Notas iniciais
A atual situação da guerra é explicada na visão do nosso pessoal da Guilda. E muitos deles não gostaram do que viram

A correria dentro da Base da Immortal Star estava prestes a acabar, mas isso não era exatamente um bom sinal. Os soldados se prepararam e marcharam em vários esquadrões liderados por pessoas diferentes, para lados diferentes e até com objetivos diferentes. A única coisa em comum era que todos, sem exceção, sabiam que teriam que entrar de cabeça em um campo de batalha onde qualquer um poderia ser um inimigo. Eles só poderiam confiar nos seus companheiros de Guildas e em suas próprias habilidades. E talvez, em suas próprias sortes.

O plano geral de San tinha algumas falhas que ele poderia ditar uma outra hora, mas naquela situação, correndo contra o tempo e com tantas vidas em suas mãos, sua estratégia era a que mais tinha chances dos membros da Guilda saírem vivos. Ele dependeria da força e habilidade de liderança de cada um dos membros que ele deixou como “capitão”, coisa que não se preocupava. Sua preocupação atual era outra. Ele precisava se concentrar em entrar no pior lugar do mundo.

Ah, e sobre a Guerra? Bem, ela estava acontecendo. E estava bem feia. Não que alguma guerra possa ser chamada de “bela”, mas se levarmos em conta a quantidade de homens e mulheres sendo mortos por segundo, podemos chegar a um número que ultrapassa todas as outras guerras já travadas antes.

A tendência? Como sempre, iria piorar. Acredito que você já está acostumado com esse fato. Mas sempre há alguns pontos escondidos que podem mudar o rumo de todos os eventos. Isso se um certo “plano”, que não era o de San, demorasse um pouco mais para ser colocado em prática.

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Mulkior virou uma esquina tão rapidamente que quase foi ao chão, escorrendo em uma poça vermelha que ele imaginava ser sangue. Não havia tempo para verificar. Ele estava com pressa. Tinha saído em passos rápidos da Base, indo em direção à casa dos pais que ficava mais próxima do Castelo. Mas quando chegou em uma parte onde ele viu fumaça subindo e sujando o céu, e depois de um cálculo rápido do seu mapa mental da cidade, ele sabia que aquela fumaça vinha da loja de Regi.

Sua preocupação só saciou quando ele chegou em frente às portas e viu Regi fora do estabelecimento, um pouco suja e descabelada, segurando seu grande martelo de combate. Junto a ela, estavam mais dois soldados que o mago de ferro imediatamente identificou como a Guarda Real que trabalhavam diretamente para a Família Musubi.

— Regi! — gritou Mulkior, antes de se aproximar da sobrinha e agarrá-la quase como violência. — O que aconteceu aqui? O que aconteceu com você? Você está bem?

— Calma, tio. Calma. — tentou tranquilizar a ferreira. Mulkior tinha falado tão rápido que ela quase não entendeu as palavras. — Está tudo bem comigo, não estou ferida. Mas não posso falar a mesma coisa sobre minha loja.

Mulkior, agora tentando recuperar o fôlego, olhou para o lado, para os as chamas ainda crepitavam com fome. A loja de Regi estava em chamas, sem a menor chance de se salvar. Pela expressão da ferreira, dava para saber que não foi por falta de tentativa. Sendo mais esclarecido, Regi teve que ser retirada à força de dentro da loja, pois estava tentando apagar o fogo com vários baldes de água.

— Quem teve a audácia de fazer isso? — perguntou Mulkior, com uma fúria na voz pouco vista não só por Regi, mas por qualquer outro que o acompanha por algum tempo.

— Estão ali.

Regi apontou para o lado direito da rua, onde duas pessoas estavam caídas e jogadas de qualquer jeito. Mulkior se aproximou e verificou seus corpos. Eles estavam mortos, feridos com vários hematomas grossos e perfurados com flechas. Um dos Guardas tinha um arco e flecha, então era óbvio como isso tudo aconteceu. O mago virou um dos corpos, deixando com a barriga para cima. A pessoa vestia um traje negro simples com capuz, exatamente como o descrito por Lila sobre os incendiários. Mulkior ainda mexeu um pouco na roupa dele e viu outra coisa.

— Eu sabia. — disse ele, fazendo Regi ir mais próximo, para saber do que se tratava. — Ele está com um brasão daquela tal Aliança. Eu gostaria de saber exatamente da onde ele são, para poder caçá-los pessoalmente depois!

— Tio, não fique assim. Não adianta fazermos esse tipo de coisa agora. — Regi se abaixou e colocou a mão no ombro do tio, tentando confortá-lo. — Eu tenho certeza que você deve estar cheio de trabalho para fazer pela Guilda, não é?

Mulkior a olhou nos olhos e mordeu o próprio lábio. Ela tinha razão. Ele não poderia perder a calma agora, pois sua outra família dependia dele para terem um futuro mais justo. Mulkior se levantou e suspirou, tentando limpar a mente. Depois, olhou novamente para a loja e pensava se alguma coisa lá de dentro poderia ser salva. Ele não tinha magias para ajudar no combate ao incêndio, mas como esse era um tipo especial de fogo mágico, ele imaginava que nem Mana teria facilidades de lidar com aquilo.

— Preciso ir até meu pai. — começou ele, voltando os olhos para a sobrinha. — Aconteceu alguma coisa aqui na Capital que está fazendo os soldados do exército acharem que somos inimigos.

— O quê? Isso é um absurdo!

