Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso décimo quarto capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura.

Ele continuou caminhando em nossa direção sem tirar os olhos do homem ao meu lado, como um predador que havia acabado de escolher sua presa, sem perder sua elegância ou calma durante todo o percurso, mas seus olhos contradiziam o que seu dono tentava transparecer.

Assim que parou em nossa frente olhou de forma ameaçadora para o General do Leste, que o encarava em busca de explicações do porquê o homem que havia se identificado inicialmente como General do Sul estava agindo como o consorte de sua rainha.

— General do Sul, o que significa isso? Exijo saber onde está o noivo da rainha Virgínia. — o comandante do meu exército ordenou para o homem em nossa frente, olhando-o de forma severa.

— Exigi?! — Gael questionou sorrindo sem humor colocando as mãos para trás, olhando de forma mortal para o General do Leste — O senhor não está e nunca esteve em posição de exigir nada, General do Leste, quanto ao noivo da rainha Virgínia, ele nunca existiu — revelou causando um burburinho entre os convidados enquanto o comandante do exército do Leste o encarava em choque, como se não esperasse por isso — Desde que assinou a documentação de noivado, o senhor e meu falecido pai concordaram em nos casar por procuração a partir daquele momento mesmo com pouca idade, me tornei marido e consorte da rainha do Leste. — revelou seguro e o comandante do Leste arregalou os olhos em choque.

— Isso não pode ser verdade...Rei consorte?! Não mesmo...Quem diabos é você e porque está usando a coroa do falecido rei do Leste? — exigiu o General do Leste olhando de maneira severa para Gael que sustentou seu olhar furioso.

— Sim, General do Leste, isso é verdade — assegurou calmamente — Sou o Príncipe Gael, a Fúria da noite, da casa real do Sul, irmão caçula do rei Liam, filho da rainha mãe Hortência e do falecido rei consorte Marco, General do exército do Sul e rei consorte da atual monarca do Leste, a rainha Virgínia. — declarou seguro e vi o comandante do exército do Leste ficar pálido, como se não acreditasse no que havia acabado de ouvir do homem em sua frente, enquanto todos os convidados começavam a comentar entre si sobre o que acabaram de ouvir.

— Rainha Virgínia, ordeno que esclarece tudo isso imediatamente. — o General do Leste exigiu severo e sorri sem humor, por ele achar que tinha o direito de ordenar algo a mim.

— Já expliquei inúmeras vezes que você, General do Leste, não tem autoridade para me ordenar a nada — disse severa sem desviar meus olhos dos seus — E não existe nada para esclarecer, o príncipe do Sul está usando a coroa do meu pai, para atender um pedido meu. Como rei consorte do Leste é direito de Gael ser reconhecido como tal, assim como ter acesso as joias da coroa do nosso reino. — expliquei e o General balançou a cabeça negando, como se não acreditasse nas minhas palavras.

— Não pode ser... Você chegou aqui, se apresentando como General...Por que mentiria para mim ou para a sua noiva? — questionou confuso para Gael que sorriu, se divertindo diante da confusão do meu inimigo o que lhe deixava ainda mais furioso.

— Eu não menti, General do Leste, apenas omiti o fato de que sou o príncipe do Sul e seu rei consorte, para ver com meus próprios olhos como tratava minha esposa. Saiba que não gostei nenhum pouco de tudo que presenciei ou soube, fique avisado que pagará muito caro por toda dor, humilhação, ameaça e sofrimento que infligiu a Virgínia durante todos esses anos — jurou com raiva sem deixar de olhar nos olhos do General do Leste que deu um passo para trás, temendo a ameaça do homem em sua frente — E jamais menti para Virgínia, contei toda a verdade desde o dia em que coloquei os pés em seu reino, expliquei tudo que foi acordando entre meu pai e o senhor, que pelo visto não se deu o menor trabalho de ler o documento que assinou anos atrás. — Gael destacou e pediu a Yumi que lhe entregasse o documento que estava em seu poder para o General em nossa frente.

— Mostrarei a todos que tudo isso não passa de um completo engano, farei questão de tirar pessoalmente esta coroa da sua cabeça e expulsá-lo do meu reino, em seguida mandarei essa insolente que se diz rainha para o fim do mundo. — declarou tomando o documento das mãos de Yumi, abrindo-o e começando a ler seu conteúdo.

