Imperador de Areia

7 Capítulo 7 - Despedaçar


Notas iniciais
ñ vou comentar nd antes do cap., ele está bem forte e eu ñ gosto de estragar as surpresas... então boa leitura...

Gaara se recusava a pensar no que Ino dissera antes de dormir, ele queria ser sozinho e pronto, nada mudaria isso, esse era seu destino, fato irrevogável que faria parte de sua vida, então não ia mais divagar sobre aquilo, então porque ainda se preocupava com aquelas palavras?

Ele estava com o copo ainda um pouco dolorido, mas se levantou da cama assim mesmo, precisava desviar o foco de seus pensamentos, precisava parar de tentar entender sua vida, porque ela era daquele modo e ponto final.

Andou pelo quarto, mexendo em tudo o que tinha nele, mas ele só fazia pensar na voz doce de Ino e nas palavras que ela soprava pra si pegando no sono.

—Maldição. –ele grunhiu e olhou pra cama.

Coincidência ou percepção, Ino se mexeu na cama, ainda dormia, mas agora jogava o lençol de lado, deixando seu belo corpo coberto pela camisola fina a mostra, fazendo Gaara desviar seus pensamentos, mas pra outra coisa que ele não queria.

A pele dela clara e sedosa, o calor e luz que ela passava, mesmo de longe, as pernas longas e torneadas, o quadril mediano e aparente, a cintura fina, feminina, os ombros estritos, abrigando belos seios intocados, que se sobressaltavam ao decote, a boca que ele já provara e que era realmente deliciosa, os olhos, que mesmo fechados, traziam calma ao seu rosto, os cabelos sedosos, dourados e perfumados dando acabamento ao seu semblante maravilhoso.

O ruivo não podia evitar olhar pra ela e não se sentir atraído, ainda mais por saber que homem nenhum nunca a tocara, seria o primeiro a provar de tudo o que ela tinha e tudo o que ela era, ainda assim se torturava pensando em como podia sentir prazer em fazer que ela sentir dor e ao se entregue pra ele?

—Droga. –ele grunhiu de novo, queria voltar para cama, mas se o fizesse se deitaria ao lado dela e não sairia de lá até a ter em seus braços como desejava.

Com certeza Ino era uma bela obra de arte, irritantemente perfeita e pura, capaz de engolir seus medos e seus traumas apenas para curá-lo, cuidar dele... Lembrou-se da preocupação no rosto dela, no modo contente com que ela sorriu por o ver jantar com ela e apreciar o que ela tinha preparado, mas ele ainda não conseguia entender o porquê de tudo aquilo, o porquê dela ser como era, não podia acreditar na bondade das pessoas.

Gaara reuniu toda sua coragem e saiu do quarto, precisava de um tempo pra pensar, e então foi andar pelos campos em volta do castelo, e encontrou Shikamaru, ele estava sentado em uma pedra, olhando o céu tranquilamente. O imperador se lembrou de quando era bem criança e brincava com o Nara, de como o moreno sempre fora mais esperto que ele pra montar peças, preparar planos infalíveis contra sua irmã, a fim de tentar a fazer chorar, mesmo que nunca conseguissem, e sentiu falta de ser uma pessoa normal, assim como inveja de ver que o outro estava ali, sentado tranquilamente, com a cabeça vazia, enquanto ele só tinha um império com que se preocupar.

Shikamaru percebeu que era observado e então se virou, vendo Gaara parado ali.

—Precisa de alguma coisa senhor? –indagou o moreno prontamente.

—Na verdade preciso... Preciso saber como você consegue ser tão relaxado e preguiçoso. –disse Gaara se aproximando e o outro soube que aquele tom não era uma ofensa, apesar de não ter soado como uma brincadeira deveria soar.

—São muitos anos de prática. –disse Shikamaru sorrindo e se sentando de novo.

—Nota-se. –disse Gaara se sentando ao lado dele.

—A lua é tão bonita assim nos lugares em que já esteve lutando?

