Imortais - A lenda
2 Capitulo 1 - Rancor á vista !
Notas iniciais
De um mar de sombras
Max estava olhando para o caminhão de mudança, que por acaso , era azul escuro, sua cor preferida, parado a sua porta, olhou para o enorme veículo trazendo dentro de si mais do que apenas alguns moveis ou roupas. Dentro dele havia a história da vida do rapaz, cada pedaço intacto da memória dele estava atrelado aos objetos ali contidos. Certa vez Max havia entrado em pânico com uma cobra que aparecera em sua casa, evento muito misterioso, levando-se em conta que ele morava em um ambiente muito urbanizado. Quando a cobra entrou, avançou para pega-lo e ele saiu correndo esbarrando na estante que sua mãe guardava a louça de sua avó e o móvel deslizou com tudo para frente caindo sob a cobra. Na ocasião o jovem tentou explicar para sua mãe o ocorrido, porém quando levantaram as madeiras estilhaçadas não havia nada lá.
Esse foi só um dos pequenos momentos nostálgicos, as vezes estranhos, que se passaram pela cabeça de Max enquanto ele fitava o veículo descarregando os móveis. Então ele teve sua atenção voltada para a vizinhança, uma típica cidade norte americana, com casas que possuíam varanda frontal, 2 andares e jardins extensos e decorados com estátuas de anões. Ele sabia que sua mãe se mudara do Brasil para os Estados Unidos devido uma oportunidade de emprego, mas para ele era difícil se adaptar a ideia de abandonar os poucos amigos que conquistara a muito custo em sua terra natal. Agora estava em terra desconhecida, cercado por desconhecidos, ali seria invisível de novo...
– Aiiii, seu vesgo, olha por onde arremessa – Exclamou Max ao ser atingido por uma bola de futebol americano, era seu irmão Drin. Pelo menos ele não seria invisível como pensara a princípio.
– Desculpaaa! – Disse seu irmão distante, que já demostrava apego diante a nova fase.
Mas sua vida não se resumia em uma brincadeira com seu irmão, meio imaturo e rebelde as vezes, que por sinal era o único a quem abraçar.Sua mãe muito ocupada com seu trabalho, nunca teve tempo para dedicar, então era de total responsabilidade de Max cuidar de Drin, que o admirava muito mesmo demostrando muito pouco.
– Ei Max, por que não saímos agora? Podemos sair por ai para conhecer a cidade, vai ser legal. – Disse Drin na esperança que seu irmão aceitasse o convite.
–Aposto que você só esta me chamando por não poder ir sozinho, não é mesmo?. – Disse Max Suspirando paciência, com seu irmão mais novo.
– Não é isso, você só ficava em casa escutando musica nesse ipod, e escrevendo,vamos cara por favor, nunca nos divertimos juntos. – Explica Drin, eufórico.
–Como você é chato viu, ta bom só vou tomar um banho e me trocar, você deveria fazer o mesmo, acabamos de chegar nessa cidade e você já ta todo sujo.
– Está certo, vou indo, você é o melhor irmão do mundo. – Drin então foi direto ao banheiro do quarto da sua mãe enquanto Max ia para o banheiro principal da casa.
Drin saiu correndo para ir se trocar, enquanto Max ainda estava saindo do banheiro.
– Eii pra que essa pressa toda, temos a tarde toda.
– Você também devia se apressar, temos bastante lugares para ir.-Exclamou Drin ansioso para a primeira volta na cidade, ele não tinha ido a lugar algum, sua mãe teve que ir assim que chegou para a empresa na qual trabalha, resolver alguns papéis
– Ok, ok vamos, mas olha, sem confusão você não vai me aprontar nada certo?
–Sim claro, não sou criança hora!
– Bom mesmo, já basta os problemas que tenho tido com a mãe, aquele lance da cobra me causou um grande problema. – Max tinha certeza do que viu, sua mãe dizia que ele talvez estivesse abalado emocionalmente, pelo fato de ter deixado os poucos amigos que tinha. – Vamos indo Drin..
–Vamos! – Drin estava pronto para sua primeira aventura na pela cidade, Max só queria ir logo para voltar o mais rápido possível para terminar de ler seu livro favorito Anjos e Demônios.
Saíram então, Max usando sua jaqueta preta, bermuda jeans, seu tênis de caminhada e seu cabelo era longo, já Drin saiu com sua camisa regata e uma calça cheia de rasgados que ele adorava, um all-star, tênis comum do seu dia-a-dia diferente de Max, tinha um topete.
Caminharam por alguns minutos até o centro da cidade, que por sinal não era tão grande como o esperado por Drin, que admirava cada estrutura, já que nunca tinha visto casas daquele tipo.Ao chegar no centro encontraram uma padaria, uma mercearia, diversas lojas, mas o que encantou Max, foi a biblioteca central.