A cada palavra que lia seus olhos se arregalavam, como se não acreditasse que havia feito papel de idiota por um rei consorte estrangeiro durante todos esses anos, quando acreditava que havia feito sua melhor jogada.

— Isso não pode ser... Esse documento é falso — sussurrou atordoado desviando os olhos do documento em suas mãos para nos encarar, ainda sem acreditar em tudo que havia lido — Não... Isso só pode ser um plano dessa... — o General do Leste começou a dizer furioso apertando meu braço com mais força, mas foi interrompido por Gael.

— Sugiro que escolha muito bem suas palavras ao se referir a minha esposa, ou serão as últimas que dirá em vida — ameaçou severo e o General do Leste sorriu, como se alguém tivesse lhe contado uma piada — Como seu rei consorte, ordeno que solte minha rainha imediatamente.

— Acha que tenho medo de um fedelho mimado que mal saiu das fraldas?! Só por que fez uma entrada chamativa e está usando a coroa do falecido rei do Leste?! — questionou o General do Leste fazendo todos do salão rirem menos alguns poucos nobres leais a mim, os soldados do Sul e os rebeldes que estavam do nosso lado.

Sem dizer uma palavra vi Yumi balançar a cabeça de forma negativa atrás de Gael, como se censurasse a fala do comandante do meu exército, em um piscar de olhos meus o príncipe do Sul passou seu braço direito pelo pescoço do General do Leste mantendo uma adaga contra a sua garganta, deixando todos assustados com a sua atitude inesperada.

— Tentei ser diplomático, mas com você não existe diplomacia que resista. — segredou furioso apertando ainda mais a adaga contra o pescoço do meu inimigo, mas antes que os soldados leais ao General do Leste pensassem em reagir para salvar seu superior, os guardas do Sul em maior número apontaram suas armas contra eles, não lhe dando outra alternativa a não ser se render.

— Não sabe o quanto odeio, quando se referem a mim como fedelho mimado, mas descobri recentemente que tenho ódio mortal de qualquer um que maltrata a minha esposa e neste exato momento, General do Leste, você é um forte candidato a encontrar nossos deuses se não soltar a minha rainha agora. — disse furioso forçando ainda mais a lâmina contra a garganta do General do Leste que soltou meu braço imediatamente e me afastei dele, caminhando em direção a Yumi, antes de Gael soltar o comandante do meu exército.

— Considere isso como um aviso, General do Leste, se voltar a ameaçar, ser grosseiro, intimidar ou encostar um dedo na minha esposa novamente irei atrás de você...Se acha que conheceu o inferno, porque esteve em um campo de batalha é porque nunca me teve como inimigo...E não sou conhecido por ser piedoso com meus desafetos. — sussurrou frio fazendo o General dar um passo para trás diante do olhar mortal de Gael.

Sem temer seu inimigo Gael lhe deu as costas, caminhando tranquilamente em minha direção guardando a adaga por baixo do casaco, parando ao meu lado e me olhando com preocupação enquanto todos se mantinham calados ainda em choque por alguém, além de mim, ter desafiado abertamente o homem mais poderoso do reino do Leste.

— Está tudo bem, minha rainha? Não está machucada? — questionou preocupado me olhando de cima a baixo, procurando sinais de que poderia precisar de cuidados médicos.

— Estou bem, meu rei consorte, apesar do susto. — assegurei olhando em seus olhos azuis claros que assumiram um ar gentil assim que me viram, mas mudaram rapidamente se tornando furiosos ao verem meu braço provavelmente vermelho, depois do General do Leste segurá-lo com força.

— Aquele...— Gael sussurrou com fúria dando um passo em direção ao General do Leste, mas bloquei sua passagem ficando em sua frente segurando seu rosto em minhas mãos para que olhasse para mim, tentando de alguma forma fazê-lo pensar de forma coerente.

— Gael — chamei suave sem desviar meus olhos dos seus e ele respirou fundo algumas vezes, tentando acalmar a raiva que vi em seus olhos, antes de voltar a ser o Gael que conhecia. — Não pode permitir que ele te afete dessa forma, isso é tudo o que ele quer para virar o jogo a seu favor.

— É difícil não me afetar, vendo que esse bastardo teve coragem de machucar, minha princesa, na minha frente. — segredou com dor fechando os olhos e respirando fundo, como se tentasse acalmar seus pensamentos e emoções.

