Imperador de Areia
35 Capítulo 35 - Buscando perdão
Notas iniciais
O novo estábulo estava pronto, várias casas de alvenaria e resistentes estavam sendo construídas, Shikamaru bolava os projetos, Temari comandava o povo, Kankuro e Hinata cuidavam de uma escola que estava sendo montada, Naruto ajudava nas negociações e Gaara tentava organizar tudo ao mesmo tempo, mas todos estavam muito felizes com aquelas realizações.
A família Hyuuga quis comprar briga com Gaara, mas o ruivo controlou a situação, fez uma aliança com Neji, primo de Hinata e com um bom plano o moreno assumiu o comando do clã, deixando Hinata muito feliz, eles estariam em boas mãos e depois, seu primo e Tenten se casaram, e estavam muito felizes.
Assim, tudo parecia nos trilhos, porém, Gaara sentia falta de Ino cada dia mais, e já não conseguia esconder isso. Às vezes ficava olhando pro nada, se lembrando da loira, dos momentos bons que tiveram e às vezes ficava imaginando como tudo teria sido se tivesse agido como realmente deveria, mas a presença e a influencia da garota se fizeram mais presentes no dia em que o jardim de Gaara tomou o nome de uma das maravilhas do mundo.
O vilarejo que antes era movido pela guerra agora tinha um bom comercio, havia turismo como um dos Oasis mais bonitos de todo o mundo, e as pessoas foram tomando novos caminhos enquanto a vila continuava trilhando seu desenvolvimento.
Gaara havia tido essas ideias há um bom tempo, mas foi preciso participar de sua última batalha, a mais complicada de sua vida pra conseguir pessoas e dinheiro suficiente, agora tudo estava dando certo, ele só se sentia muito sozinho e muito triste, gostaria de poder pedir perdão a Ino, mesmo que ele não merecesse ser perdoado, só queria olhar pra ela e dizer que sentia muito e que faria tudo diferente, mas a deixaria livre como tinha de ser.
—No que está pensando? –indagou Kankuro se sentando ao lado do irmão no telhado de frente a sacada de Gaara.
—Vê o por do sol?
—Sim.
—Essa fusão de cores, de calor e de beleza é a maior prova que Deus existe, e é tão bom que ele exista, é tão bom poder confiar nisso, assim eu sei que ela está bem em algum lugar, longe de mim...
—Está morrendo de saudades, não é?
—Cada dia mais. Eu a amo Kankuro, demorei de mais pra admitir isso, mas é a mais pura verdade. Eu sinto muito a falta dela, do sorriso dela, do olhar dela... –ele suspirou.
—Porque não diz isso a ela? Sei que poderia achá-la em qualquer lugar do mundo.
—Eu sei onde ela está, mas sei que ela não quer me ver, e não a culpo.
—Eu acho que você poderia se surpreender com a Ino.
—Mais? –ele sorriu. –Mas não sei, acho que é muito tarde pra qualquer arrependimento ou explicação.
—Nunca é tarde pra fazer a coisa certa, muito menos pra amar. Ela merece saber que seu coração está vivo e livre de novo, que você a ama, e lhe deve um pedido de perdão.
—Não sei como eu reagiria ao me encontrar com ela, não sei como dizer tudo isso.
—Diz como está dizendo agora. Gaara, Ino te ama tanto...
—Eu sinto muito ter desconfiado de você Kanku, nós sempre fomos amigos, sempre confiamos um no outro, mas sei lá, eu estava doente, insano.
—Eu entendo que você estava fora de controle, mas agora é diferente, e vocês ainda têm muitos assuntos não resolvidos.
—Acha que devo ir atrás dela?
—Não acho que deva pedir pra ela voltar, Ino é muito boa e muito caridosa, ainda assim é uma alma muito machucada, acho que deve apenas ir atrás dela e dizer a ela que a ama.
—Acho que ela não vai acreditar.
—Então prove a ela, tenho certeza que você vai pensar em alguma coisa.
Os dois sorriram, poderia não ser uma má idéia.
Kankuro viu um rapaz lá em baixo e suspirou alto de mais, vendo Gaara rir dele.
—Está apaixonado maninho?
—Isso te incomoda?
—Não, nem um pouco. Eu não vou negar, acho um pouco estranho, vivi em meio a homens metidos a machões a vida toda, mas consigo aceitar a sua felicidade.
—Pena que não sei se posso realizar minha felicidade. Aquele moço é um amor de pessoa, mas...
—Isso é estranho, mas é divertido. –disse Gaara sorrindo. –Bom, quem sabe... Já tentarão arrumar três noivas pra ele, até hoje Sai não quis nenhuma delas.
