Imperatriz do Leste
35 Trigésimo quarto capítulo
Notas iniciais

Na manhã seguinte ao meu jantar de noivado me levantei cedo, pois teria uma longa reunião pela frente com todos os membros da câmara sobre questões burocráticas para a finalização do processo para nos tornarmos um império daqui a dois dias.
— Agnes, meu noivo já acordou? — sussurrei para minha dama de companhia assim que ela veio informar que o café da manhã já estava servido na sala em anexo, pois devido ao horário preferi tomar meu café da manhã com os outros lordes.
— Ainda não, vossa majestade. Na verdade, ninguém da família real do Sul se levantou, provavelmente devem estar descansando demais da longa viagem.
— Verdade, Agnes. Assim que todos acordarem, providencie um delicioso café da manhã e disponibilize atividades para entretê-los enquanto estou em reunião — solicitei me levantando da cadeira em que estava sentada, caminhando em direção a sala onde o café da manhã estava sendo servido — Provavelmente a reunião só terminará depois do almoço, por isso providencie refeições para todos nesse horário. Quando Gael acordar, informe que gostaria da sua presença na câmara dos lordes na última reunião que teremos após o almoço, para que fique ciente do planejamento para o império do Leste. Deixe os guardas avisados de que solicitei a presença do meu noivo na reunião, para que me informe quando o príncipe estiver na porta.
— Não se preocupe, vossa majestade, farei como me ordena.
— Obrigada, depois que organizar tudo aproveite para ficar com a sua família, sei o quanto deve estar ansiosa para conhecer melhor seus sobrinhos. — sugeri fazendo-a sorrir agradecida, enquanto me sentava na cabeceira da mesa sendo acompanhada por todos os lordes, antes de Agnes caminhar em direção aos servos que iriam servir nossa refeição, orientando-os o que cada um poderia ou não consumir pela manhã.
— Minha rainha, irá se afastar por uma semana das atividades administrativas do império após seu casamento? — lorde Lucius questionou curioso, enquanto deixava minha taça de suco em cima da mesa e voltava minha atenção para o senhor de cabelos alternando entre branco e preto, sentando perto do centro da mesa.
— Sim, lorde Lucius, gostaria de passar esse tempo ao lado do meu consorte, ajudando-o a se acostumar com o papel que ocupará em breve em nosso império. — expliquei enquanto os servos serviam um prato com frutas da estação para todos.
— Entendo, por acaso há algum perigo do futuro consorte não se habituar ao nosso reino? — questionou curioso e estreitei os olhos, sabendo que lorde Lucius era um dos que desejavam colocar seu familiar no lugar do meu noivo.
— Não existe esse perigo, lorde Lucius, se não está lembrando o príncipe Gael passou quatro meses em nosso reino se recuperando do atentado que sofreu para me proteger, e vossa alteza se mostrou bastante confortável em nossa corte. — assegurei e ele concordou voltando a fazer a sua refeição em silêncio.
— Saber que o futuro imperador consorte, está ambientado ao nosso reino é mais um ponto positivo para vossa alteza, que já é amado por todos os súditos desde o momento que colocou os pés aqui — o chefe da câmara dos lordes destacou — E me arrisco a dizer, que aprenderemos muito com o nosso futuro soberano, nas poucas oportunidades que tive de conversar com o príncipe Gael, vossa alteza se mostrou um homem extremamente culto, conhecedor de muitos assuntos e um eloquente orador, além é claro de ser um exímio guerreiro. Os herdeiros do trono, terão um tutor muito mais que capacitado para lhes guiar durante toda a sua preparação, para assumir o lugar de nossa amada rainha e futura imperatriz.
— Sim, chefe da câmara, o príncipe Gael inicialmente foi instruído para ser um dos sábios do reino do Sul, ocupando assim o lugar de seu pai para orientar o seu irmão mais velho no futuro, mas depois da assinatura da documentação do nosso noivado, ele achou melhor ampliar seus estudos se dedicando também a arte da guerra, tendo como tutores os mais poderosos generais — destaquei séria vendo o quanto isso deixou os lordes ainda mais contentes por minha escolha — Além de possuir um grande capital intelectual, o que já o destaca como uma excelente escolha como meu futuro consorte, o príncipe do Sul, é extremamente gentil, leal, dedicado, cuidadoso e amoroso, qualidades que para mim são indiscutíveis em se tratado do homem que ficará ao meu lado e será pai dos meus filhos. Porque não quero que minhas crianças, sejam vistas apenas como herdeiros da coroa e bens a serem protegidos, desejo que eles saibam como é ter um pai e uma mãe que possam lhes proporcionar a infância que não pude ter. — destaquei perdida nas minhas próprias memórias.