— Já chega, dessa palhaçada toda. Tentei ser misericordioso, me livrando de você, Virgínia, de maneira honrosa em consideração ao sangue que compartilhamos, mas se é guerra que deseja amada sobrinha, é guerra que terá — gritou furioso o General do Leste, atraindo a atenção de todos enquanto nos separávamos — Chegou a hora de assumir meu lugar de direito e de destitui-la do seu trono, rainha Virgínia. Guardas, prendam a rainha e o rei consorte imediatamente, assim como qualquer um que se opuser a minha ascensão ao trono — ordenou e logo o salão foi invadido por um grande contingente de soldados do Leste, enquanto os oficiais do Sul e os rebeldes disfarçados entre os convidados avançavam em direção ao inimigo dispostos a nos defender.

Logo o caos se instalou pelo salão, podia ouvir o som de espadas duelando, pessoas correndo e gritando assustadas enquanto estava inerte tentando entender por que o homem que me fez tanto mal durante anos havia me chamado de sobrinha.

Pelo que sabia, não possuíamos nenhum tipo de parentesco, já que meus pais eram filhos únicos e jamais mencionaram o fato de terem um irmão, nem mesmo bastardo...

A não ser que eles não soubessem de tal fato.

Mas para que o General se achasse tão injustiçado, no direito de sempre se referir a mim como usurpadora, era porque na verdade o trono do Leste devia ser seu por direito e não meu que o herdei com a morte do meu pai. Naquele momento, compreendi toda a raiva que ele sempre demonstrou contra mim e a memória do meu pai por anos.

O fato do General do Leste, sempre se considerar e se comportar como o verdadeiro monarca, provavelmente seria pelo fato dele ser o filho mais velho do meu avô já que minha avó paterna demorou anos para engravidar do meu pai, e tinha ciência que a maioria dos homens não são fiéis as suas esposas.

Mas em seu leito de morte, meu avô em vez de nomear seu filho mais velho como herdeiro do trono deu esse direito ao meu pai, que era reconhecido como filho legitimo deixando o irmão bastardo nas sombras, e com a sua morte o comando do Leste passou para as minhas mãos deixando-o furioso, por ter seu direito negado e entregue a uma mulher, constatei em pensamento, enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas diante daquela conclusão.

— Ele é meu tio... — sussurrei perdida em pensamentos sentindo alguém me puxar, enquanto tentava me recuperar do choque diante da conclusão à qual havia chegado.

— Saia da minha frente, fedelho mimado, minha briga não é com você e sim com Virgínia — ouvi a voz severa do General rosnar furioso me trazendo de volta a realidade, na qual o herdeiro do Sul usava todas as suas forças para sustentar o golpe desferido pelo usurpador do meu trono em nossa direção.

— Acha que permitirei que encoste um dedo novamente na minha esposa?! Só pode estar louco. Nem por cima do meu cadáver, deixarei que isso aconteça, porque faço questão de levá-lo pessoalmente para o inferno — Gael rosnou furioso, bloqueando o ataque do General em minha direção com sua espada, enquanto via o caos que havia se estalado ao meu redor transformando a sala do trono em um campo de guerra — E já disse que odeio, quando me chamam de fedelho mimado. — declarou furioso usando sua espada para empurrar o seu adversário para longe de si, só então percebi que Gael estava na minha frente usando seu corpo como escudo para me proteger dos ataques violentos do General, disposto a ultrapassar a proteção do meu marido a qualquer custo.

Olhei para todos os lados analisando o cenário a minha frente, notando que a cada momento mais soldados do Leste invadiam o salão com o objetivo claro de nos encurralar naquele lugar, assim que avistei Drake corri em sua direção deixando a proteção de Gael que distraia o comandante do exército do Leste, evitando que ele percebesse o que iria fazer.

— Drake, leve uma parte dos nossos homens para o pátio do castelo imediatamente, impeça que mais soldados chegam aqui e nos encurralem. — gritei para ele que concordou, sinalizando para alguns soldados executarem minhas ordens seguindo para fora do local, evitando que reforços chegassem até ali.

Com agilidade, Drake terminou o duelo com seu oponente e caminhou em minha direção, tirando uma segunda espada da bainha em suas costas oferecendo-a a mim que a segurei tirando meus sapatos dos pés, evitando escorregar no piso enquanto lutava devido aos saltos, antes dele me entregar um pequeno frasco em seguida.

— Muito cuidado com isso, Fúria da tempestade, uma gota é capaz de derrubar até o mais forte dos homens. — Drake me alertou sério e balancei a cabeça concordando, colocando o frasco no decote do vestido que usava.

