Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso primeiro capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.

— O que pensava que estava fazendo, majestade? — O General questionou furioso em pé na minha frente e me levantei da cadeira que estava sentada, sem desviar dos seus olhos deixando claro que não tinha medo dele.

— Não estou entendendo ao que se refere, General. — disse me fazendo de desentendida e ele sorriu surpreso com a minha resposta.

— Já que vossa majestade não lembra, irei refrescar sua memória...Desde quando, tem autoridade para falar sobre assuntos que não lhe dizem respeito? Pelo que me lembre desde que foi coroada, deixei muito claro que não a autorizava que se metesse nos assuntos do reino. Esse papel é meu, o seu se resume a aprender tudo que existir no mundo para satisfazer seu marido, porque não iriei admitir que o rei do Sul a devolva por não ter feito bem o único papel que nasceu para desempenhar. — disse furioso e sorri sem humor, como se o General tivesse acabado de contar a piada mais engraçada do mundo, antes de me aproximar do seu rosto deixando um pequeno espaço entre nós.

— E qual seria, o único papel que nasci para desempenhar?! O de esposa obediente, que apenas balança a cabeça e enche seus dias pensado no que pode fazer para agradar seu marido?! Ou de mãe zelosa, que devota sua vida a criação dos filhos?! Desculpe decepcioná-lo General do Leste, mas não nasci exclusivamente para isso...Nasci para ser uma rainha, a líder do meu povo e senhora da minha casa, não será um casamento arranjado ou um generalzinho com sede de poder que tirará o que é meu por direito. — destaquei séria sem desviar dos seus olhos e ele balançou a cabeça, sorrindo de maneira perversa para mim.

— Fico agradecido que os joguinhos de boa convivência tenham oficialmente acabado, rainha Virgínia. Só espero que esteja preparada para arcar com as consequências de entrar no jogo dos adultos, não terei misericórdia de você, farei tudo o que for necessário para conseguir o que sempre desejei... Depois não venha se ajoelhar na minha frente pedindo clemencia, porque isso é algo que jamais terei, a esmagarei como um inseto nojento. Farei questão de apagar o seu nome da história do meu reino, ninguém jamais saberá que existiu uma rainha chefe de estado, lhe asseguro isso. — O General do Leste disse com a voz sombria, se afastando com um sorriso suave nos lábios me dando as costas, enquanto descia os quatro degraus do piso mais elevado da sala onde nossas cadeiras estavam, mas antes que pudesse se afastar de vez ele virou para me ver como se tivesse esquecido de falar algo.

— E lembre-se majestade, o castelo é um lugar muito perigoso para alguém sem aliados...Acidentes e atentados, podem acontecer a qualquer momento, assim como traições inesperadas...A sua obediência em não me desafiar, a manteve a salvo todos esses anos, se quiser conhecer os prazeres da vida de uma mulher casada aconselho que pare de querer governar e continue a agir como se nada tivesse acontecido ou o rei do Sul ficará viúvo antes mesmo de desposá-la. — alertou suave como se estivesse me elogiando, voltando a caminhar em direção a saída enquanto permanecia congelada no lugar em que estava diante de sua ameaça.

Assim que me vi plenamente sozinha na câmara do Lordes, senti minhas pernas fraquejarem e me segurei no braço da cadeira em que estava sentada anteriormente, evitado que caísse devido ao choque de ser ameaçada tão abertamente daquela forma. Sempre convive com as ameaças veladas do General do Leste desde criança, mas só fui entender o teor delas muitos anos depois após minha dama de companhia me explicar o porquê do ódio gratuito dele por mim.

Segundo Agnes, o General desejava minha coroa a todo custo, para ele uma mulher jamais deveria comandar um reino, mesmo tentando convencer toda a câmara a apoiar sua ideia de não me nomear como herdeira do trono meu falecido pai fez questão de defender o meu direito como sua sucessora, me nomeando como princesa herdeira dias antes do castelo ser invadido pelo reino do Norte.

A única coisa que não conseguia entender, era porque o General do Leste me tratava como se tivesse roubado algo dele?! Não só eu, mas o meu falecido pai também, o que não era normal diante de tudo que estudei ou conversei com outros monarcas que visitavam meu reino, tentando em vão me cortejar, mesmo sabendo do meu noivado arranjado com o herdeiro da casa do Sul. Um comportamento estranho do qual não tinha resposta, nem sabia se algum dia teria, mas não podia desistir agora que havia declarado guerra abertamente contra o meu maior inimigo.

