Imperador de Areia

27 Capítulo 27 - Chamas do ódio


Notas iniciais
boa leitura...

Gaara acordou e o céu estava cheio de estrelas, nunca pensou que pudesse dormir tanto, chegara ao amanhecer e dormira por um dia inteiro? Milagre com certeza.

De vagar foi se movendo, até ficar sentado, seu corpo doía muito, com certeza ele não queria que ele voltasse a se mover tão depressa, mas seus músculos deveriam saber que de nada adianta reclamar.

Viu Ino adentrar o quarto e sorrir pra ele, sua face tomou uma expressão de alívio.

—Que bom que acordou, já estava preocupada.

—É, dormi de mais...

—Pões de mais nisso. Pra quem nunca havia dormido depois dos onze anos de idade, você caprichou nesses dois dias.

—Dois dias? Estou dormindo há dois dias? –ele estava espantado.

—Sim, esteve. Agora deve estar com fome.

Ele ouviu a barriga roncar, até ela ouviu, então ele sorriu de canto.

—Parece que estou mesmo com fome.

—Então venha, o jantar vai ser servido.

Eles desceram e Temari junto com Hinata vieram até ele sorrindo.

—Que bom que se levantou maninho, espero que se sinta melhor.

Ele achou estranho aquele maninho, não ouvia algo parecido com aquilo desde os cinco anos de idade.

—Estou, mas quero comer. –eles foram pra mesa. –Onde está meu cunhado?

—Ainda de cama. Teve um corte profundo na barriga, vai ter que repousar até curar, se não fica perigoso.

—Mas é preguiçoso mesmo. –disse o ruivo abanando a cabeça e arrancando sorrisos das mulheres.

Eles jantaram, e depois subiram pra ver o Nara, que ficou contente de ver o imperador parecendo tão bem.

—Agora chega de guerras não é Gaara? Você vai acabar perdendo todos seus soldados.

—Sim, vamos dar um tempo na guerra, mas não fica feliz não, você vai ter muito trabalho por aqui, aliás, todas vocês também, estou com muitas e grandiosas ideias pro vilarejo e todo o império de Suna. –ele disse com a voz modificada, seria alegria?

—Que bom te ver animado. –disse Hinata gentil.

—Vai tudo ficar ainda melhor, eu garanto.

—E agora, vai dormir mais um pouco? –indagou Shikamaru zombeteiro.

—Nada disso, estou enferrujando desse jeito, eu vou dar uma cavalgada e depois começar a por meus planos em ação.

Eles conversaram um pouco mais e depois o ruivo foi pro seu escritório, e Ino e Hinata foram pro seus quartos, no entanto a loira não conseguiu dormir, sentira muita falta do ruivo pra ainda sentir saudades com ele tão perto.

Ela desceu as escadas e viu a luz do escritório acesa por debaixo da porta, então de vagar foi até lá, bateu na porta, mas ninguém respondeu, bateu de novo, e de novo nenhum som, ela ficou preocupada, ele ainda podia estar fraco, e acabado acontecendo alguma coisa, então abriu a porta, ele não estava lá, foi dar meia volta, mas um papel estendido perto da lareira, decorativa, lhe chamou a atenção, então de vagar ela foi até o papel.

Algumas folhas brancas de papel bem fino estavam estendidas, e não demorou ela reconhecer o seu contrato de casamento, onde no fim a assinatura do pai de Gaara se fazia firme e legível, apesar de todos aqueles anos.

Haviam anotações em um bloco de papel vermelho, estavam escritas e jogadas sobre as folhas do contrato de casamento, onde as palavras tempo, valores e divórcio lhe chamaram a atenção.

Ino não conteve a curiosidade, se abaixou e viu que uma caneta estava marcando um trecho específico do contrato, e ela leu:

“O casamento só poderá ser desfeito por vontade do marido, por falta de herdeiros saudáveis, pela infidelidade ou por morte do marido. A não ser pela última hipótese, quebra-se o contrato de paz com a vila de origem da mulher e se finda a proteção que o império lhe oferece.”