—Isso é bom. –Kankuro riu divertido.
—Arisca, depois me conta. –Gaara se ergueu.
—Você fica um gato sorrindo. –disse Kankuro divertido.
—Ino falava algo parecido com isso... Bem, vejamos o que eu ainda posso fazer em relação a isso. –ele disse se afastando.
—O que quer dizer?
—Bom, são apenas algumas horas de viagem, se eu sair pela manhã posso estar com ela na hora do almoço.
—Então vai mesmo atrás dela?
—Eu não tenho mais nada a perder.
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—Bem Sheiky, seja o que Deus quiser. –o cavalo relinchou em resposta.
Durante as longas horas de viagem, Gaara estava muito temeroso, sabia que Ino provavelmente não iria querer vê-lo, que teria de passar pelo pai dela, que nada faria ela lhe perdoar, mas mesmo assim estava disposto a tudo, nada seria suficiente pra equiparar o que ela passara na mão dele.
Quando ele avistou a mansão Yamanaka, respirou fundo e parou, pensava se deveria mesmo chegar até lá, as palavras começavam a sumir de sua mente, e a vontade de voltar era enorme, tentou recuar com a montaria, Sheiky o desobedeceu, e deu mais alguns passos a frente, ele tentou controlar o animal, mas esse fez de conta que não sentia, então ele se deu por vencido, já fora muito longe pra voltar atrás.
Ele adentrou o jardim da mansão e desceu do cavalo, Sheiky ficou parado ao lado da fonte e Gaara olhou pra cima, pra janela do quarto dela, brigara com ela em menos de duas horas como senhora Sabaku, porque achou mesmo que deveria levar aquilo adiante, achando que poderia ser diferente? Agora ele tinha a resposta, ficara bobo por ela desde o momento que ela recusara suas jóias, porque ela não era uma garota interesseira qualquer.
—O que faz aqui?
Gaara desviou o olhar e encarou o pai dela. É, começou bem...
—Senhor Yamanaka, eu gostaria de ver a Ino.
—Acha mesmo que tem o direito de vir até aqui depois de tudo? Você não tem vergonha na cara? Suma daqui.
—Olha, eu sei que...
—Você não sabe de nada. Não sabe como se trata uma mulher, não sabe o que é ser homem de verdade, seu monstro de areia cretino. –ser chamado de monstro era sempre uma bofetada na cara, mas não pensava nem por um segundo revidar.
—Entendo a sua raiva, mas eu realmente preciso falar com ela.
A mãe de Ino ficou na varanda, vendo o marido discutir com o imperador, e ficou quieta, assistindo tudo.
—Vai falar o que? Não há mais nada que possa dizer a minha filha, já não cansou de machucar ela? Já não foi o suficiente esse quase um ano fazendo ela sofrer?
—Não foi suficiente, e sim passou da conta, e por isso tenho que falar com ela.
—Não vou deixar, quero você fora daqui.
—Sinto muito, mas não vou a lugar nenhum.
Gaara viu o homem a sua frente ferver de raiva e voar contra si, mas ele não se moveu. A mãe dela arregalou os olhos e ficou de queixo caído, Gaara não pode ver a reação dela a seguir, o pai de Ino havia lhe dado um belo soco contra o rosto, que o fez cambalear pra trás, até a visão se firmar.
Os dois se encararam, mas Gaara não fez nada, ficou imóvel, o que seria muito diferente meses atrás.
—Eu mandei sair daqui.
—Com todo respeito, eu não vou sair.
—O que quer rapaz, que eu perca a paciência? Minha vontade é de acabar com a sua vida. Só de lembrar o estado com que minha filha chegou aqui eu fico cego de raiva, então pare de me provocar, porque eu não dou a mínima se você é imperador, reio ou o demônio, eu quero você longe dela.
—Não tiro sua razão, e entendo perfeitamente sua posição, acho que eu seria ainda mais agressivo e incisivo no lugar do senhor, mas acontece que eu não vim até aqui pra perder a viagem, já que cheguei até aqui só saio daqui morto e depois de falar com ela, porque antes disso não arredo pé, nem mesmo sob meu cadáver.
—Nunca mais vou deixar você se aproximar dela, e se insistir, eu dou um jeito de te provar que não fala com ela nem sob o seu cadáver.
Gaara ficou firme e encarou o outro, que mais uma vez se enfureceu com a atitude dele, e deu outro soco, Gaara não reagiu, recebeu o golpe, e depois, outro, e outro, e outro, sentindo o sangue jorrar de sua boca e seu maxilar doer pra caralho, mas se quer se defendeu, porém, quando o outro foi dar mais um golpe, ele segurou o pulso dele, não com força, apenas bloqueando.
