Imperatriz do Leste
49 Quadragésimo oitavo capítulo
Notas iniciais

— O que gostaria de falar comigo a sós, Gael? — questionei com curiosidade assim que percebi que estávamos sozinhos no segundo andar da biblioteca.
— Na verdade, gostaria de lhe mostrar o esboço da procuração que me pediu para fazer ontem — explicou indicando que nos sentássemos na mesa que havia entre as estantes. — É melhor nos sentarmos, você já fez esforço demais subindo três laces de escada para alguém no seu estado.
— Eu estou grávida e não doente, querido — pontuei suave indo ocupar a cadeira na cabeceira e meu marido sorriu com meu comentário, antes de se aproximar tirando um pedaço de papel dobrado do bolso do casaco entregando-o a mim — Pelo jeito, você passou a noite em claro depois que adormeci. — constatei observando o documento em minhas mãos.
— Sim, não consegui dormir depois da conversa que tivemos ontem, minha mente estava inquieta e meu coração imerso em preocupações, por isso achei melhor levantar da cama e redigir a procuração até o sono voltar.
— Entendo — disse suave olhando no fundo dos seus olhos azuis claros deixando o esboço da procuração de lado, percebendo a preocupação no semblante do meu marido além dos sinais da noite insone que passou. — Tem algo lhe preocupando muito além da procuração ou das observações do médico real, Gael? Por acaso, acha que o médico real está contra a coroa? — questionei com preocupação e ele negou.
— Não, asseguro que o médico real é leal a coroa — afirmou se sentando ao meu lado segurando minhas mãos nas suas, sem desviar seus olhos dos meus. — Antes de vir para seu reino pela primeira vez, ordenei aos espiões infiltrados do Sul que investigassem todos da corte para saber os possíveis aliados e fiz a mesma coisa ano passado, porque uma pessoa pode mudar de lado a qualquer momento.
— Verdade — concordei olhando com curiosidade para o meu marido — E mais uma vez, você está a um passo a minha frente, imperador consorte.
— Hábitos que adquiri na vida militar, que são difíceis de se esquecer de uma hora para outra, meu amor.
— Esse é um bom hábito para se manter, querido — assegurei. — Voltando ao nosso assunto inicial, podemos dizer que o médico real é nosso aliado?
— Por enquanto sim.
— Ótimo, odiaria ter que prendê-lo depois de ter salvado sua vida.
— Eu sei, também odiaria, mas entre ele e nossa família, sempre escolherei nossa família sem hesitar. — jurou me permitindo vislumbrar no fundo dos seus olhos o brilho do grande soldado que meu marido foi no passado.
— Sei disso, Gael, mas peço que não fique apenas na defensiva, fizemos o impossível para tornar o império seguro para que pudéssemos viver em paz. Depois de tantos anos em guerra, merecemos desfrutar da tranquilidade sem deixar de sermos vigilantes. Não acha?
— Acho — assegurou e me inclinei para beijar seus lábios, antes dele se separar de mim cedo demais segurando meu rosto em suas mãos permitindo que olhasse seus olhos. — Eu amo você.
— Eu também amo você — declarei apaixonada e ele sorriu beijando o alto da minha cabeça afastando-se de mim — Bem, deixe-me ver a procuração. — disse voltando minha atenção para o documento em cima da mesa e meu marido concordou, se recostando na cadeira em que estava sentado enquanto lia cuidadosamente o papel em minhas mãos.
O esboço da procuração de tutoria redigido por meu marido, atendia os pedidos que lhe fiz ontem, como a obrigatoriedade do herdeiro do trono ser educado por um professor do Leste mesmo vivendo no reino do Sul, sendo reconhecido pelos títulos de nascença dos seus pais permitindo que fosse um membro da coroa do Sul e soberano do Leste.
Assegurando sua ascendência dos dois reinos mais poderosos existentes, o reino do Sul, rico em poderio militar e rubis, e o império do Leste, abundante em minas de ouro, esmeralda e diamantes assim como uma vasta extensão de terras.
— Então, de acordo com esse documento nosso filho além de ser o próximo na linha de sucessão do Leste também será herdeiro do Sul? — questionei desviando os olhos do papel em minhas mãos para ver o homem sentado ao meu lado.
— Sim — admitiu me deixando surpresa — Se algo acontecer comigo, nosso filho herdará meu título de nascença assumindo meu lugar na linha sucessória do meu reino natal, isso permitirá que o reino do Sul o aceite como um dos seus lhe proporcionando proteção e segurança durante toda sua vida — explicou e concordei diante da lógica — Dispondo não só do meu título, mas de todos os bens que possuo no meu reino natal e em outros lugares. Será uma segurança para que nosso filho tenha uma vida confortável, caso o império deixe de existir. — pontuou e estremeci de leve, diante da remota chance de que o lugar que nasci pudesse deixar de existir por algum motivo.
