Imperador de Areia

14 Capítulo 14 - Instinto assassino


Notas iniciais
boa leitura, pessoal...

Gaara retomava sua vida aos poucos, as bandagens já haviam sido retiradas e os pontos se cicatrizado e retirados, deixando apenas uma pequena marca no local, ainda meio arroxeado, mas ele já andava pela casa, pela cidade e ia cuidar de seu cavalo pessoalmente, coisa que Ino fizera no período em que ele ficou de cama, já que o animal só chegava perto dela.

O ruivo se sentia mais a vontade com Ino, gostava dela e ficou encantado por tudo o que ela fizera por ele, e então não pode negar, estava gostando muito dela, no entanto, ele não mudara em nada, ainda se mantinha distante, e tirando alguns momentos, ele sempre falava com ela do mesmo jeito, no entanto, ela percebera que ele já não se sentia mal com o casamento e os beijos eram mais frequentes entre ambos.

Naquele dia especificamente, Ino levara Gaara para montar, ele já estava muito melhor e sentia falta de galopar com Sheiky pelas redondezas e assim o fizeram, foram até uma pequena vila de comércio, chefiada por Suna perto dali.

Os dois deixaram os cavalos na entrada da cidade aos cuidados de um homem e foram caminhando pelo local. Todos reverenciavam o casal e os agradava quando paravam pra ver alguma coisa nas barracas.

Ino acabou gostando de um véu roxo como de dançarinas e Gaara deu a ela de presente, ela ficou radiante com o gesto, se prendendo a seu braço, desfilando pelo lugar, o deixando orgulhoso te ter uma mulher tão linda ao seu lado.

Quando já estava pra anoitecer, o sol começando a se por, eles resolveram voltar, mas não encontraram seus cavalos, eles haviam se rebelado e fugido.

—Porque ninguém me avisou? Eu disse que era um animal difícil. –disse o ruivo se exaltando.

—Perdão meu senhor, achei que poderíamos recuperá-los. –era evidente o desespero daquele homem, mas isso não balou Gaara, seu ódio estava renascendo e sua impaciência também.

Ino segurou a mão de Gaara apertada, e o olhou suplicante, pra que ele se acalmasse.

—Há algum poço por aqui? A viagem foi longa, devem ter procurado algo pra beber. –disse Ino tomando a frente, com certeza o ruivo não se acalmaria tão facilmente.

—Existe um lago no fim da cidade, ainda não fomos por lá. –disse o homem com esperança.

Ino e Gaara saíram na frente a procura de seus animais, eles amavam eles, adoravam eles, eram especiais e tinham muito significado para ambos, por isso tamanha preocupação, sem contar que não encontrariam outros tão bons.

Eles chegaram ao lago, mas não viram os animais, Gaara ficou profundamente irritado, agora nada o seguraria. Com ódio ele foi até o homem e levou a mão a espada.

—Que tipo de homem é você que não cumpre bem suas obrigações?

Não precisou mais do que as palavras duras e a voz gelada do imperador pra fazer o homem cair de joelhos a frente do ruivo, ele estava realmente muito aflito.

—Me desculpe meu senhor, eu nunca quis que nada disso acontecesse. Eu sinto muito.

—Sente muito? Meu cavalo é um animal de guerra, foi preciso muito tempo escolhendo e preparando os animais certos pra aquela cria, agora diz que sente muito?

—Gaara... –Ino tentou falar, mas o olhar gelado e penetrante dele fez ela se calar, sentindo algo lhe cortar ao meio.

O ruivo sentia o sangue arder, odiava incompetência, odiava aqueles que não sabiam honrar suas obrigações, se ele tinha que honrar seu destino, porque ninguém mais fazia o mesmo?

A espada coçou em sua mão, pedindo pra ser empunhada, pra lhe matar a sede de sangue, e Gaara gostou da sensação, sentia falta de por seu ódio pra fora, mas não teve tempo pra concluir esses pensamentos, os dois cavalos, o negro e o branco galopavam na direção deles, livres pelas areias.

O ruivo olhou pra eles e depois assoviou de um jeito peculiar, no mesmo instante Sheiky parou, e a égua o acompanhou.

—Que sorte a sua. –grunhiu o ruivo pro homem choroso a sua frente. –Temos que ir. –ele disse a Ino com uma voz de comando.

Ela não retrucou, não gostava de ser tratada como uma de seus soldados e subordinada, mas se lembrou do olhar dele e se convenceu que era melhor esperar que chegassem em casa.

