Immune
4 Pacífico
Notas iniciais
Ela iria para o pacífico, porém resolveu fazer uma visita no Brasil após ver o navio de seu querido Douglas.
Querido... Bem, o rapaz deve realmente querer Irlanda morta. Mas a culpa não é dela, certo? Ele quem não sabe brincar.
Sua experiência no país não foi muito boa. Acabou sendo pega pelo dono do cabaré enquanto corria atrás do rapaz. Ele queria que ela o explicasse como conseguira entrar e se passar de dama. O que não foi feito, pois usou sua arma letal: O canto.
Levou o segurança para uma parte da floresta ao lado da cidade e devorou-o com ferocidade. Havia perdido de vista e de rastro seu homem. Não deixou um resto de carne sequer, apenas ossos. Ossos que destroçou com as próprias mãos, transformando em poeira. Teve sua chance de pegar Douglas, mas perdeu-a por conta de um... De um qualquer!
Após não deixar rastros do que fez, encontrou um pequeno riacho, onde banhou-se para limpar o sangue e aproveitou para nadar um pouco. Precisava bastante de sua calda. Ficar com as pernas era algo dolorido e irritante. Fazia isso apenas para tentar capturar Douglas, que já estava começando a lhe dar prejuízos.
Passou um tempo por ali, sozinha. Só ela e o entardecer, as árvores e alguns animais que hora parecia e hora sumiam.
A paz reinou por pouco tempo. Até porque, tudo que é bom dura pouco. Crianças começaram a correr pelo rio. Não ligou muito, até que uma encarou-a, gritando "Uma sereia, uma sereia!"
Mesmo Irlanda odiando humanos, não poderia matar vidas tão jovens. Quando os três se viraram, Foi para o fundo do pequeno rio, nadando a favor da correnteza. Eram crianças, estão ainda na idade da fantasia. Não tinha coragem de devorá-las. Esse era o único ponto fraco em Irlanda.
Crianças a encantavam, e também despertavam nela o desejo de ser criança novamente. Sua infância foi tão... curta. Num piscar de ollhos já era madura. Nem se lembra mais de quando era pequena. Isso pesava em seu coração. As vezes ela queria ter a duração de um ser humano qualquer.
Mas apenas as vezes. Irlanda sabia o quão era superior a todos por ser uma lenda. Gostava da ideia de ser algo em que apenas alguns acreditavam, e os que viam eram punidos. Era como... Uma deusa.
Deixou os devaneios de lado e continuou sua viagem para o Pacífico, em específico para o Golfo do Alasca.
–x-
Ao chegar em seu destino, foi até o fundo do mar. Não demorou para encontrar com uma pequena cidade submersa. Ali a pressão era totalmente desumana. Era como a cidade de Atlanta perdida, só que um pouco mais bonita. Quando adentrou o lugar, observou sua calda cintilar. Ela fazia isso geralmente quando se aproximava de casa. O motivo? Nem ela sabia. Apenas aceitava o fato de ser um "vaga-lume" quando chegava em casa.
Como de costume, aquele lugar estava cheio. Seria uma cidade escura, caso as caldas não brilhassem. Talvez seja esse o motivo. Iluminação.
Encontrou com algumas caras conhecidas antes de se dirigir para o centro da cidade, onde encontrou-se com duas amigas antigas: Samanta e Anya.
Samanta era uma garota linda: Sua pele tinha a cor do pecado, os olhos grandes e escuros. Seus cabelos eram ondulados, com uma coloração chocolate ao leite. A calda tinha a mesma cor dos cabelos, tendo um degradê com laranja no final. Era alta e tinha seios grandes, com a barriga lisa. Suas mãos eram seu único ponto fraco: Tinha garras à mais. Sete garras em cada mão. O que levava mais como vantagem, pois conseguia rasgar carnes muito mais rápido.
Já Anya era praticamente o oposto: Loira, com a pele um pouco bronzeada, a calda entre um meio termo rosa claro e choque. Os olhos eram azulados, assim como as pontas dos dedos. As madeixas eram lisas, tendo cachos nas pontas. Tinha o porte físico igual o das duas amigas, que se abraçaram ao se encontrar.
Irlanda se emocionou ao encontrá-las novamente. Fazia anos que não as via, a saudade estava consumindo todo seu coração. Se libertar daquele sentimento foi algo gratificante para a ruiva, que fez questão de se sentar numa antiga fonte, levando suas companheiras junto.
