Immortals - Eternal
4 Capítulo III - Eternal
Fui arremessado para o presente de uma maneira tão brusca que quando voltei à consciência meu corpo se dobrou para frente enquanto eu arfava em busca de ar. Christopher estava ao meu lado dirigindo o Toyota, parecia concentrado na estrada, mas esgueirou o olhar até mim. Os cabelos louros estavam grudados na testa e as roupas ensopadas.
– Finalmente – reclamou ele, mudando a marcha. – Eu estava começando a ficar preocupado.
Olhei ao meu redor para saber onde eu estava. Reconheci a floresta de pinheiros que ficava à frente da minha casa e também a construção de madeira pintada de branco. Eu estava em casa. Onde estava Rachel? Como Christopher me encontrara? Minha cabeça ainda dói apesar de ter diminuído a intensidade do latejar.
– Como você... – comecei, mas estava tão fraco que não consegui terminar a frase.
– Como encontrei você? – completou Chris. Ele estacionou na frente da minha casa, mas ninguém veio abrir a porta. Meu amigo desligou o motor e se espreguiçou um pouco. – Você desmaiou. Rachel pegou seu celular e me ligou. Tive que pegar alguns ônibus para chegar até aquele fim de mundo. Ela levou você até a estrada e eu cheguei. Insisti em levá-la até a casa dela, mas ela correu pela chuva e nem me deixou perguntar o que houve.
Percebi que ele queria que eu me explicasse, mas a alucinação que eu tivera antes de acordar ainda era real e assustadora demais. Christopher estava trabalhando para aquele homem, Corins, e tinha que esconder um segredo. Meu aniversário havia sido em dezembro, aparentemente a mesma época em que se encontraram. Christopher havia ido à minha “festa” com aquela mesma roupa que usara para se encontrar com o cara. Poderiam ter se encontrado horas antes ou depois. E aquela palavra, Electus, sempre me acompanhava.
– Levei a Rachel para tomar sorvete – respondi, por fim, suspirando. – Minha cabeça começou a doer, ficou tão insuportável que eu perdi a consciência.
– Isso acontece com frequência? – perguntou ele, parecendo desinteressado. – Por que nunca me contou?
– Não acontece com frequência – resmunguei. – Devo estar cansado, efeito da ressaca por causa de ontem. Eu não sei.
Cogitei a possibilidade de contar a ele sobre o meu sonho, mas algo me deteve. Os caras que haviam me perseguido na noite anterior me chamaram de Electus. Corins dissera que ninguém poderia saber a existência do Electus. Não podiam saber da minha existência. Christopher estava me vigiando? Ele tinha uma irmã? Por que nunca me contou sobre ela? Onde ela estava e o que era Lua Vermelha?
Abri a porta e fiquei meio dentro, meio fora do carro.
– Você nunca, jamais, esconderia algo de mim, certo? – perguntei, descendo o olhar até ele. – Nem mentiria, certo, mano?
Tentei detectar algum sinal de hesitação em seu rosto, mas ele mentiu descaradamente.
– Nunca, cara. – Então ele ligou o motor e me enxotou. – Vou para a casa da Lucy. E não, mamãe. Não vou trocar de roupa e não me importo se ela vai pensar que estou parecendo um mendigo. – Rebateu ele prevendo meu comentário sarcástico. – Não pretendo ficar vestido por muito tempo.
Entrei em casa e chamei por minha mãe. Ninguém respondeu. Charlie deveria estar em casa, fazendo os deveres como um bom garoto estudioso, mas sua mochila não estava à vista.
Subi para o meu quarto e tomei um bom banho. Deixei o vapor subir e dificultar completamente minha visão. Minha cabeça não doía mais então pude pensar com clareza sobre o que havia visto. Christopher estava me vigiando, provavelmente para que eu fosse sequestrado e trancafiado junto à irmã dele até uma Lua Vermelha, que poderia muito bem ser um código. Eu não podia confiar no meu melhor amigo e tinha uma vontade imensa de quebrar a cara dele.
