Imortal

8 Ali... O esconderijo!


_ Chegamos! – Jason gritou.

_ Em? – Stephan disse sonolento.

_ Chegamos, Stephan; Chegamos ao esconderijo de Carl.

_ Mas já? – Stephan disse ainda sonolento e esfregando os olhos.

_ Ei, vamos logo, Carollyne pode estar lá!

Stephan então entendeu que talvez eu estivesse lá; Que pudesse me ver mais uma vez e me tirar das garras daquele homem. Então se animou e o sono foi embora subitamente.

_ Vamos logo cara! – Ele disse já abrindo a porta do carro.

_ Claro.

Os dois saíram do carro e correram em direção ao esconderijo, mas antes que Stephan entrasse desesperado e chamando toda a atenção de Carl, Jason pegou em seu ombro fazendo-o parar e o alertou:

_ Stephan, você vai precisar ser forte. Não posso mentir para você; não existe possibilidade alguma de nós vencermos Carl.

A decepção foi visível no rosto de Stephan, porém ele não se deixou abalar.

_ Mesmo assim, eu vou lutar até o fim.

Ele virou as costas, e vagarosamente entrou no recinto. O dia estava amanhecendo, eu estava dormindo, e provavelmente Carl estava distraído com algo, ou talvez esperando que os dois garotos chegassem.

O fato de Jason e Stephan encontrarem o esconderijo não era uma surpresa ou descuido, era completamente intencional. Carl optou em ir para seu esconderijo, pois sabia que aquele era o primeiro lugar em que os dois iriam procurar.

_ Stephan, seja cuidadoso. E principalmente, tente controlar seus sentimentos, pois agora isso pode atrapalhar e estragar tudo.

_ Sem problemas. – Ele disse frio, tentando esconder o desespero que estava sentindo.

_ Vamos nos dividir. Você procura Carollyne e eu tento achar Carl. – Jason disse.

_ Mas Carl não pode saber que estamos aqui, Jason.

_ Stephan, é lógico que ele já sabe. É melhor eu vigiá-lo, pois caso ele perceba algo, dá tempo de eu distraí-lo e você pegar Carol e levá-la para o carro.

_ Isso não é arriscado? – Stephan fez uma cara de interrogação.

_ Estar aqui já é arriscado.

Cada garoto foi para um lado. Steph pela direita e Jason para a esquerda, em direção ao quarto de Carl. Os dois andavam minuciosamente, mergulhados na escuridão daquele lugar. Jason já sabia por onde andava e não demorou a achar o que procurava.

Stephan estava perdido, mas logo a sua frente, enxergou um feixe de luz de diversas cores que se apagou de repente, deixando tudo na escuridão novamente, e acendeu novamente. O garoto saiu correndo, chegando à varanda que rodeava o salão onde eu estava presa. De onde Stephan estava, me viu deitada lá em baixo.

_ Achei! – Ele gritou e saiu correndo, em busca da escada que estava exatamente do outro lado.

Eu estava dormindo, mas pelo desespero em que Steph desceu as escadas, ele devia estar pensando que eu estava morta. O garoto corria enquanto as lágrimas salgadas percorriam seu rosto e paravam em sua boca.

Quando chegou até onde eu estava, subiu o altar ofegante e me abraçou, levantando-me e deitando-me em suas pernas.

_ Não! – Ele disse baixinho enquanto chorava.

_ Steph? – Eu sussurrei enquanto acordava e abria os olhos vagarosamente, descrendo que Stephan estava realmente ali.

_ Carol? – Ele me olhou com os olhos esbugalhados, parecendo assustado. – Você está aqui! Minha pequena, como eu senti sua falta! Achei que tivesse te perdido, para sempre!

O garoto falou tudo tão rápido que eu quase não consegui entender.

_ Calma, eu ainda estou aqui. – Com a boca ressecada, eu continuei sussurrando.

Stephan me abraçou bem forte e estranhou por eu não ter correspondido.

_ O que foi? – Perguntou.

_ Eu estou com muita fome, me sinto fraca.

_ Ah, espera ai – Ele tirou a mochila das costas, abriu e pegou um pacote de cookies. – Toma, come.

_ Obrigada meu amor. – Eu dei um sorrisinho pálido – Mas eu estou presa, não consigo abrir o pacote.

_ Ah, sem problemas, eu abro para você.

_ E vai ter que me dar na boca também. – Forcei uma risadinha

_ Sem problemas!

Enquanto isso Jason observava Carl discretamente. O homem estava de costas, olhando para uma janela, observava o sol nascer. Parecia estar com o olhar vidrado; O pensamente viajando pelas lembranças da época em que algum dia tivesse sido um homem bom.

_ Que bom revê-lo, Jason. – Carl disse sem olhar para o garoto ou fazer qualquer movimento. – Ou melhor dizendo, traidor.

_ Oi Carl. – Jason disse sem emoção e entrou no quarto do homem.

_ Como é sentir-se inútil novamente? – Carl disse ironicamente e se virou para encarar Jason, com seus olhos castanhos, penetrantes e gélidos.

