Imperador de Areia
3 Capítulo 3 - Aceito
Notas iniciais
Depois da briga com Ino, Gaara caminhava pelo jardim e pensava nas coisas que dissera e ouvira se perguntando por que aquela maldita discussão começara.
Todos pensavam que ele gostava da guerra, que gostava das lutas, mas ninguém sabia que na verdade tudo aquilo era um fardo pra ele, ele odiava tudo aquilo, ele odiava discutir e todo o resto, e esse sentimento, o ódio, era o único que ele conhecia.
Já experimentara o amor, não podia dizer que nascera daquele jeito, porque ninguém nasce odiando, ninguém nasce sabendo o quanto o mundo pode ser terrível e ele amou a mãe, amou tanto que matou pela primeira vez por ela, e amava tanto que fora a única pessoa que nunca odiou, mas ela morreu, morreu por sua culpa, sempre pensara assim, sentia que tinha falhado com ela, e então só lhe restava a irmã, que ele também amava, mas nem de longe sentia a devoção por ela como a que tinha pela mãe, até mesmo porque, sua irmã era tão teimosa e insensível quanto ele, por isso eles as vezes brigavam, as vezes podiam dizer que se odiavam, mas era a única pessoa por quem ele sentia algo bom.
No entanto, parecia que com sua esposa as coisas seriam bem diferentes... Ele a subestimara pelos traços leves e quase infantis de suas feições, ela era teimosa, desafiadora, não sabia se calar quando devia, e ele não podia, não queria lidar com isso, porque odiava ser contrariado.
Nunca gostou de ser o imperador, mas já que era, gostava do que isso lhe rendia, gostava da proteção que sua fama lhe dava, porque ninguém lhe incomodava, ninguém chegava perto o suficiente pra ver que sua carapaça de areia, porque por mais dura que fosse, tinha algumas fendas mínimas das dores de seu passado.
Tinha de admitir uma coisa Temari tinha razão, ele se impressionara com aquela mulher. Ela sabia o que lhe aguardava, sabia como deveria ser, mas não sabia controlar seu gênio, e acabava dizendo coisas que o deixava muito mexido, e ninguém conseguia isso dele.
Uma briga tola por joias tolas. Ele queria ver até que ponto ela era interesseira, conhecia uma ótima tática pra isso e por isso mandou as melhores joias de sua mãe, e ela provara que não era interesseira, que era fiel a família, ainda sim fora uma afronta, se ao menos ela tivesse guardado as joias, ou as mesclado com as que ela usaria, teria sido menos ruim, ele poderia até levar como apenas imaturidade, só que não, ela preferiu usar só as dela, devolver o presente e não baixou a voz quando ele falou com ela, resultando em uma discussão sem nexo nenhum.
Cansado de perambular a esmo, Gaara se sentou na beirada da fonte no jardim, as gotas de água lhe molhavam a camisa branca e esfriavam seu corpo. Perto dali viu a tenda da festa e uma garrafa de vinho tilintou na sua visão, foi até lá, pegou a garrafa e voltou pra onde estava, começando a consumir o líquido quente, saboroso e encorpado.
—Brigou com ela eu aposto. –disse uma voz conhecida atrás dele.
—Como sabe? –ele disse encarando os olhos atentos da irmã.
—Porque se não você estaria consumando o seu casamento de bom grado, já que ela é tão linda.
—Você acha mesmo que eu sou um monstro, não é? –ele indagou vendo ela se sentar ao seu lado e encarar o céu, enquanto ele encarava o chão. –Acha mesmo que me deitaria com aquela criança?
—Bem, aposto que não a achou criança quando discutiram... –ela olhou pra ele, mas ele não teve nenhuma reação. –Mas não achei mesmo que se deitaria com ela, conheço bem meu irmão, ele não é o que todos pensam, apesar de fazer por merecer o que dizem. –ela disse ainda olhando pra ele e viu ele erguer a cabeça e encará-la.
