Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso décimo oitavo capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura.

Encontrei Lorde Samuel, meu ex tutor e agora chefe da câmara dos lordes, ao lado dos nobres escolhidos por mim e trazidos por Drake até o castelo como havia solicitado, com a finalidade de ocuparem os lugares dos antigos integrantes da câmara destituída por mim assim que obtive meu poder real novamente.

Assim que me aproximei das portas que davam acesso ao pátio do castelo onde estavam, os lordes me cumprimentaram com uma revência enquanto ouvíamos a agitação da população através das grossas portas de madeiras que nos separavam.

— Bom dia, vossa majestade, gostaríamos de lhe pedir humildemente notícias do rei consorte. — Lorde Samuel pediu com o rosto preocupado e respirei fundo, reunindo forças para desempenhar meu papel.

— De acordo com o médico real o pior já passou, mas o rei consorte ainda necessita de cuidados mediante a gravidade do ferimento que sofreu, por isso meu marido não fará uma aparição tão cedo até que esteja plenamente recuperado e receba a liberação do médico real. — decretei séria olhando para os homens em minha frente que concordaram.

— Ficamos felizes em ouvir isso, minha rainha, não só pela senhora, mas por todo o reino, será mais uma demonstração de que a casa do Leste continuará inabalável, mesmo com a crise de poder. A notícia sobre a recuperação do rei consorte, após seu sacrifício para defender vossa majestade, será um alento para os corações preocupados do povo despertando a expectativa para a chegada de um herdeiro para o trono. — Lorde Maximiliano destacou animado com a possibilidade e respirei fundo, sabendo que deveria acalmar os ânimos para tal novidade sem aniquilar sua possibilidade.

— Agradeço por suas felicitações, Lorde Maximiliano, sei que são as mesmas de todos os presentes assim como da população, mas minha atual preocupação no momento é a recuperação plena do meu consorte, mesmo estando fora de perigo o estado dele ainda requer cuidados e atenção. Os senhores sabem que antes da casa do Leste ter um herdeiro, preciso oficializar minha união com o rei consorte ou qualquer criança que possa vir a conceber será vista como um bastardo por todos do reino. — expliquei séria e todos balançaram a cabeça concordando, enquanto via Tadeu caminhar em minha direção, fazendo uma reverência assim que se aproximou, antes de começar a falar.

— Está tudo pronto para o pronunciamento, vossa majestade. — assegurou e agradeci pedindo a todos que me acompanhassem em direção ao pátio externo, vendo que havia muitas pessoas ali que ficaram em silêncio assim que notaram a presença de sua rainha no local.

Subi os degraus do palanque de madeira, feito para que todos pudessem me ver e ouvir durante todo o meu pronunciamento, assegurando que a chefe da casa real do Leste havia escapado ilesa durante o confronto da noite anterior, deixando seus súditos mais tranquilos por ver com seus próprios olhos que sua monarca estava bem.

— Meu amado povo, gostaria de agradecê-los por virem até o castelo ouvir minhas palavras. Assim como todos, sei o quanto passamos por tempos difíceis sofrendo nas mãos do falecido General do Leste que traiu o seu dever de honrar nosso reino para atender aos próprios interesses. Desde que descobri suas reais intenções de me tirar do poder, tentei de inúmeras formas combatê-lo enfraquecendo sua influência em nosso amado reino com a ajuda do exército rebelde perseguido pelo comandante do Leste — expliquei sem desviar os olhos do meu povo que logo começou a falar entre si, surpresos diante do que ouviam — Recentemente, descobri que o falecido General do Leste estava por trás do ataque do castelo de anos atrás, o mesmo que ceifou a vida de inúmeras pessoas e dos antigos monarcas do nosso amado reino, inventando um reino inimigo que na verdade estava sob o seu comando. — revelei e o burburinho se tornou mais alto, mobilizando para a frente do palanque os poucos guardas leais a mim que faziam a segurança do pátio do castelo, caso os ânimos da população ficassem inflamados.

Sinalizei para meus guardas que não atacassem a população, que esperassem todos se acalmarem, antes de deixarem a situação pior do que já estava atacando pessoas inocentes que só queriam extravasar sua raiva de alguma forma, mesmo que fosse a errada.

