Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso décimo sexto capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura.

Esperei sentada no chão do corredor em frente a porta do meu quarto, chorando a cada grito de dor que ouvia de Gael, sentindo que minha alma estava sendo rasgada ao meio diante da sua agonia, enquanto acompanhava com preocupação o vai e vem frenético dos servos que saiam e entravam nos meus aposentos com inúmeros panos limpos e sujos de sangue, aumentando ainda mais meu desespero.

Foram as duas horas mais longas e aterrorizantes de toda a minha vida, que se tornaram insuportáveis quando não ouvi mais nenhum grito do local me deixando apavorada com a possibilidade de que algo de muito ruim pudesse ter acontecido durante o procedimento médico, mas Arthur explicou que os remédios para aliviar a dor devem ter começado a fazer efeito por isso Gael havia parado de gritar.

Minha angústia só teve fim, quando o médico real deixou meus aposentos com o semblante sério e cansado, como se carregasse o peso do mundo nas costas ou como se não quisesse dar uma notícia terrível a alguém. Com o coração angustiado, me levantei do chão e caminhei com as pernas tremulas em sua direção, temendo ouvir que meu marido não havia resistido e estava com os nossos deuses agora.

Não iria aceitar se algo assim acontecesse.

Não com o homem que colocou sua vida em risco para me proteger de todas as formas possíveis, desde o momento em que nos conhecemos quando crianças até horas atrás, quando recebeu um golpe fatal em meu lugar. Por quem havia me apaixonado sem perceber, mas havia passado tanto tempo afastando-o temendo por sua segurança, jamais pensando que poderia ter colocado em risco momentos preciosos ao seu lado que poderiam nunca mais ter a chance de acontecer, porque estava com medo dos meus próprios sentimentos.

Estava com medo de receber o amor e cuidado de outra pessoa, sem qualquer tipo de interesse em troca, pois nunca havia recebido algo assim além de Agnes.

— Como meu marido está, médico real? — perguntei desesperada por noticiais enquanto o médico assumia uma postura séria, procurando a melhor forma de me informar sobre seu soberano.

— Nosso soberano lutou bravamente, minha rainha, mesmo diante de tanta dor, já que tive que iniciar a operação antes dos anestésicos fazerem efeito ou perderíamos o rei consorte — disse perdido em pensamentos e balancei a cabeça concordando, ciente de que sabia de suas decisões e concordava — Foi um ferimento muito grave, majestade, o soberano perdeu uma grande quantidade de sangue e durante todo o procedimento achei que fossemos perdê-lo, mas contrariando qualquer expectativa o rei consorte resistiu aos procedimentos médicos. — explicou e respirei aliviada por saber que Gael havia aguentado a cirurgiã, mesmo diante de um procedimento tão perigoso.

— Graças aos deuses — disse aliviada em saber que apesar de tudo Gael estava bem — Posso ver meu marido agora, médico real? — questionei ansiosa para ver o estado dele com meus próprios olhos.

— Sim, minha rainha, mas devo alertá-la que o caso do rei consorte é extremamente preocupante, diante da gravidade do ferimento e de possíveis complicações após a cirurgia, pode ser que o soberano...— o médico real alertou sério e neguei com a cabeça, sentindo as lágrimas caírem dos meus olhos.

— Não ouse, completar essa frase médico real — alertei severa para o homem em minha frente — Faça o seu papel de cuidar do meu marido, mova céus e terras para que o rei consorte sobreviva e guarde suas opiniões negativas para si. — ordenei severa e ele balançou a cabeça concordando, fazendo uma reverência e me dando livre passagem para que pudesse adentrar aos meus aposentos.

Assim que entrei no local, meus olhos foram em direção ao homem deitado na cama de olhos fechados, o rosto pálido, os cabelos claros molhados e com o tórax enfaixado por bandagens, enquanto Henrik, seu secretário, molhava uma toalha em uma bacia de água espremendo-a em seguida, passando-a com cuidado pelo rosto, peito e braços do seu senhor.