Faria de tudo para defender o meu reino, assegurando que meu povo pudesse viver em paz sem passar qualquer tipo de privação para manter o estilo de vida dos nobres, que só se importavam com eles mesmos deixando a população a própria sorte.

— Preciso me manter no controle...Não posso deixar a raiva me dominar, agora que falta tão pouco. Preciso respirar e colocar minha cabeça no lugar, se quero vencer essa guerra. Afinal, o General tem anos de experiência militar, se for descuidada colocarei tudo pelo qual trabalhamos durante anos a perder e não posso fazer isso. — sussurrei para mim mesma controlando a vontade que tinha de acertar minhas contas de vez com o General do Leste, mas não podia ser descuidada a esse ponto.

O plano que estava seguindo havia sido feito com cuidado durante anos, pensado nas inúmeras possibilidades que teríamos em si tratando do General, um homem imprevisível para muitos, mas depois de anos observando-o atentamente e aprendendo sobre suas formas de combater os inimigos conseguia prever muitas das suas táticas que não mudaram com o passar dos anos.

Era sempre a mesma coisa...Ameaça velada...Ameaça aberta...Pequenos acidentes, apenas para dar um aviso, possibilitando que a vítima sobrevivesse e soubesse de quem estava vindo as ordens, como uma espécie de última chance para que ela pudesse se arrepender antes do golpe final, a eliminação do alvo. De preferência por veneno que não deixava vestígio, livrando o General de uma possível ligação com o crime cometido.

— Comigo será diferente...Não lhe darei esse gostinho, de ser mais uma na lista de mortos do General do Leste — assegurei para mim mesma tentando aplacar minha raiva acumulada de anos, saindo da câmara de nobres e encontrando Agnes a minha espera.

— Majestade, aconteceu algo? — Agnes questionou perspicaz, afinal ela era a única pessoa nesse castelo que me conhecia melhor do que eu mesma e para quem nunca conseguia mentir.

— Não, Agnes. Vamos para os meus aposentos, gostaria de trocar de roupa e passear um pouco a cavalo, está uma manhã tão linda hoje, não acha? — questionei suave e ela estreitou os olhos, como se já soubesse que havia acontecido algo muito sério na câmara.

— Vossa majestade, tem razão...Está uma linda manhã, para um passeio a cavalo. — segredou suave e balancei a cabeça concordando, enquanto caminhava em direção aos meus aposentos.

Assim que chegamos ao local, dispensei as outras damas e entrei apenas na companhia de Agnes, verificando em seguida todos os locais possíveis do meu quarto onde alguém poderia se esconder para ouvir a nossa conversa ou tentar me atacar enquanto estava distraída.

— Pelos deuses, vossa majestade, está me deixando tonta andando de um lado para o outro como se fosse um cão de caça — Agnes me repreendeu amorosa e segurou-me pelos ombros, impedindo que continuasse a minha busca por um possível inimigo, me obrigando a olhá-la nos olhos — Agora que estamos seguras, me conte tudo o que aconteceu lá dentro. Porque a senhora está pálida, como se tivesse visto um fantasma naquela sala.

— Ele me ameaçou de verdade, Agnes...Sem meias palavras ou insinuações...O General disse com todas as letras que quer me ver morta...Que se continuar me impondo contra os seus decretos, não chegarei a me casar com o rei do Sul... — sussurrei ainda atordoada com as ameaças feitas pelo homem que me viu nascer e minha dama de companhia suspirou, antes de me abraçar com carinho enquanto começava a chorar angustiada com tudo que estava passando.

— Vai ficar tudo bem, querida. Sei que não é o seu desejo, mas imploro que reconsidere e aceite ser a consorte do rei do Sul, como sua esposa o General do Leste não poderá machucá-la. — Agnes me aconselhou preocupada e me afastei de seus braços para olhá-la, sem acreditar no que havia acabado de ouvir.