— Sim, eu sei. Por isso tenho que correr até meu pai e pedir a sua ajuda para podermos esclarecer esse fato. Além disso, nossa Guilda se dividiu para podermos ajudar os vários frontes de combate que estão acontecendo nos portões. Precisamos fazer de tudo para provar à Riven que estamos do lado dela.

— Não se preocupe, tio. Eu vou fazer o possível. — respondeu Regi, se afastando um pouco. — Quando sair daqui, vou direto para o Castelo e tento falar com os Generais sobre esse caso. Isso se eles estiverem por lá. Mas farei algo, eu prometo!

— Castelo? — perguntou Mulkior, tentando já traçar um plano onde ele levaria sua sobrinha para um lugar seguro. — Você não acha melhor ficar na proteção de nossa família? Acredito que todos os nossos Guardas pessoais devem estar cercando a mansão nesse exato momento.

— Adoraria ir para lá com você, tio. Mas não posso. Preciso relatar esse caso para o Castelo imediatamente. Não se esqueça que minha loja era uma das principais fornecedoras do Exército Real. E não precisa se preocupar com minha segurança. — continuou ela, já imaginando o que o mago diria a seguir. — Tenho dois ótimos guarda-costas aqui comigo que me manterão segura até lá.

Mulkior olhou para os dois Guardas, que permaneciam de prontidão. O Vice-Líder da Immortal Star não conhecia todos os Guardas Pessoais de sua família, já que não ia tanto em sua casa e também porque eram inúmeros. Mas sabia que todos tinham um treinamento intensivo e eram tão fortes quanto os Guardas Reais do próprio Rei.

Mulkior balançou a cabeça várias vezes querendo engolir a ideia e disse para Regi se cuidar, falando também aos Guardas para que continuassem cuidando bem dela. Tio e sobrinha trocaram um abraço rápido e Mulkior se virou e voltou a correr em direção à casa onde havia nascido.

Um pequeno grupo se locomovia rapidamente pelo centro da grande Capital. Aristarkh e Lila comandavam aquele time feito para dar suporte às tropas que lutava no norte da cidade. Até então, eles não tinham informações nenhuma sobre a situação lá por aquele lado, então seria uma surpresa, seja lá o que estivesse acontecendo.

— Você não está achando nada estranho, Aristarkh? — perguntou a lutadora, enquanto viraram uma curva, sem tentar diminuir o passo. Os outros membros que estavam mais próximos também ouviram e prestaram atenção.

— Do que você está falando?

— Bom, essa situação de Riven é absurda, como deu para perceber. Mas não acha que a escolha de San, de nos separar e nos mandar para diferentes campos de batalha foi meio... Não sei... Forçado?

O Mago Vermelho não respondeu imediatamente. Olhou para os lados como se estivesse procurando por pessoas que poderiam estar os vigiando. Não que ele achasse que poderia mudar algo naquela hora, mesmo que houvessem espiões inimigos os cercando. Mas aquele ato foi mais para que ele ganhasse tempo para si mesmo, para saber a melhor maneira de responder a colega de Guilda.

— Eu acho o contrário. — começou ele, sem diminuir a corrida. Seu tom de voz era levemente alto, para que os outros membros também ouvissem. — Acho assustador como ele conseguiu bolar esse plano para cada time em tão poucos segundos. — Lila o olhou com confusão, e antes que ela pudesse fazer uma nova pergunta, Aristarkh continuou. — Veja só o nosso time, por exemplo. Eu já queria ir para o norte, mas era mais por motivos próprios. Mas pelo jeito, ele previu isso e nos colocou juntos para ter um equilíbrio de forças. Enquanto você luta no fronte de combate, abatendo os lutadores mais avançados, eu poderia te dar cobertura com minhas magias de longo alcance.

— Espera... Por isso ele pediu para que dividíssemos os membros que viriam conosco entre o Primeiro e o Segundo Batalhão? — Aristarkh respondeu com um sorriso, sabendo que a garota tinha finalmente entendido o plano de San. Lila mordeu o lábio inferior levemente e continuou pensando. — É como se fosse um truque do destino... Como ele consegue?

— Eu não sei, não o conheço tão bem para saber sobre suas experiências de vida e como ele se tornou o que ele é hoje. Além disso, eu nunca consigo o interpretar direito. É difícil saber o que se passa pela sua cabeça, pois seu rosto sempre está travado em uma só expressão. A não ser quando ri de algo.

O grupo virou mais uma esquina e continuou sua corrida. Eles precisavam fazer uma grande volta pelo Castelo, e não dava para passar muito pelo meio da cidade. Era óbvio que haveriam mais guardas perto dos grandes muros que defendiam o lar do Rei, e as guarnições poderiam ver a uma grande distância.

Lila absorvia o comentário do colega como se fosse algo dito sobre ela. San era uma figura um tanto impactante para a garota, pois ela o viu derrotando seu pai em seu próprio dojo, em uma luta limpa. Ou pelo menos ela achava que tinha sido. Depois de ir para a Guilda e participar de algumas batalhas com o pessoal, ela viu que San é uma pessoa extremamente objetiva, que faz de tudo para alcançar o melhor resultado possível em tudo que faz. Sua interação com ele era pouca, pois ele raramente passava mais que dois dias na Base, mas foi o suficiente para saber como ele agia. Também não entendia como alguém poderia se interessar tanto por ele, por isso não entende porque Geovanna tem tanto afinco pelo assassino. Na cabeça de Lila, aquilo poderia ser tratado quase como “loucura”.