—Ela é mesmo linda, é bem diferente do que eu supunha, mas tudo isso é um erro, é uma tolice, eu não posso fazer nada de bom por ela. Fico pensando como podem dar um destino tão terrível a ela, como podem ser tão egoístas fazendo dela um elo pra selar uma paz que cedo ou tarde vai acabar, de uma maneira ou de outra... Eu não sou nem de longe o melhor homem desse mundo e admito que não faço nada pra melhorar, gosto de ser assim, e quase chego a ter pena dessa menina, quase sinto pena, mas ai vem a raiva, se ao menos ela se colocasse no lugar dela, teríamos tranquilidade.
—Bom, eu não sei bem o que é justo, o que é pena e o que é certo neste caso, porque ela assumiu o destino dela e se rende a ele com todo o seu coração, ela está disposta a esse sacrifício pelos outros, e ela vai conseguir um pouco disso pra eles, então não sei...
—Como é que ela pode aceitar isso de bom grado? Ninguém é tão bom assim, ninguém é tão bom a ponto de se sacrificar assim.
—Eu acredito mesmo que ela é e sabe o que mais te incomoda nisso tudo? O mesmo que me incomoda, ela é parecida de mais com nossa mãe.
—Não fala bobagem.
—Bobagem? Acha mesmo? Apenas nossa mãe já foi tão boa, apenas nossa mãe era tão linda, apenas nossa mãe era tão infantil e tão mulher, mas ela é diferente de nossa mãe em uma coisa, ela é muito forte e é uma guerreira nata.
—Você está maluca. –ele disse se erguendo. –Nossa mãe foi muito forte, ela...
—Porque se engana assim Gaara? Se nossa mãe tivesse ao menos metade da coragem que essa menina tem, você não teria feito o que fez, nós não passaríamos pelo o que passamos e nem teríamos que ser como somos.
—Não fale assim dela, você não sabe o que diz. Passou tanto tempo bajulando nosso pai que nunca viu como ela realmente era. Você tem que lavar a boca pra falar dela, nunca deu o devido valor a ela. -ele voltava a se enfurecer.
—Não seja injusto comigo Gaara, eu que limpei o sangue dela do chão, eu que a levei até sua cova, mesmo nosso pai me proibindo, eu dei a ela os últimos cuidados de dignidade, então não diga que ela não é importante pra mim, mas ao contrario de você eu sei que ela não era uma santa, ela não era perfeita e um dos seus defeitos era fraquejar quando não podia.
Gaara olhou pra irmã com raiva, não aceitava aquilo de jeito nenhum, e a vontade que tinha era discutir com ela o resto da noite toda, no entanto, sabia que aquilo iria longe de mais, mais longe do que ele poderia querer e no fundo Temari tinha razão, ele não podia acusá-la de não amar a mãe deles, porque do jeito dela, ela amava e fizera muito pela mãe.
Então ele apenas deixou a garrafa meio vazia no chão e deu as costas pra irmã, começando a andar, mas a voz dela o parou.
—Nunca vamos concordar sobre isso, mas também não quero mudar seu jeito de pensar, mesmo que de forma um tanto distorcida, quase doentia, essa sua devoção te faz bem, mas você não pode mudar uma coisa, está casado com a Ino, ela deve ser sua esposa em todos os sentidos, se não é você quem será envergonhado pelo casamento, então me diga, como vai confirmar essa união se ela permanece virgem e seus lençóis continuam brancos como a lua?
Ele olhou pra ela e não percebeu expressão e nem sentimento nenhum, era apenas um aviso e ele sabia que ela tinha razão, na manhã seguinte iriam até o quarto deles, revirariam os lençóis e saberiam que ela ainda era virgem, que o casamento não havia sido consumado e que assim ela deveria ser devolvida, porque ele não dera conta de sua esposa.