— Como ousa me pedir uma coisa dessas, Agnes?! Não posso simplesmente esquecer os últimos vinte anos em que fui a governante do meu reino, para me submeter as ordens de outro monarca. Jamais irei abandonar meu povo e o meu trono, por causa das ameaças do General que está sob o meu comando. Ele acha que pode me esmagar como um inseto nojento, pois veremos quem será esmagado.

— Minha senhora, tenha cuidado com o rumo que está traçado para a sua vida. A vingança cobra um preço caro, para aqueles que a buscam. — me advertiu preocupada e sorri triste abrindo os braços para ela.

— O que mais os deuses podem querer de mim, Agnes?! Já perdi tudo que me era mais caro nessa vida, só me restou a vingança como consolo e justiça. — disse entre lágrimas olhando desolada para a minha dama de companhia.

— Não diga isso, mina rainha. A senhora tem tanta vida pela frente e está prestes a se casar, tenho fé que terá uma vida feliz ao lado do seu futuro marido, conhecerá o amor, a paz e a segurança, que sempre me esforcei para lhe dar todos esses anos. — disse esperançosa e sorri sem acreditar no quanto Agnes tinha fé, mesmo depois de tudo que passou em sua vida ela sempre afirmava que tudo iria melhorar quando ninguém mais acreditava que aconteceria.

— Duvido muito, que o rei do Sul seja capaz disso. Ele é só mais um, que deseja me prender em uma gaiola de ouro me ostentando como um bem despertando a inveja dos outros, enquanto dou à luz aos seus herdeiros para perpetuar o nome da sua casa, apagando a existência da minha no processo.

— Não julgue o caráter de alguém sem tê-lo conhecido antes, pode acabar se arrependendo amargamente. — me alertou e balancei a cabeça negando.

— Tenho certeza que não, Agnes. Agora, por favor, me ajude a trocar de roupa, preciso respirar um pouco de ar puro antes de cometer uma loucura. — disse séria caminhando em direção ao último cômodo dos meus aposentos, destinado à minha higiene pessoal.

Troquei de roupa com ajuda da minha dama de companhia, colocando meu traje de montaria seguindo escoltada até os estábulos do castelo, onde a montaria dos nobres ficava.

— Tem certeza que não gostaria da minha companhia, majestade? — Agnes questionou caminhando ao meu lado em direção aos estábulos, enquanto colocava minhas luvas de montaria.

Sabia que minha dama de companhia não era amante de cavalos, na sua opinião eles eram animais perigosos que poderiam te matar com a mesma velocidade que corriam livre pelos campos, mesmo não gostando de ficar na presença deles Agnes me acompanharia sem hesitar se lhe pedisse.

Sem dizer uma palavra, parei de andar e virei para ver a mulher que havia cuidado de mim como uma verdadeira mãe por todos esses anos, repousei minhas mãos em seus ombros e olhei para Agnes com carinho.

— Tenho Agnes, não se preocupe. Levarei Tadeu e Arthur, os dois serão o suficiente para me proteger e não sairei dos limites do castelo como sempre. — assegurei a minha dama de companhia que suspirou resignada.

— Tudo bem, vossa majestade, por favor, cuide-se. — pediu preocupada, provavelmente temendo que o General cumprisse a ameaça que havia feito.

— Não se preocupe, ele não tentará me matar hoje porque sabe que ficarei em alerta. Tranquilize seu coração, pois logo estarei de volta, Agnes. — segredei a ela que olhou para os céus, em uma prece silenciosa para que atendessem o seu pedido voltando sua atenção para mim.

— Deixei de ter tranquilidade, depois que minha rainha nasceu. — segredou amorosa para mim e sorri, antes de lhe dar um beijo em sua bochecha direita e seguirmos em direção a baia onde meu cavalo esperava.

Caminhei pelo corredor que dava acesso as baias do castelo, cumprimentando os servos que trabalhavam ali no caminho, antes de avistar meu cavalo sendo cuidadosamente escovado por Tadeu que lhe dava algumas cenouras nos intervalos de suas escovações, enquanto Arthur verificava se as fivelas da montaria estavam seguras e se não possuíam nenhuma avaria, evitando uma possível queda que poderia ser fatal para mim, colocando-a no dorso do meu cavalo.