Já era noite alta quando o casal foi para o quarto, nenhum dos dois quisera jantar, e também não falavam muita coisa, apenas o necessário, mas Ino sentia um nervoso por dentro, sua garganta parecia que ia virar carne viva de tanto que coçava e se irritava pelas palavras ali paradas, então sem mais se conter disse:

—Iria mesmo matar aquele homem? –ela indagou com cuidado, esperando a reação dele.

Gaara nem ao menos olhou pra ela, continuou a desabotoar a camisa e respondeu sem qualquer emoção:

—O que você acha?

Ela ficou inconformada com aquilo, está certo que Sheiky e sua égua eram animais muito especiais, mas eles estariam vivos, livres, bem, porque tirar a vida de um homem por isso? Quem nunca cometera um erro?

—Por quê? Isso é loucura, ele é uma pessoa, um homem, como pode?

—Assim como faço com qualquer um em uma batalha. –ele disse sério, mas como se fosse normal.

Ela o encarou e então se lembrou que apesar dele estar um pouco mudado, ainda era o imperador frio e feito de areia que ela conhecera.

—Nem a morte tão perto foi capaz de lhe mudar, então o que faria você ter um coração? –ela perguntou triste e intrigada.

—Perca suas esperanças, meu coração foi arrancado do peito há muitos anos. -ele jogou a camisa de lado, ainda sem a encarar.

Ele acreditava mesmo nisso, achava que o que sentia por Ino era algo que sua cabeça estava criando pra deixar ele menos culpado, mais humano, pra que ele pudesse encarar sua obrigação de por um herdeiro no mundo.

Ela ficou arrasada, teve vontade de chorar, teve vontade de gritar, no entanto, nada saia de dentro dela, nada causaria efeito naquele homem, ele podia mudar por fora, podia ter certas atitudes nobres, mas jamais mudaria, jamais amaria...

Ela se trocou, colocando uma camisola laranja clara, com detalhes de fita de cetim e foi se deitar. Gaara apenas colocou uma calça de moletom e também se deitou, apagando a luz em seguida.

Naquela noite, ambos não dormiram, passaram grande parte da noite em seus próprios pensamentos, até que ela se virou pra ele e o encarou, vendo ele abrir os olhos.

—Seria capaz de matar a mim também?

Ele encarou os olhos dela e não soube responder, respostas conflitantes invadiam sua mente.

—Talvez. –ele disse por fim.

—Então porque é bom pra mim?

—Porque não vou ficar em pé de guerra com você, e assim mesmo não acho que sou bom pra você.

—Você cuida de mim, por quê?

—Já lhe expliquei isso.

—Sim, mas...

—Ino, são quatro horas da manhã, acha mesmo que compensa discutir isso? Porque não dorme um pouco?

—Não consigo dormir, não consigo parar de pensar quem é você realmente.

—Você sabe quem eu sou, só que acabou distorcendo um pouco a imagem nos últimos tempos, logo você se lembra quem eu sou e tudo se resolve.

—Não sei se quero que a imagem fique nítida, não sei se quero que eu volte a vê-lo como via, porque eu tinha raiva de você, tinha medo e não quero mais sentir aquilo.

—Enquanto continuarmos sossegados como estamos, não precisa ter medo, não precisa me odiar, não farei mal a você.

—Então ainda quer aquela imagem de esposa comportada, dócil, gentil e obediente.

—Que homem não quer? –ele viu ela ficar desapontada e meio nervosa. –Mas tenho você, meio temperamental é verdade, ainda assim sabe se comportar, então pra mim está bem.

—Vai ter outra esposa?

—Ino, não estou dando conta nem de uma esposa, quer que eu arrume mais? Pelo amor.

—Então não vai ter outra mulher?

Ele respirou fundo, porque ela sempre tinha tantas perguntas, caramba?

—Provavelmente vou, casamentos são negócios vantajosos, mas não quero pensar nisso agora, e nem você devia pensar.

—Como não vou pensar? Já recebi o título de insuficiente de sua própria boca nesse segundo.

—Não é nada disso, eu não acabei de dizer que é um negocio? É só isso. Pra mim nunca teria me casado, mas você me foi prometida, preparada pra me receber como esposo, cumpri minha obrigação, e me surpreendi não achando isso tão ruim, ter você por perto é bom, e não me casaria de novo se só minha vontade importasse, mas minhas obrigações...