Gaara deixou Temari no jardim e voltou para o quarto, Ino estava dormindo placidamente sobre os lençóis, provavelmente havia pego no sono depois de tanto chorar, já que sua maquiagem e seu rosto estavam marcados pelos borrões e pelas lágrimas, então ele se sentou na poltrona quase ao pé da cama e ficou a observando, pensando no que faria a seguir.
Ino era iluminada pela luz da lua que estava incrivelmente viva naquela noite, a brisa da noite fria entrava pela janela e ela se encolheu um pouco, seu peito subia e descia a cada respiração, a camisola branca leve lhe contornava as curvas aparentes, seus cabelos dourados sobre os travesseiros brilhavam com a luz branca, sua face serena lembrava um dia bom de verão com o céu azul e a brisa fresca no Oasis de Suna, e nada escapava aos olhos aguçados de Gaara.
Ele se ergueu da poltrona e foi até a janela, já que ela estava com frio, ele fechou esta, impedindo que a brisa a fizesse se encolher mais e estragasse seu sono, mas o que ele não sabia é que ela já estava a despertar, e quando abriu os olhos o viu fechar a janela, depois pegou o lençol grosso jogando no cesto de vime a cobriu, enquanto ela fingia que ainda dormia. Ele também não entendeu porque fazia aquilo, jamais tivera alguma preocupação do gênero, mas talvez pela duvida do que fazer com ela, com sua surpresa por ela ser uma pessoa boa, achou que era justo protegê-la de alguma forma, até mesmo porque ela dormia e não tinha como se defender e nem saber o que ele fazia.
Depois de cobri-la ele foi ao banheiro, queria tomar um banho, mas procurava outra coisa antes, uma ideia havia passado por sua cabeça, enquanto isso, Ino viu a porta do banheiro ser fechada, abriu mais os olhos e olhou pra si, ele tinha se preocupado com ela, por quê? Eles se odiavam, tinham brigado feio, porque tomou conta dela, porque a protegeu?
Ela ficou pensando nisso e não se deu conta de que ele voltava ao quarto, mas quando o encarou, ele não tinha nenhuma expressão, era só o homem frio de sempre.
—Acordou é... Bem, isso é bom, tenho que falar com você.
—Não quero mais brigar. –ela disse de vagar se rendendo, não conseguia mais sentir raiva dele depois do gesto que ele tivera, e mesmo sabendo que nada mudava o que ela pensava dele, talvez o homem de areia ainda tivesse um pouco de consciência ao menos.
—Isso já é um bom começo. –ele disse seco, com um ar de trégua. –Mas não é sobre briga que quero falar, quero é lhe fazer uma pergunta. Você entende tudo o que eu disse mais cedo? Entende que é minha esposa e deve obediência ao seu marido?
—Sim, eu sei que lhe devo isso. –ela disse sem animo, com o olhar baixo.
—Entende que não quero mais nenhuma afronta?
—Eu vou fazer o máximo pra me controlar.
—Certo, estamos nos entendendo. –o dia começava a nascer e a lua ia se despedindo, enquanto o sol começava a pintar a manhã, manchando o céu negro de outrora.
—Mas Sr. Sabaku, nós não... quer dizer, essa noite deveríamos... –ela não sabia como dizer o que tinha de ser dito.
—Eu sei, nós não fizemos nada que queriam que fizéssemos, mas é por isso mesmo que quero falar com você e que entenda tudo isso, porque quero saber se está mesmo disposta aos sacrifícios que essa nova vida vai lhe impor, em nome do bem de seu vilarejo, se disser que está, darei um jeito no que não aconteceu.
Ela olhou pra ele assustada, com medo, não queria fazer nada com ele, e por mais que tivesse sido preparada pra aquilo e soubesse que aconteceria, ainda estava com medo do homem frio e calculista que falara com ela na noite anterior.
—Não, não vou te tomar a força agora, mas diga de uma vez, você vem ou não? -ele podia ler os pensamentos dela traduzidos em sua expressão.