A garota sentiu as lágrimas lhe queimar os orbes delicados, e um sentimento tumultuado e sem forma se apossou de seu coração, deixando ela perdida e amedrontada. Queria saber o porquê daquilo, mas não achou nenhuma resposta em sua mente, então passou a ler as anotações.

“Multa pelo fim do casamento.

Perda do direito de barganha com vilas aliadas.

Duzentas moedas de ouro pela traição dele, punição pública pela dela.

Valores contestáveis.

Há de se ter um ano de casamento pra se ter validade dos benefícios dela – estamos casados há dez meses. Tempo favorece.

Divórcio não é permitido. A mulher é severamente punida pelo povo.”

Não havia nenhuma explicação plausível pra quilo, a não ser que ele quisesse deixá-la, mas o que ela queria saber era por que.

Cuidou dele, o amou, soube lhe compreender, lhe esperar, não era a pior pessoa na cama, tão pouco a pior esposa do mundo, ele havia dito que sempre estariam juntos, será que passara a mentir logo pra ela?

Ela deixou as lágrimas caírem, e viu alguém parar a frente dela, de pé, não precisou se quer erguer a cabeça pra ver de quem se tratava.

—O que faz aqui? –a voz fria dele lhe cortou a alma.

Ela olhou pra ele, as lágrimas corriam por sua face, seu corpo tremia, mas o que a dominou foi a raiva, o ódio que ele ensinara a ela sentir, então se levantou agitada e encarou bem ele.

—O que significa tudo isso? –ela disse nervosa, como se o acusasse.

Gaara mudara muito, mas ainda não aprendera a controlar seus instintos enquanto era desafiado, enquanto alguém tentava julgá-lo. Aprendera que sempre deveria ter a última palavra e fazer as pessoas verem isso, não seria Ino que iria mudar isso, não falando daquela forma, não invadindo o lugar que ele deixara bem claro que ela não poderia entrar.

—Eu perguntei o que é que você faz aqui? Pensei ter dito que era proibido a entrada nesse lugar.

—Eu pensei que você tinha dito que ficaríamos juntos, que seria só meu, mas você é um mentiroso, canalha! -ela gritava as palavras amargas.

Ele sentiu o sangue voltar a queimar suas veias, o ódio adormecido começava a ser despertado, seu sangue esquentava toda vez que alguém lhe acusava, ainda não conseguia controlar esse instinto.

—Você está errada aqui, não misture as coisas.

—Ainda bem que fiz algo errado, assim descobri o quanto você é um canalha, traidor, mentiroso, cretino e...

Ele segurou ela pelo pulso, enquanto ela erguia o dedo o acusando e desafiando, bem próximo ao rosto dele.

—Prove o que diz antes de dizer. O que leu aqui não prove nada, não sabe o que eu faria com isso. Depois, eu não lhe devo satisfações garota, portanto tome seu lugar. Você é uma fedelha irritante, e pode parar de agir como se mandasse em mim. -a voz cortante a fez tremer por dentro, ele era só o imperador frio de costume.

—Como pode ser assim? Como pode querer destruir tudo o que demoramos tanto pra construir? Porque quer me devolver Gaara, por quê? -ela só tinha lagrimas dolorosas para expressar o quanto se sentia machucada.

Ele pensou em lhe contra a verdade, mas achou que ela não merecia então se calou, não mentiria pra dar razão ao que ela dizia e usava pra lhe acusar. Havia uma explicação, uma bem boa, mas ela havia o acusado e lhe ofendido, ela duvidava da palavra dele, a aquela altura ele só queria que ela confiasse, mas ela insistia em o desafiar.

O silêncio dele a abalou profundamente, se sentiu mal, a cabeça pesava e sem controlar direito seus sentimentos, ela ficou muito irritada com ele, se é que poderia ainda ficar mais irritada.

—Eu pensei que você estava mudado, que tinha aprendido um pouco de coisas boas, mas como puder ser tão idiota? Todo aquele melodrama era pra eu ir pra cama com você, sem que você tivesse que se encarar como seu pai pra isso. Me usou todo esse tempo, mentiu, me enganou, como teve coragem? –ela chorava, mas já não gritava mais. –Você ainda é ai dentro o imperador de areia, o monstro que...

