Imperatriz do Leste
45 Quadragésimo quarto capítulo
Notas iniciais

— E as tropas? — questionei para o General caminhando do meu lado direito pelos corredores do castelo em direção aos estábulos onde imperador já me esperava.
— Já estão a posto no pátio principal, imperatriz, aguardando apenas vossa majestade imperial para iniciar a cerimônia da troca de guarda.
— Ótimo, pode voltar ao seu posto General ao lado das tropas, seguirei daqui na companhia do imperador consorte. — informei e ele concordou fazendo uma reverência tomando um caminho diferente, enquanto retomava meu caminho em direção aos estábulos.
A cerimônia da troca de guarda, era um dos eventos mais importantes para todo o reino porque além de permitir aos cidadãos verem mais de perto seu governante era o momento em que o soberano demonstrava sua gratidão aos oficiais que o serviram durante seis meses, antes de serem substituídos por aqueles que retornavam as suas funções.
Seria a primeira vez em anos que chefiaria a troca da guarda, porque desde que assumi o poder jamais fui autorizada a ocupar o lugar de destaque como qualquer soberano, me contentando em assistir das arquibancadas ao lado dos membros da câmara e dos nobres, enquanto meu papel era exercido por outro. Mas hoje, finalmente ocuparia o lugar de honra que me foi negado durante tantos anos na cerimônia da troca de guarda.
— Nervosa? — Gael questionou em pé ao meu lado enquanto esperávamos os cavalariços trazerem nossas montarias, já que meu marido também participaria da cerimônia.
— Um pouco... É a primeira vez que participarei ativamente da troca da guarda, já que só podia assistir das arquibancadas ao lado dos lordes e dos nobres. — expliquei ajeitando um defeito invisível nas luvas fazendo par com o conjunto militar que usava, composto na parte de cima por um casaco longo verde de seis botões, decorado por bordados em fios de ouro dos símbolos do império do Sul, já na parte de baixo usava uma calça da mesma cor e botas, facilitando assim a montaria durante todo a cerimônia, o que não aconteceria se estivesse usando saia.
— Não precisa ficar nervosa, amor, treinamos todos os protocolos e tenho certeza que irá se sair bem — Gael assegurou e desviei meus olhos das luvas que ajeitava para vê-lo — Qualquer coisa que precisar estarei com você...Ou melhor atrás de você do seu lado direito, porque não posso cavalgar ao seu lado. — explicou lembrando do protocolo militar e sorri agradecida, por ele tentar me distrair do meu nervosismo.
— Não tenho dúvidas que sempre estará ao meu lado, assim como estarei ao seu e não sabe o quanto o amo por isso, Gael.
— Eu também te amo, meu amor, e seguiremos juntos até o fim, porque somos um só. — assegurou entrelaçando sua mão direita a minha beijando seu dorso com carinho, antes de sermos interrompidos por um pigarrear leve do cavalariço trazendo nossas montarias.
— Majestades imperiais, me desculpe interrompê-los, mas trouxe imperador e Lady Zara como solicitado, eles já se encontram aptos para serem montados. — assegurou parado em nossa frente segurando em cada mão as rédeas dos cavalos.
— Está tudo bem, Tobias e obrigada. — agradeci enquanto Gael soltava minha mão e caminhávamos em direção as nossas montarias, segurando as rédeas entregas por Tobias.
— Oi garoto — disse suave acariciando os pelos escuros do meu cavalo, em resposta imperador se curvou em minha direção. — Finalmente chegou o nosso grande dia, não precisa ficar nervoso porque estarei ao seu lado, imperador. — assegurei acariciando meu cavalo que relinchou em resposta sacudindo a crina, como se concordassem comigo.
Depois que conversei com imperador, permitindo que me reconhecesse e soubesse o que iriamos fazer em seguida o entreguei para Tobias, me aproximando de Gael para cumprimentar Zara como sempre fazia, mas antes que pudesse me aproximar ela relinchou alto ameaçando parti para cima de mim sendo detida por meu marido que segurou suas rédeas com mais força ficando no seu campo de visão.
