Império de Paz
4 III. Imperatriz sem poder, ilustres sem honra
No final Sophia estava realmente cansada da viagem e quando chegou a seus aposentos ela dormiu, e nem mesmo a cama que era muito diferente do que estava acostumada a impediu disso.
Quando Sophia acordou no dia seguinte ela estava agora descansada e pronta, principalmente para negociar seu casamento. Mas ela teve que colocar esses pensamentos de lado quando Lady Atsuko entrou em seus aposentos, o que não deveria acontecer.
– Bom dia Alteza Imperial, a imperatriz viúva me enviou para lhe auxiliar ao se vestir.- Uma bondade da imperatriz, mas não deveria outras pessoas fazerem isso?
– Achei que damas de companhia tinham sido escolhidas para me servir?
– E foram, mas para servir a uma imperatriz, não uma príncesa imperial.- Isso foi certamente um erro de comunicação muito ruim.– Mas a imperatriz viúva me enviou para substituir...
– Não é necessário Lady Atsuko.- E agora foi a vez da condessa Ulrike entrar, sem bater claro.– Eu sou a dama das vestes da príncesa então é minha responsabilidade cuidar disso, peço desculpas pelo atraso alteza.
Era bem visível o motivo do atraso. Ulrike continuava com suas roupas europeias, e como ela estava acostumada a ser vestida, foi certamente muito difícil vestir toda a roupa de corte, assim como fazer o cabelo.
– Condessa Ulrike, eu foi enviada pela imperatriz viúva, e a palavra dela...
– A senhora pode se retirar Lady Atsuko.- Agora com Sophia ordenando ela mesmo a contra gosto saiu.
Depois de ela saiu, Sophia se levantou da cama e Ulrike começou a tentar a vestir, mesmo parecendo roupas simples, não eram simples de vestir.
– Que coisa mais complicada Sophia! Até mesmo me vestir foi mais fácil.- Ela então deveria chamar uma criada para ajudar.– Pelo menos a camareira deixou o seu café da manhã. Mas é um café da manhã horrível, era para ser brioches[1] francesas com café. Mas de francês o brioche tem apenas o nome.
– Certamente é diferente da Livônia, mas é o que se tem, pelo menos até o almoço com a corte imperial.- Um costume criado pelo avô de Sophia, o Imperador Sigismund II, ele também passou grande parte de sua vida na Europa e quando se tornou imperador, misturou o que acontecia na corte francesa com as tradições do império.
Ulrike não respondeu mas continuou a tentar lhe vestir, até que ela se cansou e chamou uma criada. Mas agora sem as mãos ocupadas, Ulrike se lembrou de outro assunto.
– Antes que eu me esqueça. O que foi exatamente o que aconteceu ontem?- Era realmente esperado que ela estivesse assim, Sophia também se sentia assim, em algum lugar.
– Bem, você conheceu o meu futuro marido.
– Eu pude ver isso, mas qual dele é seu futuro marido? Na me diga que vai se casar com todos.- Algumas ideias de Ulrike eram muito engraçadas, um alívio e colírio para a alma.
– Essa é a questão. Eu terei aparentemente que escolher um deles, você sabe de toda a tradição.- Sophia se lembrava de ter mencionado antes, se as suas damas tinham ouvido isso ela não poderia garantir.– Será um martírio claramente, você viu como eles são?
– São ou fortes ou bonitos. Mas terrivelmente desagradáveis, arrogantes e assustadores. Você deveria ter considerado a proposta do Príncipe Frederick Adolf[2] da Suécia, ou de Wilhelm da Dinamarca, eles são tão bonitos.
Em algum momento da noite anterior Sophia também se arrependeu por ter recusado as negociações. Mas seu censo de dever era maior.
– É meu dever como governante casar com um dos rudes, desagradáveis e arrogantes.- Falando assim parecia que seria um horrível pesadelo.– Então eu recusei os príncipes. Você sabe também que Frederick Adolf tem um temperamento muito ruim, e Wilhelm é muito jovem, ele só tem quatorze anos.
– E é muito bonito, imagine quando for mais velho.- Sophia riu muito desse comentário, apenas suas amigas mesmo para falarem isso sobre uma criança.
Depois de mais algum tempo, a criada finalmente acabou de vestir, pentear e maquiar Sophia. Agora ela estava pronta para estar com a corte e "aprender a ser imperatriz".
E foi isso que Sophia escolheu "aprender a ser imperatriz". E fazer isso significava ir procurar a imperatriz viúva e ser atualizada de tudo o que aconteceu nos últimos... vinte anos, isso seria o suficiente.
Quando Sophia finalmente encontrou a imperatriz viúva ela ficou surpresa e um pouco "estranha" ao saber do motivo da conversa. Ao que parecia então a imperatriz viúva pensava que Sophia desejava apenas ser imperatriz e nada fazer.
– É um grande surpresa isso Sophia. Eu não sei se você sabe, mas o seu avô e seu pai deixaram para nós uma lembrança de não se intrometer muito nos assuntos do império.
– Não estou entendendo?
– Seu avô preferia ficar na Cidade Imperial e com a corte ao invés de governar.- Isso Sophia sim sabia.– E sei pai continuou com isso, principalmente quando ele se casou com sua mãe, a Imperatriz Sophie sempre se sentiu muito deslocada e triste aqui.
Disso Sophia não sabia.
– Isso não prejudicou nossa união, e o poder imperial?