Assim que todas pareciam estar parcialmente calmos, respirei fundo e olhei para os rostos de todas aquelas pessoas que estavam na minha frente, as mesmas que havia jurado proteger e assegurar a sua sobrevivência, quando era apenas uma menina que havia acabado de perder os pais e não tinha real noção das palavras que havia proferido no dia da sua coroação.

— É de conhecimento de todos que o usurpador do meu trono, deu minha mão em casamento para o rei do Sul sem meu consentimento, me obrigando a abandonar meu título de rainha do Leste para assumir a coroa de consorte do Sul deixando meu reino em suas mãos — lembrei e pude ver nos olhos de todos a raiva por saberem que sua rainha havia sido submetida a tamanha afronta — Mas para a surpresa de todos, inclusive a minha, o reino do Sul com a ajuda da minha fiel dama de companhia enganou o falecido General do Leste, que sempre se achou tão esperto, no fim o falecido rei consorte do Sul elaborou o acordo de união me casando por procuração com o príncipe Gael, o terceiro na linha de sucessão do trono do Sul depois dos seus sobrinhos, preservando a minha coroa como monarca do Leste já que legalmente sou casada com um nobre que não é um dos primeiros na linha sucessória.

Assim que meus súditos ouviram que não seria mais obrigada a deixar meu trono para honrar o compromisso que havia sido feito contra a minha vontade, houve uma salva de palmas seguidas por inúmeros gritos de alegria e gratidão aos deuses assim como alguns agradecimentos pelo ato heroico do falecido rei consorte, por ter enganado um homem que todos julgavam ser mais esperto que todos.

— Como sinal de sua boa fé, o príncipe Gael trouxe consigo o reforço militar que tanto precisávamos, para enfrentar os soldados aliados do falecido General do Leste, mas para assegurar que nosso reino não ficaria fragilizado caso algo me acontecesse, o atual rei consorte e meu marido, conhecido por seu titulo de nascença como príncipe Gael, se sacrificou recebendo um golpe fatal do homem que levou o nosso reino para uma guerra civil — expliquei e todos arfaram em choque, temendo que o pior tivesse acontecido com seu soberano que nem havia chegado a conhecer adequadamente — Graças aos deuses, o rei consorte sobreviveu a uma longa cirurgia e a noite de ontem, mas rogo a todos os nossos súditos que se unam a mim em prece, implorando aos deuses para quem salvem a vida do nosso amado soberano. — implorei entre lágrimas, sabendo que não poderia demonstrar fraqueza diante da população mas era difícil pensar que talvez nunca mais poderia ver os olhos de Gael abertos novamente ou ouvir a sua voz, tudo isso por culpa da sede de poder do falecido General do Leste.

Logo meu pedido despertou reações diferentes nas pessoas que me ouviam, alguns elogiavam a manobra política do reino vizinho, assim como questionavam quais seriam os interesses da casa do Sul em tal ação, outros até se questionavam se tudo não passava de um plano do Sul aliado ao Norte para tomar o nosso reino.

Mas de todas as desconfianças que ganhavam força entre o burburinho dos súditos, era a desconfiança sobre a suposta ajuda do Sul ofertada na figura do príncipe Gael, a grande maioria não acreditava que ele iria arriscar sua vida e dos seus homens para salvar um reino e uma rainha da qual havia sido obrigado a se comprometer.

— Por que devemos orar por um príncipe estrangeiro? O Sul nunca se importou conosco, por que iria fazer isso agora enviando um dos seus filhos para nos socorrer? Quem nos garante que o príncipe do Sul, não é um dos aliados do falecido General do Leste, esperando apenas a hora de completar a sua missão enquanto a nossa rainha não tem uma linha de sucessão assegurada? — a voz de um dos vários súditos questionou do meio da multidão, ganhando o apoio de todos os presentes que desejavam saber o mesmo.