— Zara, não — Gael disse sério para ela, antes de acariciar seu pelo olhando-a confuso — Por que está tão arredia com Virgínia? Vocês se adoravam...O que aconteceu? — questionou com preocupação e Zara encostou seu focinho nos cabelos do meu marido, como se pedisse desculpas.
— Será que ela não está me reconhecendo com essas roupas? — questionei confusa, porque Zara jamais havia se comportado daquela forma comigo.
— Creio que não, amor, não é a primeira vez que ela a vê sem as roupas de Fúria da tempestade — Gael assegurou acariciando Zara que ainda dava sinais de nervosismo. — Zara, querida, está tudo bem, não precisa ficar nervosa, estou aqui com você.
— Pode ser que Lady Zara esteja arrisca, imperador consorte, por não estar conseguindo associar a voz conhecida da imperatriz com seu cheiro. — Tobias sugeriu tentando ajudar e balancei a cabeça negando.
— Poderia ser uma boa explicação, mas durante as semanas de treinamento ela jamais foi arrisca comigo, por que justo agora?
— Talvez, Lady Zara esteja com ciúmes do imperador consorte, imperatriz Virgínia. — Tobias sugeriu dando de ombros. — Os cavalos são sensíveis, ainda mais Lady Zara que só se acalma com o imperador consorte.
— É um ponto a se pensar, Tobias. — disse sugestiva fazendo Gael suspirar resignado, voltando sua atenção para a égua branca em sua frente diante da hipótese de que Zara poderia estar com ciúme dele.
— Zara, já conversamos sobre isso — Gael disse gentil acariciando os pelos dela — Virgínia é minha esposa e eu a amo, e você é como uma filha e melhor amiga para mim que também amo. São amores diferentes sim, mas que não me farão deixar de amar nenhuma das duas — assegurou carinhoso e ela acariciou seus cabelos claros em resposta. — Você me deixa triste quando é arrisca com Virgínia e a deixa também, porque ela te adora, querida. Promete ser gentil com a minha esposa? — perguntou suave e ela relinchou alto sacudindo a cabeça, batendo as patas dianteiras no chão sinalizando que não acataria seu pedido.
— Tudo bem, Lady Zara, vou respeitar seu desejo por hora, mas vamos voltar a ter essa conversa novamente — Gael disse sério acariciando mais uma vez os pelos de Zara, antes de entregar suas rédeas para Tobias. — Tobias leve Zara novamente para os estábulos, por favor, providencie água fresca e feno para ela e me traga Salomão, irei cavalgá-lo hoje durante a cerimônia da troca de guarda.
— Como desejar, imperador consorte. — Tobias disse aceitando as rédeas de Gael, levando uma Zara irritada de volta para os estábulos, enquanto meu consorte a acompanhava com o olhar.
— Você está bem? — questionei com preocupação porque sabia o quanto sua decisão o machucava, pois os dois se adoravam.
— Não. Odeio fazer isso, mas não posso deixá-la perto de você estando arrisca dessa forma, correndo o risco de machucá-la ou se machucar porque não me obedeceu devido ao seu ciúme, mas vou continuar conversando com ela até que entenda, enquanto isso vou utilizar Salomão que é mais dócil. — explicou e concordei enquanto Tobia se aproximava trazendo Salomão, seu primeiro cavalo antes de Lady Zara, ambos vieram com Gael para o Leste quando retornou para o nosso casamento.
Assim que estávamos de posse das nossas montarias, subimos em nossos cavalos e seguimos em direção ao pátio principal onde todos já aguardavam para o início da cerimônia, que consistia em mim marchando a frente das tropas que seriam substituídas, flanqueada do lado direito por meu consorte e do lado esquerdo pelo General do exército, saudando os homens que assumiriam o posto, jurando lealdade e proteção a coroa.
Sorri aliviada e com a sensação de dever cumprido ao final da cerimônia, por tudo ter saído como planejado durante o mês passado e para comemorar oferecemos um jantar para os oficiais substituídos, os membros da câmara dos lordes e nobres que estavam presentes na troca de guarda.
