Imperatriz do Leste
33 Trigésimo segundo capítulo
Notas iniciais

— Todos saúdem a rainha Virgínia, Fúria da tempestade, soberana da casa real do Leste. — o mestre de cerimônias proclamou, chamando a atenção dos presentes que voltaram sua atenção para a entrada e adentrei o salão na companhia das minhas damas, sob o olhar atento da corte que me avaliava de cima a baixo principalmente as nobres, determinadas a verem cada detalhe do meu vestido para que pudessem solicitar as suas costureiras um modelo semelhante.
Parei no meio do salão olhando para cada um dos presentes, sabendo que muitos ali estavam curiosos em saber quem era o felizardo que fez sua soberana rejeitar todos os pretendentes cogitados para ser o primeiro imperador consorte do Leste.
Em silêncio acompanhei com os olhos o chefe da câmara dos lordes, lorde Samuel, caminhar em minha direção ao lado do príncipe do Sul e de outro homem, que deveria ser seu irmão mais velho, o rei Liam, conduzindo-os para que pudessem me cumprimentar de forma apropriada na frente de todos. Presenciando assim o início do cumprimento de um acordo idealizador pelo falecido General do Leste anos atrás, mas que só teve continuidade por minha vontade.
— Vossa majestade, como acordado neste mesmo dia um ano atrás, o rei do Sul trouxe seu irmão, o príncipe do Sul, para cumprir sua palavra como foi estabelecido. — Lorde Samuel explicou após fazer uma reverência em minha direção e balancei a cabeça concordando, voltando meus olhos para os dois homens na minha frente, ambos ostentando roupas com detalhes em vermelho e dourado.
Enquanto estivesse na condição de meu noivo, Gael poderia usar a cor e os símbolos do seu reino natal, mas a partir do dia do nosso casamento ele teria que ostentar os emblemas da casa para qual estava entrando, deixando assim de ser um príncipe do Sul para se tornar o imperador consorte do Leste, meu marido, pai do sucessor do meu trono e dos meus súditos.
— Obrigada por honrar com a sua palavra, príncipe Gael e rei Liam. — agradeci olhando para os dois homens na minha frente.
Ao contrário do irmão mais novo que ostentava os cabelos claros e olhos azuis cristalinos, rei Liam era uma cópia fiel da rainha mãe Hortência, herdando seus cabelos e olhos azuis escuros, mas os dois homens compartilhavam o mesmo sorriso que não era da antiga monarca, sendo provavelmente uma característica herdada do falecido rei consorte do Sul.
— Não precisa nos agradecer, rainha Virginia, jamais passaria por cima da palavra de meu falecido pai ou do desejo do meu irmão, a não ser que soubesse que não seria o melhor para ele. — explicou e estreitei os olhos desconfiando das suas palavras.
— Isso é sinal de que nosso acordo não é o melhor para o príncipe do Sul? — questionei estreitando os olhos e rei Liam me olhou surpreso, enquanto Gael olhava sério para o irmão, censurando-o por suas palavras.
— Claro que não, rainha Virgínia, talvez tenha me expressado da maneira errada — rei Liam disse suave — Só interfiro nas decisões do meu irmão caçula, quando vejo que não o faram feliz o que não se aplica nesse caso, porque sei que o príncipe do Sul será feliz ao lado de vossa majestade. Pelo menos é o que espero, pois o seu estado infeliz na corte do Sul estava me fazendo pensar seriamente em trazê-lo para o Leste, antes do prazo acordado. — rei Liam segredou brincando e sorri enquanto Gael corava.
— Se vossa majestade fizesse isso, seu irmão seria muito bem recebido e usufruiria de todas as regalias do título que ocupará daqui a três dias, como aconteceu durante toda a sua estadia no meu reino. — assegurei sorrindo e ele respirou aliviado sorrindo, assim como os dois homens ao nosso lado.
