Imortal
14 Dúvidas... E segredos
Enquanto caminhava apressadamente rumo à casa de Jason, eu pensei se ligava para avisar ou não. Corria o risco dele não estar em casa, mas às vezes se eu avisasse, ele poderia sair de casa para continuar me evitando, e por isso não liguei. Por que ele estava me evitando? Eu precisava muito saber a resposta.
A casa de Jason não era muito longe da casa de Steph, e eu só gastaria mais alguns minutinhos para chegar lá, até que me encontrei com Kate.
_ Oi Carollyne, você está sumida. – Ela fez aquela cara de vadia de sempre.
_ É mesmo? Agora me conta desde quando isso é da sua conta? – Eu fiz uma cara de repulsa.
_ Eu estou apenas sendo agradável.
_ Ah claro... Faz-me rir. – Dei uma risada irônica.
_ Falando em agradável, por onde anda aquele gato que você chama de namorado, em?
_ Olha aqui, estúpida. – Peguei o rosto da garota com as mãos, e apertei com uma força desconhecida. – Você fica longe dele, entendeu? Garanto-te que não vai querer me deixar com raiva, porque você não sabe com quem está mexendo.
_ Tira a mão de mim! – Ela agarrou meu braço, mas não conseguiu se soltar.
_ Você entendeu? – Eu gritei.
_ Entendi, grossa. Me solta!
Soltei Kate com tanta força que ela deu uma cambaleada para trás e então balançou a cabeça, arrumando os cabelos logo em seguida.
_ Isso não vai ficar assim... – Kate murmurou e saiu andando.
_ Nem sonha em fazer algo, vadia. – Eu gritei.
Preciso admitir que a coisa mais estranha foi a força súbita que me apareceu. Eu não sabia que era tão forte daquele jeito, e não me lembro de ter sido alguma vez... Foi muito inusitado.
Como eu não ia almoçar com meus pais, eu precisava ligar para Steph para dizer que ia almoçar com ele, mas obviamente eu não podia dizer que antes ia passar na casa de Jason, senão nós acabaríamos tendo uma briga muito feia, e eu não queria passar por isso. Abri a minha bolsa, peguei o celular e então disquei o número do meu namorado.
_ Oi, Car.
_ Oi Steph. Eu só estou te ligando para avisar que vou almoçar com você.
_ Sério? Mas e seus pais?
_ Ah, vão almoçar juntos e continuar resolvendo os últimos detalhes para minha festa, afinal é depois de amanhã.
_ Nossa, é mesmo. E será que eles vão conseguir tudo? Está tão em cima da hora!
_ Ah, pode ter certeza que sim... Você não sabe o poder que aqueles Williams tem... – Eu ri.
_ Entendi.
_ Mas então está tudo certo?
_ Sim.
_ Daqui a pouco chego ai, ok?
_ Certo, meu amor, nos vemos.
_ Beijos.
Guardei o telefone e então apressei o passo. Eu precisava chegar muito rápido na casa de Jason para esclarecer as coisas e não demorar e ir para casa de Steph, mas para a minha sorte, eu já estava na esquina da rua.
Quando cheguei, parei em frente a porta da casa do jovem bruxo e hesitei em bater ou não, mas como eu sabia que precisava fazer, logo bati e esperei ser atendida.
_ Olá? – Jason disse enquanto abria a porta, e quando me viu, sua expressão facial mudou imediatamente. – O que você ta fazendo aqui?
_ Posso entrar? – Eu disse meio sem graça.
_ Entra. – Ele fez um sinal com a mão.
_ Então... – Eu me virei para Jason enquanto colocava minhas mãos nos bolsos de trás da calça jeans. – Olha, eu vou ser direta. Por que você sumiu?
_ Só estou te dando um tempo para se curar. – Jason não olhou para mim.
_ Jas... – Eu aproximei a levantei o rosto do garoto para que ele pudesse me olhar. – Por favor, me conta o motivo real.
_ Carol, é complicado.
_ De qualquer forma, me fala! – Eu implorei.