Para a ocasião escolhi um lindo vestido vermelho sangue, combinando-o com as joias que ganhei de presente de Hortência as vésperas do meu casamento com seu filho, cumprindo assim a promessa que lhe fiz de usá-las um dia, antes de dá-las de presente a nossa filha.
— Jasmine, alguma notícia de Agnes? — questionei olhando pelo espelho para uma das minhas damas de companhia, enquanto colocava o lado direito do meu brinco.
— Ainda não, vossa majestade imperial — informou atrás de mim — Deseja que envie alguém atrás dela? — questionou solicita e ponderei enquanto colocava o lado esquerdo do brinco.
— Não Jasmine, está tudo bem. Se Agnes ainda não retornou as suas funções, provavelmente ainda não resolveu seus problemas pessoais. — expliquei reflexiva sinalizando para que ela trouxesse a caixa com a tiara.
Só espero que os dois estão aproveitando esse tempo, para conversarem e se entenderem de uma vez por todas, pensei comigo mesma acomodando a tiara em meus cabelos sorrindo diante da imagem que via no espelho, deixando meus aposentos em seguida.
Assim que meu marido me viu usando a cor do seu reino natal e as joias dadas por sua mãe, ele sorriu emocionado me beijando com carinho, agradecendo por lembrar de seu título de nascença, quando o meu era superior ao seu. Mas como não poderia homenagear ao reino do Sul, quando ele me deu tudo que mais desejei na vida?! Que era a chance de governar meu reino livremente. Me proporcionando muito mais do que desejei, como um marido carinhoso e companheiro do qual não conseguia mais me ver sem ele. Por isso jamais deixaria de ser grata ao Sul enquanto vivesse, assim como sabia que meu império possuía o mesmo sentimento em relação ao reino dos filhos do fogo.
Aceitei o braço que Gael me oferecia depois do nosso beijo, seguindo em direção ao salão de festas onde todos já nos aguardavam para comemorar o êxito da cerimônia. Cumprimentamos a todos, antes de solicitarmos que ocupassem seus lugares a mesa para que o jantar fosse servido.
Corri os olhos pela mesa observando os convidados, notando que eles interagiam animadamente entre si com conversas paralelas e sorrisos. Pela primeira vez, a corte do Leste estava realmente feliz, como se toda atmosfera de medo e repressão de anos houvesse finalmente dando lugar ao sentimento de segurança e conforto. Sensações que só eram externadas pelas pessoas quando confiavam em seus soberanos, me deixando feliz em saber que estava fazendo um bom trabalho.
Mas meus pensamentos foram interrompidos, pela movimentação dos servos que começaram a servir os convidados, assim que meus olhos viram o belo cordeiro assado com alecrim e batatas e senti seu cheiro perfumar o ambiente meu estômago se revirou, me obrigado a fechar os olhos e prender a respiração segurando o braço de Gael com força, para chamar sua atenção.
Como não podíamos nos comunicar abertamente porque sempre estávamos cercados por pessoas, desenvolvemos um código secreto juntos no qual envolvia segurar o braço do outro com força, quando estivéssemos perto o suficiente para fazê-lo, ou esfregar a ponta da orelha direita, caso estivéssemos longe, mas no campo e visão do outro.
Sem dizer uma palavra Gael voltou sua atenção para mim colocando sua mão direita em cima da minha, indicando que havia entendido meu gesto e inclinando seu corpo discretamente na minha direção, para que pudesse lhe dizer o que desejava sem chamar a atenção dos demais.
— Peça para tirarem o cordeiro de perto de mim, por favor. — implorei sentindo meus pulmões clamarem por ar enquanto segurava a respiração, temendo que meu estomago se rebelasse ainda mais.
— Claro, amor — sussurrou fazendo sinal para um dos servos se aproximarem dele, solicitando a retirada do prato sendo atendido em seguida — Melhor assim, querida? — questionou baixo acariciando o dorso da minha mim, enquanto voltava a respirar aliviada por saber que a razão do meu mal estar havia ido embora.
