tão desrespeitosa com o seu estado. — expliquei envergonhada por meu comportamento, por ter cedido aos meus impulsos sem pensar nas consequências dos meus atos que poderiam agravar o seu estado de saúde.
— Entendo sua preocupação...Mas nosso beijo, não me trouxe...Qualquer tipo de sofrimento, pelo contrário. Ele me fez tão feliz.... Como nunca fui na vida...Achei que fosse explodir de tanta felicidade e amor — Gael disse cansado e ostentando um sorriso de felicidade nos lábios capaz de dar invejar em qualquer um, me fazendo respirar fundo controlando o impulso que sentia de beijá-lo novamente — Queria tanto te beijar de novo. — disse determinado fazendo menção de se levantar para se aproximar mais de mim e o impedi, fazendo-o com que permanecesse deitado.
— Não, meu amor, você ainda não pode se levantar, sofreu um grave ferimento e perdeu muito sangue duas vezes, precisa ficar de repouso absoluto para poder se recuperar — implorei preocupada olhando em seus olhos azuis cristalinos, desapontados com minha resposta — Prometo, que assim que estiver melhor darei todos os beijos que desejar mas agora, precisa descansar, querido. — pedi e ele suspirou resignado acatando meu pedido, mas nos seus olhos pode ver que ele não estava nada feliz com isso.
— Não fique chateado comigo, querido, só estou pensando no seu bem. — expliquei tentando fazê-lo entender o quanto sua saúde era o mais importante.
— Eu sei e não estou chateado com você — assegurou suave enquanto acariciava seus cabelos claros com carinho — Mas não pode me culpar por querer tanto beijá-la novamente... Depois de ter desejado beijá-la, desde que a vi novamente...Mas sabia que não era o certo a se fazer...Queria que nosso primeiro beijo só acontecesse...Quando correspondesse os meus sentimentos e não porque foi surpreendida...Ou forçada pela situação, a corresponder meu gesto.
Ouvir suas palavras fez meu coração bater acelerado, enquanto o amor que sentia por ele parecia triplicar de tamanho ao saber que Gael havia respeitado meu tempo, mesmo que seus sentimentos já fossem tão claros para ele, e isso seria algo que jamais esqueceria na vida.
— Obrigada por me respeitar, por nunca forçar seus sentimentos e por sempre esperar que eu desse o primeiro passo em tudo. — agradeci emocionada por perceber que ele sempre esperou que desse o primeiro passo, antes de tomar qualquer atitude.
— Aprendi com meus pais...Que quem ama espera, Virgínia...E eu esperaria a vida toda por você se fosse necessário, minha rainha.
— E eu aprendi com você, que o amor é generoso, paciente e jamais exigi algo em troca — disse suave olhando em seus olhos, antes de me inclinar na direção do seu ouvido como se fosse lhe contar um segredo — Eu também esperaria a vida toda por você se fosse necessário, meu rei consorte. — segredei suave e beijei sua bochecha direita com carinho afastando-me, enquanto ouvia Gael gemer de frustação.
— Você só pode...Ter alguma satisfação em me provocar. — apontou e sorri concordando.
— Faz parte do nosso relacionamento, amor. — segredei e ouvi uma batida na porta, antes de autorizar a entrada de quem estava atrás dela.
— Trouxe seu caldo, filho, fiz do jeito que gosta, precisa tomar tudo enquanto está morno. — rainha mãe Hortência disse maternal entrando no quarto com uma bandeja nas mãos, seguida de perto por Agnes, Henrik e a rainha consorte Kiara, cada um deles também trazia uma bandeja com algo nas mãos.
Assim que olhou para seu filho deitado na cama ela sorriu surpresa, enquanto colocava a bandeja com a tigela fumegante em cima do baú de tampa plana que havia aos pés da cama.
— Está mais corado do que quando o deixei, querido — disse admirada — Pelo jeito, a conversa entre vocês foi muito proveitosa — apontou e segurei a respiração, temendo que descobrissem que havíamos nos beijado
— Sim, mãe, mas acredito que foram os cuidados milagrosos da minha esposa. — Gael confidenciou sem tirar os olhos de mim, enquanto a rainha mãe Hortência pedia ajuda para Henrik colocar seu filho em uma posição levemente sentado, para que pudesse alimentá-lo.
— Bem, já que os cuidados da minha nora são tão milagrosos, não gostaria de ajudar o seu marido a se alimentar?! — me ofereceu pegando a tigela, uma colher e um guardanapo nas mãos, mas antes que pudesse dizer algo Gael respondeu por mim.
— Não precisa fazer isso, Virgínia. — explicou suave e balancei a cabeça concordando, aceitando a tigela, a colher e o guardanapo que a matriarca do Sul me oferecia.
— Sei disso, mas desejo fazê-lo. — informei caminhando em sua direção me sentando ao seu lado, oferecendo-lhe uma generosa colher do caldo de carne que parecia estar uma delícia pela sua aparência e cheiro.
Sem dizer nada, Gael apenas aceitou o caldo que oferecia comendo sem reclamar até se sentir satisfeito e pegar no sono após a sua refeição.
— Não se preocupe, garanto assim que ele acordar se sentira melhor meu caldo de carne é milagroso — rainha mãe Hortência segredou para mim enquanto olhava um Gael adormecido com preocupação. — Assim que ele acordar, vou preparar um mingau reforçado de aveia, leite de cabra e mel...Comidas leves, mas nutritivas como o médico real recomendou até segunda ordem.
— Vossa majestade, a mesa está pronta. — Agnes informou e a mãe de Gael sorriu agradecida.
— Obrigada Agnes — disse gentil para minha dama de companhia, enquanto voltava a sua atenção para mim. — Bem, já que meu filho recebeu os cuidados necessários e está descansando por hora, creio que chegou a sua vez de ter a mesma atenção.
— Me desculpe, rainha mãe Hortência, mas não estou entendendo o que está falando. — expliquei e ela balançou a cabeça concordando.
— Agnes e Henrik, me contaram que você não tem se alimentado como deve desde que meu filho ficou de cama. Por isso, preparei uma pequena refeição para que se alimente, pois se ficar doente deixará Gael preocupado e o médico real pediu para que ele não se exaltasse com nada, certo? — questionou com doçura para mim e sorri concordando, enquanto ela me oferecia sua mão a qual aceitei.
— Mas é Gael? Não quero que ele fique sozinho, caso acorde e precise de algo. — confessei preocupada e ela balançou a cabeça concordando.
— Não se preocupe, minha rainha, Henrik e eu ficaremos ao lado do rei consorte, durante todo o tempo em que estiverem ausentes. — Agnes assegurou e Henrik concordou me deixando mais tranquila.
— Não se preocupe, seu rei consorte estará em boas mãos. Agora é você que precisa de cuidados. — pediu suave enquanto me abraçava pelos ombros e me levava em direção a sala de estar que havia nos meus aposentos.
— Obrigada por seus cuidados. — disse sincera e ela sorriu carinhosa para mim
— Não precisa agradecer, faço isso porque me preocupo com os dois e gostaria muito que confiasse em mim para dividir suas preocupações, porque vejo nos seus olhos que algo a preocupa. — apontou enquanto caminhávamos lado a lado e respirei fundo, ponderando se podia confiar minhas preocupações a mulher ao meu lado que mostrava outra face, diferente daquela que vi nas primeiras horas em que nos conhecemos.
E decidi que iria lhe dar um voto de confiança, apagando nosso desentendimento inicial para começarmos de novo.
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