—Não, a lua é mais bonita no campo de batalha, parece que lava o sangue que derramamos.

—Por isso é um homem da noite?

—Da noite, do dia, é tudo a mesma coisa, ainda serei o imperador e o guerreiro.

—O melhor guerreiro sem duvidas.

—Não se julga um guerreiro pelo número de homens que abate. –disse Gaara descontente.

—Claro que não, julga-se um guerreiro por sua bravura e pelas batalhas que ganha sem a espada, com certeza você é o campeão nisso.

—Você acha é?

—Claro que sim, é difícil ganhar uma batalha contra as teimosias e maneiras da Temari, e deve ser bem difícil controlar a Ino... Quero dizer, a senhorita e senhora Sabaku. –disse Shikamaru corrigindo os pronomes e substantivos.

—Sabe Nara, a gente podia ter sido amigos pra sempre, poderíamos continuar a aprontar juntos, a sermos pessoas comuns, e eu podia continuar ao seu lado, mas me tornei imperador, você um empregado, nos afastamos e eu passei a te desprezar, ainda assim nunca consegui me vingar, porque ainda acho que você tem uma boa explicação pelo sofrimento que causou a minha irmã.

Shikamaru baixou a cabeça e disse de vagar.

—Esse sempre foi nosso destino, não nascemos pra ser amigos, nascemos pra sermos coabitantes em um determinado espaço, enquanto você manda, eu obedeço, mas nada disso muda o que eu sempre achei de você desde que éramos crianças, e apesar de tudo, pra mim, seremos sempre os dois pirralhos amigos e cúmplices. Quanto a sua irmã, nunca quis fazer nada que a fizesse sofrer, no entanto você sabe melhor do que eu mesmo as razão que me levaram a fazer o que fiz. Ela não é como eu, e nem você é, por isso você fica em uma torre segura e eu perdido nos estábulos, por isso tive que fazer de tudo pra esquecê-la.

—Acho que você tem razão, somos mesmo muito diferentes e devemos apenas cuidar dos lugares que nos pertencem, mas ainda assim, muita coisa está errada por aqui, por mais que eu deteste admitir... –Gaara se levantou e Shikamaru olhou pra ele sem entender. –De qualquer forma, não se pode mudar aquilo que foi feito pra ser como é e ponto final.

—Nosso destino a Deus pertence, e não há nada que possamos fazer. –disse Shikamaru olhando pro céu, como se estivesse distraído.

Gaara pensou em argumentar, era a segunda vez naquele dia que alguém queria convencê-lo que Deus existia, mas resolveu se calar, Shikamaru não era mais um amigo, era um empregado e ele tinha que aceitar aquilo, por isso apenas se distanciou, aquela conversa servira ao menos pra afastar os desejos e os pensamentos inadequados que tinha com a esposa.

Na manhã seguinte Gaara pareceu bem melhor aos olhos de Ino, mas ainda tinha o semblante abatido, enquanto encarava o nada pela janela, mas logo ele voltou a baixar a cabeça e a suspirar fundo, como Ino reparava que ele fazia todas vezes que incorporava o imperador impiedoso, e a dureza voltou ao seu rosto.

—Bom dia senhor.

—Bom dia Ino. –ele disse sem qualquer emoção ou vontade.

—Eu queria te fazer um pedido. –disse Ino animada, mesmo sem qualquer animo ou importância que Gaara lhe dava.

—Faça. –ele disse simplesmente, terminando de calçar os sapatos e vendo ela ajeitar os cabelos.

—Fiz a lista do que vou precisar pro jardim, poderia ir comigo até o centro da vila?

—Não posso, tenho que ir com o meu general até o armazém e preparar as coisas pra nossa saída na semana que vem.

Ela ficou desanimada e perdeu o sorriso, o que o deixou chateado, não gostava de vê-la sem o sorriso doce no rosto.

—Mas vou pedir pra Temari te acompanhar, ela está suspensa mesmo.