— Fico feliz em ouvir isso, rainha Virginia. Meu pai me fez prometer em seu leito de morte, que cuidaria do meu irmão e que só permitiria o seu casamento, quando tivesse certeza de que Gael seria feliz da mesma forma que ele foi e eu sou — rei Liam disse assumindo um tom sério sem desviar seus olhos dos meus. — E vejo em vossos olhos que posso entregá-lo sem medo, porque sei que ele será feliz.
— Eu prometo, que farei de tudo para que isso aconteça. — disse gentil e ele sorriu concordando, voltando sua atenção para seu irmão mais novo em pé ao seu lado que balançou a cabeça concordando.
Em silêncio o rei Liam segurou a mão direita do irmão mais novo e estendi minha mão direita na qual ele colocou a mão de Gael, sinalizando que me entregava o príncipe do Sul para ser meu consorte. Um gesto que fez os presentes aplaudirem, enquanto os olhos do irmão mais velho do meu noivo ficavam vermelhos, como se ele estivesse prestes a chorar.
— Vou cuidar bem do seu irmão. — sussurrei para o rei Liam que sussurrou um muito obrigada, nos dando passagem para que pudéssemos caminhar pelo salão, cumprimentando os demais convidados.
— Me desculpe, se as palavras de Liam a ofenderam, meu irmão herdou o senso de humor inapropriado do nosso avô materno, sempre fazendo piada com tudo até quando não é necessário. — Gael segredou enquanto segurava seu braço, após termos cumprimentando alguns convidados enquanto éramos seguidos de perto pelo chefe da câmara dos lordes e pelo rei do Sul.
— Está tudo bem. No começo acreditei que ele estivesse reconsiderando nosso acordo, mas depois que compreendi relevei seu comentário. Na verdade, achei o rei do Sul bem espirituoso, deve ter sido divertido crescer ao lado dele. — apontei e Gael suspirou concordando enquanto parávamos em frente aos degraus que davam acesso aos tronos reais, a contragosto soltei seu braço e fiquei ao seu lado a uma distância aceitável, mantendo assim o decoro esperado por todos.
— Às vezes sim, mas nas outras vezes queria matar o príncipe herdeiro — segredou brincando e sorrimos, enquanto um servo com uma bandeja de vinho se aproximava — Majestade, gostaria de uma taça de vinho? — Gael questionou e concordei, vendo-o pegar duas taças da bandeja do servo enquanto o chefe da câmara dos lordes e o rei do Sul pararam a uma distância aceitável, nos dando privacidade para conversarmos a sós.
— Obrigada, príncipe Gael — disse gentil aceitando a taça que ele me entregava, antes do servo fazer uma reverência e nos deixar a sós — E o que aconteceu depois que sai? Ela voltou a bater em você? — questionei baixo para meu noivo, temendo ser ouvida por um dos convidados.
— Preferia que tivesse feito, mas ela preferiu fazer um sermão de quase duas horas, sobre como devo agir com cautela e não pela emoção, quando estou tão perto de realizar o que tanto esperei...Odeio admitir, mas a rainha mãe do Sul tem razão. Fui impulsivo...— Gael começou a dizer baixo e o interrompi olhando em seus olhos.
— Por favor, não diga que se arrependeu de hoje mais cedo. — implorei sentindo meu coração se apertar ao pensar que ele diria algo assim.
— Jamais diria algo assim. Eu amo você, com tudo que sou e jamais me arrependeria de nada que fizéssemos, mas não podemos ser impulsivos quando estamos tão perto do que ansiamos durante um ano inteiro. Se outra pessoa, que não fosse minha mãe ou meus guardas de confiança tivesse nos vistos, nosso compromisso seria desfeito e a uma hora dessas estaria na prisão ou algo pior. — explicou e o olhei com apreensão, temendo que algo assim pudesse acontecer.
— Me perdoe por tudo, fui inconsequente em não pensar nas consequências dos meus atos, só pensei no quanto estava sentindo sua falta e queria vê-lo a sós, porque sabia que não conseguiria me comportar como o esperado depois de tanto tempo longe de você.
— Eu sei, querida, não estou culpando-a por nada, porque me sinto da mesma forma — assegurou sincero — Só precisamos agir com cautela por mais dois dias, depois disso não haverá mais necessidade porque estaremos oficialmente casados.
