Imperador de Areia

23 Capítulo 23 - Contratos


Notas iniciais
boa leitura...

Na manhã seguinte, Ino acordou de vagar pela luz que invadia seu quarto e incomodava seus olhos. Ela olhou pro lado, Gaara estava sereno, com os olhos fechados, e ela pensou em ficar ali, pra não tirar ele de seu transe, mas precisava esticar o corpo, então bem de vagar foi se levantar, e se surpreendeu, porque ele mexeu preguiçosamente na cama, se virando e continuando a ficar de olhos fechado e relaxado.

“Ele está mesmo dormindo?”

Ela ficou o admirando um pouco, deitado sobre a cama ainda nu, só com o lençol lhe tapando parte do corpo e nunca achou um homem tão bonito e tão perfeito, nem mesmo a ele. Ali era um novo homem deitado, uma nova pessoa, e ela estava muito feliz com isso.

Ino decidiu ir tomar um banho, e foi para o chuveiro, um banho morno relaxou seu corpo, e sua mente era invadida pelas boas lembranças da noite anterior. Ele tão delicado, o sentimento tão forte, o modo doce com que ele a tratava... Parecia um sonho.

Ela terminou o banho, se vestiu e encarou o relógio de pulso que ela colocou no braço, a hora do almoço já estava muito próxima. Foi até a cama e com cuidado sentou ao lado do ruivo, levando os dedos delicados aos seus cabelos, lhe acariciando, e deu um leve beijo sobre seus lábios.

Gaara se esticou todo, e de vagar foi abrindo os olhos, e sorriu, aquele era um ótimo jeito de acordar. Os olhos dela estavam mais vivos do que nunca, e seu sorriso ainda mais largo e contente.

—Bom dia dorminhoco. –ela disse divertida.

—Minha nossa, é verdade, nunca dormi tanto assim. –ele disse vendo o sol já ficando alto pela janela.

—É bom dormir um pouco, não é?

—Me sinto bem, mais um pouco dolorido, meu corpo repousou de mais. –ele disse se sentando na cama.

Ela sorriu, e continuou perto dele.

—Você parece feliz... –ele comentou abraçando ela e encostando as costas dela contra seu peito, enquanto ela se sentava entre suas pernas.

—Eu estou, muito. Eu sempre quis isso. Uma casa alegre, uma marido carinhoso, uma vida de união com meu esposo, e você está realizando tudo isso. –os dois sorriram. –Agora só falta você me dizer que não se casará novamente...

Ele perdeu o sorriso, e ficou com o corpo tenso.

—O que foi? –ela indagou virando o rosto pro dele, descobrindo sua expressão séria e fria.

—Eu vou tomar um banho e precisamos falar sobre uma coisa.

Ele se levantou e entrou no banheiro, enquanto ela ficou aflita, aquilo só poderia querer dizer uma coisa. Ino respirou fundo, precisava se controlar, não queria que aquele sonho acabasse, teria de ser paciente e atenta, então deveria esperar ele dizer tudo, mas se suas suspeitas estivessem certas, ela não sabia se ia se controlar.

No banho ele resolveu não pensar em nada, já sabia o que tinha de dizer e martelar aquilo não adiantaria de nada, então só tomou seu banho gelado, se vestiu e foi até Ino, que estava apreensiva.

—Ino, eu não gosto de embromação, então vamos direto ao ponto. Eu preciso me casar de novo. –ela abriu a boca pra protestar, mas ele não deixou. –Espere, deixa eu terminar. Eu te disse que casamento acaba virando negocio e se eu recusar esse, uma guerra vai estar armada contra a vila. Um senhor muito importante quer me dar a filha como esposa, eu ainda não sei bem porque, eu confesso, mas ele quer e as vantagens são muitas, inclusive de que mantenho a paz por aqui.

—Você prometeu que era só meu e que... –a respiração dela estava difícil. –Você mentiu pra mim.

—Eu não menti nada. –ele disse meio bravo, essa era uma acusação que ninguém jamais poderia fazer. –Eu te fiz uma promessa e vou cumpri-la, mas esse casamento tem que sair.

Ela sentiu o ar faltar aos seus pulmões.

—Então é assim, vai se casar e pronto?

—Na verdade preciso que autorize publicamente, mas espero sinceramente que faça isso de bom grado.