– E então, Alasca — a loira falou, balançando levemente sua calda enquanto encarava a amiga com um olhar brilhante. Não conseguia acreditar que ela havia voltado — O que te fez voltar?
– A saudade — falou, abraçando-a novamente. Manteve um braço nos ombros da loira e o outro no da morena — Precisava matá-la, ou não me chamo Irlanda.
O semblante feliz das duas desapareceu por instantes. Não gostavam da decisão dela, de mudar de nome por preferir o atlântico. Sabiam muito bem das sereias e tritões que existiam por lá e, de fato, odiavam-os. Mas não rejeitariam a amiga, nunca, assim como nunca chamariam a mesma de Irlanda.
E ela sabia muito bem disso, mas não se importava. Deixava apenas o povo de sua terra chamarem-a de Alasca. Foi concebida pelo mar com esse nome, mesmo odiando-o.
Deixou os devaneios largados e voltou a conversar com suas antigas amigas. Queria as novidades.
Contou algumas histórias que presenciou, os nomes dos navios que afundou, os capitães que pegou... E as outras duas fizeram o mesmo. A maior diferença entre as três era que Irlanda foi a única a ter coragem de sair do Oceano e ir para outro. Samanta ficou por se apegar ao povo, e Anya... Bem, digamos que Anya tem o QI mais baixo entre o trio. Fica no Pacífico por medo de se perder e não saber o caminho de volta.
A dupla contou para Alasca todos os que nasceram, todos os que se foram. Disse sobre as mudanças na cidade, como antigas conchas retiradas e novas colocadas no lugar. Também o plano de se mudarem para uma ilha totalmente deserta, onde poderiam ficar sossegados.
Irlanda não gostou muito da ideia, mas resolveu não comentar. Afinal, ela não morava mais ali. Quer dizer, sua casa ainda continuava em pé, mas estava mais abandonada do que qualquer coisa existente no universo.
A ruiva começou a então contar sobre as últimas vezes que viu Douglas. Estava falando sobre o Brasil quando alguém a interrompeu.
Era um tritão forte, com olhos e cabelos escuros. Tinha a pele pálida, e sua calda era um degradê de azul escuro e ciano.
– Carne nova no pedaço? — perguntou, analisando Irlanda dos pés a cabeça — Sou Bering, mas pode me chamar de Querido.
– Beri, essa é Alasca — apresentou Samanta, logo falando com a ruiva — Ele é novo. Chegou faz uns... 20 ou 25 anos.
– 23 anos — respondeu, sem tirar os olhos da ruiva — Ela é antiga? Como nunca a vi antes por aqui, docinho?
Irlanda engoliu o riso. Ergueu a mão para ele, que beijou-a, soltando-a logo em seguida.
– Porque eu não sou muito chegada com esse lugar — respondeu, fitando-o da calda à cabeça.
Após uma análise completa, Irlanda concluiu que ele era bem bonito, daria para o gasto.
E então, minutos depois, percebeu que Samanta estava de olho no rapaz, que agora fitava-a com um olhar intenso. O que a fez se afastar, indo para o lado de Anya.
– Partirei amanhã cedo — declarou Alasca, observando os pombinhos saírem nadando para longe — E queria saber se vocês não gostariam de vir comigo. Estarei indo para o Triângulo das Bermudas.
– Para onde? Alasca... Você é louca? Não dá para entrar ali! Já viu as tempestades e furacões que acontecem por lá? São todos puxados para o extremo fundo do mar! Mesmo sendo sereias, podemos ser puxadas!
Irlanda riu, lembrando da ingenuidade da amiga.
– Anya, sabe de quem é a culpa por tudo isso acontecer? — observou-a negar com a cabeça e riu novamente, apontando para si mesma — Sou eu. O Triângulo das Bermudas é controlado por mim, e eu faço tudo isso por ordens do pai.
A loira arregalou os olhos, demonstrando surpresa e também animação. Ficou impressionada pela amiga ter um cargo "importante". Talvez queira ir com ela, mas... Será que conseguiria voltar para a casa depois? E se acabasse se perdendo no imenso oceano?
– Eu não tenho certeza, Alasca...
– Samanta irá conosco. Ela e o novato, caso queira — a verdade é que já havia falado com a morena, enquanto contava-lhe as novidades. Acrescentou o tritão para não ter apenas que citar uma pessoa. Talvez ele realmente fosse, caso a outra o convencesse.
Anya ficou pensativa por um tempo, mas então, deu sua resposta:
– Que horas nos encontramos aqui?
Com um sorriso no rosto, Alasca a respondeu:
– Assim que o sol raiar.
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