Mas não podia desistir do nosso plano agora, precisava seguir em frente garantindo que nosso bebê ficasse seguro se algo nos acontecesse, era nossa responsabilidade como pais dessa vida que crescia dentro de mim.
Foi impossível não pensar em toda angústia e preocupação que minha mãe deve ter sentido, assim que percebeu que nossa casa estava sendo invadida pelos inimigos e que devia me proteger de todo aquele caos da mesma forma que estava planejando fazer, se os eventos do passado se repetissem no presente.
— Virgínia, não precisa se preocupar — a voz de Gael me trouxe de volta ao presente me tirando das memórias cruéis do passado, enquanto sua mão estava em cima da mim repousada na minha barriga ainda lisa — Nosso império está em paz, não temos inimigos declarados ou ocultos que possam ameaçar nossa segurança. Essa procuração, nada mais é do que uma medida para assegurar o futuro da nossa criança caso algo nos aconteça, mas tenho fé que jamais usaremos esse documento. — assegurou amoroso tentando me passar segurança, mas podia ver a preocupação nos seus olhos.
— Sei disso, mas preciso que me prometa uma coisa, Gael. — supliquei sem desviar dos seus olhos.
— O que desejar, meu amor.
— Me prometa que se um dia nosso império deixar de ser seguro, você levará nosso filho para o ducado de Albânia e o criará longe da corte, só retornando para o Sul quando ele já for capaz de se defender sozinho. — pedi deixando-o surpreso com minhas palavras.
— Não me peça isso — implorou entre lágrimas. — Não me peça para abandoná-la...Eu seria incapaz de fazer isso.
— Você irá fazê-lo, caso seja preciso proteger nosso filho — assegurei séria vendo as lágrimas caírem dos seus olhos. — É seu dever como pai e imperador consorte, proteger meu sucessor se algo acontecer comigo. — ordenei e ele fechou os olhos deixando-se consumir pelas lágrimas diante do meu pedido.
Tinha ciência do quanto meu pedido era doloroso para o homem em minha frente, porque desde que nos conhecemos Gael fez de tudo para me proteger e assegurar que pudéssemos ficar juntos pelo resto das nossas vidas, mas sugerir a possibilidade de que nossos planos pudessem ser alterados era como ter uma espada transpassando nosso coração em um momento que devia apenas nos dar felicidade.
— Sei que o que estou lhe pedindo é doloroso demais, Gael, mas para mim não existe pessoa melhor do que meu marido, pai do meu filho e meu consorte, para dizer ao nosso bebê o quanto o amava e como fiquei feliz em saber da sua existência — segredei acariciando seus cabelos, tentando acalmá-lo de todo o caos emocional que o consumia. — Que irá ensiná-lo a ser uma pessoa justa, amorosa e gentil, orgulhosa de suas origens e de tudo que seus pais fizeram para assegurar seu futuro.
— Tudo bem — sussurrou com a voz rouca assim que as lágrimas cessaram — Cumprirei seu desejo, mas prometo que farei de tudo para evitar abandoná-la porque não me casei com a mulher que amo, para perdê-la tão cedo. — jurou sem desviar os olhos de mim e concordei.
Esperei Gael se acalmar, para que pudéssemos continuar traçando o plano que havíamos conversado ontem à noite, voltando em seguida para a leitura da procuração que havia deixado de lado para dar atenção ao meu marido.
— A procuração está perfeita, amor — elogiei atraindo sua atenção para mim — O falecido rei consorte Marco foi um excelente professor — destaquei enquanto dobrava o papel em minhas mãos e entregava a Gael — Pode redigir a procuração final, para que possamos assinar e enviá-la ao seu irmão. Você já enviou a carta, explicando nossa decisão ao rei Liam e ao príncipe herdeiro Connor?
— Sim, a enviei por um mensageiro antes do café da manhã. A redigi ontem, depois que finalizei o esboço da procuração, agora é só aguardar a resposta do Sul. — explicou e balancei a cabeça concordando enquanto via Gael guardar o documento no bolso do casaco vinho que trajava naquela manhã, notando o quanto meu marido estava exausto depois da noite em claro combinada com a crise emocional de minutos atrás.