— Analisando as escolhas dos outros times, eu posso dizer que o plano mestre de San foi bem bolado, mesmo com tão pouco tempo para pensar. — voltou a falar Aristarkh, tirando os pensamentos próprios da colega. — Mana e Kula fazem um time parecido com o nosso, mas foram mandadas para o pior local. Provavelmente porque as duas já se dão bem e devem fazer uma boa dupla quando juntas. Antes de sairmos, eu vi que Geovanna e Jarhan iriam para o Oeste em uma missão mais complicada. Eu entendo que os inimigos daquele lado são especializados em um outro tipo de combate, então San escolheu esses dois por terem magias de área e complexas.

— E Reita e Lelouch? — perguntou Lila, tentando fazer um mapa mental sobre os locais e situações. — Será que San fez os dois liderarem o resto do Segundo Esquadrão para dar suporte de longo alcance para o Leste?

— Não vi o que os dois iriam fazer, pois saímos antes. Mas isso pode ser possível. Também não sei o que nosso Vice-Líder vai fazer. Talvez ficar na Base? Não... É de Mulkior que estamos falando. Ele não vai ficar quieto enquanto sua amada está lutando. Mas acho...

O mago não completou a frase. Uma enorme explosão aconteceu há alguns metros à frente deles, fazendo todo o grupo parar e se proteger automaticamente. A explosão foi longe e nada veio na direção deles. Mas isso não tinha acabado ali. Algumas outras explosões foram ouvidas mais ao longe, vindos da esquerda e direita. Seria um novo ataque surpresa? Sem ter onde se esconder ou alguma ação mais estratégica para ser feita, Aristarkh ordenou a todos para que continuassem correndo para frente, prestando atenção aos arredores. Isso cortou qualquer nova conversa que eles poderiam ter feito.

Enquanto avançavam já muito perto da saída da cidade, o grupo pôde ver e ouvir mais explosões acontecendo em outros cantos da cidade, mas todos na área norte. Foi um pouco antes de saírem da parte residencial que eles viram que as explosões eram vindas de grandes bolas de fogo que voavam em arco, vindas mais ao norte. Não precisava ser um gênio de táticas de guerra para saber que aquilo eram explosivos atirados de grandes armas de cerco.

Quando finalmente viram a batalha em si, o grupo descobriu que Riven estava com inimigos demais para um só século. Pelo menos três bandeiras diferentes batiam com o vento forte do Norte enquanto os soldados avançavam sem parar, passando por cima dos soldados de Riven. Uma bandeira era daquela tal aliança que havia sido comentada na reunião da Guilda, o que já era esperado. A segunda bandeira era de Veert, e isso significava complicações. Veert era o maior continente do lado nordeste do mundo, e estava ligada diretamente ao Triângulo do Universo. Era facilmente visível que a maior quantidade de soldados estava vindo desse reino, e era por isso que os soldados de Riven não estavam aguentando. Também era visível que as armas de cerco eram deles, e estavam muito bem organizadas atrás de suas tropas, sem ter o mínimo de chance de serem destruídas.

Mas o que fez Aristarkh ficar de boca aberta e apertar o cabo de sua espada não era nem a quantidade de soldados e nem as duas bandeiras. O problema estava na terceira. Havia outro reino ali junto daquela imensa campanha. Eram os soldados menos numerosos, mas isso não diminuiu a frustação do mago. Lila se assustou quando olhou para a face do colega.

— Aristarkh, o que aconteceu? Nunca vi você com uma expressão tão séria!

— Não posso acreditar. Eu não queria acreditar! — falou ele, desembainhando a espada com força. — O maldito do meu tio colocou Hilderais contra Riven!

Parecia uma situação ainda mais desesperadora, não acha? O Sul já tinha sido completamente tomado pelo fogo da guerra e não era possível contabilizar a quantidade de soldados já mortos naquela área. Agora o Norte também estava passando por um banho de sangue que parecia crescer para o lado de Riven. Mas você ainda não soube o que estava acontecendo do Oeste.

Jarhan e Geovanna seguiram fielmente as ordens de San. Não foram diretamente para o portão oeste, onde grande parte das defesas estavam concentradas. Eles saíram pelo Sudoeste, em uma entrada menor que era só para comerciantes. Havia uma guarnição lá com apenas três soldados, mas eles não pensaram duas vezes em deixá-los passar, já que carregavam a bandeira de Riven e falaram que eram o suporte enviado do Rei para ajudar no fronte de batalha. Pelo jeito, San tinha razão de que as informações sobre a Immortal Star não se espalhar tão rápido por causa da intensidade da batalha.

Claro, esse fato não melhorou quando o grupo conseguiu ver as tropas. Primeira parte importante a ser dita: já estava acontecendo uma batalha de grande escala entre Riven e uma tropa gigantesca com a bandeira da aliança inimiga. A segunda informação a ser dita: eles não estavam sozinhos. Havia uma bandeira que não foi difícil de ser reconhecida, mas foi muito complicada de ser engolida: a Guilda Tiger Claw estava envolvida.

A Tiger Claw era a “rival” da antiga Dead Blade, Guilda onde Mana havia ficado por um certo tempo. Também é uma guilda mercenária de grande porte, e tinham fama de fazer ataques frontais destrutivos, fazendo invasões quase perfeitas. Tinha membros na linha de frente que eram lembrados como “verdadeiros pesadelos” para se encontrar no campo de batalha.

