Imortais
4 Lidando com a realidade.
P.O.V. Dean.
Meu irmão é um demônio. Ele é puro sangue cem por cento demônio, mas ele gosta de se alimentar de outros demônios.
A mãe dele é um dos sete cavaleiros do apocalipse e sua casca é uma adolescente que usa roupa de líder de torcida.
—Cara, isso é um lixo.
—Eu que sou um demônio e você que tá reclamando?
—Acha que eu queria ter um irmão demônio?
—Acha que eu queria ser um demônio? Não é culpa minha! Eu nasci assim e não há nada que você possa fazer!
—E o ritual de cura?
—Eu não quero ser curado! Eu gosto de ser quem eu sou!
—Não pode estar falando sério Sammy?!
—Estou. Muito sério mesmo.
—Podemos te ajudar Sammy. Te curar.
—Só que EU não quero!
Os olhos do meu irmão viraram e ele me atacou.
—Eu não quero ser curado! Por favor, entenda.
—Não. Eu não entendo.
—Ótimo. Então aceite.
—Não aceito! Não vou deixar você fazer isso!
—Não cabe a você Dean!
—Pelo jeito cabe!
—Chega! Puta que pariu! Parem com essa briguinha de comadre!
Eu nunca tinha visto Amara perder a paciência antes com nada.
—Nossa! Vocês conseguiram um feito inédito. Tiraram a nossa adorável e paciente vidente do sério.
—Olha, vocês são irmãos e se você realmente ama o seu irmão essa é a hora de provar Dean. Amar é ter respeito, deixar o seu amado tomar as próprias decisões e aceitá-lo como ele é. Com seus defeitos e suas qualidades. Se não aprender a aceitar seu irmão como ele é agora vai perder a última família que lhe resta.
Ela não disse mais nada. Simplesmente saiu.
—Meus Deuses me ajudem! Me dê paciência pra lidar com esses seres tão complicados e emocionalmente perturbados.
—Me acha emocionalmente perturbado?
—Você até que é mais normal, mas aqueles dois... que os Deuses tenham piedade de mim.
—Os Deuses?
—Eu mantenho as minhas crenças mesmo que os meus templos tenham sido destruídos por homens ignorantes que falam de paz e matam por diversão, mesmo que agora a maior parte do seu povo seja cristão e fique de joelhos diante de um homem morto. Eu ainda acredito nos antigos Deuses.
—Respeito isso.
—Ainda bem. Não quero encontrar com homens ignorantes.
—Infelizmente ainda existem pessoas ignorantes. Que não são capazes de entender que Deus ou Deuses tem muitos nomes e que todos são verdadeiros para aqueles que acreditam neles.
—É.
—Já trabalhei em um caso onde um fiel matou um homem e toda a sua família por não acreditar no que ele acreditava. Ele assumiu a culpa e disse que Deus falou com ele e disse que ele deveria expurgar os infiéis, que eles deviam ser punidos porque eram inimigos, porque eles pecaram contra Deus e seu único filho Jesus Cristo. O homem foi condenado a cumprir pena num hospital psiquiátrico.
—Hospital? Ele devia ser executado em praça pública! Enforcado!
—Não fazemos mais isso.
—O que?! Não pode estar falando sério?
—Estou. Não se faz mais isso.
—Oh, o que houve com a lei e a ordem? Vocês jogaram ela no lixo! E ainda cortam as mãos dos ladrões?
—Não. Eles vão presos.
—E cortam a cabeça deles?
—Não. Eles só ficam presos.
—Só? E quanto aos que espalham mentiras? Eles tem suas línguas cortadas?
—Não.
—E as crianças defeituosas? Elas são jogadas nos penhascos?
—Não.
—O que houve com o mundo? Não se fazem mais homens como antigamente. E aquelas que traem seus maridos? Tem seus cabelos cortados e são obrigadas a desfilarem nuas e acorrentadas pela cidade?
—Não.
—Mas, elas vão presas?
—Não.
—E os que matam? Não os carrascos, afinal eles são homens da lei. Mas, e os que matam sem motivo? São decapitados?
—Não. Eles vão presos.
—Pelo amor dos Deuses! É uma desgraça! O mundo está mergulhado nas trevas!
Ela estava revoltada por termos abolido a pena de morte?!
—Pensei que iria gostar.
—Gostar?! Vão paro o tártaro!

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