Impérvio
1 Capítulo Único
Notas iniciais
boa leitura!
A noite estava fria, Megumi sentia-se com a cabeça leve depois de ter colocado os pensamentos de forma organizada em sua mente. Sua sentença de vida já estava dada, não precisava sentir peso na consciência ou medo mais.
Fushiguro esperava do lado de fora do templo, o cheiro de incenso forte, eles sendo queimados no altar. Estes quais foram colocados pelos camponeses locais, buscando proteção daquela maldição aterradora que assolava tudo onde passava. Era tudo em vão, ele sabia mais do que ninguém.
— Eu não disse para ir embora enquanto pode? Ficou para ser o primeiro da cidade que eu vou matar? — A voz grave e cortante bateu em seus sentidos assim como o vento gelado noturno passou em sua pele pálida.
Dois pares de olhos vermelhos sangue lhe encaravam de forma brincalhona, mas existia um pingo de raiva em certos pontos de seu encarar.
Aquela dor insistente se fez presente em Megumi ao olhá-lo, entendendo finalmente. Era inacreditável como estava sendo tão estúpido ao achar que seria diferente. Não podia alcançá-lo como queria.
— Eu vou, só precisava confirmar algo antes. — Ele desencostou da árvore que estava apoiado, fitando o céu coberto de nuvens branquinhas.
O despontar amargo de um sorriso quase tomou conta de seus lábios ao constatar isso. Nem para algo estar a seu favor em encobrir de alguma forma aparentava que iria ajudá-lo naquele instante. Não tinha jeito mesmo então, precisava parar de ser covarde.
Sukuna estranhou o silêncio esquisito e visivelmente desconfortável do homem, tentando desvendar o que aquelas íris verdes buscavam. Até que elas pairaram sobre si, e o canto de seus olhos estavam vermelhos, como se ele tivesse chorado, mas não havia resquícios disso.
— A lua está linda. — Fushiguro sibilou sem mais hesitar, jurando que a pontada em seu coração fora devido a algum ataque da maldição, não porque o viu arregalar os olhos com o que disse.
Em que realidade Megumi achava que isso poderia dar certo? Boshin Senso estava eclodindo e ele estava ali, discutindo algo tão... simplório. Chegava a ser vil no mesmo nível de triste e humilhante.
— Você é de fato estúpido. — A maldição desdenhou, um riso seco acompanhando-o. — Está mesmo querendo morrer cedo.
— Quem sabe. — O xamã encolheu os ombros diante da acusação, suas mãos se juntando e formando uma figura conhecida pela maldição.
Tanto ele quanto Sukuna estavam fadados àquele destino de se enfrentarem, não importasse o quanto Fushiguro quisesse escutar da maldição um "e as estrelas também". Ou, algo mais a cara dele como "eu também", já que ele não parecia esconder nada e era mais direto. Era isso que pensava, de forma puramente humana e ingênua.
Mas Sukuna era uma maldição, não mais um humano, não aquele que ele conheceu antes de toda aquela desgraça e guerras ocorrerem.
Quem sabe, quando todo aquele derramamento de sangue em busca de uma evolução ideal terminasse, poderia existir uma Lua e estrelas nos sentimentos de ambos.
Por enquanto, Megumi morreria apenas com metade disso.
Notas finais
obrigado a todos que leram ♡
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