Quando a Dead Blade passou por aquele “incidente”, todo o Oeste ficou extremamente chocado. As cidades vizinhas fizeram vários protestos e pediram explicações, que não foram dadas por ninguém. Também foi por isso que todos os futuros candidatos à entrarem para a Dead Blade decidiram entrar para a Tiger Claw, esperando algum tipo de investigação mais profunda do caso. E claro, isso nunca aconteceu também.

Eles estarem juntos com a tal aliança explicava muitas coisas. Se esse povo todo já estava planejando um golpe de estado tão grande, era bem possível que eles fossem até as guildas em primeiro lugar, as contratando. Além disso, também era possível que a Cidade onde ficava a Dead Blade tenha mandado algum tipo de aviso à Guilda, para ficar longe desse assunto.

De uma forma ou de outra, isso fez a Tiger Claw ser a maior guilda de mercenários do Oeste. E agora estavam lutando contra Riven, o que não ajudava em nada a situação de Jarhan e Geovanna. Eles conseguiam ver claramente a desvantagem do exército da capital. Viam eles recuando pouco a pouco, já quase aos grandes portões. Não haviam armas de cerco desse lado, mas a quantidade de soldados compensava.

— Essa batalha está mortífera. — falou Jarhan, atraindo a atenção de todos. Eles estavam escondidos atrás de uma construção que deveria ter sido uma pequena casa, mas que agora estava em pedaços. — Muitos soldados estão morrendo em intervalos de dois a três minutos.

— Espere, você pode senti-los? — perguntou Geovanna, com uma cara de curiosidade que seria impagável em uma outra situação.

— Mais ou menos. — respondeu ele, sem tirar os olhos da grande batalha que acontecia mais à sua frente. — Toda vez que alguém perece há alguns metros de distância de mim, eu sinto um tipo de arrepio na espinha. Algo como um aviso automático para que eu possa usar minhas magias. Isso só começou a acontecer depois que... — Jarhan fez uma pausa dramática e cerrou bem os dentes. Ele tinha acabado de se lembrar da situação onde seu pai morreu e ele decidiu utilizar uma das magias proibidas de sua classe para se manter vivo. — De toda forma, precisamos de um plano se quisermos nos aproximar sem sermos atingidos pelos dois lados.

— Os dois lados estão um tanto espalhados, mas é possível pegar os inimigos de surpresa se conseguíssemos passar ali por aquele flanco. — falou Geovanna, apontando para o local em questão. Todos ali perto dela olhavam para o lado e tentavam entender a explicação. — Mas não tem como se esconder da visão deles, pois o campo é quase completamente aberto.

— Espere. — falou Jarhan, forçando a visão e fazendo seu cérebro trabalhar em alta velocidade. Ele ficou quase dois minutos olhando de um lado para o outro, totalmente quieto. — Acho que eu tenho algo que possa ser chamado de “plano”.

A batalha no fronte Oeste continuava intensa. Magias podiam ser vistas voando de um lado para outro, sendo que os mais “bombardeados” eram os soldados de Riven. Lutar contra uma Guilda tinha essa desvantagem. Mas não pense que Riven estava recuando como animais indefesos fugindo de feras famintas. A organização do exército real era impecável e eles conseguiam manter a ordem e suas posições. Haviam capitães gritando ordens sem parar, e mesmo que eles estivessem de fato recuando, nenhum esquadrão parecia a ponto de entrar em desespero. Riven tinha uma grande história de treino com seus soldados, e mesmo depois de tantos anos vivendo em paz, esse fator ainda não diminuiu.

Jarhan explicou seu plano para seu time previamente feito. Era algo curto e simples, mas que poderia dar certo. O problema era que tinha sim, uma margem de erro e que talvez custaria sua própria vida. O Necromante deixou claro que tinha meios de escapar se a situação piorasse, mas seus companheiros acharam difícil de engolir. Afinal de contas, não importava o plano, pois eles já sabiam que suas vidas estariam correndo perigo assim que avançassem.

Mas o dever chamava. Todos os membros da Immortal Star sabiam que tinham uma honra a ser mantida. Todos entraram na Guilda sabendo dos perigos. Estava na hora de provar que eles fariam de tudo para manter sua palavra. O grupo se preparou, desembainhou armas e verificou seus equipamentos. Jarhan e mais dois magos fizeram um grande círculo mágico atrás da casa destruída, e ao terminarem, o Necromante ficou no meio dele. Enfiou o cabo de sua foice à sua frente e começou uma grande concentração. Ele só esperava que isso não atraísse os soldados inimigos.

— RITUAL NEGRO – NEVOEIRO DO SILÊNCIO!

A energia se expandiu rapidamente e envolveu uma área enorme. Era uma grande quantidade de energia, e é claro, muitos dos que lutavam na linha de frente acabaram sentindo. Mas como eles estavam no meio do combate, não poderiam dar as costas e irem verificar. Do círculo mágico onde Jarhan estava, uma névoa cinza escura começou a preencher todo o local e não parecia que iria dissipar tão cedo. Mas essa seria uma magia conjunta. Não adiantaria fazer névoa ali. Então era a vez de um mago do time fazer sua parte.

— RAJADA DE VENTO!

Era um mago que controlava os ventos, e não estava na Guilda a tanto tempo. Ainda assim, ele tinha uma resolução firme e sempre estava disposto a ajudar. Ele ficou posicionado ainda mais afastado, e utilizou sua magia para “empurrar” toda aquela névoa para onde a batalha estava acontecendo. Agora deixe-me dizer como isso tudo ficou na visão dos que lá batalhavam.