— Não se preocupe, vou tomar cuidado e proteja a área norte ou ficaremos sem um ponto de fuga, caso seja necessário recuar. — informei e ele sorriu negando me deixando confusa.

— Não esperarmos anos para nos vingar do General do Leste para recuar no fim, Fúria da tempestade, vamos até o fim nem que tenha que morrer para matar aquele bastardo. — assegurou sem sombra de dúvida na voz e balancei a cabeça concordando, olhando em direção ao General do Sul que havia acabado de derrubar Gael no chão, afastando com o pé sua espada para longe impedindo-o de se defender.

— Se quiser continuar desfrutando da sua vida de casada e dar continuidade à sua casa com a ajuda do atual rei consorte, sugiro que vá salvar seu marido do General do Leste ou terá que procurar um substituto para o cargo de consorte.

— Para sua informação, não tenho interesse algum em substituir, meu consorte. — revelei séria fazendo Drake rir, antes de correr em direção a Gael a tempo de defendê-lo de um golpe mortal do General, deixando-o surpreso por enfrentá-lo em uma arte destinada exclusivamente aos homens, que havia aprendido graças as aulas de Tadeu que sempre deixou claro que deveria saber me defender assim como aqueles com quem me importava.

— Acha que é páreo para mim?! Mesmo que saiba lutar com destreza, jamais poderá me vencer tenho anos de experiências em batalha. — alegou o General do Leste enquanto usava toda a minha força para segurar a sua espada contra meu rosto, evitando que chegasse perto de mim ou de Gael.

— Sei disso, mas se não conseguir vencê-lo, asseguro que farei um belo estragado. — disse sarcástica segurando minha espada com força, sem desviar meus olhos dele atenta a qualquer movimento que pudesse fazer contra mim.

— Vou matar quem teve a audácia de ensiná-la a empunhar uma espada. — jurou com fúria me atacando com força, usando o peso do seu corpo pressionando sua espada de encontro ao meu rosto me obrigando a baixar a minha guarda, para me livrar do seu golpe lhe dei um chute em seu estômago afastando-o para longe, enquanto ajudava Gael a se levantar do chão para que pudesse recuperar a sua espada.

— Obrigado — Gael disse sorrindo segurando a minha mão assim que o ajudei a levantar do chão — Fico imensamente feliz em ver, que a ordem que dei a Tadeu de ensiná-la a manejar uma espada foi cumprida. — revelou e me lembrei de quando disse que havia selecionado os melhores homens e mulheres do seu exército, enviando-os para o meu reino com a finalidade de ajudar garantir a minha segurança e de Agnes.

— Então, Tadeu e Arthur...— sussurrei perdida em pensamentos recordando que os dois tinham vindo do Sul anos atrás, mas que haviam nascido em meu reino antes de fugirem com a mãe para o reino estrangeiro.

— Sim, eles fazem parte da minha guarda pessoal. Tadeu, é o terceiro no comando do meu exército, atrás de Yumi. Já Arthur, é o nosso melhor espião e líder dos arqueiros do exército. Me perdoe, por não ter... — Gael começou a explicar e o interrompi séria.

— Quantos segredos mais esconde de mim, Gael? — questionei severa olhando seus olhos azuis cristalinos que ficaram tristes diante da minha acusação.

— Só existe mais um segredo...Não contei antes, por que achava que ainda não estava pronta para ouvi-lo. — confidenciou e sorri sem humor, por ele achar que era tão frágil assim.

— Não sou uma boneca de porcelana para quebrar por qualquer motivo, Gael, garanto que posso aguentar qualquer coisa e não será seu segredo que irá me abalar. — assegurei desviando meus olhos dos seus para ver meu adversário que havia se recuperado do meu golpe, preparando-se para atacar novamente.

— Conversaremos depois, rei consorte, espero que dessa vez seja sincero comigo porque não a nada que abomine mais do que segredos. — afirmei séria e ele balançou a cabeça concordando, enquanto assumíamos uma posição de defesa a espera do ataque do General do Leste, que veio em nossa direção com toda a sua fúria, determinado em nos aniquilar de vez.

Antes que pudesse bloquear outro golpe do General do Leste, Gael tomou a frente evitando que ele se aproximasse de mim, frustrando seus planos de nos atingir.

