Império das Cinzas: O Nascimento da Vilã
20 Capítulo 20
O gosto de sangue e poeira de cristal ainda queimava na minha garganta, mas o ar gelado do Vale dos Cristais parecia ter virado chumbo nos meus pulmões. Ao meu redor, o cenário era de ruína: os pilares translúcidos que antes distorciam a nossa realidade jaziam em cacos brilhantes no chão — a única vitória desesperada de Sasuke para estilhaçar as ilusões de Sasori. Mas o fim das miragens não significava o fim do pesadelo.
As marionetes continuavam de pé, silhuetas macabras recortadas na névoa tóxica que insistia em rastejar pelo solo. E, pior do que os bonecos de madeira, o som sutil e cortante de fios invisíveis vibrando no ar me gelou a espinha.
Um baque abafado ecoou à minha esquerda.
— Sasuke! — gritei, o meu coração saltando direto para a boca.
Ele estava de joelhos, com a lâmina da espada pesada fincada no chão rochoso para se sustentar. Na bochecha e no braço, cortes finos destilavam um líquido denso e escuro. Mas o que me tirou o fôlego não foi o sangue; foi ver o corpo dele travar de repente. A respiração de Sasuke cortou-se, os olhos escuros arregalando-se em um choque mudo enquanto ele tentava empunhar a arma, mas os músculos simplesmente recusavam a obedecer.
A poucos metros, Gaara tentava erguer uma muralha de areia para nos proteger, mas os grãos tremiam descontroladamente e caíam no chão. O lorde do deserto cambaleou, escorando-se em uma pilha de destroços, tossindo contra a fumaça rastejante que corroía o ar ao nosso redor, claramente sufocado pela mesma substância invisível que pesava na atmosfera.
E então, o som de passos leves rompeu o silêncio.
Dentre as sombras e os bonecos mutilados, o homem com feição perversa emergiu. O olhar dele — vazio, cirúrgico e dono de si — fixou-se diretamente em mim, ignorando por completo até mesmo o Imperador caído no chão.
A presença dele fez um arrepio gélido subir pela minha espinha, colando os fios de cabelo na minha nuca suada. Minhas mãos começaram a tremer incontrolavelmente. Não era só o perigo da morte; era a velha e sufocante sensação de estar na coleira de novo.
— Ora, ora... Que cena patética, irmã — a voz de Sasori ecoou, arrastada, mansa e carregada de um divertimento doentio. Ele deu um passo à frente, os dedos finos manuseando os fios metálicos que zumbiam no ar. — Você realmente achou que podia dar as costas para a Casa Akasuna? Fugir de ser a noiva intocada do Primeiro Príncipe do Império do Sul?
O meu estômago despencou. O nome do herdeiro do trono ecoou como uma sentença de morte na minha mente. Uma lembrança horrorosa relampejou junto: o cheiro de mofo, o eco da umidade e a escuridão absoluta daquela noite no subsolo, acorrentada à parede fria do Poço porque eu havia ousado desafiar as ordens da corte e recusar o anel do príncipe. Uma única noite ali tinha sido suficiente para me ensinar o significado de desespero.
Sasori percebeu a minha palidez. Ele inclinou a cabeça, saboreando o meu pavor como se fosse um vinho raro.
— E vejamos... O grande Imperador Uchiha. Caído na poeira como um cão sem dono — Sasori parou a poucos passos de Sasuke, inclinando o corpo para a frente com uma zombaria cortante. Ele bateu a ponta dos dedos no cabo da espada de Sasuke, como quem avalia um brinquedo quebrado. — Sabe, Sasuke? Você é impressionante... Longe dos muros da capital, você realmente achou que conseguiria sequestrar a minha marionete do noiva do Império do Sul? Que patético.
Sasuke respirou fundo, os olhos faiscando de ódio contido. Cada músculo do rosto dele tremia no esforço insano de quebrar a paralisia, mas o veneno era implacável.
— Você... — a voz de Sasuke saiu como um cascalho arrastado, rouca e mortalmente fria, rompendo o silêncio com esforço monumental. — Como... nos encontrou aqui? Este vale é um segredo enterrado...