— Sim. — assegurei respirando devagar, temendo que o cheiro do cordeiro ainda estivesse no ambiente.
— Você está gelada e pálida, meu amor. Tem certeza de que se sente melhor? — questionou preocupado.
—Sim, meu amor, Gael — assegurei aliviada por sentir que meu estomago havia voltado ao normal e olhei ao redor, notando que os convidados nos olhavam com preocupação e sorri de forma educada para eles — E sorria, imperador consorte, ou nossos súditos acharam que seus soberanos estão passando por alguma crise conjugal. — pedi e ele suspirou seguindo minha instrução tranquilizando nossos convidados que voltaram as suas conversas anteriores, menos Gael que me observava temendo que passasse mal novamente.
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Sai do jantar sem ser notada, enquanto Gael conversava animadamente com alguns soldados compartilhando histórias da sua época de General no Sul, em seguida fui até a cozinha real e solicitei algumas maças verdes ao cozinheiro que me entregou um saco de pano repleto delas, antes de caminhar em direção aos estábulos do castelo para ter uma conversa com Zara depois do ocorrido mais cedo.
Cumprimentei alguns cavalariços do local, seguindo em direção a baia onde Zara ficava encontrando-a comendo seu feno calmamente ofertado por Tobias.
— Imperatriz, no que posso ajudá-la? — questionou surpreso em me ver ali àquela hora da noite.
— Vim ver Zara, Tobias. — expliquei e ele me olhou surpreso.
— Imperatriz, se me permiti ser franco, não acredito que seja uma boa ideia vê-la sem a presença do imperador consorte.
— Tobias, apenas confie em mim e me deixe a sós com ela — pedi e ele me olhou temeroso, provavelmente preocupado em ser repreendido por seu soberano — Não se preocupe, eu me entendo com o imperador consorte. — assegurei e ele pareceu ponderar por alguns instantes, antes de suspirar resignado se afastando da porta da baia de Zara, deixando o caminho livre para mim.
— Oi garota, olha o que trouxe para você como oferta de paz — disse suave tirando uma bela maçã verde do saco de pano me aproximando da porta da baia de Zara mostrando a fruta atraindo a sua atenção para mim — É isso mesmo, Zara, é uma bela maça verde, a sua favorita, querida. — expliquei balançando a fruta e ela veio em minha direção atraída por sua iguaria favorita, assim que parou em minha frente lhe entreguei a maçã verde que foi aceita de bom grado, indicando que ela estava disposta a me dar alguns minutos de atenção.
— Zara, entendo que tudo isso seja novo para você — disse gentil acariciando seus pelos com uma mãos, ofertando-lhe mais uma maçã verde com a outra — De uma hora para outra você mudou de casa, conheceu pessoas e cavalos novos, e agora tem que dividir seu amigo melhor com outra — apontei e ela relinchou como se concordasse com as minhas palavras — Eu sinto muito por ter lhe causado qualquer tipo de desconforto, ainda mais depois de tudo que passou quando nova, mas prometo que se der uma oportunidade para o Leste, conseguira ser feliz aqui. Promete nos dar uma oportunidade? — questionei acariciando seu dorso e ela balançou a crina acenando positivamente, me fazendo sorrir com sua resposta.
— Posso entender isso, como um sim, garota? — questionei sorrindo e ela balançou a crina acenando positivamente, confirmando sua resposta anterior — Agora sobre Gael... Saiba que respeito muito a relação que vocês têm e seria incapaz de me colocar entre os dois — assegurei lhe ofertando outra fruta, mas Zara esqueceu momentaneamente sua iguaria preferida para dar atenção a mim — Mas eu o amo com o todo o meu coração e tudo que mais desejo nesse mundo é vê-lo feliz, assim como você, Zara, por isso vim lhe propor um acordo — sugeri vendo-a me olhar atentamente esperando que continuasse — Já que amamos o mesmo homem e queremos que ele seja feliz, que tal se o dividíssemos? Cada uma fazendo-o feliz da forma que sabe. — ofereci com a maça verde estendida, uma oferta silenciosa do nosso acordo que ela pareceu pensar por alguns instantes, antes de comer a fruta oferecida indicando assim que aceitava o acordo.