– Ei Drin, já estou começando a gostar dessa cidade, nunca vi uma biblioteca tão grande, deve ter todos os livros que eu gosto ai, vou poder reler todos meus favoritos. Vou ir lá da uma olhada, quer ir comigo? – Dizia Max todo cheio de si, novidade para Drin que olhou surpreso o primeiro momento de felicidade do seu irmão desde a chegada.
–Ah não pode ir, vou dar uma volta por aqui, não precisa se preocupar vou ficar esperando você aqui. – Drin sabia que se fosse acabaria atrapalhando seu irmão na leitura.
–Está certo, eu volto em um minuto! – Max então saiu em direção a biblioteca que era imensa..
Drin andava despercebido como sempre, até que passa a olhar uma estatua que ficava no centro da cidade, era de uma mulher chorando, a mulher tinha um capuz, ele foi andando em direção a estatua, olhando fixamente para o rosto da estatua, pelo feito, acaba se esbarrando com um garoto de 16 anos, seu nome era Colt Mártin, um garoto arrogante que adorava caçar encrenca , não importava com quem fosse.
–Eii eu seu idiota, olha por onde anda imbecil..Pera..Você é aquele garoto que chegou do Brasil não é mesmo? Vou te dar as boas vindas com um soco nessa sua cara de inútil. – Drin ficou sem reação, assustado pois o garoto era muito maior além de não dominar a linguá inglesa totalmente, até que uma garota que vinha passando resolveu ajudar o pobre garoto.
– Colt seu retardado, deixa o garoto em paz, ele mal chegou e você o recebe assim? – Era uma garota muito bela, seu nome era Dulce Frontine, Drin ficou admirado e ao mesmo tempo constrangido.
– Ai ai, garoto sortudo, nos vemos por ai moleque. – Afirmava Colt com uma sorriso sádico no rosto, se retirando no local, ao ver alguns amigos passando.
– Por que fez aquilo? – Perguntava Drin meio sem graça.
–Ué, aquele garoto só procura confusão com garotos menores do que ele, só tentei queria ajudar. – Dizia Dulce com um sorriso meigo no rosto.
–Eu sei me virar não precisava ter feito o que fez! –Drin bem que tentou ser rude, mas não conseguiu ele se sentiu no lugar certo na hora exata, mesmo passando o ocorrido, a garota olhava em seus olhos com um sorriso no rosto o que o deixava com mais vergonha .. –Desculpa, obrigado por me ajudar, meu irmão me mataria se eu arranjasse uma briga logo hoje. Qual o seu nome?
–Ah tudo bem, não se preocupe, quanto a isso, não precisa agradecer, meu nome é Dulce, Dulce Frontine, e o seu, qual é?
–O meu é Drin, Drin Revil. Sabe, tenho uma divida com você podemos tomar um sorvete qualquer dia desses, o que acha?
–Ah tudo bem, gostei da ideia, podemos sim, que dia?
–Como? – Drin tinha dificuldades no inglês, mas que logo seriam superados com a convivência.
– Você não fala muito bem o inglês, não é mesmo?
–Não eu vim do Brasil, tenho algumas dificuldades..
–Nossa o Brasil, que máximo! –A garota parecia gostar do Brasil, o que deixou Drin mais animado.
–Então vou falar com mais calma, sim, podemos sair, basta dizer o dia e o horário, afinal as aulas ainda não começaram.
–Ah ta, hoje, o que acha?
–Vou ver se posso ir, pode me passar seu número?
–Sim claro, mas onde?
–Aii, deixei meu celular em casa..
–Deixa eu ver..Só um segundo! –Drin olhou de um canto a outro, logo viu um vendedor de balões, pediu a caneta e um pedaço de papel só por um instante, o vendedor, bem carismático cedeu o pedido.
–Aqui está, esse é meu número, já coloquei o chip dessa cidade pode ligar sem medo.
–Está bem, então até mais tarde, te ligo para dizer se vou poder ir ou não. Tchau Drin!
–Ta bom até mais .Tchau..Dulce.. – Em seguida ele vê seu irmão chegando exausto, já sem folego.
–D-rin, e-está tudo bem com você? – Max parecia que estava correndo.
–Eu quem pergunto, por que esta assim?
–Pedi para a recepcionista ficar de olho em você, mas cara, essa biblioteca é imensa, vim o mais rápido que pude, mas o que aconteceu?
–Está tudo bem um babaca queria caçar confusão, se não fosse pela Dulce..
–Pera uma garota te defendeu ? Owwwnt que fofo.
–Ah seu idiota não foi isso!
–É brincadeira calma. –Sorriu Max, enquanto seu irmão fervia de raiva. –Qual era o nome do garoto?
–Ela disse que era..Co.Colt Mártin.
–Hm..Vou me lembrar do nome desse bastardo. – Max era em parte, muito vingativo, por mais que não gostasse de brigas. –Vamos indo já está tarde.
–Vamos.