Sasori soltou uma risada curta, seca e cheia de escárnio.
— Segredos duram pouco quando o preço pago é alto o suficiente, Uchiha — sibilou Sasori, dando mais um passo em direção a Sasuke, desfrutando da humilhação do adversário. — Acha mesmo que os nobres da corte olham para você como um herói? Alguém nas sombras sussurrou cada passo da sua rota exata para os meus ouvidos.
-Um espião... – Gaara murmurou, com a voz entrecortada.
-Uma informação preciosa... bem a tempo de preparar esta recepção calorosa para os fugitivos. – Sasori gargalhou, sádico. — E quer saber a melhor parte? O seu precioso esforço para quebrar os cristais de ilusão só serviu para acelerar a ação do veneno na sua circulação.
O olhar de Sasori finalmente desviou-se de Sasuke e cravou-se em mim. Ele deu as costas ao Uchiha e caminhou lentamente na minha direção, os fios metálicos zumbindo ao seu redor como cobras famintas.
— E quanto a você, minha desertora... — a voz dele virou um sussurro aveludado e sádico, trazendo de volta o cheiro de mofo e o terror sufocante daquela noite no poço. — O Príncipe Naruto está esperando a esposa dele de volta na capital. E você vai voltar. Quer queira, quer não.
A memória da figura imponente de Sakura nas catacumbas estava viva em minha mente, estremecendo diante das lembranças com Sasori. O meu corpo inteiro gritava para fugir. O eco daquela noite escura no poço, um único e miserável castigo era um prelúdio de tudo o que ele me faria passar. O peso do título de noiva do Príncipe Naruto e o terror de ver Sasuke imóvel na poeira tentaram apagar qualquer pensamento racional.
Antes que eu pudesse recuar, um zumbido quase imperceptível cortou o ar. Fios totalmente transparentes, finos como teias de aranha e invisíveis na névoa, serpentearam ao meu redor em um piscar de olhos. Tentei desviar, mas a velocidade foi implacável.
Sasori soltou uma risada curta, seca e cheia de escárnio, ajeitando os fios transparentes entre os dedos com uma precisão cirúrgica.
— Não gaste suas esperanças olhando para eles — a voz de Sasori cortou o silêncio do vale, fria e deliberada, feita para ser ouvida por todos nós. — Iremos com calma... Tenho todo o tempo do mundo para corrigir sua insolência...
O tremor em meu corpo se tornou incontrolável.
-O Império do Sul tem regras claras – Sasori falou – E... o Príncipe Naruto faz questão de que a sua noiva retorne inteira... ou o mais próximo disso possível.
Ele deu mais um passo à frente, os olhos fixos em mim com um desdém calculado.
— Vou garantir que você nunca mais ouse levantar a cabeça — Sasori olhou de relance para o Uchiha e para o Regente. — E quanto a esses dois? Eles vão apodrecer aqui, paralisados e esquecidos na névoa, enquanto você assiste a tudo de camarote.
O sangue em minhas veias gelou. Vi o exato momento em que os músculos do braço de Sasuke se retesaram com tanta força que as veias saltaram sob a pele pálida. Os olhos negros do Uchiha faiscaram em uma fúria assassina, indomável. Ele tentou se arrastar para a frente, ignorando o próprio corpo, disposto a rasgar a garganta de Sasori com os dentes se preciso fosse.
Não... Ele não podia fazer isso. A cada passo que ele desse mais veneno seria injetado em suas veias.
A poucos metros, Gaara trancou o maxilar, os olhos de jade estreitados em puro ódio, enquanto os dedos trêmulos tentavam forçar os grãos de areia a se levantarem, aceitando o risco dos fios cortantes. Seu rosto, mesmo com semblante de dor, era de alguém que também tombaria ali mesmo se fosse preciso.
O que realmente esmagou o meu peito foi a culpa. Um gosto amargo e sufocante subiu pela minha garganta. De novo não. Eu odiava esse corpo. Odiava-me por não ter minhas memórias, por não ter o mínimo de preparo em combate, por não ter força suficiente naquele momento. Eu já me sentia um lixo por não conseguir ajudar, por ser apenas um peso morto enquanto eles sangravam por minha causa... mas ver os dois se destruírem para tentar me salvar era uma tortura mil vezes pior do que a morte.
