Impérios Cruzados
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Am I wrong for thinking out the box from where I stay?
Tiro meus olhos de um contrato que estava analisando ao ouvir o toque confortante de meu celular e sorrio. Olho no visor e não identifico o número, franzo ambas as sobrancelhas e atendo.
– Alô? – saiu mais como pergunta
– Tris Johnson? – uma voz rouca e fodidamente sexy fala do outro lado da linha, e essa voz me é extremamente familiar.
– Ela mesmo, quem deseja? – pergunto ainda desconfiada.
– Tobias Eaton. – Gelei. Como droga ele conseguiu meu número? – Sua secretária me passou seu numero já que não consegui um horário em sua agenda. – ele responde como se tivesse lido minha mente.
– Ah claro, ao que devo a honra ? – pergunto tensa em minha mesa e ao erguer meus olhos vejo Christina entrar em minha sala e se acomodar na cadeira a minha frente.
– Gostaria de novamente me desculpar pelo incidente de mais cedo, e de confirmar sua presença no baile anual da Eaton Inc. – sorrio involuntariamente, uma risada um tanto nervosa que o faz rir do outro lado.
– Não sabia que Tobias Eaton confirmava pessoalmente sua lista de convidados. – brinco e me arrependo no momento seguinte, pois Christina dá um grito agudo e corre para o meu lado colando sua orelha no aparelho.
– Quando um único convidado em especial recusa por 3 anos seguidos o convite isso acontece, e devo acrescentar que isso só aconteceu uma única vez. – brinca. – Então, posso confirmar sua presença senhorita Johnson? – Christina aperta meu braço me forçando a olhar para ela, que está com um olhar mortal sobre mim.
– Sinto muito senhor Eaton, tenho outros planos para a data de sua festa, mas obrigada por sua preocupação. – digo gentilmente olhando Christina ter uma acesso silencioso de raiva, fazendo milhares de sinais que creio devam anunciar meu funeral.
– Estou chegando a pensar que seja algo pessoal – fala suspirando – e eu sorrio com a ironia de suas palavras.
– Não pessoal, apenas evito certos eventos que me parecem extremamente extravagantes e desnecessários senhor Eaton. – falo revirando os olhos e vejo Christina abrir a boca em um “o” perfeito.
– Uuuh, essa doeu, recado anotado senhorita “Sou boa demais para essas festas chatas” – brinca me fazendo sorrir. – Tenha um ótimo fim de dia senhorita Johnson, e cuidado com as esquinas e seus corredores distraídos- fala sorrindo.
– Pode deixar senhor Eaton, para você também, e cuidado com pedestres desajeitas nas esquinas. – sorrio junto com Tobias Eaton e desligo e só assim consigo sentir a fúria de minha melhor amiga
– COMO ASSIM TRIS!? COMO DIABOS VOCÊ DEU UM FORA EM NIVEL HARD EM TOBIAS EATON!? E QUE PAPO É ESSE DE ESQUINA!? AH MEU DEUS EU VOU TE MATAR. – Olho espantada para ela e caio na gargalhada.
– Se você me matar não vai obter as informações que precisa, baby. – pisco sorrindo pra ela
– Sua vadia, me pegou, agora fala. – exige minha amiga voltando a sentar na cadeira a frente de minha mesa.
– Hoje pela manhã esbarrei em Tobias Eaton na esquina da empresa, ele vinha correndo na direção oposta a qual eu caminhava e me fez cair no chão, nada demais.
– PORRA TRIS, COMO NÃO ME CONTA ISSO! – grita Christina me fazendo tapar os ouvidos.
– Não achei importante dizer que cair na rua. – digo calmamente
– Até não seria se depois disso ele não te ligasse, claramente ele está interessado. – afirma Christina enquanto Peter irrompe pela porta.
– Gata nem te conto, tem um bofe es-cân-da-lo na sala de espera e segundo a bruaca da Nita ele está te esperando para jantar. – olho meu relógio de pulso e me levanto.
– Tenho um jantar com Al, me desejem sorte. Amo vocês – sopro beijos para eles enquanto caminho em direção a porta
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– Cara, a sua mãe precisa de limites ou daqui uns dias ela vai estar escolhendo a cor da sua cueca. – fala Zeke, meu melhor amigo enquanto entramos no restaurante italiano em que sempre jantamos.
– Eu sei cara, mas ela sabe como me fazer mudar de ideia, me sinto na obrigação de realizar todos os seus desejos e caprichos, é o mínimo que posso fazer desde que o velho morreu. – falo enquanto caminho na direção da mesa de sempre, sentando-me em um canto mais reservado.