—Cala a boca. –ele disse rangendo os dentes e serrando os pulsos, não podia ouvir aquilo, não depois de tudo, ser chamado de mostro sempre lhe doía de uma forma que ele não podia explicar, era fundo e lhe machucava de mais.

Ino se calou, e nessa hora foi tomada por uma imagem se formando na frente dela, era uma criança, parecida com Gaara, sendo o próximo monstro de areia e aquilo a feriu muito, lhe corroía por dentro, não queria que um filho dela passasse por aquilo e muito menos fosse alguém como ele e seu pai.

—Eu te odeio Gaara. –ela disse com amargura, odiava aquele destino. O que fizera pra merecer ser a genitora do próximo demônio de areia? Será que conseguiria salvar seu filho?

Ele sentiu o coração ser despedaçado com aquelas palavras, naquele momento ouvir que ela o odiava doía mais do que ser chamado de mostro, era algo novo, um sentimento confuso, e ele ficou com mais raiva, era muita coisa para lidar, ele não entendia nada daquilo, então sua mente e seu corpo reagiram como sempre fora ensinado, com ódio, era a única coisa que ele conhecia bem, e o pensamento de como ela poderia dizer tudo aquilo, poderia pensar o pior dele depois de tudo o que fez por ela? Depois de tudo o que mudou por ela?

Se ela o amasse deveria confiar nele, nas escolhas dele, não? Ela estava lhe machucando de mais, nem mesmo os dois meses no inferno tinham sido tão dolorosos.

—Vá pro seu quarto Ino. Agora! –ele ordenou com a voz mais fria possível.

—Não, só depois que você...

—Você acha mesmo que está na condição de exigir alguma coisa? Eu juro que sou capaz de quebrar minha primeira promessa e te trancafiar no sótão ou no porão por um mês se não sumir da minha frente agora. –ele disse com o ódio tilintando em seus olhos, como fora no dia que ele a tomou a força.

Ino olhou fundo nos olhos dele, as lágrimas ainda caindo, já mais espaçadas, e o sentimento de revolta dentro de si se manifestou, preferia mil vezes brigar e ser trancafiada do que se sentir apática enquanto era apunhalada pelas costas, mas ela sabia e sentia que não estava mais sozinha, não poderia por uma vida em risco, ainda mais sendo de seu filho, por mais medo que ela tivesse do que ele seria.

A loira deu as costas pra ele e foi se dirigindo pro seu quarto, no meio das escadas ela ouviu um barulho alto, Gaara estava quebrando e revirando coisas no seu escritório com raiva, mas ela não se abalou, continuou seu caminho.

No corredor dos quartos, Temari e Hinata estavam paradas a porta assustadas, tentando saber do que era aquele som, mas ao verem Ino com lágrimas na face entenderam tudo, então voltaram pra dentro de seus aposentos.

Gaara estava ofegante, estilhaços de vidro e barro de peças no escritório estavam espalhados pelo chão e deixando marcas nas paredes, a mesa estava revirada, duas poltronas de ponta cabeça e ele com um corte fundo na mão ao socar um espelho.

O sangue quente, reluzente e vivo tilintava sob a luz do lugar, enquanto ele encarava o espelho estilhaçado no chão, onde os cacos refletiam sua imagem, a pior imagem de todas. Ele se sentia bem pela fúria, ela estava ali pra lhe consolar depois de mais uma perda, ele respirou fundo, nunca se livraria daquele consolo deprimente?

Olhou pra mão, o sangue pingava no chão sobre o tapete caro e herdado, o coração destruído, a vontade de desaparecer sendo forte e então olhou os papeis, as anotações, pegou tudo e rasgou com violência, e nada fazia a raiva diminuir.

O corpo dele tremia dos pés a cabeça, seus músculos se moviam sozinhos, ele sentia um comichão preencher todo seu ser, e nada ali fazia sentido mais, tudo era mentira, a felicidade que achou que tinha era só mais uma de suas miragens.