Limpando os vestígios de sangue que deviam ter respigado em seu príncipe durante o procedimento médico, enquanto conversava em tom baixo com o homem deitado na cama.

Já Agnes, estava ajoelhada em um canto do quarto com o rosto em contato com o chão de madeira do local, implorando em lágrimas para que os deuses salvassem seu sobrinho das garras da morte, enquanto caminhava em direção ao homem deitado em minha cama sentindo meu coração doer diante da possibilidade de perdê-lo, sem ter tido a chance de conhecê-lo além dos três dias que estivemos juntos.

Assim que notou minha presença, Henrik se afastou do lado de seu senhor permitindo que ocupasse seu lugar ao lado de Gael, segurando sua mão levemente fria entre as minhas me deixando preocupada com a sua temperatura assim com a sua aparência frágil, destoando do homem cheio de vida, amoroso, acolhedor e desafiador que conheci.

— Você precisa lutar, Gael, não pode me deixar...Não pode permitir que o falecido General do Leste, tire mais uma pessoa importante da minha vida... Sei que não aguentarei perder mais ninguém, por causa dele... Ainda mais você... O único homem por quem me apaixonei — solucei com dor deixando as lágrimas me dominarem, sem me importar de demonstrar fraqueza diante de Agnes ou Henrik — Você disse que me ama, então por favor, lute com todas as suas forças e volte pra mim, porque desejo conhecer a felicidade e sei que isso só acontecerá ao seu lado. Por favor, volta pra mim, meu amor...Não me deixa sozinha aqui... — implorei entre lágrimas apavorada com a possibilidade de perdê-lo.

— Não se preocupe, vossa majestade, meu príncipe é um homem forte, general de um exército temido, que já esteve em inúmeras batalhas e jamais pereceu. Asseguro que não perecerá agora que reencontrou sua princesa, apenas tenha fé nele. — Henrik assegurou tentando me tranquilizar de alguma forma, enquanto acariciava o rosto frio de Gael com a minha mão livre sem desviar os olhos dele.

— É tudo que mais desejo, Henrik, porque não suportaria saber que o perdi por minha causa...Não depois que descobrimos que nós amamos. — revelei entre lágrimas sem desviar os olhos do homem adormecido em minha cama.

— Não se culpe, vossa majestade, meu príncipe não gostará de saber que sua amada princesa, está se culpando depois de tudo que fez para protegê-la. Tudo que meu senhor, fez até hoje foi para que a senhora pudesse ser feliz e livre como merece. — informou e concordei, lembrando dos momentos em que Gael demonstrou sua preocupação comigo, especialmente quando deixava transparecer minha culpa pela morte de tantos inocentes.

— Você sempre soube, não foi, Henrik?! Sempre soube que seu príncipe me amava, assim como Agnes sempre soube que eu o amava — refleti sem desviar os olhos do homem em minha frente, acompanhando o movimento do seu peito subindo e descendo, possuindo uma parte do tronco e barriga enfaixados firmemente, enquanto os lenções da cama cobriam da sua cintura para baixo.

— Sim, rainha Virgínia, sempre soube dos sentimentos do meu senhor pela majestade, desde que ele a viu novamente notei que algo havia mudado nele — Henrik revelou perdido em pensamentos, como se recordasse daquele momento antes de voltar sua atenção a mim — Por conhecê-lo tão bem, asseguro que meu príncipe jamais amou alguém como ama a senhora. — afirmou e balancei a cabeça concordando, enquanto ele se sentava do outro lado da cama terminando de limpar seu senhor dos vestígios de sangue que ainda restavam nele.

— Vê-lo dessa forma, corta meu coração. Gael, não merecia passar por isso — ouvi Agnes dizer com a voz embargada enquanto caminhava em direção a cama em que o sobrinho estava, após ter terminado suas orações aos deuses — Espero que aquele infeliz esteja sofrendo imensamente na mão dos deuses, por todos os crimes que cometeu e ainda sim será pouco, para todo mal que provocou.