Ela se levantou bruscamente, se alterando.

—Quer que eu compartilhe da minha desgraça? Sabe o que toda essa gente vai dizer?

—Não me importa o que vão dizer, nós sabemos o real motivo do casamento, e preciso da sua ajuda. Estou pedindo ajuda Ino, sabe o quanto isso é incomum? Eu poderia lhe obrigar, mas quero continuar a compartilhar a minha vida com você, a manter a gente unido, então me ajude, caramba.

—Sinto muito, mas não vou por outra mulher em sua cama. –ela disse chateada.

—Pelo amor Ino. A menina tem sua idade, mas parece um bebê, eu jamais tocaria nela, nem se quisesse, e depois eu gosto de você, será que não percebe isso?

—Então pra que se casar de novo?

—Porque é minha responsabilidade, meu dever. Tenho que fazer o que for preciso por esse povo, e essa aliança é mais que necessária.

—Necessária pra quem Gaara? Porque sempre faz isso comigo? –ela tinha a voz muito triste.

—Eu não queria fazer nada, mas eu preciso Ino.

—Precisa pra que? Pra me humilhar? Já não basta o que fez a mim? –ela gritou com raiva.

—Não. –ele disse seco. –Por incrível que pareça nem tudo gira em torno de você. Será que não ouviu nada do que eu disse até agora?

—Mas não faz sentido nenhum!

—Quer mais um motivo que tenha todo sentido, eu te dou. –ele disse se exaltando, estava farto daquelas brigas, daqueles momentos inconstantes de alegria. –O contrato que meu pai firmou com um aliado pela morte de Temari, caso casasse com quem ele não queria. Eu só consegui o contrato de volta porque aceitei essa droga desse casamento.

Ela quis chorar, mas as lágrimas não vieram, parecia seca por dentro, parecia que a planta do amor e admiração morria aos poucos, mas ela não podia negar que elas tinham muito adubo e que sabia que deveriam renascer, até mesmo porque, Ino sabia que Gaara era cheio de responsabilidades, de deveres de honra e compromisso, de tal forma que sabia que ele tinha mesmo que fazer aquilo, pelo bem do império, mas era justo terem de pagar um preço tão alto? Ela teria de abrir mão de sua felicidade pela de Temari, será que tudo tinha de ser tão caro assim?

Mas o que a atormentava mesmo, o que a deixava tão aflita era o medo de ele acabar gostando da outra, dormindo com ela, amando ela e a querendo mais do que ele poderia querer a si, e isso a corroía.

—Me deixa um pouco sozinha? –ela pediu.

—Se a deixar sozinha sei que vai se envenenar com coisas absurdas, não quero isso.

—Por favor, me deixa pensar um pouco.

Ele respirou fundo, porque que toda vez que se aproximavam, algo acontecia para separá-los e os deixar aflitos? Seria muito pedir um pouco de felicidade continua?

Gaara acabou deixando ela sozinha e desceu, o almoço já estava sendo servido e ela não quis descer, então ele comeu sozinho e foi pro seu escritório, onde ficou a tarde toda, mas com a porta aberta, vigiando se Ino iria descer, mas ela não desceu, a noite as empregadas a chamaram pra jantar, mas ela também não veio, então o ruivo perdeu um pouco a paciência, ela não ia continuar com aquela birra e prejudicar a própria saúde.

Ele pegou uma bandeja com o jantar dela, mandou os empregados irem dormir, e ele subiu pro quarto dela, o qual adentrou sem bater, assustando-a.

—O que é isso? –ela perguntou vendo ele por algo sobre a mesa no canto do quarto.

—Seu jantar. Sente-se já e coma. –ele disse imperativo.

—Não estou com fome, eu já disse.

—Você me ouviu perguntar se está com fome? Você vai comer, nem que seja metade do que eu trouxe, e vai ser agora, porque eu não saio até isso acontecer.

—Você quer mesmo me tratar como uma criança? Ontem à noite não vi você me tratar como tal. –ela disse assumindo sua postura de mulher atrevida.

—Eu te trato como criança quando você começa agir feito uma, então anda de pressa.

—Escuta aqui, você não tem...