_ Bem... A verdade é que tudo tem sido uma confusão para mim, e desde o momento que pensei que te perderia, compreendi o que sinto por você. Não é só questão de proteção. – Jason foi se aproximando cada vez mais do meu corpo. – Você me faz sentir, e isso é algo que eu já não sabia como era fazia anos... – O garoto pegou meus cabelos e foi andando com a mão até encontrar as maçãs do meu rosto. – Eu te amo... Mas sei que não sou o cara certo para você! Não é justo que você me escolha, e na verdade isso nunca vai acontecer; porque eu simplesmente não lhe mereço. Você é perfeita demais para mim, e eu, errado demais para você. – Jas encostou seu nariz no meu, e por um instante pensei que fosse me beijar.
_ M-mas...
_ Não, Car. Não existe “mas”. Você precisa estar com Stephan, e ser feliz ao lado dele. Ele sim é o garoto que merece você... Sempre foi bom, nunca esteve do lado do mal. Stephan é o mocinho, e eu, o vilão. Por isso eu sumi. Preciso esfriar a cabeça, e principalmente dar espaço para que você perceba que eu estou certo. Você sabe que ama aquele garoto.
_ Jas...
_ Carol, preciso fazer isso. Por favor, entenda. Tenho que aprender a controlar meus sentimentos para não deixar que isso afete o meu único dever, que é o que ainda me mantêm perto de você: protegê-la.
_ Me escuta! – Eu gritei com ele. – Sabe, isso tudo é muito novo para mim... Na verdade, as últimas semanas da minha vida tem sido uma mistura de coisas que eu ainda estou descobrindo, e Steph me ajudou a passar por tudo isso; mas não significa que eu não goste de você! Aprendi a te aceitar... Não posso permitir que você se afaste.
_ E eu não posso me permitir estragar sua vida.
_ Mas você não estraga, e nem vai estragar! Por favor, Jas, eu preciso de você presente, comigo! Não me deixa.
_ Eu não sei o que te responder.
_ Não fala nada... – Eu cheguei mais perto e o abracei. – Não precisa me responder, apenas pense. – Dei um beijo em sua bochecha e fui em direção a porta.
Antes de sair da casa de Jason, eu pude vê-lo deslizar sua mão pelo lado do rosto onde eu havia beijado e logo em seguida suspirar pesadamente.
Do lugar onde eu estava até a casa de Stephan provavelmente eu gastaria uns cinco minutos, mas depois de tudo que eu tinha acabado de ouvir, eu comecei a andar pensando. As palavras de Jason me atingiram como uma lança, e foi um choque para mim. Nunca esperei que o homem que, primeiramente, tinha a função de me capturar, algum dia se apaixonaria por mim... E tão de repente! Stephan não poderia saber daquilo de maneira alguma, mas é lógico que meu namorado já devia ter suas desconfianças; ele nunca gostou muito de Jason, e só o aceitou, pois sabia que não poderia me proteger sozinho. Com certeza as palavras ditas por Carl aquela noite tinham feito uma revolução dentro dos dois garotos. De qualquer forma, eu me sentia perdida e sem saber o que fazer quanto aquela situação. Jas estava certo, eu nunca o escolheria... Meu amor por Stephan era único e especial, e eu não o trocaria de forma alguma. Mesmo sabendo disso, eu me sentia terrivelmente mal pelo bruxo que era meu escudo de proteção, e foi com isso que percebi que na verdade eu só usava o garoto, o que me fez sentir extremamente estúpida e culpada. Bem, depois eu precisava tomar algumas decisões, mas agora eu só queria encontrar meu namorado.
Comecei a andar rapidamente para encontrar a casa de Steph, e não demorei a chegar. Bati na porta e esperei.
_ Ei! – Steph disse.
_ Ah, que saudades. – Eu pulei no pescoço do garoto.
_ Também estava com saudades. – Ele disse enquanto fechava a porta com um braço e me abraçava com o outro. – Apesar de a gente ter se visto ontem. – Steph deu uma risadinha.
_ Eu sei, mas qualquer tempinho sem você já me dá saudades. – Dei um selinho nele.