Fechei o chuveiro e enrolei uma toalha na cintura. Abri o armário em busca do creme de barbear, cacei o tubinho atrás dos frascos de remédios e outras coisas inúteis. Meus dedos tatearam ater achar a superfície lisa do tubinho e o puxei para fora do armário. Levantei-me e meu coração deu um solavanco. Sangue escorria pela superfície do espelho. As palavras haviam sido escritas com sangue vermelho e viscoso no espelho.
“Sabemos o que você é.”
A dor de cabeça voltou com força total. Ouvi um estalo nos ouvidos e senti as pontas dos meus dedos esquentarem dolorosamente, irradiando calor por minhas mãos. O vidro pareceu dobrar-se e explodiu em milhões de cacos e fragmentos cintilantes. Dei um passo para me apoiar na pia e senti uma pontada aguda no pé. Manquei até minha cama, deixando um rastro de sangue onde pisava, puxei o caco de vidro que havia se alojado na carne e emiti um ruído de dor. Joguei o caco afiado e enorme no chão e usei a toalha para estancar o sangue que escorria pelo ferimento.
O pano branco tingiu-se com o sangue vermelho escuro, empapando o tecido claro. Praguejei baixo e peguei a maleta de primeiros socorros no criado ao lado da cama. Apliquei um pouco de anticéptico e enrolei gaze para proteger o corte. Coloquei uma camisa preta justa, bermuda azul folgada.
Meu coração palpitava violentamente quando manquei até o banheiro e juntei os cacos maiores, enrolei-os na toalha manchada e joguei no lixo. Meus olhos, apesar de relutantes, foram atraídos como imãs até o um dos fragmentos maiores, o que havia me cortado. Limpei o sangue da superfície refletora e girei entre os dedos com cuidado. A parte de trás era opaca, escura. Uma letra cursiva branco-prateada destacava-se na área posterior do caco de vidro. Um “W” floreado e curvilíneo havia sido marcado como um carimbo na parte de trás do espelho, no centro provavelmente.
Olhei para o chão ao meu redor. Os fragmentos menores formavam uma constelação reluzente e afiada de vidro emitindo um brilho refletor caleidoscópico à luz fluorescente do banheiro. Fui para o primeiro andar para pegar uma vassoura, mancando com as pontadas que o ferimento lançava a cada nervo do meu corpo.
Atinei-me aos fatos. Alguém havia entrado na minha casa e havia claramente me ameaçado. Sabemos o que você é. Não havia sentido, a menos que estivesse falando sobre aquela palhaçada sobre Electus. Quantos sabiam sobre isso? Estavam querendo me pegar? O que significava essa maldita palavra?
Peguei a vassoura velha na área de serviço e voltei para meu banheiro, varri os menores fragmentos de vidro e os recolhi, jogando-o na lata de lixo.
Deitei na minha cama e inspirei o ar lentamente. Meus batimentos cardíacos haviam se acalmado e meu nervosismo parecia distante e bem real. Seja lá o que minha família tenha ido fazer havia salvado-os de encontrar um possível maníaco em casa. Maníaco, peguei-me pensando, que trabalhava junto ao meu melhor amigo.
Meu telefone tocou e cada sentido do meu corpo entrou em alerta máximo. Peguei o aparelho e vi o nome piscar na tala. Charlie.
– Alô? – chamou ele.
– Onde vocês estão? – perguntei sem esconder minha irritação.
Ouvi o bip de uma maquina de cartão de crédito ao fundo antes de Charlie responder:
– Estamos no supermercado. Mamãe vai preparar o jantar para um de seus clientes, cara poderoso e rico. Ela está cuidando dos negócios dele e o papai achou melhor paparicar o homem.