— Atrás de você, Virgínia. — Gael alertou sério e virei de costas a tempo de me defender de um golpe desleal de um dos soldados do General que tentava salvar seu superior.

Enquanto estávamos envolvidos em nossas próprias batalhas, ficamos de costas protegendo a retaguarda do outro, evitando ser surpreendidos por outro ataque desleal dos homens do usurpador do meu trono.

— Acho bom, não ter a audácia de matar o General do Leste ou ficarei ainda mais furiosa com você, meu rei consorte. — revelei séria sem desviar a atenção do meu próprio confronto e ouvi a risada de Gael seguido do som de aço sendo chocado contra o outro.

— E deixar, minha amada esposa, ainda mais furiosa?! Jamais, faria algo desse tipo. Prezo por minha existência, minha querida — segredou enquanto se defendia de um golpe do General e sorri do seu comentário — Pronta para trocar, minha rainha? — questionou bloqueando outro ataque do seu inimigo que estava disposto a acertá-lo, tirando-o do caminho para chegar até mim.

— Pronta. — assegurei e ele afastou o General do Leste de perto de si com um chute, deixando-o atordoado com seu golpe e fiz o mesmo com meu oponente, permitindo que trocássemos de posição me deixando frente a frente com meu inimigo mortal.

— Tome cuidado, Virgínia, estarei por perto se precisar. — Gael disse atrás de mim e agradeci voltando minha atenção para o homem a minha frente, determinada em obter minha vingança e respostas enquanto o príncipe do Sul levava o seu combate a uma distância razoável, me dando espaço para minha luta, mas estando perto caso precisasse de ajuda.

Firmei meus pés com segurança no chão empunhando minha espada, esperando pelo próximo golpe do General que veio repleto de fúria e força, mas consegui segurá-lo usando a minha própria espada, deixando-o com raiva por ter bloqueado seu ataque com tanta precisão.

— Meu pai, sabia que era irmão dele? — questionei ainda segurando seu golpe e ele sorriu surpreso por ter compreendido o significado das suas palavras, afastando-se de mim para me olhar atentamente.

— Inteligente e perspicaz, como sempre, Virgínia. Isso sempre me fez admirá-la e odiá-la, porque uma mulher com uma mente tão sagaz, seria perigoso para os meus planos. — revelou me olhando com curiosidade.

— Uma mulher dona de si e que não segue o que se espera dela, sempre deixará os homens temerosos, porque temos que nos esforçar muito mais do que vocês para que sejamos reconhecidas e ainda sim, não conseguimos alcançar tal mérito mesmo que estejamos no cargo mais alto, seremos subjugadas e silenciadas pelo simples fato de sermos mulheres. — disse e ele sorriu concordando com as minhas palavras.

— De fato, mas você não pode lutar contra séculos de tradição. O comando do reino do Leste foi passado de geração para geração entre homens, seu pai foi o único que entregou essa honra a uma mulher, desonrando assim a nossa casa. — apontou e sorri negando, deixando-o confuso.

— Meu pai e muito menos eu, desonramos a casa do Leste, quem fez isso foi o seu pai, o meu avô, traindo a sua esposa e ainda concebendo um bastardo. — disse severa fazendo-o rir — Meu pai, sabia que era irmão dele?

— Acha mesmo que seu marido não fará o mesmo?! Não se engane, rainha Virgínia — segredou para mim sorrindo — E não. Seu falecido pai, nem tinha ideia de que éramos irmão. Minha mãe era e amante do seu avô, sou o primogênito do rei Samuel, como bastardo não poderia ascender ao trono e meu direito de nascença passou para o idiota do meu irmão mais novo, enquanto era tratado como um reles Capitão do exército — disse com desgosto ao se lembrar do meu pai — Depois de tamanha afronta, montei meu próprio exército conquistando outros reinos, adquirindo poder para alcançar meus objetivos. Quando voltei disposto a tomar o que era meu o rei já tinha uma herdeira, mas um empecilho que me impediria de alcançar meu objetivo. Por isso decidi me tornar o homem de confiança dele, para que pudesse acabar com a linha de sucessão de uma só vez. Sabe o massacre de anos atrás, feito pelo reino do Norte?! Que matou não só os monarcas como inúmeros cidadãos do Leste?! Foi tudo obra minha... Porque o reino do Norte jamais existiu. — confessou e dei um passo para trás em choque diante de suas palavras.

— O que?! — sussurrei sem acreditar no que havia acabado de ouvir.