Immortals
1 Capítulo 1 - O time
Imortais. Esse é um poder que todos querem mas não podem ter. Existe um lado bom e um lado ruim nisso: o lado bom é que, mesmo com tiros, facadas ou pancadas não há como ser morto por um mortal. Por outro lado, imortais como Breena, Halley, Daisy, Elliott e Zack não tem outra opção a não ser ver todos aqueles que amam morrerem enquanto eles não envelhecem nunca.
Halley se olhou no espelho. Seus olhos verdes brilhavam. Os cabelos dourados e ondulados dela estavam soltos, com duas mechas puxadas para trás formando uma pequena trança que não se estendia por todo o seu cabelo.
Halley tinha o dom da cura. Um simples toque curava qualquer tipo de escoriação leve ou grave. Ela também tinha habilidade de tele transporte, se transformando em um intenso flash de luz e em seguida reaparecendo no lugar em que ela pensava.
Ao sair do seu quarto, ela foi até a sala de estar, onde Breena e Daisy estavam sentadas ao sofá, com certo ar de impaciência.
Breena era bastante alta, tinha cabelos cacheados castanhos com mechas laranjas na franja e olhos negros tão misteriosos quanto a noite. Esse era seu poder, Breena controlava as trevas, e, assim como Halley, podia se tele transportar. Além disso, ela possuía um objeto tão valioso que podia decidir o destino da terra inteira: ela tinha a chave dos portões do inferno.
Pendurada como uma gargantilha, a chave ficava no pescoço da garota, como se fosse uma simples bijuteria ou algo do gênero. Mas se aquilo caísse em mãos erradas, poderia gerar uma batalha interminável entre o céu e o inferno que desencadearia em muitas mortes e um enorme caos.
Daisy era mais baixa do que as amigas, mas estava em um porte normal para sua idade. Tinha cabelos castanho-escuros cacheados e olhos de mesma cor, e pele morena. Daisy possuía o poder da telepatia manipulação de memória e tele transporte. Além de poder se comunicar mentalmente, ela podia apagar a memória de qualquer um apenas com um toque na testa.
As três haviam se conhecido no colégio dois anos atrás. Se tornaram cúmplices, e eram bastante fiéis umas as outras. Mas o que realmente as atraía era o dom que elas possuíam em comum.
- Halley, da próxima vez que você disser ‘‘estou quase pronta’’ eu juro que te dou um tapa e te chamo de mentirosa. – disse Breena, com os braços cruzados.
- Ai gente, me desculpem – Halley deu uma risada sem graça.
- Ok – murmurou.
— Halley, você já ligou para os garotos? – perguntou Daisy.
- Liguei para o Elliott, e ele está com Zack. Estão na casa dele.
- Entendi. E onde vamos nos encontrar?
- Acho que na esquina da escola.
- Então vamos.
As garotas saíram da casa de Halley e caminharam até o colégio que frequentavam. Como o combinado, Elliott e Zack estavam a espera das três.
Elliott era alto também, mas Zack ganhava de todos eles. Tinha cabelos ondulados castanhos e olhos amarelados. Ele usava óculos de grau quadrados que tiravam a atenção de seus olhos, mas lhe davam um ar de Inteligência e sabedoria, que eram características que se ressaltavam nele.
Elliott tinha poderes angelicais. Além da força e rapidez aprimoradas, ele podia controlar um dos quatro elementos, que no caso era o fogo. Quando estava perto das chamas, ele conseguia fazê-las regredir ou avançar, diminuir ou aumentar. Ele encarava isso mais como uma espécie de brincadeira. Afinal, controlar o fogo é uma coisa extremamente instigante.
Zack era o mais alto dos cinco. Tinha cabelos pretos fixados em um topete sem gel, uma barba baixa e olhos amarelos. Ele era o mais silencioso do grupo também, tinha respostas curtas e objetivas. Ele era uma espécie de desafio às leis da física: ele tinha o dom da telecinese.