— Que tal se remarcássemos a reunião com os lordes da câmara para depois do almoço, enquanto passamos a manhã nos seus aposentos descansado? — sugeri deixando-o preocupado com a minha proposta.
— Está sentindo alguma coisa, amor? É melhor chamar o médico real.
— Não precisa, Gael, estou bem — assegurei tentando acalmá-lo. — Mas essa emoção toda me deixou cansada, desejando um cochilo desesperadamente.
— Acredito, que um pouco de descanso será bom para nós dois ou melhor três.
—Sim. Podemos aproveitar para pensar em um nome para o nosso bebê. — sugeri vendo meu marido se levantar da cadeira em que estava sentado oferecendo sua mão direita, me ajudando a levantar do local em que estava.
— Pensei que já havíamos conversado sobre isso quando estávamos noivos.
— Sim, mas só decidimos o nome caso seja uma menina, mas e se for um menino? — questionei segurando sua mão com força sentindo uma franqueza me atingir me fazendo perder o equilíbrio, mas antes que pudesse cair no chão Gael segurou minha cintura.
— Tudo bem, amor? — questionou com preocupação me segurando de lado sem desviar os olhos do meu rosto.
— Sim, foi só uma tontura, mas já está passando. — assegurei respirando fundo inúmeras vezes, tentando recobrar o controle do meu corpo.
— Isso é comum durante a gravidez, apenas respire devagar que logo irá se sentir melhor — afirmou e respirei fundo seguindo seu conselho, sentindo a tontura se dissipar aos poucos — Melhor? — questionou depois de um tempo e sorri concordando.
— Sim. — assegurei e Gael beijou minha testa com carinho, separando-se de mim enquanto seguíamos em direção as escadas para deixarmos a biblioteca.
Assim que chegamos aos seus aposentos Gael dispensou seus servos, permitindo que pudéssemos desfrutar da companhia do outro, deitados na cama com minha cabeça repousada em seu peito, ouvindo o som da sua respiração e dos seus batimentos cardíacos que sempre me traziam paz.
— Estive pensando em alguns nomes, caso nosso bebê seja menino. — anunciei de repente enquanto Gael acariciava meus cabelos sem pressa.
— E quais nomes tem em mente, meu amor?
— O que acha de Marcel? — questionei e Gael fez um som de descontentamento.
— Marcel, não, amor — implorou carinhoso. — Esse nome me traz lembranças ruins, porque era o nome de um dos meus falecidos inimigos.
— Tudo bem, se o nome lhe traz lembranças ruins podemos pensar em outro — sugeri e ele balançou a cabeça concordando — Que tal se colocássemos o nome do nosso bebê de Gael? — questionei curiosa para saber sua reação e ele riu negando.
— Aprecio seu gesto, Virgínia, mas não vamos colocar meu nome no nosso filho.
— Por que não? Acho seu nome tão bonito.
— Obrigado, mas não. Nosso bebê precisa de um nome só dele, que não o faça viver a sombra de outra pessoa que teve o mesmo nome. — apontou e suspirei concordando.
— Você tem razão — destaquei e logo me lembrei de algo — Mas se for assim, teremos que escolher outro nome caso seja menina, afinal, Alice foi o nome da minha mãe. — lembrei e Gael suspirou resignando.
— Podemos abrir uma exceção nesse caso, porque sei o quanto seria importante para você homenagear sua mãe.
— Obrigada — agradeci amorosa beijando seu queixo com carinho — Mas que tal se abríssemos mais uma exceção, caso seja um menino podemos chamá-lo de Marco. — sugeri suave e apoiei minha cabeça em seu peito para ver sua reação.
— Tem certeza disso?
— Sim. Seu pai foi um homem incrível, que honrou seu reino natal até seu último dia de vida e me entregou seu bem mais precioso, permitindo que se tornasse meu marido e pai do meu filho — expliquei. — Mas se você não desejar, podemos pensar em outros nomes.
— Para mim está perfeito — assegurou sorrindo emocionado com minha sugestão. — Muito obrigado, por isso Virgínia.
— De nada. — disse carinhosa voltando a deitar minha cabeça em seu peito, sendo abraçada por Gael em seguida.
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Acordei no meio da madrugada com uma ideia fixa na mente.
Morangos.
Eu precisava desesperadamente de morangos.
O que era estranho porque nunca gostei dessa fruta, por isso decidi fechar os olhos e ignorar a vontade que estava sentindo porque não seria vantajoso trocar o calor e aconchego dos braços do meu marido, para levantar em buscar de um alimento que nem apreciava por isso fechei meus olhos novamente ignorando esse pensamento.