– Sabe o nome dele? – perguntei, imaginando quem era tão importante ao ponto de minha mãe, uma advogada de sucesso, se prontificar a fazer o jantar para o cara.
– Não faço ideia – respondeu Charlie, respondendo alguma coisa para meus pais. – Mamãe mandou você se arrumar, chegamos em dez minutos. – E desligou.
Praguejando, joguei as pernas para fora da cama e, com um salto, fiquei de pé. Burrice. Uma fisgada na sola do meu pé me fez soltar um palavrão. Manquei até o closet e peguei uma calça jeans e um casaco a moletom. Calcei meus tênis com esforço e mais alguns palavrões e depois de cinco minutos eu estava pronto para descer.
Meus pais e meu irmão chegaram cinco minutos mais tarde, carregando sacolas de papel cheias de comida pronta. Claro, minha mãe não era uma cozinheira tão boa.
– Jason, querido, ajude seu irmão a arrumar a mesa – pediu ela, espalhando as embalagens de lasanha congelada na bancada de mármore enquanto meu pai abria os armários em busca dos pratos “especiais”.
Fui até a sala de jantar e estiquei a toalha especial enquanto meu pai colocava a louça especial e meu irmão espalhava tudo especialmente sobre a mesa. Ouvi os bips do microondas a voz da minha mãe se elevar na cozinha.
– Charlie vá colocar uma roupa decente! – berrou ela. – Está parecendo um mendigo!
Meu irmão resmungou algo sobre o milionário ser um belo idiota e minha mãe, que parecia ter super-ouvidos, apareceu na porta da cozinha com uma frigideira na mão e um olhar ameaçador.
– Se você falar isso na frente dele, Charlie Owens O’Connor, você vai conhecer um lado meu que pode colocar medo até mesmo em você.
Meu irmão passou a mão pela cabeleira loura e subiu para o segundo andar sem reclamar.
Terminamos de arrumar a mesa e meu pai foi ajudar minha mãe na cozinha. Esforçando-me para não mancar, subi os degraus da escada e atravessei o corredor até meu quarto. A luz da lua adentrava pela fresta entre as cortinas e era o bastante para seu achasse minha cama e me jogasse sobre a superfície macia do lenço. Meus dedos encontraram algo gelado e afiado no colchão. Ergui o caco de vidro e reconheci o fragmento do espelho em minhas mãos. Fragmento que eu havia jogado fora.
Tateei ar até encontrar meu abajur e preencher o quarto com a luz. O azul gélido me encarava através da superfície refletora do espelho. Reconheci meu reflexo e girei o caco esperando ver o “W” floreado logo atrás. E ali estava ele.
A linha tênue que construí entre os acontecimentos daquele dia e minha sanidade mental se partiu e meus pensamentos vagaram em uma direção perigosa e confusa. Eu era um Electus (seja lá o que isso for). Meu melhor amigo estava me “guardado” para me entregar a um bandido, o mesmo criminoso que raptara sua irmã (até então desconhecida para mim). Minha vida estava sendo barganhada como um objeto.
Indo ainda mais fundo, lembrei-me dos caçadores que me perseguiram. Eles me reconheceram naquela hora, chamando-me de Electus. Talvez Christopher meu falso amigo estivesse tentando esconder minha existência deles. Se isso era verdade o idiota fazia um péssimo trabalho, afinal.
Encarei meus olhos azuis no caco de vidro espelhado. Vi minha pupila dilatar até consumir todo o azul e depois minha visão escureceu.
As estrelinhas fluorescentes não brilhavam mais no teto escuro do meu quarto. Essas eram estrelas de verdade, iluminando o céu noturno visível pelas imensas janelas. O chão em que eu pisava era feito por paralelepípedos. As pedras circundavam o mosaico colorido no centro da nave da igreja. Pelo menos, deduzi que era uma igreja. Não havia bancos e nenhuma cruz estava exposta. O teto era uma cúpula. As paredes eram de pedra sólida, archotes se espalhavam gradualmente para iluminar o salão.