Quando me afastei de Steph e dei alguns passos para frente, escutei latidos e de repente vi minha bolinha de pelos brancos vindo em minha direção.
_ Ei garotinha! – Eu abaixei e peguei Pim no colo. – Que saudades!
A cachorra se enroscou nos meus braços, fazendo barulhinhos que pareciam choramingo e resmungo ao mesmo tempo. Comecei a acariciar a cabeça do animalzinho esperando que ele se acalmasse.
_ Mas então, você está com fome?
_ Estou sim, o almoço está pronto?
_ Quase; a lasanha está terminando de assar ali.
_ Você fez lasanha? – Eu arregalei os olhos e quase salivei.
_ Fiz, por quê?
_ Você sabe como eu gosto de lasanha...
_ É, sei sim.
Eu dei uma risadinha e então sentei no sofá, juntamente com Pim. Stephan foi para a cozinha verificar o progresso da lasanha e logo em seguida pegou os pratos, copos e talheres para poder arrumar a mesa onde iríamos almoçar.
_ Steph, escuta... Quando é que você pretende me deixar ciente de tudo que eu preciso saber?
_ Hum, é mesmo. Eu nem estava me lembrando disso. Mas Carol, eu prometo que depois do seu aniversário eu vou lhe contar todos os minuciosos detalhes que descobri juntamente com Jason.
No exato momento em que Steph pronunciou o nome de Jason senti minha espinha gelar, pois isso me fez lembrar tudo que o bruxo havia me falado não tinha nem meia hora, e então imaginei o que meu namorado faria se soubesse de tudo.
_ Ah, mas só depois do meu aniversário?
_ Sim.
_ Mas faltam dois dias!
_ Eu sei, só que esses dois dias não serão nada mediante ao tanto que você já esperou.
_ É tão perigoso assim que você precisa esperar tanto tempo para me dizer?
_ Não, mas quero que você aproveite esse tempo com seus pais para se divertir, e depois nós nos preocupamos com os problemas.
_ Eu preciso saber!
_ Você saberá na hora certa.
Emburrei e parei de implorar que o garoto me contasse. Stephan não queria me contar, pois Phill, tio de Anne, havia ligado para ele e dito que precisava esclarecer algumas coisas, sendo assim, seria melhor que o garoto esperasse todas as informações para poder me contar a história completa.
_ Carol, a lasanha está pronta.
_ Já vou...
Antes de comer, passei no banheiro para lavar o rosto e as mãos que estavam sujas de Pim. Eu sempre mantive minha higiene, pois apesar de muito limpinha, Pim ainda era um animal e podia transmitir doenças.
_ Carol...
_ Calma, eu já estou indo! – Eu gritei de volta.
_ Quanto estresse.
_ Quem gritou primeiro foi você. – Eu disse chegando à cozinha, levemente brava por Stephan não querer me contar.
_ Por que você está com essa expressão? – Steph perguntou curioso.
_ Nada. – Eu respondi rispidamente.
_ Ei, o que foi em? – O garoto chegou perto de mim e segurou meus braços para que eu não saísse andando.
_ Só não estou gostando do fato de você me esconder informações.
_ Não estou escondendo amor, eu vou te falar. Tenha calma.
_ Ah, tanto faz então. – Saí em direção a mesa, sentei e comecei a colocar o meu prato.
_ Carol, para com isso.
_ Stephan, vamos almoçar logo.
O garoto não continuou insistindo, apenas sentou e também colocou seu prato, começando a comê-lo em seguida. Eu não puxei assunto e fiz questão de comer rápido para poder pegar Pim e ir embora.
_ Come devagar, você vai passar mal.
_ Não vou não, além do mais eu estou comendo pouco.
_ Você quem sabe...
Terminei rapidamente, levantei e segui em direção a pia para poder lavar aquilo que havia sujado, e então disse:
_ Stephan, vou pegando a Pim e indo, tudo bem? Lembrei que preciso falar um negócio sobre a festa com meus pais, resolver lista de convidados, e outros detalhes.
_ Certo, tchau.
_ Tchau.
Dei um beijo na bochecha dele, passei direto e peguei minha cadelinha e uma mochila com todas as suas coisas, segui direto rumo a porta saí sem hesitar.