— O que são dois dias, para quem já esperou um ano?! — apontei e ele concordou sorrindo me deixando confusa — Posso saber o motivo, por trás do lindo sorriso que meu amado noivo exibe essa noite? — segredei com curiosidade e Gael sorriu de forma cúmplice para mim.
— O fato de estar exibindo um lindo sorriso essa noite, é porque estou finalmente ao seu lado depois de tanto tempo separados. Creio que não exista na face da terra, um homem mais feliz que eu — segredou sorrindo me fazendo sorrir em resposta — A propósito, vossa majestade, está estonteante essa noite.
— Obrigada, vossa alteza. Realmente, o vermelho e dourado do Sul, lhe favorecem — elogiei olhando-o discretamente e Gael fez uma leve reverência com a cabeça, agradecendo o meu comentário. — Espero que o verde do império do Leste, o favoreça ainda mais.
— Sua costureira oficial disse quando fui tirar as medidas para o traje de cerimônia de coroação, que o verde do Leste ressalta meus olhos e me deixa mais respeitável. — brincou e sorrimos, atraindo olhares satisfeitos para a nossa pequena interação, para os que olhavam de fora nossos sorrisos indicavam que nosso compromisso mesmo arranjado, poderia resultar em uma união duradoura e feliz.
— É bem a cara da Betânia dizer algo assim — apontei sorrindo — Por falar em traje para a cerimônia, já fez a última prova?
— Sim, fui fazer a última prova depois do sermão interminável da minha mãe. Será preciso fazer alguns ajustes, mas a senhora Betânia garantiu que entregaria o traje amanhã à tarde.
— Imaginei que seria preciso, depois que o vi mais cedo — comentei olhando-o atentamente, me lembrando de ter comentado sobre a sensação que tinha dele parecer um pouco mais alto do que quando nos conhecemos — Achei que fosse só impressão minha, mas realmente você deve estar um pouco mais alto. — apontei e ele sorriu negando me deixando confusa.
— Na verdade, minhas medidas mudaram um pouco porque me dediquei muito mais aos treinos o que me deixou mais forte, por isso a impressão de que estou mais alto.
— Entendo, mas achei que fosse pedir sua dispensa das funções de General, após a oficialização do nosso noivado.
— E pedi, mas ainda passei um tempo preparando Arthur para assumir meu lugar, depois que obtive minha dispensa honrosa voltei a ter aulas com meus antigos tutores, para o que minha mãe chamou de “atualização dos protocolos reais de um futuro consorte” e continuei os meus treinamentos militares, porque me ajudava a manter a mente ocupada amenizando a saudade que sentia de você — declarou sincero e tentei controlar a vontade que sentia de abraçá-lo naquele momento, dizendo o quanto o entendia porque também senti o mesmo — Além do mais, não quero esquecer o que aprendi como General e nos campos de batalha, pois sei que um dos meus deveres como seu marido é garantir sua segurança e dos nossos filhos, para que a casa do Leste possa ter continuidade.
— Sim, mas Gael, desejo que seja feliz ao meu lado e que tenha uma vida tranquila, depois de ter passado tanto tempo em guerra ...Na verdade, nos dois merecemos um pouco de paz depois de tudo isso — revelei olhando em seus olhos e respirei fundo, tomando coragem para o que iria dizer — Aprecio sua preocupação com a minha segurança e dos nossos futuros filhos, mas preciso de um marido que segure minha mão e alivie um pouco o fardo pesado que carrego sobre meus ombros todos os dias, desejo que as nossas crianças tenham um pai, amoroso, gentil, cuidadoso e protetor, como você foi comigo desde que nos conhecemos e não apenas um soldado muito bem treinado, que fará de tudo para nos manter em segurança. Quero que os nossos filhos, cresçam em um lar no qual se sintam seguros, felizes e amados, sem temer os quatro cantos desse castelo. Pode fazer isso por nós? — questionei olhando em seus olhos e ele balançou a cabeça concordando.
