Impedida

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Olá, essa é uma oneshot sobre a Renesmee e só Renesmee. E é principalmente inspirada na one da Lírio, essa aqui (https://fanfiction.com.br/historia/726181/Anxiety/) Leiam, porque é ótima! Ela escreve tão bem sobre a Renesmee que me faz querer escrever também. Haha. Enfim, espero que aprovem!

"Metade nas sombras...

Um sorriso escapou dos lábios avermelhados da ruiva, ela estava apoiada em no balcão sujo de um bar de estrada, mas não se importava. Há muito tinha soltado os cabelos e tirado a jaqueta, já havia perdido a conta de quantas cervejas baratas e porcas tomou.

Mas ela realmente não se importava, ela estava amando a experiência. Enfiou o dedo indicador na boca, terminando de lamber o restante do sangue doce que escorrera por sua pele, o sangue de uma garota tão jovem quanto ela. Tinha que admitir, era delicioso. Levantou-se do balcão sujo, chutando para o lado os três corpos secos. Ainda podia ouvir o som de rock vindo do bar, e afastou-se do lugar escondido, sabendo que depois teria que limpar a enorme bagunça. Mas ela só queria se divertir, afinal, quem poderia lhe tirar este direito? Não a sua família, certamente.

Renesmee soltou o ar encarando a mulher à sua frente, ela era bonita e jovem. A pele branca reluzia e os olhos dourados a encaravam de volta, aflitos. Sentiu o impulso de ir até a mãe e abraçá-la, sua doce e gentil mãe, que sempre foi tão amável, a doce mãe que se sacrificou por ela.

Mas também que escondeu segredos e não só um segredo, mas um segredo gigantesco. Sua cabeça estava dando voltas há minutos e nada fazia sentido dentro dos seus pensamentos, queria acreditar que tudo não passava de uma confusão grande e bem... Confusa. Exatamente, queria acreditar que a sua mãe não teve momentos românticos com o seu namorado, o homem que todos diziam estar destinado a ela e ao qual ela também estava destinada. Pela primeira vez desde que seus olhos focaram Jacob Black, Renesmee se sentiu presa. Enganada e envolvida em uma bolha de ar, agora sentia como se seu ar estivesse acabando e ela finalmente sentisse que precisava sair.

Ela precisava respirar ou enlouqueceria, ou ela morreria. Lentamente seria sugada para a perfeição hipócrita de sua família. Sentiu-se irritada logo em seguida, estava tomada de sentimentos humanos — mesmo sendo metade vampira — e eles estavam sofrendo uma erupção como um vulcão revolto, todos os sentimentos de uma única vez.

— Nessie... — Bella ergueu a mão em sua direção, a expressão agoniada estava cada vez mais permanente no rosto mármore.

— Você... Mãe, como pôde? Isso é uma coisa... Eu não consigo acreditar! — Passou os dedos pelos cabelos, toda sua família estava ali naquela sala bem iluminada e organizada. Não havia uma caneta em cima da mesa da sala, não havia um cd fora do lugar, não havia nem mesmo uma almofada desorganizada, apesar de tudo, nunca se sentiu tão aliviada, o sentimento era tão grande que seu tio Jasper e seu pai a encaravam claramente com a expressão de dúvida, mas a resposta era simples — sempre se sentiu uma parte estranha da sua família, excluída, porque tinha manias, necessidades, porque tinha imperfeições e porque era meio humana. Nunca quis ser humana porque queria ser parte deles, queria ser parte da perfeição deles, sempre se julgando por desejar o sangue humano, por ser imperfeita: Um erro em meio a perfeição. Olhando ao redor, para os oito rostos perfeitos encarando-a, parados, silenciosos e imutáveis entendeu que jamais conseguiria vê-los com os mesmos olhos outra vez. — Vocês todos, como puderam não me contar? — Franziu as sobrancelhas, cruzando os braços e recusando-se a chorar como uma garotinha, ainda que os olhos ardessem. — Você, Jacob, de todas as pessoas... Você deveria ter me contado.

— Me perdoe Nessie. — O lobo se aproximou dois passos ao mesmo tempo que Nessie se afastou dois.

Ela soltou um riso amargo — Vocês são hipócritas.

— Renesmee! — A voz de Edward subiu duas oitavas.

— Hipócritas. — Repetiu com a voz firme, encarando os olhos dourados do pai. — Todos vocês, são um bando de vampiros hipócritas. Cobrando-me a perfeição quando são um bando de mentirosos!

— Nessie! Nunca te cobramos a perfeição — Sua mãe parecia ultrajada e mais uma vez Renesmee riu com irônia.

— Vocês podem não notar, mas estão sempre agindo dessa forma – gesticulou em direção a eles — e dando conselhos ridículos sobre certo e errado, isso é cansativo e agora percebo que são todos mentirosos!