—Não se cansa de ter obrigações? Não se cansa de ser submisso assim a elas?

—Minha vida é feita por elas, sem elas não sou nada e nem ninguém, não tenho nada, fui concebido apenas por esse propósito, de modo que não, não posso fugir.

Ela respirou pesadamente, não gostava nada, nada, daquilo, mas também não podia brigar com ele por estar sendo sincero.

—E vai dormir com ela na noite de núpcias? –ela perguntou amarga.

—Ah, boa noite Ino. –ele disse impaciente, se virando na cama e cobrindo o corpo.

—Não vai me responder? –ela indagou brava.

—Não, não vou. –ele disse ainda de costas.

—Sou sua primeira esposa, tenho que aprovar seus próximos casamentos e tenho o direito de saber tudo sobre eles, é as únicas coisas as quais tenho direito.

—Eu não estou me casando, portanto não devo nada, e pare de pensar nessas coisas.

—Como não vou pensar, há meses que estamos casados e nunca me tocou, acha que não vão acabar descobrindo isso?

—Só vão saber se você contar. –ele disse seco, se virando pra ela e se pondo sentado.

—Não vou contar, mas mesmo assim, já esperavam que eu estivesse grávida a essa altura.

—Que merda, até um filho é minha obrigação. Que inferno de vida. –ele disse irritado.

—Eu sempre serei uma obrigação. –ela disse amarga.

—Não acredito que estamos discutindo por isso. É inacreditável.

—Estamos discutindo porque você é se acha o dono da verdade e da razão, mas não é assim, e não peça pra eu aceitar suas obrigações que so me ferem

—Você não tem nada que aceitar, está aqui pra viver minha vida e já falamos sobre isso.

—Ah é, o velho contrato que eu tive que engolir sem reclamar e sempre essas letras miúdas que não me foram apresentadas.

—Fala sério Ino, você está sendo ridícula. –ele disse amargo e ela ficou ainda mais nervosa.

—Então senhor imperador, fique ai sozinho, como sempre quis, fique agonizando sozinho todas as vezes que precisar de alguém, porque eu nunca mais me aproximo de você, muito menos pra te ajudar.

Ela se levantou da cama, jogando os lençóis de lado e foi saindo do quarto, ele deu um pulo por cima da cama e a segurou pelo braço.

—Aonde vai?

—Me afastar de você, não é o que quer?

—Está na hora de você parar de bancar a garotinha mimada e irritante, não me responda, ou...

—Ou o que? Vai me bater de novo até eu aprender?

Ele espumou de raiva, a mão incontrolavelmente se ergueu e ela fechou os olhos, esperando o que vinha, mas ele conteve o movimento até o rosto dela, jurou nunca mais fazer aquilo e nunca quebrava uma promessa, mesmo assim não a deixaria impune por o afrontar daquele modo.

—Quer ficar longe de mim? Pois bem, farei sua vontade. –ele a levou até o outro lado do corredor e abriu uma porta, era um sótão escuro e cinzento, que não deixava se ver nada ali. –Bem vinda as suas novas acomodações. –ele empurrou ela pra dentro.

—O que vai fazer? –ela perguntou nervosa.

—Vou deixar você ai, presa. Quer agir como uma criança birrenta, ótimo, sei como educá-la. –ele pegou a chave na porta e colocou na fechadura pelo lado de fora, ela tentou impedi-lo, mas ele a levou pra dentro e a jogou sobre um colchão empoeirado que tinha ali.

—Você não pode fazer isso, Gaara!

—Fique olhando se não posso.

Ele foi pra fora e fechou a porta antes que ela o alcançasse, trancando-a.

—Gaara, não! Gaara, me tira daqui. –ela batia na porta que não cedia.

Ele apenas deu as costas pro cômodo e seguiu pelo corredor, fechando a porta do seu quarto.

“Ino vai ter que mudar de vez, e se não for bem, será por mal. Insolente...”

Os gritos dela foram diminuindo e o choro era mais audível, com certeza ela estava irritada e muito triste, como poderia tratá-la daquela forma depois de tudo o que passaram?

Ela não teve resposta, a única coisa ali era a poeira, objetos velhos, o silêncio e a tristeza de ser a imperatriz de Suna.

Notas finais
esse cap. era pra ser algo completamente diferente, mas no fim acabei adorando o que saiu, logo terá mta coisa que surgira dele e milhares de ideias estão brotando na minha cabeça... agora espero os comentários de vcs, o q estão achando? até o proximo...