— Posso — assegurou sério e sorri feliz por ouvir a sua resposta — Me desculpe, se estou pensando mais como um estrategista em batalha do que como um noivo, só queria garantir que posso proteger a minha família caso seja necessário da mesma forma que fiz por você.
— Entendo, querido, mas se for da vontade dos deuses nunca mais precisaremos passar por esse tipo de angústia novamente. — disse segurando a minha taça com mais força, enquanto tentava bloquear as imagens daquele fatídico dia em que meu noivo foi mortalmente ferido e decidi mudar de assunto, mantendo assim a minha mente livre dessas lembranças. — A coroa que irá usar ficou pronta, se for do seu desejo podemos ir vê-la após o jantar. — informei e ele me olhou surpreso, pois não havia lhe dito que mandaria fazer uma coroa nova.
— Achei que usaria a coroa do seu pai, a mesma que usei ano passado.
— A câmara dos lordes e eu, achamos que seria melhor fazermos coroas novas que representassem o império, como aconteceu com o símbolo real do Leste que passará a conter a estrela do Sul.
— Entendo — disse pensativo, antes de voltar a falar — Sei que fazer joias novas para a coroa demanda um alto custo, assim como estou ciente que o Leste ainda está se recuperando da crise financeira e que você não aceitou o dote que o Sul devia lhe pagar antes do casamento.
— Correto.
— Então, como conseguiu verbas para que o joalheiro real pudesse fabricar novas coroas? — questionou curioso e dei de ombros tomando um gole do meu vinho, enquanto via alguns membros da câmara dos lordes caminharem em nossa direção na companhia de lorde Samuel.
— Prometo que conversaremos sobre isso depois, vossa alteza real, agora sorria porque teremos companhia de alguns membros da câmara dos lordes. — segredei para ele que balançou a cabeça concordando, antes de sorrimos assim que os nobres se aproximaram para nos cumprimentar.
— Rainha Virgínia, príncipe Gael. — os lordes disseram fazendo uma reverência nos cumprimentando assim que pararam em nossa frente.
— Lordes da câmara. — dissemos cumprimentando o séquito a nossa frente.
— Pelo que percebemos de longe, vossa majestade e sua alteza real, parecem ter tido uma conversa proveitosa. — lorde Inacio comentou e sorri concordando, voltando meus olhos para o príncipe do Sul.
— Sim, nos tornamos próximos durante o período em que o príncipe Gael esteve conosco se recuperando do seu ferimento. — expliquei de maneira evasiva, sem querer dar muitos detalhes da relação que tinha com o herdeiro do trono do Sul que me olhou com um ar divertido, diante da mentira que estava contando.
— Isso é muito bom, vossa majestade. A proximidade, sempre traz bons frutos para qualquer tipo de relação — lorde Maximiliano ressaltou voltando sua atenção para Gael — Não é verdade, sua alteza?
— De fato. Rainha Virgínia e eu, nos aproximamos muito enquanto estive me recuperando no Leste e continuarmos a manter uma boa relação mesmo afastados. — Gael assegurou fazendo os lordes sorrirem ao ver que seus futuros monarcas pareciam se entender, pois um monarca em crise conjugal não poderia se dedicar adequadamente as suas obrigações reais.
— E como vossa alteza se senti ao lembrar que daqui a três dias, se tornará o primeiro imperador consorte do nosso império? — lorde Samuel questionou olhando para Gael atraindo a atenção dos outros lordes e de algumas pessoas ao nosso redor.
— Extremamente honrado, pela confiança que a rainha Virgínia e todos do Leste depositaram em mim, e temeroso em não corresponder às expectativas de todos. — o príncipe do Sul disse sincero e lorde Samuel balançou a cabeça concordando.
— É muito sábio de sua parte, ficar preocupado em não corresponder às expectativas de todos, a aliança dos dois será uma fagulha de esperança depois de tudo que nosso reino passou. Todas as atenções estarão em vossa alteza, porque muitos gostariam de estar em seu lugar.
— Sei disso lorde Samuel, por isso me empenharei em fazer o melhor que posso para apoiar minha rainha e meu povo. — Gael assegurou fazendo os lordes sorrirem, satisfeitos com sua resposta.