Os dois voltaram para casa, o céu ja estava ficando escuro, Drin contando ao irmão sobre a garota que tinha acabado de conhecer, disse sobre como era linda, e como era simpática, Max ficava admirado, mas sabia que aquilo não passava de uma paixão passageira.Chegando em casa, Max tomou outro banho e foi para o sótão pensar um pouco, enquanto Drin não desgrudava do telefone. Max Olhando pela janela como de costume, começou a ter pensamentos profundos sobre si mesmo:
–Realmente não sei o que está acontecendo comigo, as vezes tenho a impressão de que tem alguém falando comigo, em diversos casos sou influenciado de alguma forma por essa voz que não sei ao menos de onde vem, talvez minha mãe esteja certa, e eu realmente precise de tratamento.. –Lembrando da cena que passava repetida vezes da cobra rastejando em sua casa.
A noite chegou e Max se preparava para o seu primeiro dia de aula, olhado pela janela do sótão, ouvindo AC/DC, que por sinal era sua banda de rock preferida, ele via as pessoas se divertindo, até que meio despercebido, quase sem querer encontra uma garota linda, lendo um livro sentada na grama, se amor a primeira vista existe, Max acabava de encontra-lo , seu nome era Wenry, uma garota de família influente naquela cidade, só se sabia isso, mesmo sendo muito simpática não era fácil encontra-la nas ruas ou em festas, e Max por um toque de sorte, seu pai havia ido na casa de amigos que eram vizinhos de Max, que teve a chance de encontrar a garota em seu gramado.
– Meu deus , ela é muito linda, esse sorriso, bem que eu podia..Mas se eu for o que eu falo.. respira Max, respira, vamos lá eu posso perguntar o que ela tá lendo, é, é isso! – Pensava Max enquanto admirava tal garota. Então descendo as escadas com muita pressa, quase tropeçando, parou, de um ultimo suspiro e abriu a porta, foi caminhando devagar em direção Wenry , que estava tão focada em sua leitura que nem percebeu a chegada do jovem.
–Bo-boa noite moça. –Disse Max quase travando.
–Boa noite moço. –Respondeu Wenry com um sorriso no rosto.
–Eu vi você aqui, e como estava entediado pensei..
–Ah tudo bem, você é novo por aqui não é, de onde veio?
–Sim eu vim do Brasil.
–Nossa que legal, sempre quis conhecer o Brasil dizem que é ótimo.
–É um pais legal de se morar mas minha mãe teve que vim morar aqui a trabalho e não tive escolha.
–Deve ser chato ter que largar tudo pra viajar assim..Mas agora tenho que ir, já está tarde.
–Está certo, foi um prazer te conhecer! – Disse Max todo contente.
–O prazer foi todo meu. Até algum dia desses. – Wenry saiu caminhando ofegante, em direção a um carro preto que chegava para lhe buscar.
–Até! – Grita Max..Até ele se tocar que nem ao menos tinha perguntado o nome da garota, ficou andando pra um lado e para o outro com as duas mãos na cabeça, e acaba vendo uma pulseira no chão, logo ao olhar, percebe que no verso da pulseira tinha dois nomes, “Louise&Cristian”, aquilo com certeza o deixou deprimido. Logo, subiu para o sótão, onde foi se preparar para o primeiro dia de aula, em seguida tirou um cochilo profundo, com aquilo em mente.
–Ei cara acorda, ela me ligou, ela me ligou! – Dulce tinha acabado de ligar para Drin, confirmando que iria poder sair a noite.
–O que foi, quem te ligou? –Max estava com cara de sono, coçando os olhos como quem sem incomodava com a luz que vinha da janela, pois seu irmão tinha aberto as cortinas assim que entrou no sótão.
– A Dulce, ela topou sair comigo, você pode ir comigo, afinal, não posso ir sozinho. – Max nunca tinha visto seu irmão tão empolgado, e assim topou sem questionar.
–Ta bom, vamos lá, não tenho nada para fazer a noite mesmo, e também já terminei de ler meus livros, falando nisso preciso de novos. –Drin, admirado pelo fato do irmão ter aceitado tão facilmente, abre um sorriso enorme, e vai atender a campainha.
–Vai se arrumando enquanto atendo.
–Está bem.. –Drin então vestiu uma bermuda, uma blusa regata, calçou suas sandálias e desceu para a sala.Descendo as escadas, ouviu a voz doce de uma garota, e também ouviu a voz de sua mãe, que por coincidência havia chegado no mesmo momento.
– Boa noite Dul.. –Antes que terminasse a fala, ao olhar para os olhos da garota, Max, cai de joelhos no chão, ficando paralisado, sentia como se sua pele estivesse queimando, ardendo em fogo, sentia como se algo quisesse sair de dentro do seu corpo, a garota, pelo contrario, olhava sorridente enquanto sua mãe e seu irmão corriam para socorrê-lo. Dulce então foi para casa, enquanto Max, se recuperava aos tratamentos da mãe.
Fale com o autor