Um “altar” ocupava o lado oposto às imensas portas de carvalho negro. Um trono dourado ocupava o centro, ladeado por dois estandartes. Ambos eram vermelhos e tinham um símbolo dourado. Um dragão com corpo de serpente e cem cabeças. Seu pescoço, ou melhor pescoços se espalhavam, serpenteando pelo estandarte e no fim de cada um havia uma cabeça furiosa. Eu sabia um pouco de mitologia grega para identificar Ladon o dragão que guardava os frutos de Hera no Jardim das Hésperides.
As portas atrás de mim se abriram e eu me virei para ver quem entrava. A imagem possuía o mesmo tom sépia que minha última “visão”. Dois homens entraram no salão pareciam conversar em uma língua antiga e esquecida pelo tempo. Eu entendia cada palavra.
– Tens certeza disso, feiticeiro? – perguntou um deles. O rei, obviamente. Vestia uma imensa capa vermelha feita com couro tingido. Em sua cabeça uma fina coroa de ouro. O homem que estava atrás dele era mais simples e mais forte. Tinha um sorriso malicioso e maligno nos lábios. Seus cabelos eram negros, tão negros quanto a noite que caia sobre a nós, chegava a altura dos ombros. Os olhos eram de um azul ártico, frio e sem emoção. Eu estava olhando para mim.
– Sim, Majestade – respondeu a versão malvada de mim. Tinha minha voz, minha aparência, até mesmo meu jeito de andar, mas seus olhos possuíam um brilho cruel que os meus jamais conseguiriam adquirir. – Consegui o fruto necessário para tornar o vosso reinado perpetuo, assim como prometi.
O rei sorriu para mim. A versão antiga de mim, digo, ou seja lá o que aquele cara idêntico à mim havia de ser.
– Ótimo, vá à sua corja, feiticeiro, e traga o fruto até meu reino – ordenou. O rei caminhou pelo mosaico, passando ao meu lado. – Quero iniciar meu reinado eterno o quanto antes.
O feiticeiro que se parecia comigo abriu um sorriso gelado e maníaco às costas do rei. Puxou um atheme com o cabo negro incrustado com pedras preciosas de dentro das vestes e o ergueu.
O rei pareceu sentir a ameaça. Girou nos calcanhares e soltou uma exclamação de surpresa ao ver a lâmina negra emitir uma luz cinzenta e doentia idêntica a dos caçadores que me perseguiram mais cedo.
– Não farás mal a mim, feiticeiro. – Sibilou, recuando alguns passos. – Sabe que jamais escaparás vivo.
Jason-malvado ergueu o atheme e deslizou a lâmina pelo pulso. Sangue, negro à luz das chamas, jorrou da ferida escorrendo pela mão do feiticeiro.
– Aqui está o fruto da imortalidade, Majestade – anunciou o bruxo. – Meu sangue tornará quem beber eterno e mais poderoso do que qualquer ser humano existente. Delicie-se.
O rei parecia hesitante. Mas a tentação por trás das palavras do Jason-malvado eram muito poderosa para ser descartada. Ele emitiu um ruído de nojo ao tocar os lábios na ferida do feiticeiro, bebeu goles e mais goles do sangue viscoso e quente. Senti meu estômago se revirar e, enojado, assisti o rei cair de costas no chão, contorcendo-se.
– Aprecie a eternidade, meu rei.
O homem parou de se mexer. Seus olhos se abriram negros como carvão. Levantou-se lentamente e encarou o feiticeiro. Não parecia diferente. Sua aparência era a mesma, apesar dos olhos negros começarem a adquirir o tom castanho de antes.
– Podes criar mais Eternos? – perguntou o rei, limpando o sangue do feiticeiro dos lábios. – Vosso sangue pode gerar um exercito?
Jason-malvado assentiu..