— Muito obrigada por me ouvir Lady Zara, prometo que vou honrar a confiança que depositou em mim — assegurei correndo meus dedos por seu pelo, percebendo que a região do seu dorso estava arqueada ficando pensativa por alguns instantes, antes de sorrir surpresa para ela — Pelo jeito, seu amigo não é o único comprometido no Leste. O que andou aprontando, Lady Zara? — questionei maliciosa e ela balançou a crina afastando-se, sinalizando que não queria mais conversar. — Tudo bem, vou respeitar o seu direito de não querer falar sobre esse assunto. — apontei lhe dando privacidade enquanto caminhava em direção a Tobias lhe entregando o restante das maçãs.
— Ofereça os restantes das maçãs a Lady Zara, Tobias, caso ela ainda queira e fique de olho nela. Desconfio que nossa Lady esteja prenha — revelei fazendo Tobias me olhar surpreso. — Mas não tenho certeza, por isso amanhã cedo informe o tratador chefe para que ele a exame.
— Farei como ordena, imperatriz. — assegurou e agradeci ouvindo em seguida a voz de Gael chamando meu nome atraindo nossa atenção para a entrada do local, antes do meu marido aparecer e correr na minha direção me envolvendo em seu braços.
— Pelos deuses, não me dê mais um susto desses, Virgínia — implorou angustiado me abraçando apertado contra o seu peito. — Quase morri do coração, quando Drake mandou um dos soldados me informar que você veio sozinha ver Zara.
— Drake, está me saindo um belo de um guarda fofoqueiro. — comentei ouvindo a risada inconfundível dele, surgindo do seu esconderijo detrás de uma das baias.
— Só fiz meu dever de protegê-la, imperatriz — disse caminhando em nossa direção — Se isso inclui fofocar para o imperador consorte sobre a sua escapada noturna, para ver uma égua selvagem, que seja. — explicou dando de ombros e olhei feio para ele.
—Traidor insolente. — acusei séria fazendo-o rir, voltando minha atenção para meu marido que me afastou de leve olhando-me de cima a abaixo verificando se estava bem, respirando aliviado por ver que sim antes de nos separarmos.
—Podem nos deixar a sós, por favor, gostaria de conversar com a imperatriz. — Gael pediu aos nossos acompanhantes que voltaram seus olhos para mim, questionando se poderiam obedecer a ordem do meu marido e balancei a cabeça concordando, vendo-os se retiraram da nossa presença nos deixando a sós.
Ouvi-lo me chamando de imperatriz me fez suspirar, porque ele só se referia a mim por meu título em duas ocasiões: a primeira, quando estávamos em algum evento da coroa e a segunda, quando estava chateado comigo, o que era o caso agora.
— Não me olhe assim, imperador consorte, como se estivesse fazendo algo errado. — apontei séria e ele sorriu sem humor.
— Errado não, mas diria imprudente, imperatriz — ressaltou sério. — Vossa majestade imperial, não devia andar pelos arredores do castelo sem mim ou sem sua guarda pessoal. E se algum inimigo aproveitasse esse pequeno descuido para atacá-la?
— Eu sei me defender muito bem, imperador consorte. Se não se recorda, vossa majestade imperial e o atual General, fizeram questão de me treinar pessoalmente no último mês — apontei séria sustentando seu olhar. — E pelo que me lembre, imperador consorte, não estamos em guerra declarada contra ninguém para que precise ser escoltada a cada minuto dentro da minha própria casa. — declarei severa e ele respirou fundo balançando a cabeça concordando.
— A imperatriz tem razão, me perdoe. Eu me excedi com as minhas preocupações. — implorou sincero. — Só fiquei apavorado, quando olhei para todos os lados e não a vi depois do seu mal estar durante o jantar e quando o soldado informou que Drake a viu com Zara, depois dela ter sido arrisca com vossa majestade imperial mais cedo...Eu fiquei desesperado, pensando que havia acontecido o pior...Só, por favor, me perdoe.
