Immune

7 Visão


Notas iniciais
Espero que curtam!

Trindad mantinha Irlanda e Anya ao seu lado. Mostrava a elas áreas locais no sul da ilha, enquanto os pombinhos estavam enrolados por algum canto. Contava a elas sobre os segredos do lugar.

— Existe uma gruta por aqui que é muito bonita, mas ninguém ousa entrar lá. Dizem que um monstro vive na profundidade, mas na verdade ninguém nunca foi capaz de retirar uma grande rocha que impede o caminho. Infelizmente, posso dizer que sou um destes infelizes.

— Você pode nos mostrar o caminho, talvez consigamos removê-la do lugar — afirmou Irlanda, que mantinha os braços cruzados enquanto caminhava de maneira lenta ao lado dos dois. Os seus pés já pediam por um pouco de água, nem que fosse para molhar apenas as solas. — Ou você acha que não somos capazes de dar um peteleco em uma pedrinha? — decidiu amenizar a conversa, piscando para ambos.

— De forma alguma! Inclusive, só de te olhar já suponho que a senhorita ganharia de mim em uma luta corporal. Mas não sou capaz de brigar com mulheres. Principalmente as mais belas.

Anya não dizia nada. Havia algo de estranho com ela — não estava serelepe, perguntando sobre tudo o que aparecia em sua frente. Irlanda não sabia se o comportamento da amiga era proveniente do fato de estar longe de casa em uma terra desconhecida, mas acreditava que logo iria melhorar. Continuaram o trajeto até chegarem na tal gruta, localizado ao leste da ilha. Uma grande rocha de fato impedia a passagem.

— Não vamos perder tempo. — ordenou de forma sútil, fitando a amiga com um olhar destemido. Irlanda viu Anya assentir com a cabeça, mas antes de prosseguir, a loira tocou o braço da outra, impedindo-a de prosseguir.

Os olhos reviraram-se enquanto a moça mantinha-se estática, com a boca entreaberta. Em sua mente, estava em outra realidade. Retirar a rocha do local traria problemas, e eram estes os quais a visão de Anya estava lhe mostrando. Não estava vendo o que iria causar toda a destruição, mas tinha apenas uma certeza: Irlanda estaria sozinha nesta. Seu ponto de vista era o da ruiva, e ela estava ensanguentada, gritando palavras de baixo calão enquanto segurava um pedaço de madeira. Buscava ao seu redor a criatura, mas não encontrava em canto nenhum. O céu ganhará um tom acinzentado, enquanto a floresta queimava inteira. Era possível até mesmo distinguir alguns... piratas. Piratas mortos na areia, que ganhara um tom de solução de ferro, avermelhada. Quando seus olhos voltaram ao normal, a loira estava apoiada nos braços da amiga, que mantinha o cenho franzido.

— O que aconteceu, Anya?

— Eu... Preciso me recuperar. — disse de forma cansada, sentando-se na areia com o auxílio da outra. — Trindad, o senhor poderia me buscar um copo d'água?

O negro concordou com a cabeça e sumiu de vista. Aproveitando que estavam sozinhas, a loira abriu o jogo.

— Nós precisamos sair daqui. Abrir esse caminho da gruta só trará coisas ruins. Eu vi o caos, Alasca.

Sem saber o que dizer a amiga, a sereia franziu o cenho. Não acreditava que aquela caverna seria a porta do Inferno, ou que pudesse existir alguma criatura ali capaz de causar tanto incômodo para ela e suas companheiras. Eram seres místicos muito fortes e dotados de poderes inimagináveis. Entretanto, não duvidava da amiga. Talvez pudessem juntar forças para lutarem contra o que quer que seja. O cansaço da amiga só comprovou uma coisa: elas tinham que descansar.

Assim que Trindad voltou com a bebida, Irlanda decretou que não poderiam mover a pedra com a colega naquele estado, e que deveriam esperar por sua recuperação. Perguntou se seria incômodo caso o rapaz lhes abrigassem, já que estavam cansadas o bastante. Ele concordou com um largo sorriso e, praticamente carregando Anya nos braços, guiou-as até sua moradia.

A ruiva impressionou-se com a casa de dois andares construída no meio da ilha. Toda feita de madeira, o toque rústico era presente não só dentro como fora. Lançou um olhar para o proprietário, mas o mesmo estava ocupado demais paparicando sua colega. A sereia havia percebido uma leve mudança de humor por parte dele, mas não tinha certeza sobre o que era. Parecia estar mais alegre, e bem mais paquerador. Assim que subiram as escadas que davam à sala de estar, a mais velha sentou-se no sofá feito a partir de grandes folhas, enquanto Trindad levava Anya até seu próprio aposento.

— Não. Não vou ficar para ver isso — afirmou para si mesma, indo até o jardim do mesmo, afastando-se um pouco da casa.

Foi então que a mulher estranhou o jeito o qual as plantas estavam se comportando. As gramíneas as quais Trindad havia passado tinham um aspecto "morto", como se estivessem fracas, sem carbono suficiente. Marcando o território, Alasca decidiu explorar sozinha a ilha, afim de descobrir mais sobre o misterioso morador.

E foi então que ela ouviu um grito que lhe era familiar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.