—Se vai pedir pra alguém me acompanhar, então eu posso ir com o Nara, ele diz que sempre anda pela vila, vai poder me ajudar.

—Porque o Nara? –indagou Gaara engolindo o sentimento amargo que tomou sua boca.

—A Tema está sossegada na casa dela, não precisa se abalar até aqui pra ir comigo se temos quem possa ir bem aqui.

—Há seis pessoas trabalhando nessa casa, porque logo o Nara?

Por um segundo Ino pensava ver Gaara se ardendo de ciúmes, e não entendeu nada, porque diabos ele teria ciúmes? Era absurdo pensar que ele se importava com ela ao ponto de sentir algo tão incontrolável quanto ciúmes, então afastou a ideia e chegou a conclusão que ele só estava preocupado com sua reputação, veriam sua esposa andando com outro homem por ai.

—Bom todos os outros cinco empregados ficam ocupados o dia todo, estão sempre correndo de um lado a outro, buscando coisas, comprando coisas, já o Nara está só por conta dos cavalos e eles são animais que não precisam de vigia a todo instante, mas se não quer que ele vá, não tem problema, chame a Temari, ou qualquer outra pessoa que lhe agrade, foi só uma ideia.

—Guarde suas ideias esdrúxulas pra você mesma. –disse ele ainda mais frio que de costume.

—Não quis lhe aborrecer, só fiz uma sugestão, não precisa me atacar assim.

—Você não tem que fazer sugestões, tem é que calar a boca quando eu tomar uma decisão, será que nunca vai entender isso?

—Minha nossa, você é um idiota mesmo. –disse Ino se irritando e dando as costas pra ele.

—Se me chamar de idiota mais uma vez, mando arrancar sua língua. –ele disse segurando o braço dela com tanta força que ela jurava que ele iria arrancá-lo de seu corpo.

—Pois então mande, fará um favor a nós dois, assim você para de agir como um imbecil cada vez que eu falar alguma coisa e eu paro de tentar fazer alguma coisa direito.

—Não me provoque Ino. –ele a chacoalhou e encarou ela tão friamente que a loira pode sentir o coração gelar. –Eu já disse que não quero que discuta comigo e que é pra acatar minhas ordens, e até agora fui muito paciente, mesmo você querendo se meter na minha vida, só não espere que minha paciência seja infinita. Pare de discutir comigo e se você se engraçar com o Nara ou qualquer outro homem desse lugar, eu não vou pensar duas vezes antes de te esfolar enquanto lhe arrasto em praça pública, está me entendendo?

—Você é um doente lunático! Me engraçar com que homem se só fico trancada neste lugar? E você está me subestimando, se eu quisesse alguma coisa com o Nara, você nem ficaria sabendo, até mesmo porque é um cego idiota, que não é capaz de olhar pra mim e me ver como eu sou e o que eu sinto. -ela cuspiu as palavras com raiva, desafiadora, deixando seus olhos invadirem os dele.

Gaara jogou Ino pra longe de si, mas não foi embora, foi até ela de novo e disse:

—Você está brincando com fogo Ino, não diga que não te avisei.

—Não se preocupe, vou me lembrar que o filho de chocadeira tem ouvidos sensíveis.

—Filho do que você me chamou?

—De chocadeira, porque só alguém sem mãe, ou então com uma mãe péssima poderia se tornar esse monstro nojento.

Gaara sentiu uma pontada no peito, falar de sua mãe daquela forma era inconcebível, lhe causava um sofrimento sem precedentes, só que ouvir aquilo, e ainda ouvir da boca da loira a confirmação de que ele era um monstro, era pior ainda. Pensou que pela primeira vez, sem contar as duas mulheres que fizeram parte de sua família, ele tinha encontrado alguém que o via como ser humano, como homem, que tivera a chance de ver a sua fragilidade, seus defeitos, suas qualidades e com isso se certificou de que era humano, vivo, mas pelo visto ele estava mais que errado, e seus ouvidos lhe doíam com aquelas palavras dilacerantes.