—Fui preparada pra assumir essa responsabilidade e estou disposta a assumir tudo o que tenho que aceitar pelo bem dessa gente, mas ainda me sinto amedrontada de ter um homem dentro de mim. –ela disse o final toda envergonhada.
—Bom, se é assim, vá arrumar suas coisas, vou dar um jeito nessa cama.
—Mas...
—Já está discutindo minha ordem?
—Não, me perdoe.
Ela se levantou da cama e viu ele tirar uma pequena lamina do bolso, depois esticou a mão e fez um pequeno corte no antebraço esquerdo, deixando que o sangue instantâneo pingasse sobre o lençol de ceda da cama.
Ino observou o que ele fazia e não entendeu nada, porque ele estava sendo legal com ela? O que queria com aquelas cenas?
—Obrigada. –ela disse por fim.
—Não faço isso por você, faço isso por mim, quer que descubram que não fui capaz de dormir com uma criança porque me lembra minha irmã quando era mais nova?
Ela engoliu a seco, como pudera pensar que ele tinha sentimento? Como poderá pensar que ele se preocupava com ela?
Tudo o que fazia era por ele, pra que ele não fosse envergonhado e uma ponta de raiva e aflição tomou o coração dela ao pensar que era tão imprestável a um homem que só conseguia fazê-lo lembrar da irmã dele, com certeza ela se sentia um lixo agora, porque fora ensinada que deveria despertar desejo, se fazer bonita aos olhos de um homem e ela só fazia ele ter nojo de estar com ela.
Eles arrumaram as suas coisas e desceram pra tomar o café, trombando com a mãe de Ino, Temari e mais algumas mulheres da casa que com certeza estavam rondando o quarto pra saber se tudo correra bem durante a noite.
—E então, dormiram bem? –indagou a mãe dela.
—Teria sido melhor se não houvesse tantas flores, aquilo dá coceira na gente. –disse Gaara frio, sabia que aquilo aborreceria a mãe dela, a deixaria preocupada e ele se sentia bem com isso, enquanto a irmã dele balançava a cabeça em sinal negativo, sabia o que ele fazia e pretendia com aquilo. –Mas já vamos tomar café. –ele segurou a mão de Ino e ao contrario do que ela pensava, sua mão não era fria como ela imaginava, ele tinha calor, isso mostrava que tinha mesmo sangue nas veias e que ele não era congelado.
Eles foram para a sala de jantar, o pai dela já estava lá e apenas olhou pro casal quando entrou, ainda não engolia o preço que a filha tivera que pagar por pessoas que não valiam a pena, mas como dera sua palavra, tinha de mantê-la, e só por isso não impediu o casamento.
—Bom dia papai. –disse a loira beijando o rosto do pai.
—Bom dia, querida. –ele respondeu, mas sem o mesmo calor de sempre.
Gaara e Ino se sentaram a mesa e a emprega lhes serviu suco e um pouco de comida, como queijo, pães e geleia.
—Soube que partirão ainda de manhã... –disse o pai dela sem animo.
—Meu exército estará na estrada em uma semana, tenho que deixar tudo preparado antes da minha partida. Não posso me dar ao luxo de tirar folga a cada vez que me casar. –disse Gaara com seu tom habitual.
Pai e filha engoliram a seco, e o homem ficou ainda mais aborrecido, não sabia se poderia aguentar uma afronta como aquela por mais muito tempo.
As mulheres adentraram e algumas foram para cozinha, enquanto Temari e a mãe de Ino se sentaram a mesa também, a mais velha tinha um ar de felicitação, enquanto a outra parecia descontente, Gaara sabia que era pelo sangue no lençol e achou engraçado de como a mesma coisa poderia causar reações tão diferentes em pessoas distintas.
—Sr. Sabaku? –disse um dos soldados que acompanhou Gaara até ali.
O ruivo mandou que ele se aproximasse e dissesse o que queria.