— Vossa majestade, queríamos lhe pedir perdão. — a voz de lorde Maximiliano soou me tirando das minhas memórias e pisquei voltando para a realidade, percebendo que os outros lordes sentados a mesa estavam de cabeça baixa indicando que estavam com vergonha de algo.
— Pelo que estão me pedindo perdão, senhores? — questionei confusa olhando para os homens presentes à mesa.
— Por não termos feito mais, depois que vossos pais morreram...Por não termos tido mais força, para derrubar o falecido General do Leste, por não conseguirmos protegê-la de todo sofrimento que passou durante todos esses anos. Era o nosso dever ampará-la e protegê-la, como os servos mais leais dos seus pais, mas não tivermos força o suficiente para isso, por isso imploramos o vosso perdão. — lorde Maximiliano disse entre lágrimas sem desviar os olhos dos meus e senti minhas próprias lágrimas molharem minha face.
— Nenhum de vocês tiveram culpa ou tem que me pedir perdão por algo — assegurei entre lágrimas olhando para cada um dos homens ali presentes — Vocês foram perseguidos, presos e torturados, para que não pudessem contestar o poder do falecido General do Leste, seus amigos e conhecidos foram mortos para servirem de lição...Muitos de vocês tiveram que fugir do seu reino natal para salvar sua própria vida e dos seus, por isso não precisam me pedir perdão por nada que tiveram que fazer para sobreviver...Todos nós fomos vítimas, mas apesar de tudo me sinto uma felizarda em poder conviver com os mesmos homens que apoiaram meus pais até o fim. — disse sorrindo feliz para eles que agradeceram, enquanto enxugava minhas lágrimas e tomava um pouco de água tentando me refazer da emoção que havia sentindo, pois ainda tínhamos muitas decisões para tomar hoje.
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— Vossa majestade, o príncipe Gael está na porta esperando sua autorização para entrar, como sua dama de companhia nos instruiu. — o soldado que guardava a porta da frente segredou em pé ao meu lado, enquanto lorde Inacio apresentava o novo mapa do império, explicando quais seriam as nossas novas fronteiras e recursos com a adesão oficial do Norte ao Leste.
— Pode deixar meu noivo entrar, soldado — autorizei sem desviar os olhos da explicação e o soldado concordou se afastando de mim para autorizar a entrada de Gael, antes de interromper a fala de lorde Inacio — Me desculpe interrompê-lo, lorde Inacio, mas pode continuar a falar assim que o príncipe do Sul estiver conosco? Solicitei sua presença mais cedo e gostaria muito que vossa alteza participasse desse momento, no qual estamos conhecendo os pontos fortes e fracos do nosso império.
— Claro, vossa majestade. — lorde Inacio declarou e agradeci com um aceno de cabeça, enquanto ouvíamos a porta da sala de reuniões da câmara ser aberta passando por ela meu noivo, trajando vestes azuis claras da cor dos seus olhos e com os cabelos claros devidamente penteados para trás conferindo-lhe um ar de seriedade, sendo acompanhado de perto pelo soldado que havia vindo me informar da sua presença.
— Boa tarde, vossa majestade — disse se dirigindo a mim fazendo uma revência, assim que parou perto da mesa em que estávamos sentados — E membros da câmara dos lordes. — cumprimentou os demais homens presentes na mesa com um sorriso educado.
— Boa tarde, vossa alteza, obrigada por ter aceitado o meu pedido para participar da nossa reunião, apesar de ainda está descansado depois da longa viagem que fez até aqui.
— Eu que agradeço o convite, vossa majestade, é uma honra para mim participar da reunião da câmara dos lordes.
