Não foi necessário que andassem muito para chegarem perto o suficiente para descobrir aquilo que os intrigavam. Aquele som realmente era de um bater de asas, mas não era de uma criatura qualquer e sim, de um grifo. Isso surpreendeu aos três, pois nunca haviam visto um ou pelo menos não lembravam de terem visto um. E esse era diferente, seu corpo e penas eram totalmente brancos e até hoje, nunca alguém dissera ter avistado um similar a esse. Ao se aproximarem, avistaram outra coisa que não esperavam ali e, caso não tivessem encontrado tantas vezes algo parecido com isso, estariam outra vez surpreendidos. Caído naquela neve, havia um outro grifo, mas esse era maior. E para a tristeza dos olhos de quem via algo tão devastador quanto a isso, a parte inferior de seu corpo e uma de suas asas estavam estraçalhados, não era possível distinguir quem ou o que poderia ter feito aquilo.

– Isso já aconteceu com cães, lebres, vacas e até mesmo humanos e agora estraçalham um grifo? – Questionou Nathan atormentado.

– Seja lá o que fez isso, não tem preferência. – Argumentou Halley.

– E mais uma vez não encontramos rastros e nem pistas sobre. – Disse Harry como se já estivesse esperando por isso.

– Porque esse bicho está tão inquieto? – Perguntou Nathan se referindo sobre o grifo não parar de pular e de bater suas assas.

– Muito provavelmente porque essa deve ser sua mãe. – Respondeu Harry.

– O que te faz pensar que o cadáver estraçalhado seja a mãe dele?

– Porque grifos são criaturas solitárias, este é muito pequeno para estar na idade adulta e, apenas as mães acompanham seus filhotes na fase de crescimento. – Respondeu Harry e continuou dizendo: – Agora, isso me fez pensar, porque mataram somente a mãe?

– Talvez o que tenha feito isso nos ouviu. – Respondeu Halley com incerteza.

– É, talvez!

– Tá legal, agora... Alguém sabe como acalmar o grifo que testemunhou sua mãe sendo assassinada bem na sua frente? – Questionou Nathan com um tom irônico.

Então Halley se aproximou do grifo assustado, com um pouco de esforço pôs sua mão sobre a sua cabeça e assim que conseguiu, começou a acariciá-lo.

– Olha, ele se acalmou! – Disse Nathan um pouco estupefato.

– Já é tarde, vamos embora!

– E como sempre, Harry tem razão. – Concordou Nathan. – Poxa, tô fedendo, preciso de um banho!

Mas quando começaram a caminhar, aquele filhote começou a seguir Halley e mesmo que eles ordenasse para que o grifo se manter na floresta, ele não lhes obedecia.

– Parece que ele gostou de você, não é, Halley? – Supôs Nathan.

Halley como resposta apenas deu um leve sorriso.

– O que vamos fazer com ele? – Perguntou Harry um pouco preocupado.

– Não podemos deixar ele aqui sozinho, ele é apenas um filhote. Não vai durar muito aqui!

– Então, você está dizendo que nós deveríamos ficar com ele? – Questionou Harry não muito satisfeito com a ideia.

– Não, estou dizendo que eu deveria ficar com ele! – Respondeu Halley presunçoso.

– Não acho que seja uma boa ideia. O que nosso pai vai achar?

– Até parece que não conhece nosso pai, Harry. Ele simplesmente vai achar ótimo!

– Bom, se você vai mesmo ficar com ele, deveria por um nome nele. Não concorda? – Sugeriu Nathan.

Ao ouvir a sugestão de Nathan, Halley começou a pensar. Olhando para o pequeno grifo, reparou que seu bico era de uma cor reluzente, muito assimilar ao dourado; o lembrando até mesmo ouro. E decidiu ele, então:

– Que tal... Bico Dourado?

Notas finais
Acredito que nada seria mais justo do que falar sobre o Bico Dourado neste capítulo, não é? Inicialmente, como Harry, Bico Dourado não fazia parte da história. Mas quando comecei a reescrever a história pela a milésima vez, percebi que precisava de um mascote simpático para incrementar o enredo. Foi aí que Bico Dourado surgiu e, nada é mais simpático do que um filhote de grifo. E acho que eu também deveria acrescentar aqui que ele quase foi um tigre branco, mas não iria conseguir cumprir o seu propósito.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.