— O império do Leste tem muita sorte em ter um futuro consorte integro, dedicado e que demonstra amar nosso reino como um verdadeiro filho do vento. — lorde Inacio destacou e concordei sorrindo, olhando para o meu noivo com carinho.
— Na verdade, lorde Inacio, o império do Leste e eu, temos sorte em ter o príncipe Gael como consorte, pois desde que nos conhecemos vossa alteza sempre demonstrou amor e respeito por nosso reino, muito mais do que muitos homens de alta estirpe que se denominavam filhos do vento. — apontei e todos concordaram, provavelmente se lembrando dos inúmeros traidores presos que usaram seus títulos nobres durante anos, para tramarem contra a minha família e atentarem contra a vida do meu noivo, quando era incapaz de se defender.
— Só tenho tais sentimentos lorde Inacio, porque meu falecido pai os cultivou desde a terna idade em mim e no meu irmão mais velho, ele sempre nos contava histórias sobre o seu reino natal nunca nos deixando esquecer que podíamos ter nascido no berço do Sul e sermos considerados filhos do fogo, mas também éramos filhos do vento e um dia o Leste poderia nos chamar de volta para casa. — disse perdido em pensamentos, provavelmente lembrando de todas as vezes em que seu pai lhe contava sobre o nosso reino.
— Seu pai, o falecido rei consorte Marco, devia ser um homem muito sábio, vossa alteza. — declarei e ele sorriu de forma triste, provavelmente por se lembrar do seu pai com saudade.
— Sim, majestade. Meu pai foi um dos homens mais sábios, gentis, íntegros e leais que conheci... Mesmo distante de casa e adotando outra pátria como lar, ele jamais esqueceu das suas raízes, tento todos os dias me espelhar em seus ensinamentos e ações, para quem sabe chegar perto do homem que um dia ele foi. — admitiu sincero com os olhos cheios de água, como se ele estivesse a um passo de chorar ao pensar em seu falecido pai.
— Tenho certeza, que onde quer que o falecido rei Marco esteja, está muito orgulhoso pelo homem que o filho dele se tornou, assim como eu me sinto uma felizarda em saber que o terei como marido e consorte, espero que nossos filhos herdem sua sabedoria, coragem, força, gentileza e integridade, os quais demonstrou desde o primeiro momento em que fomos apresentados. — revelei sorrindo de forma gentil para Gael que sorriu comovido com as minhas palavras, enquanto ouvia todos cochicharem entre si o quanto o futuro consorte era um homem de rara beleza, capaz de quebrar o muro de indiferença que sempre destinava aos meus possíveis pretendentes.
— Agradeço pelas gentis palavras, rainha Virgínia, peço aos deuses que atendam o seu desejo assim como suplico que nossas divindades concedam aos futuros herdeiros do reino do Leste, a força, sabedoria, inteligência militar e graça que vossa majestade apresentou desde que nos conhecemos. — Gael disse gentil e sorri de forma agradecida, enquanto ouvia alguns suspiros emocionados de grande parte das mulheres presentes no salão, fazendo alguns rirem baixinho devido as suas reações.
Continuei a olhar ao redor vendo todas as pessoas que haviam sido convidadas para a minha festa de noivado, a grande maioria eram nobres pertencentes ao Leste e ao Norte, mas havia alguns do Sul que acompanharam a comitiva até aqui e sorri assim que identifiquei a rainha mãe Hortência conversando com sua nora Kiara, que demostrava os sinais claros de que estava gravida de mais um herdeiro do trono.
— Me desculpem senhores, interromper a nossa agradável conversa — disse educada voltando minha atenção para o meu noivo — Príncipe Gael, adoraria cumprimentar adequadamente a sua família. Vossa alteza, me acompanha? — questionei olhando em seus olhos e ele concordou sorrindo me oferecendo seu braço, antes de caminharmos em direção a família real do Sul.
— Rainha mãe Hortência? — chamei assim que me aproximei da mãe de Gael ainda vestida de preto, apesar do período de luto familiar já ter passado.