– Sim, Majestade. – Respondeu, por fim, olhando para o pulso. Não havia mais corte em sua pele, apenas sangue manchando a camisa de algodão. – Assim o farei.
– O exercito dos Eternos – concordou ele, rindo. – Irei governar muitos reinos!
O feiticeiro exibiu mais um daqueles sorrisos sinistros. Meu corpo entrou em alerta máximo.
– É verdade, sim. – Concordou Jason-malvado, estudando o atheme como se ele fosse algo muito interessante. –Iremos governar muitos reinos. Mas temo que vossa presença não seja necessária.
O rei voltou o olhar para seu lacaio. Antes que um grito de horror pudesse escapar-lhe pelos lábios o atheme já havia se fincado em seu coração. A luz cinzenta que emanava da lâmina pareceu invadir o corpo do homem, inundando suas veias como veneno. Os olhos de Vossa Majestade se reviraram nas órbitas. Sua pele se adquiriu o mesmo tom acinzentado da lâmina. Seu corpo deu um solavanco para frente e depois... não se mexeu mais.
– Às vezes, meu rei – disse Jason-malvado, puxando o atheme e limpando-o com a capa do moribundo. – A eternidade não é tanto tempo assim.
Assim como da última vez fui arremessado para o presente tão bruscamente que meus pulmões se contraíram procurando ar. Arfei, apertando o abdômen até normalizar minha respiração. As imagens perturbadoras piscavam diante dos meus olhos. O rei bebendo o sangue do feiticeiro que era idêntico a mim. A lâmina do atheme afundando no peito do homem, dilacerando o coração e eliminando qualquer resquício de vida que ainda restava nele. O feiticeiro com seu sorriso maligno e cruel era o que mais me assustava, mas sua semelhança comigo me apavorava.
Fiquei mais alguns minutos deitado no escuro, sentindo o peso da “visão” me esmagar aos poucos. O que mais me assustava era como o feiticeiro e éramos parecidos. Não era uma semelhança natural e quase improvável. Era como me olhar no espelho. Éramos como a mesma pessoa. Separados apenas pelos séculos. Não éramos gêmeos idênticos. Até mesmo eles têm suas diferenças. O bruxo e eu éramos como um reflexo de nós mesmos.
Vi Charlie passar pela porta do quarto, gritando uma resposta para minha mãe. Ele bateu na minha porta para se certificar de que eu não estava no quarto, e, como não respondi nada, ele seguiu pelo corredor, passando pelo degrau na escada que rangia quando pisávamos no lugar errado.
Afundei no travesseiro, desejando poder apagar o que eu havia visto, mas todas as cenas pareciam gravas em meu cérebro. Fadas a se repetir incessantes vezes até que, sem suportar mais ouvir o som da lâmina sendo enterrada na carne do velho rei, joguei as pernas para fora da cama e me levantei na mesma hora que a campainha tocou e eu voei para atender a porta. Saltei os degraus, com medo de que se eu não me ocupasse as cenas voltassem a se estender em minha mente. Abri a porta antes que o visitante pudesse tocar a campainha novamente, mas todo meu pavor desapareceu quando vi Rachel parada na varanda, segurando uma bolsa.
Ela parecia surpresa ao me ver. Um sorriso apontou no canto de seus lábios e o medo parecia distante.
– Oi, Jay Jay – cumprimentou ela, apertando os lábios. – Está melhor?
Eu abri a boca para responder. Mas assim que vi o homem contornar o carro e avançar, colocando a mão protetoramente nas costas de Rachel prendi a respiração. Parecia que gelo havia sido injetado em minhas veias. O cabelo curto e o corpo musculoso não se deixavam enganar. Não parecia ter mais do que quarenta anos, mas seus olhos castanhos pareciam os de alguém que vivera há muito tempo.
– Este é Corins Whelpton – apresentou Rachel e afagando o ombro dele. – Meu pai.
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