Uma estratégia que funcionou por certo tempo, até que acordei novamente depois de sonhar com o sabor daquela frutinha vermelha da qual nem gostava.
Parecia que ignorar meu desejo, acabou transformando-o em uma necessidade primitiva que precisava ser saciada imediatamente ou isso poderia me consumir por inteira.
— Qual o motivo da minha mulher está tão inquieta? — Gael questionou sonolento nos meus cabelos sem se mexer, enquanto seus braços estavam envolta da minha cintura de forma protetora.
— Morangos — disse entre lágrimas desesperada para provar aquela fruta tão vermelha e suculenta, como se pudesse sentir seu gosto agora em minha boca. — Eu preciso desesperadamente de morangos, Gael.
— Morangos? — ele questionou sonolento sem se mexer na cama. — Amor, você nem gosta dessa fruta, por que está com vontade de comer morangos no meio da madrugada?
— Eu não sei, Gael, já desisti de pensar no porquê estou com vontade de comer uma fruta que nem gosto, só sei que preciso desesperadamente de morangos. — disse entre lágrimas e ele sorriu amoroso beijando meus cabelos com carinho.
— Princesa, você só pode estar com desejo de grávida. — declarou suave e virei para ver seu rosto na parca luz fornecida pela luminosidade da lua.
— Desejo?! — repeti tentando assimilar sua explicação e me lembrei que Agnes já havia me falado certa vez que mulheres grávidas desejavam comer alguns alimentos inesperadamente, muitas até tinham vontades inusitadas ou estranhas, como comer terra.
E pensar nisso me fez estremecer, preocupada de que meu estado pudesse me obrigar a desejar algo que pudesse colocar minha vida e do meu filho em risco.
— Sim, mulheres grávidas as vezes sentem vontade de comer algumas iguarias. Lembro que quando minha cunhada estava grávida do primeiro filho, meu irmão me arrastou no meio da noite para irmos atrás de grilos porque a esposa estava com vontade de comê-los assados, depois de ter ouvido Yumi lhe contar sobre a culinária do seu país. — explicou e fiquei temerosa de que nosso filho também me fizesse desejar algo assim.
— Tudo bem, princesa, vamos atrás de morangos para você. — decretou beijando minha testa com carinho afastando as coberta e se levantando, enquanto sorria feliz em saber que teria meu desejo atendido.
Infelizmente não havia nenhum morango na cesta de frutas que decorava a mesa de refeições dos aposentos de Gael, por isso tivemos que ir até a cozinha real em busca da fruta e meus olhos se encheram de lágrimas quando olhei para todos os lados do local e não havia nenhum sinal daquela maldita frutinha vermelha que me tirou o sono.
— Maldita frutinha vermelha. — solucei chorando atraindo a atenção de todos, enquanto o chefe da cozinha real informava ao meu marido que o carregamento das frutas só chegaria ao amanhecer o que seria daqui a quatro horas.
— Santiago, vá até o estabulo e mande selar Salomão para mim — Gael informou ao soldado que havia nos acompanhado até o local, caminhando em minha direção me envolvendo em seus braços permitindo que chorasse em seu peito por causa de uma maldita frutinha vermelha — Meu amor, não precisa chorar, nem que tenha que rodar o império inteiro ou bater na porta de todos os vendedores de frutas, mas trarei morangos para você. — prometeu acariciando meus cabelos e afastei meu rosto do seu peito para vê-lo.
— Você faria isso por mim?
— Claro que faria, você é minha esposa e eu te amo, querida — assegurou enxugando as lágrimas que molhavam minha face. — Mas preciso que se acalme e tenha paciência, enquanto vou buscar os seus morangos. Pode fazer isso por mim?
— Posso — assegurei e respirei fundo, tentando acalmar a confusão de sentimentos que sentia — Leve alguns guardas com você, isso me deixará mais tranquila. — pedi e ele concordou beijando meus lábios com carinho, antes de Santiago adentrar ao local avisando que Salomão já estava pronto.
Beijei meu marido uma última vez, vendo-o se afastar de mim determinado em encontrar a maldita frutinha vermelha que havia tirado meu sono e feito meu consorte partir no meio da madrugada a sua procura.
Esperei pacientemente sentada em uma pequena mesa que ficava em frente a porta dos fundos da cozinha, por onde meu marido havia saído com mais dois soldados. O cozinheiro real tentou me oferecer outras frutas, mas recusei cada uma delas alegando que a única que saciaria minha vontade naquele momento era o bendito morango.