—Já está quase tudo pronto, falta apenas selarmos os cavalos e poderemos partir ao seu comando.
—Ótimo, eu já vou até lá pra fazer isso.
—Mas senhor, meu companheiro já está selando os cavalos.
—Como é que é? –disse Gaara se erguendo em um pulo.
—Oras, não foi sua ordem? –indagou o homem aflito.
—Me diga que não se aproximaram do Sheiky. –disse Gaara com a voz grave.
—Bom, íamos começar a selar ele...
Eles ouviram gritos do lado de fora e muitas coisas se quebrando.
—Merda. –grunhiu Gaara correndo pro lado de fora, sendo seguido pelos outros.
Os estábulos não eram longe da casa e Gaara chegou e viu seu cavalo arredio dando coices e correndo como um louco pelo local, um de seus homens estava machucado e sendo arrastado pelos outros dois companheiros, e ninguém conseguia fazer alguma coisa com o cavalo.
Gaara tirou o sobretudo leve e branco, ficando só com a camisa e calças, junto com as botas de montar e correu de encontro o animal, que quase o pisoteou, mas ele escorregou na terra e passou por de baixo deste, segurando suas rédeas meio frouxas. Quando estava de pé de novo, Gaara deu um puxão no animal que correu de encontro a cerca de madeira do estábulo, Gaara bateu os pés na cerca e pulou cobre o cavalo que estava sem sela, depois debruçou sobre o animal, lhe acariciando o pescoço e retirando a rédea de sua boca e jogando no chão, o cavalo se livrou do incomodo e começou a se acalmar, então o ruivo lhe deu um toque na barriga e lhe segurou a crina, fazendo ele parar, quando ele parou por completo estava ofegante, relinchou e empinou algumas vezes, com o Sabaku o controlando, ainda montado e quando o cavalo sentiu a exaustão de tudo aquilo, ele ficou parado, com a cabeça baixa, enquanto seu cavaleiro ficou da mesma forma.
O Imperador respirou fundo e trouxe o cavalo até o bebedouro, o deixou lá calmamente, longe de outros animais e das pessoas e foi de encontro ao soldado que fora dar o recado.
—Quem foi o energúmeno que disse pra selar meu cavalo?
—Bom senhor, a Temari disse que era pra selarmos como se fosse uma ordem sua.
Gaara fuzilou a irmã com o olhar e depois se voltou para o seu soldado.
—Pegue as coisas e prepare os outros cavalos, já vamos partir.
—E o Sheiky?
—Deixa que com ele eu me entendo, só não se aproximem.
Ele fez que sim com a cabeça e saiu pro outro lado, enquanto Gaara segurava o braço de Temari com força e a levava para dentro.
—Faça isso mais uma vez e te mando pro quintos dos infernos. São meus homens, minhas decisões, se tiver algo de errado, eu dou um jeito, mas não ponha a vida dos outros em perigo.
—Aquele cara é um imbecil, bem que mereceu.
—Não cabe a você decidir quem o que merece cada um, e se eu tiver que ter essa conversa com você de novo eu não vou pensar duas vezes em te por fora do meu exército, entendeu?
—Você não faria isso?
—Então paga pra ver.
Ela olhou bem nos olhos dele e ambos trocaram faíscas, então ela pegou a espada sobre o aparador da sala de jantar e saiu.
Ino estava parada a porta e viu Gaara baixar a cabeça e ter dificuldades pra respirar, então se aproximou dele.
—Posso fazer alguma coisa pra ajudar?
—Pode, pegue suas coisas e vamos dar o fora daqui, preciso controlar essa gente.
Ele saiu pisando alto e Ino encarou os pais, estava na hora de partir e todos estavam espantados com a dureza daquele homem, mas também boquiabertos com sua coragem, se ele não tivesse parado o animal, alguém seria pisoteado até a morte, então qual seria seu verdadeiro ser, a coragem e o zelo, ou a rudeza e as ameaças?
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