Soltei Pim e deixei que ela fosse andando, e então pude sentir a brisa que soprava e tentar adivinhar o que tanto Stephan e Jason escondiam de mim, pelo menos até agora. Sem mais delongas, decidi deixar para lá e esperar, afinal, eu tinha acabado de brigar com meu namorado por causa desse segredo, e não estava me sentindo muito bem. Comecei a andar um pouco mais rápido para chegar logo em casa e mandar uma mensagem para Lauren.
Quando cheguei em minha casa meus pais também estavam chegando.
_ Oi Carol, achamos que você ia demorar mais na casa de Stephan. – Minha mãe disse.
_ Ah, estou um pouco cansada e quero falar com Lauren sobre a festa, ainda não tive tempo. – Sorri.
_ Entendi.
Meu pai abriu a porta e arredou para o lado permitindo-me passar com as coisas de Pim, juntamente com ela, que seguia cada passo que eu dava. Guardei tudo em seu devido lugar e me dirigi para meu quarto, desejando ligar logo o computador, escrever o e-mail e depois descansar um pouco. Esperei que tudo iniciasse corretamente e então redigi o recado para minha melhor amiga.
“Ei Lau,
Nós não temos nos falado muito... Queria dizer que farei uma festa para comemorar meu aniversário, aproveitar meus pais e esquecer um pouco os problemas. Preciso te contar sobre os últimos acontecimentos, e você não vai acreditar!
Bem, saudades... Me responda logo.
Beijinhos, Car.”
Assim que terminei, corri para o banheiro e escovei os dentes. Coloquei um moletom bem confortável e deitei na cama. Rodei para um lado... Rodei para o outro... E no fim acabei conseguindo pegar no sono, que não demorou muito a ficar profundo e pesado, e com isso, perdi a noção do tempo.
Quando acordei, já estava de noite. Procurei com os olhos semicerrados o relógio e percebi que já eram oito horas da noite. Para quem tinha dormindo muito durante a noite, eu dormi demais durante a tarde. Eu parecia que estava exausta para ter dormido aquele tanto. Estranhei. Mas então, com muito custo, levantei da cama e acendi a luz. Procurei uma roupa para colocar depois do banho que tomaria logo em seguida.
Não fui conferir se todos estavam na casa, se havia visita ou qualquer coisa do tipo, apenas segui em direção ao meu banheiro, almejando o banho quente que iria tomar. Tranquei a porta, tirei a roupa, e dessa vez não me encarei no espelho, apenas liguei o chuveiro quente e entrei debaixo daquele jato de água e fumaça que saiam.
Não demorei a tomar o banho e logo após termina-lo, saí do meu quarto e desci as escadas com pretensão de andar um pouco pela rua; quem sabe ir até o monte Fibs... Atravessei a sala e vi meu pai lendo algum papel enquanto minha mãe assistia a algum filme que passava na TV.
_ Aonde você vai? – Perguntou meu pai.
_ Ah, não sei ainda, acho que vou andar um pouco.
_ Não demore, apesar de morarmos em uma cidade calma, ainda há perigo por aqui.
_ Fique tranquilo.
Abri a porta e recebi com um sorriso o ventinho gelado que rodopiou por ali. Hesitei por alguns segundos rápidos e então fechei a porta e parti em direção ao monte. Mais uma vez estava refletindo sobre os acontecimentos recentes da minha vida, desde o primeiro dia naquele lugar, até o atual.
Sentei em uma pedra e fiquei observando o nada. Quando eu era menor, morria de medo do escuro e do que ele escondia, porém eu nunca mais soube o que era medo desde ter escorregado e chocado contra espinhos. Naquela hora parecia que a junção de almas tinha me feito mais forte e me deixado capaz de enfrentar qualquer coisa sem precisar temer as consequências, por piores que fossem. Eu estava ali, parada, quando alguém chegou por trás e sussurrou no meu ouvido.
_ Precisamos conversar.
Eu levei um susto enorme e olhei para trás para ver quem era. Para o meu alívio, era Stephan.
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