— O senhor e todos aqui estão certos em desconfiarem dos outros reinos, já que após a morte dos meus pais nenhum deles respondeu os pedidos de socorro enviados por minha dama de companhia, apenas o reino do Sul fez isso. Somente eles enviaram seu consorte em pessoa para averiguar a situação do meu reino na época, lembram-se? — questionei olhando para cada um dos presentes que balançaram a cabeça concordando, pois os que não presenciaram tal fato na época ouviram histórias daquelas que viram a comitiva do Sul chegar em nosso castelo naquele ano — E o reino do Sul, jamais se aliou com o General do Leste e todos vocês sabem disso, ele sempre preferiu se manter longe de qualquer contato com o nosso reino, a primeira aproximação que tivemos foi na ocasião da visita do falecido rei consorte e a assinatura do acordo de noivado entre os herdeiros da coroa do Leste e do Sul. Agora sobre o meu pedido, de orarem por um príncipe estrangeiro...Gael, pode ter nascido, sido educado e responder por um título real em um reino estrangeiro, mas ele é o verdadeiro e único consorte que tenho. Além do mais, em suas veias não corre apenas o sangue da família real do Sul, ele também carrega o sangue do reino do Leste por parte de pai, fazendo-o assim tão filho deste reino como qualquer um de nós. — revelei séria e todos abrindo a boca em choque, pois não era conhecimento de todos que um filho do Leste havia chegado tão longe, se unido em matrimônio com alguém da família real do Sul.

— O rei consorte Gael, é filho de um grande homem chamado Marco, que foi vendido como escravo para o Sul para pagar as dívidas do seu pai assim como toda a sua família e como tantas outras famílias, depois que o falecido General do Leste assumiu o poder. Ele passou por muitos momentos difíceis até se tornar a segunda pessoa mais poderosa do Sul, apenas atrás da rainha, mesmo estando no posto mais alto ele jamais esqueceu do seu passado e ensinou seus filhos a amarem o Leste, assim como terem orgulho de suas raízes — expliquei enquanto todos me olhavam atentamente, refletindo tudo que havia acabado de lhes contar — Por isso imploro que orem por meu marido, não porque é o soberano de vocês, mas porque ele é um filho do Leste. O vento do Leste, chamou um de seus filhos de volta para casa para socorrer e libertar seus irmãos, e assim Gael o fez sem ignorar o seu chamando colocando sua própria vida em risco para assegurar que o Leste tivesse continuidade. Conheço poucas pessoas que deixariam o conforto do seu lar, para defender outro reino mesmo que este seja o reino natal dos seus pais. — apontei deixando todos pensativos com as minhas palavras, implorando os deuses para que os fizessem ver a razão.

Sem dizer uma palavra, uma senhora de idade se aproximou do palanque parando em frente a um dos soldados que faziam a segurança, olhando diretamente para mim enquanto todos os presentes esperavam para ver o que iria fazer.

— Se for o mesmo Marco, eu conheci a sua família quando mudaram para a parte mais pobre do reino, éramos vizinhos e me lembro do quanto ele era letrado e muito bonito...— a velha senhora disse perdida em pensamentos, como se fosse transportada para aquele momento — Se não fosse por Marco, me ensinando a ler e escrever de graça, jamais teria conseguido o emprego de costureira real na época da falecida rainha consorte e não teria sustentado meus filhos sozinha depois que meu marido morreu na época da grande febre. Se o atual rei consorte é filho do mesmo Marco, asseguro a todos que seu filho é bom e gentil que está ajudando o nosso reino em nome da memoria do pai, porque um homem tão bom quanto ele era jamais ensinaria a crueldade e ganância para os filhos. — a anciã assegurou sem desviar os olhos dos meus e balancei a cabeça concordando, assegurando que ela estava certa em suas conclusões.

E vi o voto de confiança habitar nos olhos de todos, mesmo que ainda tivesse um pouco de preocupação no fundo, mas já era um bom começo para que todos pudessem aceitar que um filho do Sul, com sangue do Leste nas veias, era o seu novo consorte e futuro pai do herdeiro do nosso amado reino.

— Agradeço a todos pelo voto de confiança, asseguro que não iram se arrepender por dar uma chance para o rei consorte — agradeci emocionada para os meus súditos e respirei fundo, sabendo que havia outro assunto importante a ser tratado — Quanto aos traidores da coroa, todos serão julgados e penalizados de acordo com seus crimes, o único que não terá a chance de responder por seus crimes legalmente será o General do Leste que morreu por minha espada, depois que atentou contra a vida do meu marido. Infelizmente, antes de morrer ele me confidenciou que era um filho bastardo do meu avô, fazendo-o um membro da família real — revelei e todos se olharam em choque enquanto começavam a esbravejar furiosos por saberem que um membro do trono havia tramado contra sua família — Diante dessa informação e com o apoio da câmara dos lordes, o falecido General do Leste terá um enterro com todas as honras reservadas a família real, porque não farei o mesmo que meu avô fez despertando sua irá eterna. Mas constará no registro do reino, sua ascendência assim como todos os seus crimes contra seu próprio sangue. De hoje em diante, o falecido General do Leste, anteriormente conhecido pelo nome de batismo de Lorde Christopher, será lembrado por eras como o grande traidor do reino do Leste. — decretei e todos bateram palmas, sinalizando que aprovavam todas as minhas decisões.