Resignado de que não poderia me ajudar, o cozinheiro real voltou a se dedicar aos seus afazeres enquanto pedia aos deuses que protegessem meu marido e o devolvessem para mim são e salvo, porque sabia que se algo acontecesse a ele me sentiria culpada.
Depois de certo tempo Agnes entrou na cozinha caminhando em minha direção, provavelmente informada do que havia acontecido por um dos guardas que faziam minha proteção naquela noite.
— A imperatriz não deseja esperar por seu consorte nos seus aposentos, será mais confortável. — orientou maternal e desviei meus olhos do local por onde meu marido havia saído para ver a mulher parada em minha frente trajando roupas de dormir, indicando que havia se levantando com pressa não tendo tempo para trocar sua vestimenta.
— Não Agnes, prefiro esperar por meu marido aqui mesmo — expliquei indicando que se sentasse na cadeira vaga em minha frente, esperei pacientemente que ela se acomodasse antes de me inclinar sob a mesa para lhe confidenciar algo — Sabia que acordei com uma vontade desesperada de comer morangos, segundo Gael isso seria um desejo do nosso bebê. — segredei animada fazendo-a sorrir carinhosa.
— Provavelmente seja isso mesmo, majestade imperial, mas creio que já melhor ir para os aposentos do imperador consorte porque depois de consumir seu objeto de desejo, geralmente as mulheres no seu estado acabam passando mal — segredou olhando ao redor antes de voltar a sua atenção para mim. — E se deseja manter sua gestação em segredo nos primeiros meses, creio que enjoar na frente de grande parte dos funcionários do castelo não ajudará a manter a descrição nesse caso.
— Tem toda a razão, Agnes. — concordei me levantando do lugar em que estava sentada, atraindo a atenção de todos.
Agradeci a ajuda de todos que trabalhavam na cozinha e pedi a um dos meus guardas que permanecesse na cozinha, para informar ao meu marido assim que ele retornasse que havia voltado para seus aposentos na companhia da minha dama de companhia.
Assim que entrei nos aposentos do meu marido nos acomodamos na sala a espera de Gael, estava praticamente dormindo de olhos abertos quando decidi me deitar no sofá em que estava sentada sob os protestos de Agnes podendo assim cochilar mais confortável. Logo ouvi a voz do meu marido me chamando ao longe e senti um leve carinho em minha bochecha esquerda, me fazendo abrir os olhos sonolenta, vendo-o ajoelhando na minha frente com o cabelo claro bagunçado ostentando pequenas folhas presas entre as mechas, já seu rosto possuía alguns riscos de poeira assim como a roupa que ele usava.
— O que aconteceu com você? — questionei com preocupação me sentando no sofá com a sua ajuda.
— Depois conversamos com calma, princesa, agora seus morangos. — Gael disse amoroso me entregando um prato repleto de lindos morangos vermelhos e suculentos, que me fizeram sorrir ao vê-los.
— Obrigada, Gael — disse emocionada desviando meus olhos da fruta para o homem ajoelhado ao meu lado — Eu te amo muito mais agora. — revelei fazendo-o rir, antes de me incentivar a comer a fruta em minha frente.
A cada morango que comia, gemia satisfeita como se desfrutasse de um verdadeiro manjar dos deuses, mas naquele momento aquela maldita frutinha vermelha que fez meu marido sair no meio da madrugada a sua procura, era a melhor das iguarias na minha opinião.
Enquanto desfrutava do fruto da sua caçada noturna, Gael sorria orgulhoso por ter atendido ao meu desejo, enquanto Agnes lhe oferecia uma toalha úmida para se limpar e ele agradeceu limpando seu rosto e mãos, entregando-a em seguida para minha dama de companhia.
Meu momento de apreciação dos morangos tragos pelo imperador consorte, foi interrompido por uma agitação estranha em meu estômago que reclamava pela quantidade de frutas que havia consumido na última meia hora.
Afastei do meu colo o prato com o restante dos morangos, correndo em direção ao local reservado para se fazer a higiene pessoal olhando desesperadamente para todos os lados a procura de um local adequado no qual pudesse aliviar o conteúdo do meu estômago que ameaçava se rebelar. Caminhei apressada em direção a um barril de madeira com tampa que servia como recipiente de especiarias para banho.
Sem pensar muito, levantei sua tampa sentindo o forte cheiro amadeirado agradecendo aos deuses por estar vazio, antes de inclinar minha cabeça em sua direção vomitando violentamente todo o conteúdo que havia no meu estômago. Logo senti alguém afastar meus cabelos para o lado, acariciando minhas costas e dirigindo-me palavras de conforto até que meu mal-estar passasse.
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