Assim que ouviu a minha voz ela virou sorrindo para me ver, me abraçando com carinho surpreendendo a todos pela quebra de protocolo da matriarca da família real do Sul.
— É tão bom vê-la bem, minha querida — disse sorrindo assim que nos separamos e ela me olhou de cima a baixo. — Está ainda mais linda do que quando a conheci.
— Obrigada pela gentileza, rainha mãe Hortência, é muito bom vê-la — disse sorrindo carinhosa para ela — Mas achei poderia estar com raiva de mim, pelo que aconteceu mais cedo. — segredei a ela que suspirou pesadamente.
— Não estou com raiva, só achei imprudente da parte dos dois e deixei isso bem claro para o meu filho — disse desviando seus olhos de mim para ver Gael, voltando sua atenção novamente para mim — Mas entendo, os dois se amam e passaram um ano longe, mas graças aos deuses isso acabou, como prometido cuidei muito bem do seu marido e o trouxe de volta, dessa vez de forma definitiva. — assegurou e sorri agradecida.
— Sim, serei eternamente grata por devolvê-lo a mim — disse sincera segurando suas mãos sem desviar meus olhos dos seus. — Prometo, que farei de tudo para que seu filho seja feliz ao meu lado.
— É tudo que desejo, rainha Virgínia. — segredou maternal me abraçando novamente, antes de me apresentar ao restante da sua família que incluía um jovem rapaz e uma garotinha, ambos de cabelos vermelhos iguais aos da consorte do Sul, que atendiam pelos nomes de príncipe herdeiro Connor e princesa Cora, filhos do rei Liam e da rainha consorte Kiara.
— Sejam bem-vindos ao reino do Leste, rei Liam, princesa Cora, príncipe herdeiro Connor, rainha consorte Kiara e rainha mãe Hortência, espero que todos estejam bem acomodados depois da longa viagem que fizeram. Se precisarem de algo, por favor, não hesitem em avisar a minha dama de companhia Agnes, que providenciará tudo que for necessário. — expliquei deixando claro que desejava que se sentissem em casa durante sua estadia.
— Obrigado pelas boas-vindas, rainha Virgínia, não se preocupe, fomos muito bem recepcionados na ala que preparou para nossa família. É um prazer finalmente conhecê-la, depois de ouvir muito sobre vossa majestade. — rei Liam segredou olhando para o irmão ao meu lado e sorri virando para ver Gael.
— Então, vossa alteza real falava muito de mim, rei Liam? — questionei sem desviar meus olhos de Gael que corou de leve fazendo todos rirem.
— Não só ele, mas minha esposa e minha mãe, os três ficaram encantados por vossa majestade, por motivos diferentes é claro. — segredou ganhando um olhar feio do irmão mais novo, fazendo-o rir suave.
— Você e a sua mania de sempre falar demais, ao ponto de me deixar constrangido. Quando irá parar de fazer isso, irmão? — Gael questionou para o irmão mais velho que sorriu para ele de forma carinhosa, sem se importar com os outros ao seu redor.
— Acho que nunca, irmãozinho, está no código de irmãos mais velhos implicar, proteger e cuidar dos mais novos — rei Liam confidenciou para o irmão que revirou os olhos, fazendo todos rirem diante do comentário do monarca do Sul, enquanto ele assumia um tom sério de repente — Gael, creio que esteja na hora do presente de noivado. — lembrou o irmão que balançou a cabeça concordando, me deixando surpresa com as suas palavras pois havia declinado do dote e de qualquer presente de noivado que tinha o direito de receber do Sul.
Não estava interessada em obter bens do Sul, mediante a realização do meu casamento com um dos seus herdeiros, estava me casando por amor por isso não achava justo receber qualquer recompensa financeira ao concordar com esse enlace.
— É verdade, irmão. — Gael concordou e fez um sinal para Henrik que balançou a cabeça concordando, deixando o local enquanto a família real do Sul dava alguns passos para trás ficando ao lado de seu rei.
— Principe Gael, informei que renunciava ao dote e qualquer presente de noivado que tinha direito. — segredei para ele que balançou a cabeça concordando, deixando claro que se lembrava do que havia lhe dito.