— Desejar o mal, só atrairá mais mal, senhora Agnes. Vamos manter nossas mentes na única coisa que importa nesse momento, a recuperação do príncipe do Sul.— Henrik pediu e Agnes suspirou concordando, enquanto balançava a negava negando.

— Gael não é mais o príncipe do Sul, Henrik. Desde que pós os pés no meu castelo, ele assumiu formalmente seu título de rei consorte e deve ser tratado da forma que esse cargo exigi. — expliquei sem desviar os olhos de Gael que ainda permanecia deitado na cama, sem fazer menção de que abriria os olhos tão cedo.

— Sabemos disso, vossa majestade, mas para todos os efeitos o príncipe Gael só é o seu marido por procuração, até a presença dele em seus aposentos será motivo de falatório pelos corredores do castelo. — Agnes me alertou séria e balancei a cabeça concordando.

— Sei disso, Agnes, mas os meus aposentos eram mais perto do local onde Gael havia sido ferido e mais confortáveis e adequados para a sua recuperação — destaquei e os dois concordaram — Além do mais, assim que estiver totalmente recuperado e se for do seu desejo, pretendo me unir em matrimônio com Gael e coroá-lo com meu consorte, perante os deuses e todo o povo do Leste. — declarei acariciando o rosto pálido de Gael, antes de beijar o dorso da sua mão que ainda segurava.

— Ouviu isso, meu amor? — questionei entre lágrimas para o homem deitado em minha cama, na esperança de que pudesse me ouvir mesmo dormindo — Quero me casar com você e transformá-lo no meu consorte... Quero construir uma vida tranquila e feliz ao seu lado, sem temer as sombras que habitam nosso castelo... Quero dividir minhas alegrias, preocupações, lágrimas e o peso da minha coroa com você...Quero ter filhos parecidos com você... E amá-lo da forma que merece e sempre desejou, desde que descobriu que me amava, mas para isso meu rei consorte, preciso que continue lutando para viver e se recupere, porque não sei o que farei da minha vida sem você. — revelei e beijei o dorso da sua mão, apoiando a minha testa em nossas mãos unidas implorando para os deuses salvarem o homem que amava.

—Virgínia...— a voz de Gael soou fraca e levantei minha cabeça para vê-lo, mas ele estava de olhos fechados e franzindo o cenho enquanto suava, sinalizando que provavelmente estava tendo um pesadelo.

— Estou aqui, Gael. — disse acariciando seu rosto inquieto, tentando reconfortá-lo de alguma forma.

— Por favor...Não a machuque...Eu...Amo...Virgínia... — sussurrou em meio a dor e lágrimas desciam de seus olhos fechados, me deixando preocupada com o seu estado.

— Eu estou bem, Gael, o General do Leste não conseguiu me fazer mal, porque você me salvou. Não se preocupe, ele não é mais uma ameaça para mim ou qualquer outra pessoa. — assegurei séria acariciando seu rosto, para que ele tivesse certeza que estava ao seu lado naquele momento e notei que sua temperatura estava quente além do normal, sinalizando que devia estar com febre — Gael, está com febre. Henrik, traga uma bacia com água fresca e panos limpos, já Agnes, traga o vidro de óleo de lavanda que uso para dormir a noite, irá ajudá-lo a dormir mais tranquilo apesar da febre. — os instrui e logo eles começaram a providenciar o que havia solicitado, enquanto meus olhos não deixavam o rosto vermelho e suado do meu marido que chorava sem parar falando meu nome.

— Eu estou bem, meu amor, o General do Leste nunca mais poderá me machucar porque ele está morto — disse suave acariciando seus cabelos claros molhados de suor — Sei que deve estar cansado de lutar, mas não desista essa noite, lute com todas as suas forças e sobreviva, rei consorte. — implorei desesperada para que me ouvisse.