— Por favor, acomode-se, lorde Inacio, estava começando a nos apresentar o novo mapa do império do Leste — solicitei e ele concordou com a cabeça procurando com os olhos um lugar vago na mesa, encontrando apenas a cadeira do meu lado direito e sorri curiosa para ver como ele reagiria a isso. — Algum problema, príncipe Gael?
— Nenhum, rainha Virgínia. — disse devagar temendo dizer algo que pudesse me ofender na frente dos lordes.
— Então, por favor, ocupe seu lugar a mesa e não se preocupe, não estará ofendendo nenhum dos presentes ou dos ausentes ao sentar na cadeira do meu lado direito, ela será sua em breve e não serão dois dias que mudarão isso. — assegurei séria sem desviar dos seus olhos e Gael concordou, caminhando em direção a cadeira vaga ao meu lado, acomodando-se antes de autorizar lorde Inacio a continuar com as suas explicações.
Lorde Inacio havia feito um trabalho de cartografia exemplar, representando ricamente as regiões do Leste já conhecidas, como as do Norte que tive oportunidade de ver durante a viagem que fiz no ano passado. Além de apresentar nossa extensão territorial, o mapa também destacava todas as riquezas naturais que incluíam as minas de ouro, esmeralda e diamantes, e as regiões responsáveis pela produção agrícola do império.
— Como podem ver, todas as nossas divisas são feitas por elementos naturais ou por propriedades de aliados, a única que não segue essa linha fica ao leste fazendo fronteira com o ducado de Albânia — informou e percebei que lorde Inacio ficou tenso, antes de voltar a falar — Tentamos entrar em contato com o duque de Albânia, para sugerirmos uma possível aliança mas não conseguimos encontrá-lo, pelo que seus funcionários informaram vossa graça é extremamente recluso e não gosta de receber convidados.
— Entendo, mas o duque de Albânia nos oferece alguma ameaça? — questionei com preocupação olhando para o lorde Inacio que abriu a boca para falar, mas foi interrompido pelo General do Sul, sentado ao lado do chefe da câmara dos lordes.
— Asseguro que não precisam se preocupar com o duque de Albânia, o conheço desde que era criança e afirmo que vossa alteza jamais desejou ser uma ameaça para o Leste, ainda mais agora que está prestes a se casar com uma filha do reino. — Tadeu disse seguro olhando para Gael que balançou a cabeça concordando deixando todos confusos, enquanto voltava a minha atenção para o homem sentado ao meu lado entendo por que meu general havia se referido ao duque como vossa alteza, um tratamento reservado apenas a nobres que pertenciam a família real.
— Eu sou o duque de Albânia — Gael confirmou minha teoria deixando todos surpresos — E não tenho interesse algum em ser uma ameaça a ninguém, muito menos para a minha futura esposa. — prometeu sem desviar os olhos dos meus deixando os lordes mais calmos em saber que a nossa única possível ameaça, se tratava do futuro consorte do império.
— Agradeço por sua sinceridade, príncipe Gael, mas posso lhe fazer uma pergunta?
— Claro, vossa majestade.
— Como vossa alteza, conseguiu manter o título de duque em segredo até mesmo da sua futura esposa? — questionei olhando-o com curiosidade e ele respirou fundo.
— Não foi proposital, majestade, o título de duque de Albânia foi um presente da minha mãe, assim que entrei no exército com doze anos de idade. Segundo ela, o ducado de Albânia seria meu pequeno pedaço do paraíso depois de anos em guerra, onde viveria com minha esposa após a dispensa do exército do Sul, por isso a identidade do duque de Albânia foi mantida em sigilo, assegurando que nenhum dos meus possíveis desafetos pudessem descobrir a nova identidade que assumiria. — se justificou e balancei a cabeça concordando, pois se estivesse no lugar da rainha mãe Hortência faria a mesma coisa para proteger meu filho, garantindo assim que pudesse ser feliz depois de tantos anos dedicados a guerra.
— Então, diante disso devemos temer seus inimigos também. Afinal, irá se casar com a nossa monarca, o que fará com que seus inimigos se tornem os nossos. — lorde Lucius destacou olhando para os homens presentes na mesa, incitando-os a darem sua opinião sobre esse fato.