– Certamente isso prejudicou o pode imperial, o imperador não reina absolutamente sobre todos os quatro reinos, apenas sobre o domínio imperial. Fazendo com que os quatro reinos tenham muita liberdade e pode sobre si mesmos.- Isso significava então que Sophia era uma imperatriz quase igual ao imperador do Sacro Império Romano Germânico[3] na Europa.
– Mas então o que o imperador faz?- Se ele não governa tudo e se sua palavra não era absoluta para quê imperador?
– Você é a paz, a ordem, e a lei. Você governa absolutamente o domínio imperial, se o domínio imperial estiver em progresso e em paz o resto também estará.- Sophia tinha suas dúvidas se era assim que as coisas aconteciam.– E você também tem a responsabilidade de observar, aconselhar e chamar a atenção quando ne necessário, no resto do império.
Sophia era então realmente a governante de um império como o Santo Império, essas eram basicamente as mesmas responsabilidades que o imperador tinha. Mas Sophia também se lembrava de sua maior responsabilidade como governante do império da paz, manter a paz, e se isso a mantinha, seria tolerado.
– Eu agradeço então por esse esclarecimento. Mas eu ainda desejo que me atualize sobre o que aconteceu nos últimos anos.
A imperatriz viúva sorriu e começou a relatar a Sophia tudo o que tinha acontecido, ela tinha realmente uma memória muito boa.
Mas no outro lado do palácio também estava acontecendo uma atualização, mas diferente de ser relatado os acontecimentos dos últimos vinte anos, estava sendo relatado o que tinha acontecido nos aposentos da príncesa imperial.
A criada que antes havia ajudado a príncesa imperial a se vestir, estava agora ajoelhada na frente de quatro homens jovens, relatando tudo o que ouviu.
– E foi isso ilustres que eu ouvi. Eu prometo que não omiti nada, nem escondi palavras, tudo é verdadeiro e digno de confiança.
Os quatro por mais um momento ficaram calados, eles não pareciam nada felizes com o que foi dito.
– Agradecemos senhorita pela sua ajuda.- O ilustre Akihiro Daiki foi o único que pode falar pacificamente e com voz doce.– Aqui está o seu pagamento, creio que é o suficiente. Toyotomi.
– Eu irei mandar uma mensagem mandando libertar seu irmão criminoso. Agora saiu de nossa vista, e diga a seu irmão que não terei pena da próxima vez, estou falando da vida dele.
A criada fez sim com a cabeça e saiu rapidamente, e certamente também ela nunca falaria do que aconteceu, a ameaça de um Hidetada sempre se cumpria.
Mas agora os quatro ilustres foram deixados sozinhos e poderiam mostrar seu desgosto, vergonha e raiva.
– Como aquela puta europeia pode dizer isso sobre nós? Ela só tem o maldito título por nossa causa e ainda é ingrata. Ela é mesmo como eu imaginei.‐ Toyotomi, como era de costume, foi o primeiro a mostrar seu desgosto.
– Não a chame por favor de puta, ela é a imperatriz, ou melhor vai ser.
– Você tem medo Daiki? Eu a chamo sim de puta, tenho o desejo na verdade de falar coisas muito piores, ela merece ser uma vadia. Mas é traição.- E traição era condenada com morte no domínio imperial, embora fosse negociável fora dele.
– Você não deveria ficar tão irado Toyotomi. Eu fui comparado fui chamado de rude e desagradável, foi comparado com vocês. Isso é inaceitável.
– Você deveria agradecer Takeda. É uma honra para os inferiores serem igualados a nós.
– O que você quer dizer com isso Tomohito? Lembre-se quem de nós é rei.
– Se for para ser um rei como você eu iria preferir ser escravo.- Certamente as coisas ficavam muito ruins quando eles brigavam, mas isso era característico entre os dois clãs.
– Yasu! Yasuhito! Chega não é momento para competitividade nem para rivalidade.
– Ao contrário ilustre Daiki é sim, um de nós será escolhido e eu tenho que garantir que serei eu.- A ambição dos Tomohito era desagradável e horrível.
– Pode ficar com ela. Os Hidetada não precisam de uma...
– Já chega!- Eles pararam realmente, mas não pela ordem, mas por pena. Todos têm compaixão afinal.– Embora eu também esteja irritado pelo que ela disse, ela não está errado, fomos desagradáveis, rudes e até assustadores com ela.
Os outros três continuavam calados, nenhum deles parecia disposto realmente a falar algo. Mas era necessário.
– Eu não acredito que estou dizendo isso mas, o que então devemos fazer Daiki?
– O dever sanguíneo chama Yasu. Vamos por favor tentar ser mais agradáveis, gentis... menos assustadores.- O olhar de Toyotomi não era nada agradável em resposta.– Um de nós vai se casar com ela esse é o fato e nenhum de nós quer a desonra de ser considerado desagradável. Então vamos tentar.
Novamente silêncio, era muito desmotivador tentar ajudar eles.
– Você está certo Daiki. Não vamos ter essa desonra, embora eu não entenda ela pensar assim.
– A ideia de ser desagradável a uma mulher me é desagradável também.
– Irei também tentar, a quase dois séculos o clã Hidetada não é escolhido.
Era isso então, eles iriam tentar encantar a príncesa imperial, se ela os achava desagradáveis e preferia europeus ela teria que repensar, ou tudo poderia dar errado e ela continuaria do mesmo modo.
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