Talvez o primeiro a notar era o Capitão Desnarkes, um dos mais antigos soldados do exército de Riven. Ele montava seu fiel garanhão e ia de uma ponta até outra dar assistência para os soldados que recuavam. Já estava ferido na perna e no estômago, mas não diminuía a adrenalina. Ele viu nuvens negras se aproximarem pela sua esquerda, mas imediatamente viu um tipo de fumaça vindo pelo chão. Ele tentou ligar as duas coisas e logo viu que não fazia o menor sentido. Uma chuva estava vindo... Mas ela estava trazendo fumaça? E por que essa massa grossa cinzenta se aproximava tão rapidamente? Aquilo só poderia ser...

Outros soldados, dos dois lados da batalha, começaram a notar. Na verdade, não tinha mais como ignorar, mesmo que você estivesse trocando golpes certeiros com seu oponente. A névoa vinha em uma velocidade quase impossível, e era grande demais para ser algo feito pela natureza. Um tipo de comoção entre os soldados foi iniciada, com muitas perguntas sendo feitas. Ninguém sabia de que “lado” estava vindo. Inimigos? Aliados? Ou uma terceira força? A névoa pegou o campo de batalha como se fosse uma criatura colossal engolindo um bosque. Em poucos segundos, já não dava para distinguir os inimigos e aliados há mais de 2 metros de distância.

— POR RIVEN!!!

A voz era feminina e mais fina, mas não deixou de assustar os soldados que estavam mais atrás, ainda na retaguarda. Geovanna foi a primeira a aparecer, pulando para dentro da névoa e atirando sua magia inicial em dois soldados de um reino mais a oeste, que ela nem lembrava o nome. Logo em seguida, outros membros da Immortal Star foram aparecendo do nada, como se tivessem sido tele-transportados para ali. Todos saíram atacando sem dó nem piedade, com tudo que tinham. Seu alvo inicial eram os membros da Tiger Claw, já que eles seriam os adversários mais problemáticos.

Agora você deve estar pensando: como que ninguém de lá conseguiu perceber a chegada do time de Geovanna? Essa pergunta é bem fácil de responder. A magia ritualística de Jarhan era específica para esconder quase completamente seus aliados. Era muito boa para ser usada em fugas, mas com a ajuda do Mago do Vento, eles poderiam fazer esse tipo de avanço. A névoa também escondia coisas como cheiros e sons, o que deixava o avanço ainda mais perfeito. Pessoas com maior percepção mágica conseguiria sentir o avanço de alguém dentro da névoa, mas essas mesmas pessoas estavam ocupadas demais lançando magias contra os soldados de Riven.

É importante ressaltar que Jarhan não estava ali no meio do grupo que já apareceu atacando com tudo. O plano dele tinha uma outra parte, que era a perigosa. Também usando a névoa para se esconder, ele foi em direção ao meio do combate, onde o embate estava mais intenso. Mas ele não era louco de sair atacando dali. Seu plano era outro. E bem mais macabro.

Quando todos já podiam vê-lo, Jarhan levantou a bandeira de Riven de uma forma que deixasse claro de que lado ele estava. Agora começava o perigo. Ele já estava em uma área onde poderia ser atacado de várias maneiras pelos seus inimigos. Tudo o que lhe ajudava naquele momento era a névoa, que atrapalharia a visão dos arqueiros e atiradores. Jarhan olhou para um dos esquadrões de Riven e correu para lá. Ele teve que se esquivar duas vezes de flechas que não lhe acertaram por muito pouco. Ao ver a aproximação do suposto aliado, o Capitão Desnarkes mudou a direção de sua montaria e partiu para seu encontro.

— Alto! Quem vem lá? — perguntou o Capitão, em tom imponente. Não é porque alguém aparece no meio de uma névoa carregando a bandeira de seu Reino que ele poderia ser considerado aliado assim, sem mais nem menos.

— Sou Jarhan, membro da Guilda Immortal Star e líder temporário de um pequeno esquadrão que foi remanejado para servir como suporte para as tropas do Oeste! — respondeu Jarhan, fixando a bandeira no chão ao seu lado. A animação dos soldados foi bem clara quando eles ouviram a palavra “suporte” — Meu time está fazendo um ataque surpresa por trás deles e pretendemos partir a formação dos esquadrões inimigos!

— Suporte? Vocês são nossa cavalaria de apoio? Quem os enviou?

— Não temos ordens diretas do Reino, se é isso que o senhor pergunta. — respondeu o necromante, sabendo que aquela pergunta valeria sua vida. A melhor maneira era não mentir e não fingir patriotismo. — Nossa Guilda se separou para ajudar todos os frontes de combate, e meu time foi designado para o oeste.

— Por que vocês fariam isso sem um contrato oficial? O que pretendem ganhar com tudo isso? — perguntava Desnarkes, com total desconfiança. Fazer perguntas parecia quase que um hobbie para ele.

— Queremos proteger nosso lar, senhor. Acho que todos aqui querem proteger suas famílias e deixa-las longe dos perigos que nossos inimigos podem acabar criando se adentrarem os portões. — a resposta de Jarhan foi clara e firme, sem desviar o olhar. Ele mesmo não acreditava o quanto estava conseguindo manter a compostura naquela situação. — Temos sua permissão para apoiar essa defesa?