— Jamais permitiria que qualquer desafeto dos meus tempos de general ameaçasse minha esposa, muito menos o império do qual serei consorte — Gael disse severo olhando para lorde Lucius, silenciando o burburinho por alguns instantes — E não se preocupem com meus desafetos, nunca deixe nenhum vivo para não correr o risco de que voltassem para se vingar na minha família.
— Me desculpe dizer, vossa alteza, mas isso não nos dá nenhuma garantia alguma. — destacou lorde Lucius e Gael estreitou os olhos para homem, deixando claro que não aceitaria que contestassem a sua preocupação para comigo.
— Já chega, lorde Lucius — disse severa silenciando o burburinho que começava a ficar mais alto — Meu noivo já garantiu que seus inimigos não serão uma ameaça para nós, por isso pare de criar conflitos onde não existe. Além do mais, somos um império, com certeza podemos nos defender de qualquer ameaça que possa surgir no horizonte. Fui clara? — questionei severa e todos concordaram, antes de sinalizar para que a reunião continuasse.
Depois desse pequeno atrito a reunião seguiu normalmente, dei graças aos deuses quando podemos dar tudo por encerrado, pois minha cabeça estava a ponto de explodir de cansaço depois de passar o dia inteiro a portas fechadas, focada em resolver qualquer problema que pudesse impedir meu casamento e a unificação do império daqui a dois dias.
Suspirei cansada tirando minha coroa da cabeça, que parecia pesar muito mais do que o normal agora, colocando-a em cima da mesa e recostando-me na cadeira que estava fechando os olhos após o General do Leste nos deixar a sós.
— Majestade? — ouvi Gael chamar preocupado e gemi descontente fazendo-o rir.
— Sabe que não gosto que me chame de majestade, quando estamos sozinhos. — declarei de olhos fechados, tentando acalmar minha mente agitada.
— Eu sei, amor, me desculpe por meu lapso.
— Tudo bem.
— Amor, está tudo bem?
— Sim, só preciso de alguns minutos de tranquilidade. — confessei ainda de olhos fechados, absorvendo tudo que havia ouvido e visto durante horas de reuniões.
— Posso deixá-la a sós, se preferir. — ofereceu e abri os olhos para vê-lo, me encarando com preocupação no olhar e segurei sua mão direita.
— Não, quero que fique — disse sincera sem desviar dos seus olhos azuis — Sua presença ajuda a aliviar o peso da minha coroa, que hoje parece mais pesada do que todos os dias em que a usei. — admiti cansada e Gael balançou a cabeça concordando beijando o dorso da minha mão e minha testa com carinho, antes de encostar a sua testa na minha acariciando meus cabelos com cuidado.
— Estou aqui com você, pode dividir o peso da sua coroa comigo. — segredou carinhoso e suspirei de contentamento, por finalmente poder dividir minhas responsabilidades com alguém que as entedia e me compreendia como ninguém.
Ficamos dessa forma por alguns minutos, antes de me separar do meu noivo a contragosto sabendo que não podíamos ficar tanto tempo a sós ou as pessoas do castelo começariam a fazer especulações.
— Por mais que goste de ficar a sós com você, ainda não podemos passar tanto tempo sozinhos. — expliquei inconformada, por não poder desfrutar da companhia do homem que amava pelo tempo que desejasse.
— Está tudo bem, eu entendo — assegurou me olhando com preocupação. — Porque não aproveita a parte da tarde, para descansar em seus aposentos depois de passar a manhã toda em reunião.
— Realmente estou precisando, mas não posso, meu amor, sua família está aqui e não seria educado deixá-los sozinhos...— comecei a explicar cansada e Gael me silenciou com um beijo calmo, afastando-se de mim em seguida.
— Não se preocupe com a minha família, posso explicar a situação a eles e sei que entenderão, se não entenderem, bem paciência — disse dando de ombros me fazendo sorrir, enquanto ele acariciava minha bochecha direita com o polegar. — Minha única preocupação é que minha futura esposa descanse um pouco, porque não desejo vê-la doente.
— Tem razão, algumas horas de descanso não me farão mal algum. — disse cansada e ele concordou me dando mais um beijo, antes de se levantar e me oferecer sua mão direita, para que fizesse o mesmo.