—Lave a boca pra falar da minha mãe, você não sabe nada sobre ela, e me acha um monstro agora, imagina quando souber do que eu sou capaz.

—Ah, me desculpe, não pode falar da mamãe... Nossa, que peninha... Ela cuidou tão bem de você que acabou se tornando o que é hoje, provavelmente era idêntica ao que você é hoje, seu cretino.

Gaara sentiu a mão formigar, e só se livrou da sensação quando acertou o rosto de Ino com um tapa tão forte, que lhe cortou a boca e a jogou no chão.

Ele encarou a cena dela caída, com o corpo mole pela pancada, a cabeça ainda zonza e sem conseguir se levantar, erguendo o corpo com as mãos espalmadas no chão, sem ter sucesso e o remórcio tomou conta dele.

Gaara via os cabelos loiros de Ino jogados a frente de seu rosto, ela sem forças pra levantar pela tontura, e tudo passou pela cabeça dele como um filme, aquela era a mesma cena que ele vira inúmeras vezes quando seu pai batia em sua mãe, e ele ficou horrorizado consigo, havia jurado nunca erguer a mão contra uma mulher, mas ali estava Ino, agora já conseguindo ficar sentada, com a boca cortada e o sangue vermelho vivo e quente correndo por seu queixo.

Ele quis ir até ela, lhe abraçar, pedir perdão, mas não conseguia se quer sair do lugar, quanto mais falar, então esperou pelas lágrimas nos olhos dela, assim como sempre acontecia com sua mãe, que amedrontada encarava o imperador supremo de sua vida, mas então ele se assustou, não era dor e nem lágrimas que viu sair dos olhos dela, eram faíscas de raiva que tilintavam no fundo dos olhos claros, fazendo eles deixarem de ser opacos.

—Pode me bater o quanto quiser, eu não vou me calar, porque você pode me proibir de andar por ai, de sair desta casa, de ver outras pessoas, mas não pode me proibir de falar, de ver, de ouvir, e se tentar e pode conseguir arrancar tudo isso de mim, eu nunca vou deixar de sentir, a não ser que me mate. Quer saber pelo o que eu rezo a partir de agora? Pra que eu vá pro inferno, o mais rápido possível, porque ainda sim seria melhor do que viver com você.

Ele engoliu o remórcio, engoliu a vontade de pedir perdão e deu vazão apenas ao rancor, então foi até ela, se baixou a sua frente e lhe segurou pelo maxilar, enquanto seus olhos afundavam nos dela.

—Se você acha que prefere o demônio só por um tapa, não sabe do que ainda sou capaz. Você irá implorar por nunca ter nascido, aí veremos quem é seu Deus.

Ele soltou o rosto dela com brutalidade e saiu do quarto, então Ino caiu no chão e se pôs a chorar, estava com dor, com raiva, com arrependimento e tudo mais que ela nunca tinha sentido; todos os sentimentos ruins se misturavam dentro dela, e assim ela soube que mesmo falando de mais, mesmo sem se controlar, aquilo tinha ido além do que ela poderia supor e ele era mais intragável do que pudera imaginar, sentindo nojo dele e de quando ele finalmente fosse lhe tocar, então uma ideia se apossou de sua mente e um plano se fez presente, ela daria fim a própria vida, não suportaria mais tudo aquilo, e se ele prometera que ela não iria querer ter nascido, ela acreditava que as coisas só iriam piorar.

“Melhor a morte do que continuar casada com ele. O contrato de paz está selado, ele não pode voltar atrás, então está na hora da minha paz!”

Ela continuou sentada e chorando, e mesmo com uma dor muito mais que física lhe possuindo, ela finalmente começava a se sentir livre.

Notas finais
e vcs, acreditam q pode ficar pior? será que ela teria mesmo coragem de por fim a sua vida? até o proximo pessoal...