Quando Zack se irritava, seus poderes ficavam mais fortes, tornando seus olhos e cabelos brancos. Essa mudança lhe deixava com uma aparência mais mutante e menos humana. Além disso, ele passava a poder mover objetos pesados, como veículos, móveis e até mesmo seres humanos, tornando-se mortal. Mas, na maioria das vezes, ele conseguia controlar seus poderes.
Os cinco se reuniram e foram juntos perambular pela cidade. Era o que sempre faziam. Depois, paravam em algum lugar alto, que dava vista pra cidade. Talvez um teto de vidro de algum shopping ou uma laje de um prédio alto. E assim ficavam sentados, uma hora calados e outra conversando. Era uma espécie de ritual.
Imortais. Sempre andando, mas sem nunca sair do lugar. Era como se sentiam. Tiveram que assistir aqueles a que amavam morrerem, e, por isso, fizeram uma proposta para si mesmos: nunca se apaixonar ou desenvolver sentimentos por um mortal. Era a única maneira de evitar seu sofrimento.
Naquele dia, eles estavam sentados na laje de um prédio bem alto, dando vista para a iluminada cidade de Nova Iorque. Silenciosos, eles observavam a paisagem e procuravam pontos sem luz na cidade. Elliott desviou sua atenção por um segundo para notar que uma pequena folha fazia movimentos dançantes na brisa do ar. Foi então que percebeu que era Zack que estava brincando com ela, fazendo movimentos circunferenciais com o dedo enquanto fazia a folha se mexer suavemente. Então, ele pousou a mão sobre o joelho de Zack e o apertou, fazendo com que ele soltasse a folha e a deixasse deslizar com o vento.
- Hey! – disse ele, dando um leve tapa na mão do amigo.
Elliott começou a rir. Zack o encarou com uma expressão irônica e, sem que ele percebesse, moveu os óculos de Elliott para fora de seu rosto e o colocou a sua frente.
- Zack, não faça isso – disse Elliott, rindo.
- Podemos testar sua velocidade se eu soltar.
Elliott olhou para Zack e colocou seus óculos novamente.
- Mas o que... – disse Zack, olhando confuso para as mãos.
- Minha velocidade pode ser testada antes que você solte meus óculos. Há!
Os dois riram. Daisy deitou a cabeça no ombro de Elliott e ele passou seu braço pelo pescoço dela.
- Ugh... – murmurou Zack.
- Se peguem – disse Breena.
- Uhul... casal do ano! – riu Halley.
Elliott e Daisy se encararam meio sem graça e ela levantou do ombro dele. ‘‘Infelizes...’’, os dois pensaram ao mesmo tempo.
- Vamos pra minha casa, gente? –sugeriu Halley – Eu faço pizza pra vocês.
-Eita! Agora falou minha língua – riu Elliott.
Halley se transformou num flash de luz e desapareceu. Breena e Daisy fizeram o mesmo, e Zack montou nas costas de Elliott, e os dois correram até a casa de Halley.
Ao chegarem lá, Halley já estava na cozinha, e Breena e Daisy estavam montando colchonetes no chão da sala.
- Elliott, eu pensei que a velocidade aprimorada fosse te ajudar a correr mais rápido, mas vocês demoram mesmo assim... – disse Halley, enquanto Elliott e Zack entravam na cozinha.
- É que o Zack não corre – Elliott se defendeu – Não é você que tem que carregar esse brutamonte nas costas.
Zack olhou para Elliott e o prensou contra a parede com seus poderes.
- Você me chamou de que? – disse ele.
- Me desculpe, eu não disse nada... – Elliott tentou colocar os pés no chão, mas Zack o levitava.
Zack começou a rir e acabou soltando Elliott, fazendo-o cair de joelhos. Halley também riu, e Elliott ajeitou os óculos, meio sem graça.
- Er... precisa de alguma ajuda, Halley? – perguntou ele.
- Ah, sim. Não consigo acender o fogão. Me dá uma ajuda?
- Ah, claro – disse ele, soprando um pouco de fogo contra o forno, fazendo-o ligar.
Em seguida, ele e Zack saíram da cozinha, juntando-se a Breena e Daisy no sofá. Então, ouviram o grito de Halley vindo da cozinha:
- Hey, Zack, me ajuda a arrumar a mesa?
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