Capitão Desnarkes pareceu olhar para dentro de Jarhan, vendo não sua carne e osso, mas sim sua alma em toda sua verdade. Ele já tinha conhecido muitas pessoas, muitos soldados imponentes, e já tinha servido dois Generais diferentes, que ele respeitava e que lhe ensinaram muitas coisas. Uma dessas coisas era a análise de vontade de alguém. Você precisava desse tipo de habilidade quando escolhia os soldados que levaria para o campo de batalha, pois precisa daqueles que não irão dar as costas e fugir. E os olhos de Jarhan demonstravam um fogo vivo. Ninguém com tamanha vontade consegue criar esse tipo de mentira e manter a pose imponente. O Capitão levantou o sabre que tinha em mãos e gritou.

— SOLDADOS! — gritou Desnarkes, sendo claramente ouvido por todo aquele esquadrão e até mesmo por alguns inimigos mais próximos. — A Guilda Immortal Star é oficialmente uma aliada de Riven! Nos juntaremos para fazer nossos inimigos entenderem o quão errado eles foram por terem colocado os pés em nossa terra sagrada!

O urro de aprovação dos soldados parece ter aumentado não só a moral do exército de Riven, como a do próprio Jarhan. O Capitão deu uma nova ordem de avanço, que foi imediatamente executada. Os soldados fizeram uma investida direta, chegando a deixar os soldados inimigos sem reação por ainda estarem com a névoa aos seus olhos. Desnarkes disse que iria para os outros esquadrões dar esse mesmo aviso, mas antes que ele saísse, Jarhan falou novamente.

— Se o senhor vai para o meio da batalha, então eu poderia lhe pedir para me levar? Tenho uma magia especial, mas preciso utilizá-la onde a batalha está mais intensa.

Como nenhum minuto poderia ser perdido com enrolações ou mais perguntas, Desnarkes simplesmente ajudou Jarhan a subir em seu cavalo e, fazendo uma volta, partiu em direção ao centro daquele inferno. Passou por um esquadrão e os informou de maneira muito parecida como a anterior. Já aqui, Jarhan pôde ter uma visão mais verdadeira da situação da Guerra, e aquilo quase tirou toda a moral que tinha sido elevada há poucos segundos atrás. Logo depois de cavalgarem para longe desse esquadrão, Jarhan pediu para descer. E claro que o militar ficou confuso.

— Aqui? — perguntou Desnarkes, olhando ao redor. — Mas tudo que tem aqui são os corpos caídos dos mais azarados! O que você quer fazer nesse cemitério ao ar livre?

— Não se preocupe, senhor. — disse Jarhan, ao descer do cavalo firmemente. Ser filho de fazendeiro lhe dava algumas vantagens que ele não tinha mais como usar. — Mas é exatamente aqui que minha magia vai fazer nossos inimigos recuarem!

Mana segurou o braço do soldado que empunhava um machado pesado, puxou ele para trás fazendo-o ir ao chão sem equilíbrio e imediatamente depois, aplicou um golpe de perfuração certeiro em sua nuca usando sua kodachi, terminando com a vida daquele homem. Sim, era dessa maneira que estava o Sul.

San deixou bem claro para Mana e Kula que a parte Sul poderia estar em uma situação “ruim”. Ele estava errado. A situação do Sul era desesperadora. Vamos começar por parte. Primeiro, os inimigos já estavam lutando nos grandes portões do castelo, sendo que muitos deles já empurravam os soldados de Riven para as alas residenciais da Capital. Segundo, o número de soldados inimigos era imenso. Claro que aqui estariam as principais tropas de Semangard e da tal aliança. Mas mesmo sabendo disso, aquele número absurdo de soldados parecia algo irreal. Mana adicionou o fato de que haviam tropas de Lazetna à mistura, resultando em um apocalipse para o lado de Riven.

Você deve estar com muitas perguntas, e eu vou responder todas elas em ordem. Se sua memória está boa, você deve lembrar que passou um membro da Planetarium por aqui, indo sozinho contra algumas tropas inimigas. Fildais, o membro da Planetarium do Esquadrão Terra realmente fez uma “limpeza” quando chegou no campo de batalha. Assim que deu o primeiro passo em direção aos inimigos, ele criou um bosque que impediu a visão dos inimigos, os deixando confusos. Você não leu errado. Fildais é um mago da Classe Druida, e pode usar magias que envolvem a natureza em si. Ele transformou a vasta planície na frente do portão sul em um bosque com árvores de três tipos diferentes, com flora própria. Dentro de seu próprio território, os soldados inimigos nada puderam fazer contra o druida. Esse era o real poder de alguém da Planetarium.

Mas os inimigos estavam preparados para algo assim. Eles sabiam que Riven iria utilizar o grupo, por isso que ativaram um de seus planos mestres. Assim que souberam da presença de Fildais no campo de batalha, três novas tropas surgiram vindas do Sudoeste e do Sudeste. Eram as tropas das Guildas contratadas e afiliadas à Aliança. A White Lotus marchou pelo Sudeste com suas roupas brancas. A Millenium Hunter veio junto com mais tropas de Semangard, marchando do extremo Sul. E por fim, a Lost Childrens, uma guilda mercenária criada há pouco tempo, veio marchando com uma grande quantidade de soldados pelo Sudoeste.

As três novas frentes combateram Fildais diretamente, com seus líderes indo com toda sua força. Houve uma batalha bem demorada, onde Fildais fez um estrago grandioso nas três guildas. Mas por fim, mesmo ele não poderia aguentar aquele número de inimigos. Ele teve que recuar, e foi quando os soldados de Riven voltaram a entrar em cena. Daqui para frente, tudo piorou em uma velocidade absurda.