Após as explicações, convidei todos os súditos a fazerem parte do cortejo fúnebre do falecido General do Leste que como prometido recebeu todas as honras fúnebres de um membro da família real, mas enquanto seu corpo desfilava pelas ruas as pessoas ao em vez de atirarem flores pelo caminho, o que era o costume, arremessam alimentos podres e cuspiam em sua direção, amaldiçoando a sua vida do outro lado, enquanto caminhava atrás da carruagem que carregava seus restos mortais em direção a pira funerária já preparada em frente ao rio das almas.

— Adeus, General do Leste, espero que encontre a justiça e se arrependa dos seus pecados no outro lado. — sussurrei olhando o fogo consumir a pira funerária de um dos filhos do trono do Leste, o qual havia preferido trair seu próprio sangue do que protegê-lo.

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— Vossa majestade. — Henrik e Agnes disseram suave fazendo uma reverência, assim que me viram entrar em meus aposentos onde Gael estava.

— Por favor, fiquem à vontade — pedi suave desviando os olhos dos dois e caminhando em direção a cama onde Gael ainda estava deitado inconsciente, mas respirei aliviada ao notar que seu rosto já havia adquirido um pouco mais de cor — Como meu marido passou o dia? — questionei me sentando na cama deixando o livro que trouxe em cima da mesa de cabeceira e segurando a mão de Gael na minha, beijando-a em seguida sorrindo ao notar que sua temperatura estava normal, sem qualquer indício de febre.

— Bem, minha rainha, o médico real examinou o rei consorte assim que a vossa majestade deixou os aposentos pela manhã e voltou a fazê-lo meia hora atrás, antes de sua chegada e em todos os exames ele assegurou que seu marido estava se recuperando melhor do que o esperado. — Agnes assegurou e Henrik balançou a cabeça confirmando, me fazendo sorrir pela novidade.

— Saber disso me deixa muito feliz, além de me fazer ter esperanças de que logo meu marido abrirá os olhos novamente. — disse carinhosa acariciando seu rosto com cuidado, temendo machucá-lo de alguma forma, notando que seu rosto estava livre de qualquer sinal de barba e desviei meus olhos dele para ver nossos acompanhantes.

— Meu senhor, é um membro da família real da mais alta estirpe do Sul, a falecida rainha mãe não tolerava que seus netos andassem desleixados, e atual rei consorte do Leste, não seria de bom tom que meu príncipe transmitisse uma aparência que não fosse de acordo com seus títulos de nobreza. — Henrik se justificou dando de ombros e sorri comovida com o seu cuidado com o meu marido, realizado tarefas que ele não podia mais fazer agora que estava inconsciente.

— Obrigada, Henrik. Não só em meu nome, mas em nome de Gael também.

— Não precisa agradecer, rainha Virgínia, só fiz o meu trabalho. — explicou sem graça e neguei.

— Não Henrik, você fez além do seu trabalho assim como Agnes. — apontei deixando os dois sem graça diante do meu comentário.

— Soubemos de tudo que houve, no pátio real e depois no cortejo fúnebre do General do Leste. Minha senhora, está bem? — Agnes questionou preocupada e respirei fundo, pensando em sua perguntando antes de responder.

— Ainda não sei Agnes, parece que minha vida foi revirada do avesso pela segunda vez e novamente não sei como agir...Me sinto perdida no meio de todo o caos. — segredei sincera para os dois que balançaram a cabeça concordando.

— É compreensivo, vossa majestade, sua vida teve inúmeras mudanças nos últimos anos. Se tiver algo que possamos fazer, para aliviar suas preocupações é só nos dizer. — Agnes sugeriu e Henrik concordou sem hesitar.