Resignada, peguei minha coroa que havia deixado em cima da mesa colocando-a em minha cabeça e aceitando a mão do meu noivo, antes de deixarmos a sala de reuniões da câmara dos lordes.
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Acordei do meu descanso no final da tarde revigorada, depois de passar a manhã toda trancada em uma sala tendo inúmeras reuniões. Mas o que me deixou realmente feliz, foi receber um lindo buque de margaridas enviadas por meu noivo e um bilhete, me convidado para o lanche da tarde no jardim do castelo no qual sua família também estava.
Depois que terminei de ler o bilhete, solicitei a uma das minhas damas de companhia que colocassem minhas flores em um jarro com água e me ajudassem a me arrumar para ir ao encontro da família real do Sul.
Assim que estava devidamente arrumada caminhei em direção ao jardim, sendo seguida pelas minhas outras damas de companhia, já que havia liberado Agnes para passar a tarde com a sua família, e meus guardas. Logo que nos aproximamos das portas que davam acesso para o jardim começamos ouvir o som de risadas de crianças, um som que parecia aquecer todo o palácio depois de tanto tempo.
Não demorou muito até que identifiquei os responsáveis por aquele som, era Gael e seu irmão que estavam brincando de correr atrás dos seus sobrinhos, enquanto eram acompanhados por olhares carinhos das mulheres da casa do Sul.
Me aproximei com cuidado, temendo interromper a brincadeira dos quatro que faziam todas rirem, por ver que a princesa Cora estava conseguindo vencer a brincadeira.
— Majestade. — elas me cumprimentaram e sorri em resposta.
— Por favor, junte-se a nós — rainha mãe Hortência pediu gentil, apontando a cadeira vazia ao seu lado e agradeci me acomodando em seguida — Espero que a algazarra, não tenha incomodado seu descanso. Gael, nos informou que você não estava se sentindo bem depois da reunião com os lordes da câmara.
— Não se preocupe, eles não me incomodaram. Na verdade, fico feliz de ver pessoas brincando nesse jardim, me traz recordações maravilhosas dos meus pais e até do dia em que conheci Gael, quando éramos crianças. — disse sorrindo olhando para a mãe do meu noivo que concordou.
— Quem sabe daqui a alguns anos, não serão seus próprios filhos que encheram esse castelo de vida, risadas e brincadeiras?!
— Espero que sim, Hortência. — disse voltando minha atenção para os três que ainda brincavam, vendo a comemoração da princesa Cora por ganhar o jogo fazendo os homens da família rirem da sua felicidade, antes de seu pai pegá-la no colo e todos caminharem em direção a mesa onde estávamos.
— Rainha Virgínia. — ele me cumprimentaram assim que pararam em nossa frente e sorri, voltando minha atenção para a garotinha ruiva no colo do pai.
— Meus parabéns pela vitória, princesa Cora. — parabenizei a garotinha que sorriu agradecida, antes de esconder o rosto vermelho no pescoço de seu pai que beijou seus cabelos com carinho.
Logo eles se acomodaram a mesa, enquanto os servos que se encontravam ali serviam copos de refrescos para todos os presentes.
— Como se senti, amor? — Gael questionou baixo assim que se sentou ao meu lado, com o rosto levemente vermelho e os cabelos bagunçados devido a correria, e sorri carinhosa para ele afastando uma mecha de cabelo claro dos seus olhos.
— Estou bem, meu amor, realmente precisava de um pouco de descanso só não queria admitir isso — disse sincera e ele balançou a cabeça concordando, antes de tomar um gole do suco que um servo havia lhe dado. — Muito obrigada, pelas flores e principalmente por seu cuidado.
— Não precisa agradecer, meu amor, faço isso porque te amo e quero vê-la bem e feliz. — disse sincero e desviei meus olhos dos seus para ver o jardim a minha frente.
— Espero que esse jardim, possa ver mais sorrisos de felicidade, brincadeiras e algazarra de crianças depois de tanto tempo mergulhado em silêncio. — disse perdida em pensamentos e Gael entrelaçou sua mão a minha, antes de virar para vê-lo.
— No que depender de mim ele verá, meu amor. — assegurou sem desviar os olhos dos meus e sorri agradecida por suas palavras, ciente de que Gael jamais deixaria de cumprir sua palavra.
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