— Aqui está, minha rainha. — Agnes disse se aproximando com o vidro de óleo de lavada que usava para dormir, evitando que tivesse pesadelos repletos de fleches do dia em que o castelo foi invadido e meus pais morreram.

Agradeci pegando o vidro de suas mãos, abrindo o frasco e virando-o em direção ao meu dedo indicador, antes de passar o óleo atrás das orelhas de Gael, têmpora, na dobra do seu cotovelo, pulso e no espaço livre de bandagens em seu peito. Todas as vezes em que minhas mãos o tocavam para que pudesse aplicar a essência, seu corpo ficava tenso relaxando quando escutava minha voz assegurando que ninguém iria machucá-lo novamente.

— Foi uma excelente ideia usar o óleo de lavanda, rainha Virgínia. — Agnes disse orgulhosa, enquanto olhávamos Gael dormir um pouco mais tranquilo apesar da febre, antes de autorizar a entrada de quem estava batendo na porta e logo Henrik entrou, trazendo uma bacia de água fresca e panos limpos.

— Meu senhor, acordou, vossa majestade? — Henrik questionou esperançoso colocando a bacia com água e os panos limpos em cima da mesa que havia em meu quarto.

— Não, Henrik, ele começou a ter pesadelos, mas consegui acalmá-lo com o óleo de lavanda que uso para dormir. — assegurei e ele respirou aliviado, pegando a bacia e alguns panos limpos caminhando em direção a cama onde Gael estava deitado.

— Foi uma excelente ideia, vossa majestade. Como se trata de um ferimento grave a febre o fará sofrer e delirar, mas o cheiro de lavanda irá ajudá-lo a dormir melhor e ter força para se recuperar. — explicou pegando um dos panos limpos que havia trazido, mergulhando na bacia de água espremendo-o em seguida, antes de colocar o pano úmido na testa de Gael tentando abaixar a sua temperatura.

Apesar das tentativas de Henrik em amenizar a alta temperatura de Gael, seu rosto parecia ficar cada vez mais vermelho indicando que a febre se elevava, fazendo-o tremer enquanto segurava sua mão me deixando preocupada com uma possível piora.

— Henrik, Agnes, Gael está tremendo de frio. — falei alarmada fazendo-os voltar sua atenção para nós, deixando seus afazeres para se aproximarei da cama em que Gael estava deitado.

— Deve ser a febre, precisamos aquecê-lo, vou providenciar alguns cobertores imediatamente, vossa majestade. — Henrik informou e concordei, me lembrando das minhas aulas de ciências sobre os problemas que uma febre alta poderia provocar em seus sobreviventes, enquanto o secretário de Gael procurava por cobertores no baú que havia aos pés da minha cama.

— Enquanto isso, vou chamar o médico real, para examinar o rei consorte imediatamente. — Agnes disse preocupada segurando suas saias, antes de correr para fora do quarto em direção aos aposentos destinados ao médico real e seus atendimentos.

Com cuidado soltei a mão de Gael e me deitei ao seu lado, trazendo-o para mais perto de mim permitindo que o calor do meu corpo o aquecesse e vi Henrik parar no meio do caminho com os cobertores nas mãos, assim que viu seu senhor aninhando em meu peito de uma forma intimida demais.

— Rápido Henrik, os cobertores. — solicitei a ele sem me mexer fazendo-o piscar voltando ao presente e vindo trazer os cobertores, colocando-o em cima de nós e Gael se aconchegou mais a mim escondendo seu rosto em meu pescoço respirando profundamente, fazendo meu corpo se arrepiar de uma forma desconhecida enquanto minhas mãos paravam em seus cabelos claros acariciando-o de forma automática, como se aquele carinho fosse algo comum entre nós.

Sem que percebesse, minha mente começou a recordar todos os momentos em que compartilhamos juntos, desde os primeiros quando éramos duas crianças até anos mais tarde quando nos reencontramos já adultos, tendo como última lembrança a confissão de nossos sentimentos.