—Podemos ficar aqui o dia todo, ou deixar que ela decida se eu devo ou não falar.
O pai dela bufou de ira, levou a mão à cintura, onde passara a carregar sua espada, mas a mulher dele lhe segurou a mão e lhe olhou daquele jeito calmo e paciente de Ino.
—Eu não... -o pai dela iniciou.
—A escolha não é sua. -retorquiu a mãe.
—Nem vem com essa, eu não vou deixar você se meter dessa vez, na primeira já deu no que deu, ele não vai chegar perto dela de novo.
—Eu estou tão infeliz com tudo isso quanto você, ela é minha filha, e por mais que eu tenha planejado e feito para esse casamento acontecer, concordo que foi um fracasso e farei de tudo pra que ela fique, mas se ela desejar escutar, não vai adiantar você acabar com a raça dele.
Gaara olhou pra aquela mulher, como estivera enganado, apostava que nem Ino imaginaria uma atitude como aquela, mas ao menos um deles tinha uma família de verdade e ficou feliz pela loira.
O pai dela suspirou fundo e soltou o colarinho dele, o empurrando pra trás.
—Ela está no riacho, costuma ficar lá pra pensar, mas vai com calma, ela está muito sensível.
—Juro que não farei mal nenhum a ela.
—É difícil acreditar, mas vou tentar. Pegue seu cavalo, é um pouco longe daqui, indo ao sul.
Gaara passou a manga da camisa na boca, limpando o sangue que lhe corria pelo queixo e respirou fundo.
—Obrigado senhor.
O pai dele ainda torceu o nariz, não estava satisfeito, no entanto, sabia o motivo da mulher ter se intrometido, ambos sabiam que Gaara nem desconfiava da gravidez de Ino e sendo assim, cabia a ela lhe dizer e escolher como agir, mas ele estava preocupado com a reação do ruivo, por isso lhe daria uma dianteira e iria atrás dele, não tornaria deixar Ino desprotegida, jamais aquele imperador maldito, feito de areia, iria encostar em sua filha.
O ruivo saiu na frente e pegou Sheiky, foi cavalgando ao sul, enquanto seu coração quase saia pela boca de tão nervoso e ansioso que ele estava, sua percepção ficou comprometida, as batidas em seu peito lhe deixavam surdo, a ânsia de vê-la lhe cegava pro resto e ele só fazia pensar no que diria, por isso não se deu conta de que era seguido.
Quando viu a mata a sua frente viu dois caminhos, ficou na dúvida, então Sheiky relinchou e apontou um deles, Gaara resolveu confiar no cavalo, era muito mais acertado confiar nos instintos do animal do que nos seus, que estavam tão confusos.
Ficou com medo dela não lhe ouvir, dela o odiar, mas não diria e nem faria nada se assim fosse, ele dera motivos de mais pra isso, e foi com esse medo que ele seguiu em frente e avistou Laica comendo tranquilamente, Sheiky relinchou e a égua se virou imediatamente e ficou meio boba olhando o garanhão negro se aproximar.
Depois de alguns momentos Gaara pode ver Ino se aproximar, o barulho do cavalo deve ter chamado sua atenção e meio bobo pela visão linda que Ino sempre era, Gaara não percebeu o movimento de Sheiky e Laica, a égua veio de encontro a eles e o cavalo negro e o branco empinaram e comemoraram em alegria, fazendo Gaara cair de costas.
Sheiky se voltou pro dono e pareceu meio constrangido.
—Muito bonito mesmo. –disse Gaara pondo as mãos na cintura ainda sentado no chão, e depois respirou fundo, ele realmente merecia tudo aquilo, só não achou que viria tudo de uma vez.
O ruivo se levantou e bateu as mãos na roupa, tirando a terra de si, e depois olhou pra frente, Ino estava assustada de vê-lo ali, parecia não entender nada, mas ele já se sentia muito melhor só de por os olhos nela, seu coração se curava de poder olhá-la e mais do que nunca ele teve certeza, ele amava aquela mulher mais do que a si mesmo.
Seus cabelos longos corridos nas costas, tão quentes como a luz do sol, suas pernas torneadas a mostra pelo vestido, a roupa leve e bem solta, em um vestido roxo que realçava sua pele delicada, macia e clara, seus olhos, mesmo que opacos, sempre tão sinceros, sua boca desenhada, de lábios medianos, sempre tão convidativos... Ele era ainda mais imbecil por ter perdido aquilo tudo.
Mas não poderia só ficar observando ela o dia inteiro, por mais que gostasse da idéia, fora parar ali com um propósito, dizer a ela tudo o que já deveria ter dito há muito tempo, o problema era como começar...
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