_ Não estou me sentindo inútil e nunca me senti assim. Na verdade, nunca me senti tão capaz igual me sinto nesse exato momento. – Jason continuava sem deixar suas emoções transparecerem, e fazia isso tão bem que parecia ter desligado seus sentimentos em um botão.

Carl deu uma risada tão assustadora e medonha que arrepiaria a espinha de qualquer um que ouvisse aquele som.

_ Acho que andar com esses humanos medíocres não te fez bem. Você está agindo como um completo idiota.

_ Na verdade, só me fez bem. Há anos eu não sabia o que significava “sentir” de novo; eu achava que não era mais capaz. Eu era o seu robozinho e felizmente isso passou. – Jason encostou-se à parede e cruzou os braços.

_ Hum, interessante... – Carl se levantou da cadeira.

_ O que? – Jason parou enfrente a porta, com as pernas um pouco afastadas, e ainda com os braços cruzados encarou Carl. Ele se parecia quase com um segurança. Mas depois chegou mais perto do homem.

_ Quer dizer que nosso pequeno traidor se apaixonou pela presa indefesa... – Carl começou a rodear Jason e com o olhar analisador. – Bem interessante... Vou poder me aproveitar disso.

_ Do quê que você está falando? – Jason se fez de desentendido.

_ Não se faz de idiota, porque você não é. Será que seu companheiro de “proteção” sabe que você está apaixonado pela namoradinha dele? – Ele abriu aspas no ar.

_ Para. – Jason gritou.

_ Parar com o quê? Parar de falar a verdade? – Carl disse provocante.

_ Eu disse para você calar a boca! – O garoto vociferou de raiva. – Você! Foi você quem me privou de amar e de qualquer outra coisa que esse sentimento pudesse me oferecer. Você não presta. Nunca prestou, e infelizmente você me sujou e me infectou, fazendo-me um exemplo de sua ganância e mediocridade. Você me usou esse tempo todo, e eu demorei a enxergar isso.

_ Olha, como você está me surpreendendo...

_ Por? – Jason disse ironicamente.

_ Você me enfrentando... Como se não soubesse que eu adoro “brincar”. – Carl abriu aspas no ar ao falar a palavra brincar. – A propósito, por onde anda seu amiguinho? Como se chama mesmo? Ah... Stephan Claymore.

_ Ele ficou lá fora. – Jason mentiu, e fez isso muito bem.

_ Sério, quem pode me garantir isso?

_ Eu estou dizendo, oras...

_ E quem pode confiar em você? Se você não se lembra, você me traiu.

_ Ao contrário de você, eu não minto.

_ Aham, eu sei... – Carl riu. – Então, já que ele está no carro, vamos dar uma voltinha e eu vou te levar até Carollyne.

Jason se arrepiou. Se Stephan já tivesse me encontrado, Carl veria. Seria necessário enganar Carl para que desse tempo de Stephan me levar para longe dali.

_ Na verdade, eu não quero vê-la.

Carl parou em frente à porta, de costas para Jason, e se virou lentamente com um olhar maligno e disse:

_ Há, há. Você pensa mesmo que me engana não é, seu estúpido? Acha que eu ia acreditar que Stephan, que morre de amor por Carollyne, ia ficar dentro do carro esperando que você, meu antigo aliado, salvasse a namorada dele? Aham, claro. Nunca ouvi tanta besteira junta. – Carl saiu pela porta em um piscar de olhos e sumiu na escuridão.

_ Não! – Jason gritou e saiu correndo pela mesma escuridão, em busca de Carl, pois sabia que se ele encontrasse Stephan, faria algo mortal contra o garoto.

Eu estava devorando o pacote de biscoitos e Stephan me olhava e parecia me admirar.

_ Para de me olhar comer! – Eu disse.

_ Mas você é linda! E eu estou te dando os biscoitos, não tem como não olhar.

_ Com certeza não fico linda quando estou comendo!

Ele deu uma risadinha.

Carl surgiu na ponta da escada e eu me encolhi na hora. Stephan estranhou e então acompanhou meu olhar. Ao ver quem era, entrou na minha frente, como um escudo protetor e fechou a cara.

Era a hora da confusão. Eu não queria de verdade que isso acontecesse, mas... Infelizmente ia acontecer. Carl mataria todos, e meu esforço teria sido completamente em vão. Eu não podia fazer nada e já estava cansada de lutar. O que me restou foi esperar o meu fim chegar, juntamente com a dor de cabeça que explodia em mim. Tudo que eu queria? Queria chorar. Chorar muito, para que Stephan me abraçasse e cuidasse de mim. Mas eu tinha que ser forte, ou pelo menos parecer ser. E por isso, tudo que eu fiz foi ficar calada e apenas observar.

Como se não pudesse piorar, exatamente do outro lado da varanda surgiu Jason, que gritou:

_ Carl, você não fará nada. Só por cima do meu cadáver!

E então um feixe de luz atingiu Carl e ai sim começou uma confusão. Tudo foi tão rápido que eu quase não consegui acompanhar.