—Pode parar ai! Baixe a voz, esse dedo acusador, e pare de me olhar assim. Eu não quero você fazendo greve de fome e se prejudicando, por isso vai comer, e nada do que fizer ou disser vai me fazer mudar de ideia.

Ela demorou um pouco pra responder, até que estreitou os olhos e o encarou.

—Está preocupado comigo, por isso quer que eu coma?

—Algum problema nisso? –ele demorou um pouco a responder, mas quando disse tinha a voz diferente.

—Não vai dizer que é uma obrigação?

—Não é obrigação minha vigiar suas refeições, mas vou fazer isso sim, porque sei que é teimosa, e que vai passar mal depois.

Ela ainda o encarou por algum tempo e por fim se sentou, comeu um pouco, bebeu o suco e depois colocou as mãos no colo e voltou a olhar pra ele, que parecia um guarda-costas prostrado ao seu lado.

—Pelo visto não tem remédio, vai se casar de novo.

—Eu não tenho muita escolha. Ino, eu prometi cuidar da minha irmã, desse povo, e pra continuar assim tenho de fazer isso. –ele disse com pesar.

Ino se calou e ficou olhando pras mãos sobre seu colo, ficou pensando um pouco, até que suspirou e o encarou, não tinha mais um brilho tão vivido no olhar, mas não estava com eles opacos, apenas estava chateada, mesmo assim disse:

—Onde está o contrato do novo casamento? –ela indagou sem emoção.

Ele pensou bem se deveria dar a ela, mas acabou indo buscar, não tinha mais nada pra esconder dela, e quando trouxe os papeis colocou na mão dela.

Ino pegou a caneta que funcionava como um clipe, segurando os papéis pela alça desta, depois folheou por cima o contrato, até a antepenúltima folha, onde havia uma linha, sem nome, sem especificação, onde a primeira esposa tinha de assinar apenas por protocolo, e ela assinou, aquela e as outras duas folhas seguintes, depois jogou pra ele, que leu: Ino Sabaku, e uma mistura de sentimentos o preencheu.

—Amanhã eu dou a noticia ao povo, que você terá uma nova esposa.

Ele a puxou pela mão e segurou sua cintura com o outro braço.

—Se eu te beijar agora, vai ficar brava?

—Não, tudo o que preciso é de um beijo seu, como o primeiro e com a certeza de que não será o último.

Então ele juntou a fome à vontade de comer, e beijou ela com intensidade, ela precisava saber que sempre seria única e especial pra ele, e ele ia fazer ela se sentir assim sempre, era o que desejava do fundo de seu coração, que ela começava a tirar do meio da areia.

Naquela noite, Gaara tomou não só o corpo dela, mas toda sua alma, enquanto ela se entregou de bom grado a ele, pela primeira vez sentiu que de fato tinha feito amor com o homem que diziam ser de areia.

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—Amanhã... –disse Ino suspirando.

—Relaxa, isso vai ser indolor. –ele disse sem emoção.

—Não está com medo de conhecê-la? Ou já a conhece?

—Já a vi, mas nunca falei com ela ou algo do gênero.

—Não está curioso pra saber como ela é?

—Na verdade não.

—Também se sentia assim sobre mim?

—Mais ou menos, eu não queria me casar, você também não, mas eu queria saber quem era a garota que o demônio do meu pai me arrumou, então estava um pouco curioso sim.

—Pelo menos vai poder conhecê-la um pouco antes do casamento se consumar.

—Se realizar, você quer dizer. –ele a olhou de soslaio.

—Não vai mesmo dormi com ela?

—Vamos mesmo voltar nessa parte?

—Mas e a tradição dos lençóis e...

—Duvido que o pai dela se atine com isso, ele só quer ela longe de casa.

—Meu pai jamais faria algo assim.

—Que bom pra você. Agora vamos dormir um pouco, vou partir cedo amanhã.

—Como ela se chama?

—Porque não deixamos a surpresa pra minha volta? –ele sorriu de canto ao vê-la fazer bico.

Ele a beijou com carinho, e ela retribuiu, ambos acabaram levando as mãos à nuca do outro, aprofundando mais o ato, e aquilo deu cede de matar a vontade que estavam de repetir a dose de paixão e carinho, assim ele envolveu o corpo dela em seus braços, e passou a acariciá-lo sobre a camisola de seda vinho dela, sentindo suas curvas e seu corpo.