— Estou ciente, vossa majestade, não encare meu gesto como sinal de desobediência a sua autoridade ou falta de respeito para com seus desejos, encare-o mais como uma devolução e espero que continue a manter a forca longe do meu pescoço — segredou para mim e sorri confusa para ele que desviou seus olhos de mim para os convidados no salão — Boa noite senhores e senhoras, agradeço a presença de todos nessa noite que marca o início da união da casa do Leste com o Sul e o nascimento do império do Leste. Como reza a tradição, o noivo sempre deve presentar sua noiva com bens três dias antes da realização da cerimônia. Como todos sabem, a rainha Virgínia recusou tal presente mediante a ajuda que meu reino natal proporcionou durante a época de necessidade e respeitei sua vontade, mas ainda assim gostaria de presentear minha noiva de alguma forma. Quando soube que vossa majestade precisou abrir mão das suas joias de família para suprir as necessidades dos súditos, não pensei duas vez e mandei homens da minha confiança para recuperarem a memória dos seus antepassados — ele disse misterioso fazendo sinal para Henrik que balançou a cabeça concordando, antes de solicitar que os guardas parados diante das portas do salão abrissem as portas, passando por elas guardas ostentando a farda de gala do exército do Sul em suas cores habituais, o vermelho e dourado, enquanto traziam em suas mãos caixas de veludo.
Enquanto olhava para Gael, sem acreditar que ele havia realmente feito isso e meu noivo sorriu amoroso para mim, antes de solicitar que os guardas abrissem as caixas que haviam trazido consigo revelando uma variedade de joias de valor incalculável, fazendo os presentes arfarem em choque diante da beleza e riqueza dos presentes oferecidos por meu noivo.
Assim que olhei para o conteúdo das caixas e reconheci cada uma daquelas joias, meus olhos se encheram de lágrimas por reaver as joias da coroa que contavam um pedaço da história da minha casa, do qual tive que me desfazer para poder prover meu povo e equilibrando as financias do reino. Mas assim que meu reino estabilizou economicamente, fiz questão de recuperar as joias da minha família, mas o penhor para quem solicitei que não as vendesse pois viria recuperá-las em breve, alegou que havia recebido uma oferta irrecusável por todas as peças e diante da situação econômica que nosso reino enfrentava, ele não teve outra alternativa a não ser aceitar a proposta.
Saber disso me deixou com o coração partido, por ter perdido joias que haviam sido presentes do meu pai para a minha mãe, mas não podia ficar com raiva do penhor pois entendia o seu desejo de prover sua família a qualquer custo, já que havia feito o mesmo para com o meu povo por isso assegurei ao homem que não deveria se preocupar em me pedir perdão por sua falta porque havia feito o que era certo, mas solicitei que me desse uma descrição completa da pessoa para quem havia vendido minhas joias.
Desde então, venho buscando sem sucesso o paradeiro do comprador que segundo as únicas informações que obtive era um forasteiro que só havia posto os pés no meu reino uma única vez, o dia em que comprou minhas joias para nunca mais voltar. Diante daquele fato, tive que me conformar de que havia perdido grande parte das joias da coroa do Leste, mas meu coração estava tranquilo porque sabia que havia sido pelo bem do meu povo.
— Foi você?! — questionei incrédula enquanto sentia as lágrimas caírem dos meus olhos —Esse tempo todo, tenho procurado o comprador das minhas joias... E havia sido, você, príncipe Gael?! — sussurrei entre lágrimas olhando para o homem que tanto amava, o qual fez com que me apaixonasse ainda mais por ele com esse gesto tocante.
— Sim — admitiu sincero sem desviar seus olhos dos meus — Vossa majestade, já havia perdido tanto com tão pouca idade, não podia permitir que renunciasse às memórias da sua família, porque cada uma dessas joias conta um pouca da sua própria história. — assegurou sincero enquanto o olhava sem conseguir dizer uma palavra, pois a emoção havia tomado conta de mim ao ponto de me fazer perder os sentindo diante da surpresa do meu noivo.
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