Quando Kula, Mana e seu esquadrão chegaram, a batalha já estava acontecendo dentro da cidade. Haviam tropas desorganizadas, sem seus devidos capitães, e com um diferencial grande no termo numérico. Alguns soldados não conseguiam aguentar a pressão e acabavam abandonando seus postos, fugindo por suas vidas. Não iria demorar muito para que a parte sul da Capital fosse completamente tomada pelos inimigos.

Imagino que você esteja pensando: “Então a Immortal Star entrou na briga e começou a virar a situação ao seu favor!”. Por mais que eu adoraria que isso acontecesse... Bem, não aconteceu. Para início de conversa, quando a tropa da Immortal Star chegou lá, os soldados de Riven os consideraram inimigos. Assim como San previu, era possível que a informação deles serem supostos inimigos já havia chegado aqui.

O começo da batalha foi terrível. Não adiantou nada mostrar que eles carregavam a bandeira de Riven. Os soldados ainda os atacaram. Mana e Kula precisaram ter que reagir rapidamente, então tiveram a única ideia que lhes prestaria: correr para o meio dos inimigos. Ok, elas admitiam que não tinha sido a melhor ideia de suas vidas, mas era o que tinham no momento. Ordenando para que não contra-atacassem os soldados de Riven, a pequena tropa da Immortal Star abriu caminho e foi direto no coração da batalha.

Como dito, o início foi terrível, pois um dos membros da Guilda já tinha caído. Foi acertado em cheio no lado esquerdo do peito por uma flecha mágica vinda do lado da Millenium Hunter. Kula não se segurou e mandou uma onda de fogo para aquele lado, fazendo uma grande quantidade de inimigos se espalharem. Mana ordenou que os outros atacassem os inimigos que não estavam em formação, além de pedir para sua amiga não deixar suas emoções tomarem conta. Kula enxugou as lágrimas e disse que ficaria bem, antes de partir para cima das tropas da mesma guilda que matou um de seus companheiros.

Nesse ponto, eles só precisavam se preocupar com as flechas e magias perdidas vindas de Riven, pois os soldados não estavam fazendo avanços. Isso deixou a batalha ainda mais difícil, principalmente quando alguns membros foram de fato atingidos. Dois deles tiveram que recuar para poderem sobreviver. Mana não tinha certeza se eles conseguiram realizar tal feito. Foi depois de alguns minutos de batalha, que os soldados de Riven viram que a Immortal Star estava realmente ao seu lado, atacando apenas os oponentes — mais especificamente quando Mana decapitou um dos comandantes de Semangard, que virou as costas para ela para poder dar novas ordens. Ainda assim, a batalha não virou para o lado dos aliados naquele momento. E não parecia que iria virar.

Kula não poupou energia mágica para atacar seus oponentes. Ela pareceu travar um alvo imaginário nos membros da Millenium Hunter, atacando-os com sua espada de fogo sem piedade. Ela foi abrindo caminho com golpes precisos — ela ficou boa nisso depois de treinar com Mulkior — e sempre usava magias de curto alcance para os que tentavam se aproximar dela. Kula virou praticamente um furacão de chamas, não deixando ninguém se aproximar.

Mas alguma hora aquele avanço de fogo tinha que parar. E dessa vez, não foi por pura vontade da maga. Um homem baixo, vestindo túnicas triplas de tecidos diferentes apareceu em sua frente, aparando um golpe de sua espada. Kula tentou não perder tempo analisando a roupa esquisita do oponente ou dando atenção ao sorriso bobo que ele tinha no rosto. Mas não desviou os olhos da espada dupla e grossa que ele usava.

— Desculpe gatinha. — começou ele, falando em uma típica voz fina enjoativa. — Mas acho que você já foi longe demais.

— LANÇA-CHAMAS INCANDESCENTE!

— RESISTÊNCIA MÁGICA – FOGO!

Quando dois guerreiros estão no pico de suas concentrações no meio de um combate, esse tipo de resolução pode acontecer várias vezes. Kula não tinha tempo para ficar conversando com ninguém, então simplesmente deu um pequeno salto para trás para fugir do alcance das armas do oponente, depois levantou a mão esquerda e disparou um jato de fogo continuo na face daquele homem. Mas tão rápido quanto essa magia, foi a reação do oponente. Ele concentrou energia por todo o corpo, que depois de liberar sua magia, criou um brilho avermelhado escuro, como se fosse um tipo de aura.

O oponente de duas espadas cruzou os braços na frente do rosto e tomou a magia em cheio. O lança chamas atingiu de sua cabeça até a cintura, fazendo sua figura desaparecer por alguns poucos segundos. Mas assim que a magia terminou, Kula arregalou os olhos ao ver que o oponente parecia intacto. Havia fumaça saindo de seu corpo, mas ele não parecia queimado.

— Ahahah, me desculpe gatinha. — falou o homem não queimado. — Mas eu sou imune a magias elementais! Então por que você não...

— PILAR DE FOGO!

Vou repetir: Kula não estava naquela batalha para perder tempo conversando. Ela concentrou mais um tanto de energia mágica e colocou sua mão no chão, enviando uma onda de energia para algum lugar específico. O homem, meio que dando de ombros, cruzou os braços novamente protegendo o rosto e esperou.