— Eu perdoo e entendo suas preocupações, mas sabia que estava triste pelo que havia acontecido mais cedo com Zara, por isso vim ter uma conversa entre duas damas sobre você. — apontei me aproximando dele que me encarava com seus olhos azuis confusos.
— Sobre mim?! O que as duas conversaram sobre mim? — questionou curioso e balancei a cabeça negando, segurando seu casaco puxando-o para mais perto de mim fazendo-o rir.
— Não seja curioso, amor, é deselegante querer saber o teor da conversa entre duas damas — o censurei com doçura fazendo-o rir — Tudo que posso dizer é que fizemos um acordo, no qual concordamos em dividi-lo e fazê-lo feliz, cada uma a sua forma. — assegurei fazendo-o sorrir surpreso.
— Fico feliz em saber que as duas damas que amo se entenderam, imperatriz.
— Imperatriz...Não — pedi magoada e ele sorriu, porque sabia que odiava quando me tratava por meu título — Estamos sozinhos aqui e nem estamos brigando, para me tratar por meu título. — apontei envolvendo seu pescoço com meus braços trazendo-o para mais perto — Odeio brigar com você, muito menos consigo ficar zangada por muito tempo, porque te amo demais para isso.
— Eu também odeio brigar com você, muito menos consigo ficar zangado por muito tempo, meu amor — confessou amoroso e sorri satisfeita por seu tratamento e ele se inclinou para me beijar, mas coloquei meu dedo indicado em seus lábios impedindo-o de concretizar o nosso desejo deixando-o confuso com o meu gesto.
— Não na frente de Zara — pedi e ele desviou os olhos de mim para vê-la — Não quero irritá-la, ainda mais agora que a nossa família irá aumentar.
— Aumentar?! Como assim aumentar...Não me diga que você...— Gael disse em choque desviando os olhos de Zara para mim, especificamente para a minha barriga.
— O que?! Não — disse sorrindo deixando-o confuso — Não sou eu que estou grávida, amor, mas desconfio que Zara esteja. Enquanto acariciava seu pelo, notei que a região do seu dorso estava arqueada o que seria um indício de possível gestação, mas não tenho certeza, por isso instrui Tobias a pedir que o cavalariço chefe a exame pela manhã. — expliquei e ele concordou beijando minha testa com carinho soltando-se de mim para ir até a baia de Zara que logo veio até Gael.
— Oi querida — Gael disse gentil acariciando o pelo de Zara que balançou a crina, sinalizando que estava feliz em vê-lo — Então quer dizer que a senhorita, pode ter uma surpresa para mim? — questionou sorrindo com curiosidade e ela acariciou seu cabelo, afastando-se para balançar a cabeça em sinal afirmativo nos fazendo rir surpresos. — Então, meus mais sinceros parabéns, Lady Zara.
— Meus parabéns, Lady Zara. — parabenizei e ela relinchou alto balançando a cabeça me agradecendo.
— Pois bem, Lady Zara, amanhã cedo Novais irá examiná-la para ver se está tudo bem com você e com seu filhote, depois vou colocá-la em um espaço maior e lhe oferecer todas as iguarias que gosta — Gael explicou carinhoso e ela encostou seu focinho na testa dele — De nada, querida, e não se preocupe comigo, Salomão irá me acompanhar enquanto não puder, agora se concentre em ficar bem para que seu filhote possa nascer forte. — pediu acariciando sua crina e ela acariciou seus cabelos uma ultima vez antes de se afastar, voltando a se deitar no local em que estava enquanto Gael caminhava em minha direção me olhando como se estivesse em busca de algo.
— Algo o preocupa, querido?
— Só estou me perguntando, se Lady Zara é realmente a única que tem uma surpresa para mim?
— Com toda a certeza sim, meu amor. — assegurei fazendo-o rir e ele concordou, me abraçando de lado enquanto caminhávamos abraçados em direção ao castelo.
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