Sorri assim que vi Arthur dar uma piscadela para algumas servas que estavam ali, se demorando em suas atividades para olhar os irmãos de longe, fazendo Tadeu revirar os olhos diante do comportamento do irmão mais novo. Ao contrário de Arthur, que amava toda a atenção que as mulheres lhe davam, Tadeu se esquivava de qualquer contato ou insinuação que lhe fizessem, despertando comentários maliciosos da sua possível afeição para homens, dos quais meu guarda não se importava.

Não podia julgar o comportamento das servas e das mulheres da corte, os dois irmãos eram donos de incrível beleza. Tadeu, o mais velho, era dono de cabelos pretos como a noite e olhos verdes profundos, iguais a uma floresta intocável pelo homem, já Arthur, o mais novo, possuía os cabelos claros como o sol e olhos verdes iguais ao do irmão mais velho, mas o que lhe chamava a atenção era o seu sorriso caloroso composto por covinhas que lhe davam um ar mais jovial e inocente.

Ainda me lembro do dia em que tentei subornar os dois que faziam parte da minha guarda pessoal, para ficarem ao meu lado me dando informações sobre os planos do General do Leste e eles riram me deixando confusa com sua atitude. Foi quando Tadeu, revelou que riqueza nenhuma iria fazê-los esquecer a promessa no leito de morte da sua mãe, de se vingarem do homem que destruiu suas vidas privando-os de suas origens e da presença de seu pai.

Tadeu e Arthur, eram filhos do falecido Capitão do Leste, considerado o braço direito do General do Leste, mas por algum motivo desconhecido os dois acabaram brigando seriamente dias antes de morrer defendendo meu pai durante o ataque o reino do norte ao castelo. Temerosa com o futuro dos filhos, a esposa do falecido Capitão fugiu para o reino do Sul, onde mudou de nome assim como seus filhos e esqueceu seu passado, protegendo-os de qualquer inimigo.

Os dois só voltaram ao país de origem três anos atrás, oferecendo seus serviços como eximimos guerreiros. Depois de passarem pela seleção do exército, provando serem dignos de servir nosso reino, foram destacados para protegerem meus aposentos e como sempre, fiz questão de investigar cada soldado que fazia a minha segurança, me assegurando se poderiam ser subornados para se tornarem meus “homens de confiança”, os quais não confiava nem um pouco, já que qualquer um ali poderia me atacar a mando do General, mas com os dois era diferente.

Conseguia ver a mesma raiva disfarçada no olhar deles que havia nos meus, quando viam o meu inimigo em sua presença e foi ali que soube que podia confiar nos dois, porque tínhamos o mesmo desejo em comum, trazer justiça para aqueles que perdemos por culpa do General do Leste. Desde aquele dia, nos tornamos aliados na vingança que planejava durante anos contra o General.

Assim que notaram minha presença, todos fizeram uma reverência enquanto cumprimentava-os tomando o lugar de Tadeu, oferecendo algumas cenouras para o meu cavalo.

— Como está nessa manhã, Imperador? Sente-se bem, para corrermos como o vento? — questionei sorrindo para ele que relinchou balançando sua crina, como se respondesse a minha pergunta.

Imperador havia sido o último presente que ganhei do meu pai de aniversário, ele havia crescido comigo e confiava plenamente nele. Era um lindo cavalo de pelos negros como a noite, possuindo uma pequena macha branca na testa, descendendo da nobre raça dos cavalos puro sangue árabes, os preferidos do meu pai.

Os cavalos puros sangues árabes, são considerados os mais antigos do mundo, possuidores de extrema coragem, inteligência e alta resistência, por essas qualidades eram usados por reis e nos combates militares.

— Tadeu e Arthur, escutem muito bem o que irei falar. — Agnes disse severa e desviei os olhos do meu cavalo para ver que rumo tomaria aquela conversa — Cuidem muito bem da minha rainha, não tolerarei que algo aconteça a ela ...Ou juro pelos deuses, que os esfolarei vivos se a rainha voltar machucada. Nem os melhores soldados do exército do Leste, serão capazes de conter a minha fúria, estejam cientes disso.

A ameaça de Agnes me fez sorrir de forma carinhosa para ela, pois sabia das boas intenções da minha dama de companhia, mas tinha plena consciência que a mulher que me criou não sabia manejar uma espada ou qualquer outra arma que pudesse machucar uma pessoa, por isso me empenhava em treinar cada momento que podia, para poder proteger a única pessoa que faria de tudo para me ver em segurança.