— Não... por favor, não! — solucei, a voz saindo em um grito abafado e desesperado, rasgando o meu peito. — Chega... Sasuke... Gaara... fiquem parados!
As lágrimas caíam em cascata pelo meu rosto, misturando-se à poeira e ao suor. O meu coração batia descompassado, não de medo por mim, mas de pavor puro ao ver o que eles estavam fazendo consigo mesmos.
— Eu não vou ver vocês morrerem na minha frente!
Ouvir o meu grito de desespero e a súplica rasgada pareceu quebrar o resto de sanidade do Uchiha. Sasuke travou bruscamente, os punhos fechados contra a terra com tanta força que a rocha esfarelou e cortou sua carne. A frustração e ódio contido estampados em seu rosto, se misturavam ao sangue que escorria por sua têmpora. Ele estava ouvindo tudo, imóvel, acorrentado à própria impotência pela crueldade daquele veneno. Gaara, respirando com extrema dificuldade, fechou os olhos, contendo a areia à força trêmula para não nos condenar à morte.
Sasori sorriu, cruel e fascinado com a nossa agonia.
— Que espetáculo patético de lealdade. Mas a obediência começa agora.
Com um puxão sutil e milimétrico dos dedos, Sasori fez um dos fios transparentes e envenenados que zumbiam no ar chicotear em minha direção. O corte foi rápido e limpo, rasgando a manga e a pele do meu braço direito com a precisão de uma lâmina invisível. O ardor foi imediato, fazendo-me estancar o fôlego enquanto a dor queimava nas minhas veias.
O sangue quente começou a jorrar, escorrendo em um fio escuro pelo meu antebraço, descendo pela carne trêmula até alcançar o pesado bracelete de metal cinzento que eu usava ali — a relíquia incrustada com uma esmeralda pura e lapidada.
O líquido carmesim tocou a superfície da pedra preciosa.
No segundo exato em que o sangue cobriu a esmeralda, o verde profundo da gema começou a escurecer, convulsionando em até transformar-se em um vermelho vivo e sanguinário. Sasori não percebeu, estava distraído com a situação. Um pulso de energia fria estalou no metal, fazendo o bracelete vibrar contra o meu pulso.
E, de repente, o mundo ao meu redor parou. O peso do meu próprio corpo sumiu. O som da respiração de Sasuke, o vento gélido do Vale dos Cristais e o sorriso sádico de Sasori desapareceram em um breu absoluto. Eu não estava mais ali.
---
Meus olhos se abriram em uma realidade cinzenta, estilhaçada pelo eco distante de trombetas de guerra e pelo cheiro sufocante de fumaça, enxofre e ferro queimado. Um lugar completamente desconhecido. Uma espécie de clareira. O céu estava nublado e havia corpos espalhados por cima do solo. Gritos guturais vinham de todas as direções. Sons de botas pesadas e cavalos marchando com ferocidade. O céu de chumbo vomitava faíscas incandescentes.
Que lugar é esse?
Em meio àquela carnificina, o tempo parecia desacelerar para focar em uma único ponto.
A poucos metros de mim, uma mulher de cabelos desalinhados, curtos e loiros, com os olhos verdes expressivos banhados em lágrimas e o rosto marcado por fuligem e desespero, estava ajoelhada na poeira vermelha. Em seus braços trêmulos, ela ninava protetoramente um bebê recém-nascido, envolto em uma manta amarronzada, cujos tufos de cabelo visíveis exibiam uma cor rósea suave, chorando alto em meio à fumaça tóxica.
Não é possível... murmurei mentalmente. Até então eu nunca tinha visto outra pessoa com essa cor de cabelo.
Ajoelhado ao lado dela, protegendo-os com o próprio corpo, estava um homem de estatura imponente, respiração pesada e postura inflexível. Meu corpo estancou. Eu não fazia ideia de onde estava. Se era o limbo outra vez, uma visão ou uma memória. Mas aquele homem... uma sensação estranha me percorreu. Quase como se fosse alguém que eu já tinha visto alguma vez.