Ino se livrou da camiseta dele, e passou a sentir seus músculos, a reparar em como eles se movimentavam enquanto ele a envolvia, deixando seus músculos e sua mente entorpecida.

Ele tirou a camisola dela, delicadamente, passou a beijar sua boca e seu corpo, correndo a língua por sua barriga, dando uma sensação divina a ela, que apertava seus braços, contendo os gemidos, que escapavam de sua boca vez ou outra.

Ino acabou querendo fazer o mesmo com ele, então passou a mordiscar o seu corpo, descendo pelo abdômen, até o cós de sua calça leve, que ela tirou, ainda beijando e provando a pele sendo exposta aos poucos, depois voltou pelo mesmo caminho, sua boca e suas mãos o faziam arfar, e lhe querer ainda mais, e seus olhos abrasivos encaravam sua pele alva e delicada.

A garota acabou ficando meio sem jeito ao perceber o volume na cueca dele, mas era muito tarde pra parar, e queria perder o resto de vergonha que impedia ela de se sentir completamente entregue e intima dele, assim retirou a peça branca, que contrastava com sua pele bronzeada e passou a língua de vagar pelo membro rijo, como ele fazia em sua intimidade. Gaara arqueou um pouco o corpo e encarou os olhos dela, ela sorriu travessa, e ele mesmo assustado com a reação dela, adorou aquilo, era muito prazeroso e muito bom ver ela querendo descobrir como o corpo dele reagia.

Vendo que ele não a impediria, Ino voltou a lamber o membro dele, depois chupou de leve a ponta, e ele não conteve um gemido rouco que escapuliu de sua garganta. A loira ficou extasiada ao vê-lo daquela forma e o que causava a ela, e poder observar o homem de areia se desmanchando ao seu toque era mais que prazeroso.

Ela voltou a sorrir, e dessa vez apertou mais o membro dele em sua boca, quase o engolindo por inteiro, e repetiu os movimentos de vai e vem com os lábios, como ele fazia dentro dela, o vendo ficar ainda mais insano e o membro ainda mais duro dentro de sua boca, enquanto suas mãos lhe tocavam as pernas, a virilha, a barriga, o fazendo se arrepiar.

Não faltava muito pra ele gozar, e pra que ela não se assustasse ou não estranhasse, ele a parou delicadamente, e a virou na cama, tomando seus seios enquanto retirava sua calcinha, deixando seus corpos se unirem quentes e sensuais.

Gaara beijou a boca de Ino com vontade, enquanto introduzia seu membro um pouco mais rápido e forte que da outra vez, indo bem fundo nela, a fazendo agarrar-se a ele e gemer alto, ele continuou assim, entrando e saindo de dentro dela, e sempre na intensidade de sua voz, que não continha os sons sem nexo que saiam de sua garganta.

Os dois gozaram juntos, e ele ainda ficou dentro dela um tempo, e ela abraçou o corpo dele contra o seu, deixando ele pesar sobre ela, com certeza ele era bem mais pesado, mas e daí, estava adorando ver como eles se encaixavam, e sentir o coração dele bater acelerado, junto com o dela, no mesmo ritmo, era uma sensação impagável.

Por fim, ele deixou o corpo cair de lado, e a abraçou delicadamente, apoiando o queixo no topo de sua cabeça, enquanto ela passava os dedos de leve sobre seu peito, ainda querendo sentir seu coração bater, até que os dois pegaram no sono, e nem mesmo o sonho maravilhoso que tiveram superou a realidade incrível que viviam, mas ele sentiu algo novo crescer dentro de si, algo que ele chamara um dia de esperança, porque se ele podia voltar a ter sonhos bons, podia ainda ser uma boa pessoa, e com Ino ao seu lado, podia sentir que era capaz disso e muito mais, era capaz de voar se fosse preciso.

Ele passara de imperador de areia, a imperador da areia, e se a morte não fora capaz disso, bem, ela o era, e por que não podia amá-la? Bem, ele podia, ele a amava, só faltava se dar conta disso e aceitar que ele ainda tinha um coração dentro do peito.

Notas finais
comentem recomendem e façam uma autora feliz e animada pra continuar... ah, proximo cap. as surpresas q esse outro casamento reserva... bjos e até o proximo...