– Um dia você vai querer sair disso e não vai conseguir, nada contra se você quer ser o cachorrinho de estimação da mamãe. – olho feio pra Zeke, e ele sabe que o assunto está encerrado.
– Como anda a Shauna? – pergunto fingindo não ter ouvido seu comentário anterior.
– Irritadiça, as vezes eu acho que se ela pudesse me mataria com o olhar por não ter muito tempo para ficar com ela, mas a culpa é sua e não minha. – tento a todo custo, tento mesmo não rir mas é impossível.
– Ah vai se foder Eaton. – diz meu amigo com falsa raiva – Puta. Que. Pariu.- fala Zeke com os olhos presos em algum ponto atrás de mim.
– O que foi? Não me diga que Shauna vem aí com uma faca? – brinco
– Não cara, o Albert está entrando com uma super gata e eu posso jurar que a conheço de algum lugar. – me permito virar na direção em que Zeke olha e então a vejo, Tris Johnson, com um sorriso encantador em seus lábios vermelhos pelo batom e em um vestido preto grudado ao corpo que a fazia mais gostosa do que os terninhos.
– É a Johnson. – falo simplesmente, prendendo meus olhos ao cardápio como modo de me distrair e isso Zeke não deixa de notar, nunca olho o cardápio.
– Qual a história envolvendo ela e porque eu nunca soube? – pergunta discretamente enquanto mantem os olhos presos em Tris, suponho.
– Porque aconteceu hoje de manhã, nos esbarramos enquanto eu corria, e mais tarde descobrir por uma Evelyn revoltada que ela é a convidada que a três anos recusa a ida até a festa da empresa, juntamente com aquele Sheik Árabe, Andrew Prior, mas até o homem confirmou esse ano e ela não, e olhe que eu liguei pessoalmente para ela.
– Vai ver ela é uma daquelas riquinhas mimadas e deve estar com inveja por não obter o mesmo sucesso que você com a empresa. – comenta Zeke, tirando só agora, os olhos de Tris.
– Na verdade, ela disse que não gosta de festas extremamente extravagantes e desnecessárias. – digo fazendo Zeke rir tão alto que atrai alguns olhares para nós.
Minha noite transcorreu normal como sempre, na hora de sair não pude deixar de olhar na direção da mesa em que Tris estava com Albert, acenei para ambos com a cabeça e sai dali. Provavelmente, era esse o compromisso pessoal dela, jantar com Albert, que ao julgar pela intimidade que ambos conversavam e o sorriso de Tris a cada coisa que ele falava, eram íntimos, uma pontada de algo desconhecido atingiu meu peito, porém eu ignorei e segui o meu caminho para casa.
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Jantar com Albert era um prazer, por isso Nita, minha secretária tinha ordens diretas minhas de em hipótese alguma cancelar meu rotineiro jantar as sextas com meu melhor amigo, não que eu tivesse preferência sobre ele e Peter, mas Albert diferente de Peter e Christina sabia tudo sobre mim, foi uma das pessoas que me ajudou a ser quem sou hoje assim que cheguei aqui.
Sorri para ele gentilmente e peguei sua mão sobre a mesa, eu sabia que para as pessoas de fora parecíamos mais que amigos, mas eu não me importava, nem o Al, ele até preferia que isso acontecesse, perdi a conta de quantas vezes saí em capas de revista de fofoca em cenas parecidas com essas com Al.
– Al... – chamei carinhosamente o fazendo me olhar nos olhos. – Precisamos conversar.
– Eu sei Tris. – suspirou pesadamente. – Pode começar com o sermão.
– Não é sermão seu bobo, apenas acho que você deveria assumir o que sente para o Peter e para todos, você não depende mais da sua família, se tornou um advogado renomado...
– E exatamente por isso não posso me expor Tris, entenda que no mundo jurídico existem preconceitos e eu não estou disposto a jogar meu nome que custei tanto a construir por isso. – Me cortou com a mesma desculpa que sempre me fazia recuar, ele tinha razão, por hora.
– Você tem novidades? – perguntei mordendo o lábio nervosamente e encarando minhas mãos.
– Ele vai chegar na cidade a qualquer momento, mas não se preocupe, nunca vai te encontrar, Johnson. – Al apertou minha mão e me fez olhar em seus olhos, não consegui evitar o choro, e ele sabia que eu precisava daquilo. Chamou o garçom e pagou nossa conta, enquanto me guiava para fora do restaurante, assim que o ar frio da noite de Chicago me atingiu me abracei a Albert chorando.
– Vai ficar tudo bem Tris, eu te prometo. – sussurrava carinhosamente enquanto mantinha seus braços em torno de mim, acariciando-me, Al era o que eu poderia chamar, depois de anos de lar.
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