Immortalitatem.
1 Capitulum I: Nocturnae.
Notas iniciais
É como dizem, quem não arrisca não petisca. :D
Enfim, sem mais delongas, vos desejo uma ótima leitura.
― Nocturnae! ― pude ouvir uma voz desconhecida, como estivesse a me chamar.
Estava desprovida de meus sentidos, não sabia o que fazer, podia ouvir tudo ao me redor, mas não podia eu, abrir os olhos, tampouco reagir àquela sensação nem um pouco agradável.
Sentia uma presença ameaçadora, ou talvez, várias presenças ameaçadoras. Não pude ser precisa em definir o que sentia, já que não conseguia sair daquele factível desmaio.
Eu desejava falar, perguntar, estava angustiada com aquilo. Sofrer de momentos como aquele eram torturantes, já que ― imaginava eu ― que qualquer coisa poderia estar acontecendo ao meu redor, e no entanto, eu não era capaz de saber o que e nem notar o que tais acontecimentos eram.
― C... Céus! ― consegui finalmente dizer, recuperando meus sentidos.
Minha visão estava precária, era como se eu estivesse com o pior grau de miopia existente. Não conseguia distinguir, nem reconhecer quem estava ali ou o que estava acontecendo.
Esfreguei os olhos com dificuldade, pois embora já houvesse me recuperado, ainda sentia uma impiedosa fraqueza em meu corpo, no entanto, para mim era difícil até mesmo mexer minhas mãos.
Minha visão agora, estava um pou― co mais nítida do que outrora, e então, direcionei meu olhar em direção a onde haviam algumas pessoas.
A minha frente havia um jovem de cabelos negros e olhos da cor lavanda, sua pele era alva e ele aparentava ser uma pessoa serena... O mesmo lançou-me um sorriso acolhedor, que aqueceu-me o coração naquele momento de plena tensão. Retribuí o sorriso, embora não o conhecesse. Apoiei-me em um criado-mudo que estava ao meu lado para conseguir levantar-me, e ao fazê-lo, encarei a todas àquelas pessoas, com um olhar levemente incrédulo. Não conseguia eu, com minha ingenuidade, entender nada que estava ocorrendo ali. Suspirei, sentindo um pouco de angústia, e então, o rapaz, gentilmente apanhou minha mão e beijou-a. Corei de instante, e então, pude ouví-lo dizer:
― Bem vinda, Nocturnae.
― … Nocturnae? ― indaguei, de forma imprecisa.
― Lhe apelidamos dessa forma, pois cremos que este nome combina com a senhorita. ― ele deu um leve riso.
― Cremos... ― Sussurrei, de forma imediata notei que haviam escolhido meu nome basicamente em grupo, talvez fazendo uma votação...? Sinceramente, escolher o nome de alguém é tão difícil a ponto de necessitar de várias pessoas para fazê-lo?
Olhei ao meu redor, e então, andei em direção a um grande espelho. Encarei-o, surpresa. Então, essa era eu? Meus cabelos eram brancos-gelo, tinha a pele levemente morena, as maçãs do rosto eram rosadas. Acho que nunca teria um sentimento tão bom como o que tive naquele instante. Era como se eu pudesse reconhecer à mim mesma...
Um detalhe talvez bobo chamou-me a atenção, meus olhos tinham cores distintas. Enquanto o esquerdo tomava a coloração lilás, o oposto tomava a coloração vermelha, assim como um rubi. Era um pouco intrigante, mas me sentia satisfeita com meu corpo e comigo mesma, embora ainda estivesse um pouco confusa.
― Imagino que esteja com fome, não? ― o moço aproximou-se de mim, e então olhei-o um pouco perplexa. ― Ah, perdão. Não me apresentei. Me chamo Maximmilien, prazer.
― Não estou com fome no momento, acho... ― suspirei ao ver sua auto-apresentação, ele me soava demasiado ansioso ou orgulhoso. Reverenciei-o, em sinal de respeito, logo continuando a frase ― Ah... Não se preocupe com tal detalhe, não é como se eu fosse ficar brava se não se apresentasse. ― virei-me na direção das pessoas, estava um pouco nervosa, embora demonstrasse uma grande intimidação. Sem rodeios, e sentindo como se estivesse me arriscando, perguntei à Maximmilien, cujo estava à minha frente: ― O-o que são vocês? O que estou fazendo aqui?