— Há sim algo — disse e os dois me olharam ansiosos para saber o que poderiam fazer para me ajudar — Gostaria que me deixassem a sós com meu marido, quero cuidar dele sozinha todas as noites já que é o único momento em que não tenho compromissos de governo. — declarei deixando os dois surpresos com o meu pedido.

— Vossa majestade, isso não seria bem-visto já que os dois... — Agnes começou a explicar devagar e a interrompi séria.

— Declarei hoje pela manhã diante de todo o reino que o príncipe do Sul é meu marido e atual rei consorte do reino, antes de surgirem as cerimônias oficiais de união que temos hoje bastava apenas um soberano declarar perante seu povo que uma pessoa era seu conjugue e assim seria até o fim da vida de ambos. Para o meu povo, Gael é meu marido e consorte, por isso não há nada de mal em ficarmos sozinhos no mesmo quarto, além do mais, ele não está em condições de cumprir com suas obrigações matrimoniais, se este é o motivo de não nos deixarem a sós — expliquei e os dois se entreolharam por alguns instantes, como se estivessem decidindo em silêncio que passo dar a seguir. — Além de desejar cuidar do meu marido, desejo lhes dar um pouco de descanso, já que ambos não descansaram nenhum minuto cuidando de Gael desde que ele foi ferido.

— Vamos Agnes, vossa majestade, tem razão precisamos descansar um pouco para que possamos estar bem para cuidar do rei consorte. — Henrik disse vencido por meu argumento, mas Agnes ainda estava relutante.

— Não sei...— ela surrou preocupada e Henrik suspirou cansado.

— Entendo suas preocupações, mas não existe perigo algum em deixá-los uma noite a sós, com a rainha Virgínia lembrou o rei consorte não está em condições de cumprir com suas obrigações matrimoniais e mesmo que tivesse, conheço o menino que ajudei a criar e ele jamais faria algo que pudesse comprometer a honra da mulher que ama ou muito menos obrigá-la a algo. — Henrik assegurou e Agnes suspirou concordando, mas me dando aquele olhar de quem pedia para que me comportasse e balancei a cabeça concordando, antes deles nos deixarem a sós nos meus aposentos.

— Vou fechar a janela, meu amor, porque não quero que pegue uma gripe por causa do vento frio. — disse suave ajeitado as cobertas ao redor de Gael e me levantando da cama, indo em direção a janela que dava para a sacada dos meus aposentos ficando confusa diante da claridade que vinha dos povoados próximos do castelo.

Com lágrimas nos olhos, percebi que toda aquela luz era por causa da cerimônia das luzes, realizada para pedir aos deuses que devolvessem a saúde de uma pessoa amada, podendo ser um familiar, conhecido ou algum membro da família real.

Aquele gesto era a prova viva de que meus súditos haviam aceitado o novo rei consorte, assim como estavam implorando aos deuses para que recuperassem a saúde de seu soberano o mais rápido possível.

Admirei os pontos luminosos fazendo uma prece silenciosa, pedindo pela recuperação do homem que dormia profundamente na minha cama há um dia, implorando os deuses que o trouxessem de volta a vida para que pudéssemos ser finalmente felizes, depois de todos os desafios que a vida havia colocado diante de nós.

Após terminar a minha prece, constatei que estava na hora de entrar e caminhei para o interior do meu quarto fechando a janela atrás de mim, antes de pegar o livro que havia trago e me acomodar na cama ao lado de Gael.

— Gostaria tanto que pudesse ver o que acabei de presenciar, meu amor — segredei amorosa acariciando seus cabelos — Nosso povo está pedindo aos deuses pela sua saúde, para que possa se recuperar o mais rápido possível e assumir o seu lugar de direito ao meu lado. Isso só faz minhas esperanças se renovarem ainda mais, de que logo voltará para mim. — disse esperançosa e me inclinei para beijar sua testa com carinho, sentindo o cheiro de madeira silvestre que emanava dele.

— Henrik, me confidenciou que você ama ler poesia nas horas vagas, o que não é de se estranhar dada a fluência com que escreve — disse me lembrando do bilhete que recebi no dia do meu aniversario — Por isso trouxe seu livro favorito para lermos um pouco toda noite, talvez ouvir algo conhecido o traga de volta mais rápido, não custa nada tentarmos, meu amor. — segredei suave lhe dando um ultimo beijo em sua testa, antes de abrir seu livro de poemas e começar a ler um dos primeiros odes que havia na página.