Immortals - Eternal
1 Prólogo - Sixteen years ago.
A chuva açoitava os corpos que ousavam enfrentar o frio e a tempestade que caia sobre Gravity no Maine. O vento uivava do lado de fora do casarão onde Corins se encontrava. O barulho ensurdecedor dos trovões e do dilúvio que fustigava o exterior da casa não era incomodo para ele, não. Corins lambeu a ponta do indicador, folheando o enorme livro de capa dura em seu colo. As folhas, amareladas e quebradiças, eram marcadas com letras floreadas e elegantes. O livro era inteiramente feito a mão.
O homem de meia idade estava sentado em uma sala ampla e reconfortante no interior de um casarão no meio de uma floresta de pinheiros retorcidos pelo clima de Gravity. As paredes eram levemente rosadas, um carpete grosso cobria o chão. Tapeçarias recobriam pontos estratégicos das paredes e o console da lareira estava livre de qualquer informação sobre o dono da casa. As sombras oscilavam junto ao bruxulear das chamas que queimavam a lenha na lareira. Corins pegou a caneca com chocolate quente e soprou uma vez antes de levá-la aos lábios e verteu o líquido quente pela garganta. Prosseguiu com a leitura enquanto a chuva atacava violentamente o lado de fora do âmbito.
Sua aparência era elegante e formal. Possuía olhos castanhos e uma pele livre de rugas e marcas de expressão. O cabelo era bem aparado, estilo militar. Aparentemente tinha cerca de trinta ou quarenta anos. Vestia um terno risca-giz livre de gravata, a camisa branca perfeitamente abotoada. Completamente recostado na poltrona aconchegante ele se inclinou para frente ao ouvir os passos abafados no chão lamacento do lado de fora da casa. Ele colocou o marcador no livro e o repousou em cima da mesinha de centro.
O visitante pisou no primeiro degrau da varinha, Corins ouviu a madeira ranger. Não ouve som do movimento do homem, mas antes que a visita pudesse bater na porta Corins já avançara dois cômodos e já abria a porta.
– Alguma notícia? – perguntou ele para o recém-chegado. O mensageiro vestia um sobretudo negro e chapéu, botas de motoqueiro pesadas. Tinha um sorriso formal e contido no rosto, sob a aba do chapéu seus olhos brilhavam com um fulgor malicioso e perverso.
– A criança nasceu finalmente. – Ele sorriu ainda mais, era quase cruel demais. Corins retribuiu o sorriso com frieza. – Quando completar dezesseis anos estará pronto para o abate.
– Ele é seu filho, Adam. – Corins não parecia incomodado, mas curioso. – Pensei que se mostraria relutante em condenar seu filho à morte. Não criou vínculos com a mulher com que se deitou?
Um brilho maldoso irradiou dos olhos de Adam. Seus lábios se separaram e ele deslizou a língua pelo lábio inferior, faminto.
– Algumas pessoas nascem destinadas a servir, outras a serem servidas – disse balançando a mão, desdenhoso. – Ela foi útil para atingirmos nosso objetivo. Eu mesmo a eliminaria, mas você disse que queria cuidar disso pessoalmente.
Corins assentiu quase que imperceptivelmente. O vento frio os engolfou, soprando o calor aconchegante que emanava do interior da casa para longe.
– Sim – concordou por fim. – Eu lidarei com ela quando chegar a hora. Depois que sua prole estiver crescida e pronta para fazer o que sentenciou a ela quando se deitou com aquela mestiça... Eu irei eliminá-la de uma vez dos nossos planos.
Adam deu de ombros, apático. As folhas de um arbusto próximo farfalharam e os dois homens serpentearam o olhar naquela direção. Corins avançou com uma velocidade anormal em direção ao som. Sua estrutura se tornou um borrão indistinto quando ele correu e agarrou o espião pelo pescoço.
A chuva atacou sem piedade alguma seu corpo eliminando quaisquer resquícios de calor que havia em sua pele e tornando-a fria com a água gelada. Corins apertou o pescoço do invasor com mão de ferro, fragmentando o ar que lutava para invadir o pulmão dele.
– O que está fazendo aqui, híbrido? – ele não havia dito aquilo de maneira amigável. Era quase como um insulto. – Muita coragem sua aparecer em meus domínios essa noite... Ou muita burrice.
O espião não devia ter mais do que dezesseis anos de idade. Ele segurava o punho de Corins e fincava as unhas em seu punho fazendo de tudo para se libertar. Chutava e socava o corpo do agressor, mas Corins manteve-se indiferente.
– E-eu... não... c-consigo... respirar!
Corins afrouxou o aperto o suficiente para que o garoto resfolegasse. Sua mão destra avançou com uma velocidade assustadora em direção ao peito do menino. Adam semicerrou os olhos atrás deles, observando a cena com uma inquietação divertida. O punho de Corins afundou no peito do garoto, rasgando a pele e adentrando em sua caixa torácica.
– Lamento que não viva para ver a extinção de sua raça, mestiço imundo – sibilou Corins, sorrindo de maneira doentia. O garoto estava paralisado olhando para peito onde Corins o perfurara. – Veja isso como um favor. – E com um movimento brusco o homem puxou a mão de volta, arrancando o coração do garoto no processo.
O menino tombou, sem vida.
Corins soltou o órgão do garoto e puxou um pano no bolso interno. Limpou meticulosamente o sangue das mãos e voltou para a varanda.
– Desculpe por esse pequeno inconveniente, Adam – pediu ele, movimentando as mãos com um gesto apaziguador. – Qual o nome do menino?
Adam não parecia abalado com a morte do garoto. Ao contrario. Havia algo na maneira como ele se portava e como parecia sorrir malignamente. Ele parecia agitado, nervoso. Não, não era isso. Ele estava excitado. Há tempos que ele não enfrentava um híbrido e ver Corins se livrar do pequeno espião o deixara nostálgico.
– O nome dele, Adam. Qual é? – insistiu Corins enquanto arqueava uma sobrancelha.
– Jason. – Respondeu o homem afastando-se da varanda e caminhando pela chuva. Antes de desaparecer em meio à floresta ele olhou por cima do ombro e sua voz ressoou dentro da cabeça de Corins.
Jason O’Connor.
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