— Não fale assim com sua família, Nessie. — Jacob se aproximou outra vez, pousando as mãos em seus ombros, mantendo-a no lugar. Nessie não desvencilhou do toque que sempre a aqueceu, ao contrário disso, queria abraçar a Jacob e esquecer a ideia de que ele e sua família esconderam dela um segredo tão profundo e importante. Não se importava realmente com o caso, jamais foi tola em pensar que Jacob jamais teve alguma mulher em sua vida e sim, era nauseante saber que foi sua mãe, mas era revoltante saber que jamais consideraram contar isso ela.

Renesmee já tinha trinta e cinco anos, vinte e um fisicamente. Era uma mulher adulta e era madura o bastante para entender a situação, mas agora, não queria entender nada.

Desvencilhou-se do toque de Jacob, ignorando o olhar ferido no rosto do lobo.

— Renesmee, não queríamos guardar segredo de você, mas eu não sabia como contar...

— Era só dizer "Filha, minha querida, eu já fodi com seu namorado", mamãe. — Renesmee deu as costas para Bella, afastando em direção as escadas.

— Renesmee, eu nunca transei com Jacob! Só demos dois beijos! Era só um amor e um carinho muito grande! E muito tempo atrás!

Bella seguia Renesmee pelos corredores da gigantesca casa e ambas quase trombaram quando a ruiva virou-se repentinamente. — Ótimo, mãe. Isso é reconfortante. Será que devo me preocupar? Talvez Jacob me beije pensando é a sua boca... Ou talvez que sou uma versão ruiva de você.

— Nessie, você sabe que não é assim, o imprinting...

— Saia do meu quarto mãe.

Bella soltou o ar impaciente. — Não, Renesmee.

— Mãe, pelo amor de Deus, saia do meu quarto. — Bella cruzou os braços, permanecendo onde estava, encarando aos olhos chocolate que um dia lhe pertenceram.

— Certo, tudo bem. — Renesmee deu as costas para a mãe, enfiando as roupas de forma atrapalhada dentro da mala, Bella observou incrédula a filha juntar meia duzia de trocas e passar por ela, dando-lhe as costas.

— Onde você vai Renesmee?!

Um suspiro escapou dos lábios de Nessie, novamente na sala de estar encarou os nove rostos que olhavam para ela entre raiva — vinda do seu pai, é claro — e tristeza — que vinha de sua avó Esme. Não queria estar tão magoada com todos eles, mas não conseguia evitar de sentir que iria explodir se tivesse que olhá-los por mais tempo.

— Preciso de um tempo. — Murmurou finalmente. — Preciso de um tempo de vocês. — Renesmee pode ouvir o som dos corações se quebrando, cada um deles e o mais alto foi o de Jacob. Ele parecia desolado, como se soubesse que Renesmee não o queria por perto, sabia que estava sendo egoísta, a dor dele seria física, partir machucaria Jacob, mas ficar machucaria a ela. E Renesmee percebeu queria e precisava pensar em si mesma, foi com alívio que deixou a casa da família Cullen sem olhar para trás.

Seus olhos focalizaram outra vez o lugar onde estava, fazia três meses que havia partido da sua casa, ignorando as ligações da família, não usando cartões de crédito e driblando com maestria as visões de sua tia Alice.

Renesmee sempre foi como uma cobra ardilosa, só que nunca pensara em usar isso antes, mas agora ela queria ser livre e tomar as próprias decisões, sem se importar se eram erradas ou não, sem se importar se estava se tornando uma assassina e indo contra os princípios bondosos de sua família.

Ela queria ser sozinha, queria ser imperfeita, queria escapar da bolha de ar em que foi colocada contra sua vontade.

Nunca pensou muito sobre céu e inferno, mas às vezes ia a missa com seu avô Charlie, mas o pouco que entendia, sabia que segundo todas as leis dividas e terrenas, Nessie estava cometendo um crime, uma abominação. Mas que culpa que ela tinha, afinal? Era isso que ela era, uma criatura abominável. Era metade humana e metade vampira. Metade demônio e metade pecadora.

Estava fadada a um destino cruel, talvez devesse abraçá-lo então e aproveitar o que pudesse.

Um novo suspirou escapou de seus lábios e ela se levantou quando um humano passou por ela com um sorriso malicioso. Os olhos verdes e o cheiro delicioso rapidamente chamou sua atenção, e ela se levantou-se seguindo-o em direção aos banheiros. Sorriu, pensando exatamente qual seria sua próxima ação e ficou satisfeita, sabendo perfeitamente que sua tia Alice havia tido uma visão disso.

Queria que sua família entendesse que este um recado: Nessie estava finalmente livre pra ser quem era.

(...) Metade queimando em chamas."

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