Ele tinha os cabelos longos e soltos de um rosa vivo chicoteando com o vento da explosão, e o mesmo par de olhos verdes resolutos que agora fitavam o horizonte com pura urgência.
E foi então que meus olhos desceram, atraídos por um brilho metálico familiar.
Lá estava, preso ao pulso esquerdo daquele homem: o mesmo bracelete de metal cinzento, bruto, pesado e cravado com aquela pedra esmeralda.
A cena acelerou como um relâmpago diante dos meus olhos. O homem ferido sabia que o tempo havia esgotado. Com as mãos ensanguentadas e firmes, ele sacou da cintura uma pequena adaga cerimonial.
A adaga!
Sim. Era idêntica. A lâmina esculpida inteiramente com o minério translúcido dos cristais, com a empunhadura perfeitamente incrustada de pedras esverdeadas que faiscavam à luz do fogo.
Com precisão cirúrgica, ignorando o caos ao redor, ele alinhou a ponta afiada da adaga de cristal em um dos três sulcos rústicos talhados na lateral do próprio bracelete. A ponta encaixou-se com um estalo perfeito na ranhura milimétrica.
Um eco profundo ressoou direto na minha mente, como o despertar de um titã. A gema incrustada no bracelete dele explodiu em um brilho avassalador, e a onda de choque daquele poder ancestral varreu o campo de batalha, rasgando a pele do homem em runas luminosas que pulsavam com a fúria da linhagem.
A imagem começou a estilhaçar-se como vidro quebrado, enquanto a voz da minha própria consciência gravava cada mínimo detalhe na minha alma: o sulco, a adaga de cristal, o giro exato da engrenagem...
---
— Esse é só o começo da sua punição — a voz zombeteira e gélida de Sasori cortou o meu transe de repente.
Abri os olhos com tudo, o ar invadindo os pulmões em um fôlego bruto. O meu corpo despencou de volta para a realidade gélida do Vale dos Cristais. Sasori estava a poucos passos, esticando os fios transparentes para me arrastar e selar a nossa derrota.
Mas ele não sabia o que eu acabara de ver. O instinto e a memória viva daquele homem de cabelos rosados correram pelas minhas veias como fogo líquido. Eu descobrira como ativar o Selo.
Enquanto Sasori puxava os fios para o bote final, minha mão esquerda moveu-se com uma velocidade que surpreendeu até a mim mesma. Meus dedos tatearam a pequena adaga de cristal translúcido presa na lateral da minha bota — a mesma gema extraída dos pilares do vale.
Antes que Sasori pudesse reagir, posicionei a ponta da adaga exatamente contra o primeiro sulco do bracelete em meu pulso direito. A gema rubi pulsou sangue sob o metal. Com um giro seco, firme e certeiro do mecanismo interno, destravei a engrenagem.
CLIQUE.
O som da engrenagem travando ecoou como uma lâmina batendo na rocha. No mesmo instante, senti uma fisgada brutal: o mecanismo interno do bracelete girou e cravou profundamente na carne do meu pulso. Um grito abafado morreu em minha garganta enquanto uma dor lancinante e quente rasgava todo o meu braço.
Do bracelete, linhas de luz começaram a pulsar, subindo pelas minhas veias como raízes vivas. Um brilho verde-esmeralda intenso, hipnótico e avassalador alastrou-se do metal por todo o meu antebraço, iluminando a pele pálida com um fulgor sobrenatural. Das minhas mãos, chamas de jade e uma poeira fina e brilhante irromperam em voltas, dançando ao redor dos meus dedos.
Uma onda de poder descomunal, pesada e densa, explodiu de dentro de mim. O chão sob os meus pés estilhaçou-se em uma cratera, e a onda de choque gerada pelo despertar varreu o vale em um vendaval verde, arremessando Sasori violentamente metros para trás, fazendo-o deslizar com força contra as paredes de cristal.
O ar ao meu redor vibrava.