― Essa é uma pergunta fácil. Nós somos seus criadores, Nocte.
― C-criadores?! ― desesperei-me de imediato. Como assim, fui criada?! Sinto-me normal, embora não tenha nenhuma memória passada. É como se eu sempre tivesse sido assim, e não como se eu tivesse sido criada por pessoas. Isso é lastimável e inaceitável para mim!
― Sim. Você foi criada por nós, pois temos uma necessidade muito grande, e você é a única que pode suprimí-la.
― Com licença? ― falei.
― Ah, você quer descobrir o que quero dizer?
― Sim, de fato.
― Isso é um segredo. Não o contaremos até um certo momento, mas quando a hora certa chegar, você ficará sabendo o que ele é.
― Tsc... ― queixei-me, impaciente. Minha expressão tornou-se séria assim que cruzei os braços. Não me sentia agradável com aquilo.
― Ahahahahah! ― Ele riu, logo colocando o braço ao redor de meus ombros. ― Não há razão para se irritar, Nocte!
― Certo... ― falei com um tom de voz sensato, não estava afim de agir gentilmente, tampouco como ficar sorrindo falsamente como se estivesse me divertindo. Olhei ao redor pela trigésima quinta vez, aquelas pessoas, o sentimento que elas me transmitiam não era bom, me dava um desconforto terrível, porém eu tinha que disfarçar o fato de estar sentindo tal coisa. ― Quero tomar um ar, não estou me sentindo bem.
― Ah, claro! ― O rapaz segurou-me pela mão, e guiou-me até uma porta de vidro, logo abriu-a. Era uma varanda, extensa o bastante, da qual dava à vista de um jardim claustro, o qual exibia uma beleza exuberante, tomado por flores vermelhas e brancas. Rosas talvez.
A beleza daquele local era abundante, e me fazia sentir bem, já que antes estava sentindo-me sufocada.
― Um jardim! Que lindo! ― falei inocentemente, deslumbrada.
― Quer vê-lo de perto? ― Maximmilien perguntou, calmamente.
Assenti com a cabeça, deixando um leve sorriso escapar sobre meus lábios.
Ele então, guiou-me para fora daquela sala aonde estava anteriormente, e então, descemos uma pequena escadaria que dava de encontro com um salão espaçoso. Abriu a porta de saída, e logo, andei para fora do local. Vi de perto aquele lindo jardim, andei com passos infantís até as flores, e então, ri comigo mesma, ingênua.
― Sinto-me tão bem! ― indaguei.
― Fico feliz em saber. Vê estas rosas? ― apanhou uma de cada cor, branca e vermelha ― Elas são da mesma forma que você. Neutras.
― Neutras? ― perguntei curiosa.
― Sim, sabe algo sobre aquelas pessoas que viu?
― Não faço a mínima idéia de quem sejam.
― São anjos e demônios. No entanto, quebramos nossa rivalidade para criá-la, Nocturnae. ― ele pigarreou, logo continuando a falar ― Você é uma de nós.
― O que?! ― falei, completamente irritada e confusa. ― O que sou? Quem sou?!
― Você não é um demônio e também não é um anjo, mas ainda assim segue sendo os dois.
― … ― fiquei em silêncio, precisava de um tempo para refletir, ou talvez para lamentar eternamente sobre o destino que me foi empregado. ― Ótimo! ― falei ironicamente ― Quando começo a pensar que sou uma pessoa normal, acabo por descobrir que sou um anjo... E um demônio. Muito legal isso!
Maximmilien aproximou-se de mim, e então, acariciou meus cabelos.
― Não tenha a ideia errada. Não o fizemos para te prejudicar, muito pelo contrário.
― É? E aonde que eu saio tendo algum benefício?
― Vejamos... Você é imortal.
― Imortal?! Você acha que isso é algo bom?!
― E não é?
― Não, não é. Há menos que ache benéfico ver aqueles que não são imortais morrerem enquanto sei que viverei para toda a eternidade!
― Você verá se estou errado, Nocte...
Deceptae!
….
Notas finais
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