Queria se acalmar, queria que toda aquela destruição fosse suficiente, mas não era, aquele ódio exigia sangue alheio, e ele gostaria de poder o derramar, gostaria de acabar com aquilo tudo, não suportava aquele sentimento, aquela sede, sua vida que parecia estar tomando um rumo diferente, seu coração que parecia começar a se curar, já estava tudo revirado de novo. Precisava se controlar, precisava organizar sua mente, a clarear, mas tudo estava embaçado por aquela amargura.

Ele foi pro seu quarto, lavou a mão em água corrente e enfaixou ela, afim de parar de sangrar, depois ficou olhando pela janela, viu os estábulos, o jardim, e se pegou pensando que queria que tudo aquilo fosse pro inferno, e que tudo desaparecesse enquanto o fogo queimava tudo, e aquele pensamento terrível lhe trouxe um sorriso sádico pros lábios.

O pensamento de ver tudo o que ela tanto amava queimar lhe trouxe consolo, seria tão bom ver ela pagar por dizer aquelas coisas. Por um breve momento pensou que ela poderia o curar, mas ninguém jamais confiaria nele, ninguém seria capaz de o verde verdade, então deveria ser e fazer o que sabia que jamais mudaria.

Estava na hora de voltar a ser o que era, porque entre ser respeitado e ser temido, muito melhor ser temido, assim não tinha que aturar a perda, a desconfiança e nem a desilusão de ter a esperança tirada de si novamente.

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—Hinata, arrume algumas malas, nós vamos viajar amanhã. –Gaara disse na mesa do café.

—Viajar? Pra onde?

—Tenho alguns contatos pra engatilhar e você vai como minha esposa.

—Mas... Mas... A Ino é sua primeira esposa e deve ter a preferência, eu... –Hinata estava confusa.

—Ela vai quando aprender a se comportar, se é que isso é possível. Vamos sair de manhã, pode escolher um dos cavalos pra você montar. –ele interrompeu a morena, enquanto se sentava.

Gaara não havia se quer olhado pra loira sentada no mesmo lugar de sempre, ao seu lado, e Temari ficou de boca aberta, alguma coisa muito errada estava acontecendo, os olhos de Gaara estavam apagados como eram antes de Ino entrar de verdade na vida dele.

—Me desculpe insistir Gaara, mas eu não acho que...

—Está mesmo discutindo comigo Hinata? –ele olhou pra ela de um jeito tão frio que congelou a alma da morena.

Ino teve um fio de esperança, se Hinata criasse coragem e o afrontasse ele teria que se dar por vencido, teria de rever seus modos, teria de assumir que o errado era ele, mas Hinata não fez nada que não fosse típico dela.

—Não Gaara, não estou, apenas sugeri algo, mas se é sua vontade, eu a farei. –ela baixou a cabeça submissa.

Ino ficou frustrada e furiosa, porque conseguiam fazer as mulheres serem daquela forma?

—Isso é muito bom. –ele engoliu uma xícara de café preto e depois foi pro escritório, no caminho pegou a garrafa de uísque e sumiu das vistas delas.

Depois de um tempo de silêncio, Temari não conseguiu mas guardar a pergunta.

—O que houve entre vocês Ino?

—Nada de novo Temari, só seu irmão sendo ele mesmo.

—O Gaara não era mais assim, algo muito sério aconteceu. Ontem a noite...

—Ontem a noite ele só foi ele mesmo, filho de quem ele é. Gaara jamais se afastara de quem era seu pai, ele é assim e pronto.

Ino se levantou e foi pro seu quarto, Hinata encarou as costas da loira e depois suspirou, Temari se sentiu triste de ver as coisas daquela forma, mas no fundo sabia que aquilo era inevitável, uma hora ou outra a felicidade iria terminar, porque a maldição de seu pai era eterna e ela temeu por ela mesma, algo ainda podia dar mais errado por ali?

Notas finais
parece q as coisas vão voltar a se complicar... o q vcs acham q ele está tramando? hehehehe atgé o proximo... ps. pretendia postar o proximo no sabado, mas vou ter q viajar a trabalho --', então atualização só no domingo, mas prometo postar mais na semana q vem do q postei nessa semana... bjos...