A lembrança desse momento me levou em direção ao futuro, momentos em que Gael estava ao meu lado como meu marido e rei consorte, me auxiliando em conduzir o nosso reino por tempos de bonança enquanto me amava de forma incondicional, me fazendo pensar que poderíamos sim ter um futuro feliz juntos.

— Mas o que...— ouvi Agnes começar a questionar assim que entrou no meu quarto ao lado do médico real e Henrik a interrompeu.

— Nem pergunte, Agnes. — Henrik declarou a minha dama de companhia que suspirou resignada, enquanto acariciava os cabelos de Gael sem pressa aproveitando a sensação de tê-lo tão perto de mim daquela forma, como se finalmente houve encontrado o meu porto seguro depois de tanto navegar por águas turbulentas.

— Vossa majestade, me desculpe incomodar, mas sua dama de companhia informou que o rei consorte estava com febre. — médico real informou com a voz baixa próximo da cama e concordei, sem desviar a atenção do meu marido que parecia a vontade nos meus braços enquanto acariciava seus cabelos.

— Sim, médico real, solicitei que o chamasse, pois temo que o estado do meu marido tenha piorado. — expliquei desviando minha atenção para o homem que matinha a cabeça baixa, provavelmente querendo dar privacidade aos seus soberanos.

— É o certo, vossa majestade. Será que poderia examinar, o rei consorte, agora, minha rainha? — questionou em tom de desculpas e suspirei concordando, sabendo que era o certo a se fazer.

— Meu amor, o médico real irá examiná-lo agora, não precisa se preocupar porque estarei ao seu lado segurando sua mão e não deixarei que ninguém o machuque enquanto não puder se defender. — expliquei suave acariciando seus cabelos, me inclinando para beijar sua testa com carinho me levantando da cama, permitindo que o médico real pudesse examiná-lo.

— Fascinante....Vossa majestade, acredita que o rei consorte possa escutá-la, mesmo inconsciente? — o médico real questionou curioso se sentando no local em que estava, antes de começar a examinar Gael.

— Acredito que sim, toda vez que escuta minha voz ou senti meus carinhos, meu marido fica mais calmo — expliquei ao médico que segurava o pulso de Gael por alguns instantes, antes de afastar os cobertores do meu marido para analisar seu ferimento — O que me preocupa médico real, é a falta de reação dele... É como se Gael, estivesse em uma espécie de sono profundo. O senhor, sabe quanto tempo isso irá durar? — questionei com preocupação e o médico suspirou, colocando os cobertores em meu marido para que ele não voltasse a sentir frio, voltando a sua atenção para mim.

— Graças aos deuses, o ferimento está livre de indícios de infecção, mas ainda é cedo para termos certeza disso. Para a febre, recomendo compressas com água fresca, já que devido a inconsciência não posso receitar nenhum preparado para ser ingerido. Quanto ao estado inconsciência de vossa majestade, creio que seja uma resposta natural do seu organismo depois da grande perda de sangue. Não posso presumir certamente quando o rei consorte acordará, poderá ser hoje, amanhã ou ...— o médico real se interrompeu, como se procurasse uma forma de dizer algo muito sério a mim.

— Ou nunca?! É isso o que o senhor está tentando me dizer?! Que talvez, meu marido nunca mais abra os olhos?! Que talvez, nunca mais escute a voz dele?! — questionei com dor enquanto olhava para o médico entre lágrimas, vendo-o concordar com um aceno de cabeça e senti o chão fugir dos meus pés sendo aparada por Henrik e Agnes, antes de me deixar ser consumida pela dor que aquela possibilidade trazia para o meu coração.

Não, os deuses não poderiam ser tão cruéis assim comigo após a morte dos meus pais.

Eles não podiam me fazer sentir e vislumbrar a verdadeira felicidade, para arrancá-la dos meus braços me condenando a solidão e infelicidade pelo resto dos meus dias enquanto olhava para todo o meu mundo inerte, deitado em uma cama sem perspectivas de que acordaria em algum momento.