E pelo sorriso dos únicos guardas em que confiava, eles também sabiam que Agnes não tinha habilidade alguma com a espada, mas estavam surpresos por sua coragem em ameaçar soldados experientes sem demonstrar qualquer temor.

— Estão duvidando das minhas habilidades?! Acho melhor dormirem de olhos abertos, pois sei usar agulhas e tesouras como ninguém...Espero que tenham entendido, o meu aviso. —Agnes soou ameaçadora para os dois que pararam de rir imediatamente, balançando a cabeça indicando que haviam entendido o recado da minha dama de companhia.

Não podia acreditar que dois guerreiros experientes como eles, tremiam de medo diante da ameaça de uma senhora que jamais havia saído do castelo real, enquanto ambos haviam enfrentado inúmeras batalhas para defender nosso território.

— Melhor irmos, vossa majestade, antes que a dama de companhia Agnes decida nos usar como decoração de alguma ala do castelo, sou jovem demais para morrer ainda não tive a chance de conhecer todos os prazeres que essa vida pode oferecer. — Arthur disse temeroso por sua segurança e disfarcei um sorriso.

— Não se preocupe, dama de companhia Agnes, a rainha Virgínia voltará sã e salva para o castelo, sem qualquer aranhão. — Tadeu prometeu tranquilizando-a que sorriu feliz, em ouvir a resposta do homem em sua frente.

— Por isso é o mais sensato dos três, Tadeu. Cuide desses dois, porque eles juntos ignoram qualquer bom senso e adoram se pôr em perigo. — Agnes segredou para Tadeu que sorriu concordando, enquanto eu e Arthur revirávamos os olhos.

— Acho melhor irmos, antes que meus homens de confiança se borrem nas calças com medo das ameaças da minha dama de companhia. — disse implicando com os dois entregando a escova do meu cavalo para Agnes, antes de segurar suas rédeas e conduzi-lo para fora dos estábulos sendo seguida por meus homens.

— Tomem cuidado e voltem antes da chuva cair. — Agnes disse preocupada olhando para o céu que estavam sem nenhuma nuvem nessa manhã.

— Agnes, não existe nenhum sinal de chuva no horizonte.

— Sei disso, majestade, mas não sei como explicar só sei que irá chover...É como se os céus quisessem nos dizer algo... Só tive essa mesma sensação uma vez, a muito tempo atrás...— ela disse perdida em pensamentos por alguns instantes, balançando a cabeça em seguida espantando possíveis lembranças que invadiram sua mente naquele momento, antes de voltar a sua atenção para nós — Apenas vão com cuidado, voltem antes da chuva cair.

— Tudo bem, cuide-se, Agnes, voltarei antes da chuva cair — assegurei a ela que sorriu amorosa, subindo em meu cavalo e tocando os calcanhares em sua barriga, incentivando Imperador a correr usando toda a sua força.

Logo escutei o som de mais galopes me seguindo e não me importei, tudo que queria era esvaziar minha mente de todos os problemas que enfrentava desde a morte dos meus pais, andar a cavalo me permitia ter algumas horas de paz e tranquilidade.

Sem precisar pensar em cada palavra que diria a seguir ou em cada passo que deveria dar, pois cada segundo que passava dentro das dependências do castelo era um minuto a mais que me aproxima da morte certa. Porque sabia muito bem que o General do Leste, jamais pararia até conseguir meu trono, assim como eu jamais desistiria de lutar para defender o meu reino levando-nos a um impasse que só poderia ser decidido com a morte de um ou de ambos e estava preparada para pagar esse preço, se meu povo se livrasse da opressão.

Só não sabia para quem poderia entregar a missão de cuidar do meu reino, caso algo acontecesse comigo já que era a única herdeira viva da casa real do Leste, não havia ninguém em que confiasse ao ponto de entregar meu bem mais precioso aos seus cuidados.

Esse era o único dilema que me tirava o sono, o qual também rezava para que os deuses pudessem me ajudar a resolvê-lo, já que ainda não havia encontrado alguém digno de chefiar a minha casa e proteger o meu povo, caso não conseguisse sair viva depois de enfrentar finalmente meu oponente.

Notas finais
Não percam o próximo capítulo segunda. Beijos e um bom final de semana para todos.