Do outro lado, a dezenas de metros, Sasori levantou-se com dificuldade, a poeira cobrindo suas vestes. Ele olhou para mim, e pela primeira vez a sua máscara de tédio e crueldade absoluta se despedaçou. Os olhos dele se arregalaram em um reconhecimento aterrorizado, unindo as peças de velhos mitos imperiais que ele achava serem apenas contos de ninar.
— Não... Não pode ser... — Sasori gaguejou, a voz falhando em puro horror. — O mito do Selo de Jade... Você é...
Antes que ele pudesse terminar, os fios transparentes que ainda zumbiam ao meu redor avançaram para o bote.
Sem hesitar, levantei o braço por instinto e, com as próprias mãos nuas, agarrei o fio invisível que minutos antes havia me cortado. No segundo em que meus dedos tocaram a linha cortante, a chama e a poeira verde de jade correram por ela como um rastilho de pólvora, estalando e consumindo cada centímetro da teia mortal até estilhaçá-la completamente em dezenas de pedaços brilhantes que evaporaram no ar.
Sasuke, ainda paralisado e ofegante, conseguiu erguer levemente a cabeça. Os olhos negros e arregalados fixaram-se em mim com uma mistura de choque absoluto e assombro. Ele reconhecia o poder, mas aquilo... aquilo transcendia qualquer limite humano. A fúria em seu peito deu lugar a uma reverência muda ao ver a intensidade do poder que irrompia de mim.
Mais à frente, Gaara sentiu o impacto daquela onda de energia e, num gesto de reconhecimento quase involuntário, curvou o corpo para a frente, apoiando-se no chão. Os olhos de jade do lorde do deserto se arregalaram, murmurando em uma reverência solene e rouca contra o vento: —A'lam al-Zumarrod
No mesmo instante, algo dentro de mim mudou. A energia verde-esmeralda que cobria meu corpo não era apenas magia; era uma exigência implacável, uma fúria territorial e vingativa como se o próprio selo estivesse uivando para massacrar qualquer um que tivesse ousado derramar o sangue de um Haruno. Eu sentia a sede sangrenta que emergia do interior das profundezas. Sentia as cinzas das dunas que emitiam uma energia tamanha, tão imensa que eu tinha dúvidas se poderia ser controlada. Eu já não era apenas uma fugitiva acuada; eu era a ponta de uma tempestade.
O poder do bracelete ecoou pela terra, alcançando o subsolo daquele vale esquecido, onde jaziam veios milenares de minérios e cristais. No mesmo segundo, as partículas de areia e minério pareceram reagir, como brasas de uma fogueira antiga reacendendo-se ao chamado do meu sangue.
Uma energia pulsante subiu do chão, conectando-se diretamente às minhas mãos. Senti o peso e a vontade daquele deserto subterrâneo ecoando dentro de mim, apenas aguardando a minha ordem para a destruição.
Com um movimento calmo e soberano, levantei a mão direita e a deixei suspensa no ar. Eu sabia, de algum jeito, exatamente o que fazer.
O solo de cristal estremeceu com um estrondo ensurdecedor.
Do subsolo, massas imensas de areia grossa e cristais triturados irromperam violentamente para cima, rasgando a neblina. Em segundos, colunas ciclópicas e rugidas de areia ergueram-se como muralhas vivas, avançando com uma velocidade voraz para engolir Sasori e todas as suas marionetes em um vácuo de trevas e pressão.
Sasori tentou recuar, gritando ordens inauditas aos seus bonecos, mas a muralha de areia e minérios desabou sobre ele como uma avalanche divina, devorando o carrasco e seu exército de madeira em um único segundo.
Mantive o braço estendido por mais um instante, sentindo o pulsar da terra sob o meu comando. Então, com um gesto seco e autoritário, fechei o punho e abaixei a mão.
As colunas colossais despencaram de uma vez só com um estrondo que fez o vale inteiro gemer, batendo contra a rocha e enterrando Sasori, os destroços e as marionetes sob toneladas de areia e cascalho pesado. Uma nuvem de poeira se alastrou como uma onda.
O silêncio absoluto despencou sobre o Vale dos Cristais, cortado apenas pelo sopro do vento gelado que varria os grãos que pairavam no ar.
Fale com o autor