Era inútil, ele sabia. Aquele homem, que atendia pelo nome de Jerf, era um guerreiro com magias especiais defensivas. Ele não tinha nenhuma magia de ataque, mas com suas resistências altas e treinamento excessivo com suas duas espadas faziam ele ser uma parede para absorver danos para seus companheiros. Era uma frente de combate difícil de se lidar, não importava se você era um mago poderoso ou um guerreiro habilidoso. Magias elementais eram quase inúteis contra ele. O fogo de Kula só o deixava com calor, e ele só protegia o rosto para não ser acertado diretamente nos olhos ou nariz.

O mais estranho foi que não teve nenhuma magia lançada. Jerf não foi atingido e ele não viu magia nenhuma sendo atirada. Confuso, ele baixou um pouco a guarda e olhou para a maga que não estava muito distante. Ela ainda tinha o rosto sério, olhando diretamente para ele. Não. Ela não o olhava. Para onde ela fixava aquela visão tão furiosa?

O grito foi ouvido quase ao mesmo tempo que Jerf decidiu olhar para trás. Há poucos metros, havia uma pessoa pegando fogo, sendo consumido vivo por uma chama poderosa. Alguns de seus amigos até pensaram em ajudar, mas as chamas eram tão poderosas que ninguém conseguia se aproximar. Furioso, Jerf se virou novamente para Kula, que concentrava uma nova quantidade de energia mágica.

— Você vai pagar!

Kula não ligou para a intimidação. Ela tinha feito uma justiça. Aquele pegando fogo era o maldito arqueiro que tinha matado um dos seus companheiros assim que eles entraram na batalha. Se não fosse por Jerf ter entrado em seu caminho, Kula teria ido diretamente contra aquele arqueiro desde o começo. Mas seus olhos não o perderam de vista, mesmo lutando frente a frente contra esse ali.

Dessa vez, foi ele que atacou primeiro. Começou com uma investida dupla, vinda de cima. Kula aprendeu a calcular mais ou menos a intensidade e peso de alguns golpes, então pulou para trás, se esquivando. Mas Jerf não parou. Ele continuou avançando e aplicando golpes rápidos, que variavam de sua espada da direita e esquerda. Kula tinha recebido treino direto, mas não era páreo para alguém que lutou por anos dessa maneira.

A falta de experiência fez ela ser atingida três vezes. Nenhum dos cortes foram profundos, mas os dois que ela levou no braço esquerdo estavam incomodando por causa da dor. Kula o fez se afastar depois do último corte, pois conseguiu fazer um golpe rápido e inesperado que o atingiu na perna direita, também sendo um golpe leve.

Mas era bom lembrar que Kula já estava se concentrando antes, e uma das coisas que ela mais treinou com Mulkior, foi manter sua concentração ativa enquanto lutava com a espada. Quando finalmente viu que o oponente tinha recuado, mesmo por poucos segundos, ela aumentou a concentração, fazendo todo o ar a sua volta ficar quente. Ela colocou a arma para trás e avançou na direção dele, passando toda aquela energia para a arma.

— Parece que você ainda não entendeu como suas magias são inúteis contra mim! — Jerf também avançou. Iria ser um embate direto. Para ele, não importava a força da magia. Sua aura de defesa ainda estava ativa e depois de ele defender esse golpe, iria acabar com a vida daquela garota.

— MANIPULAÇÃO DAS CHAMAS — NEGRO DESTRUIDOR!

A espada vermelha de Kula ficou flamejante. Inicialmente, com a cor verdadeira do fogo, que era aquele vermelho meio laranja. Depois, foi se escurecendo rapidamente, até virar completamente negra. Era quase como a espada de trevas que Akira utilizou na final do torneio. Mas isso não assustou Jerf. Fogo era fogo, não importava qual cor que ele tivesse.

Houve o embate. O impacto foi surdo e não houve reverberação. Na verdade, foi um ato bem curto também. Assim que as três espadas se encontraram na frente dos seus donos, um tipo de duelo de forças havia se iniciado. Não é preciso falar que Kula não teria a menor chance contra Jerf no quesito força física, mas esse não era o plano da maga de fogo. Assim que as armas começaram a ser empurradas, as lâminas das duas espadas de Jerf começaram a se enferrujar em tempo recorde.

O guerreiro só teve tempo de ficar boquiaberto. As duas lâminas quebraram como se fossem feitas de vidro, e ele ficou desarmado. Só com o cabo das duas espadas em mãos, Jerf começou a tentar entender o que tinha acontecido ali, bem à sua frente. Mas Kula, que tinha aprendido uma lição simples, mas valiosa com San — “Se seu inimigo fazer uma expressão de surpresa depois de um de seus ataques, ataque de novo, imediatamente!” —, simplesmente tomou impulso com o braço e aplicou um golpe de ponta no meio do peito de Jerf. O oponente cuspiu sangue e caiu de joelhos por causa da dor de algo mais quente do que os ferros de marcar gado entrando em suas entranhas.

— MANIPULAÇÃO DAS CHAMAS — LARANJA EXPLOSIVO!

Kula não precisou de muita concentração para usar essa última magia, mesmo que ela consumisse uma certa quantidade de energia mágica que ela fosse precisar mais tarde. Mas em guerra, você precisa ter a certeza absoluta que seus inimigos derrotados não irão se levantar mais. Ela passou um pouco de energia para a espada que ainda estava enterrada no oponente, e fez as novas chamas laranjadas criarem uma explosão de pequeno porte, que fez o corpo de Jerf sumir em sangue e pedaços voadores. Quem viu a cena decidiu que não atacaria aquela mulher de frente.

Já Mana tinha se concentrado em atacar uma grande quantidade de soldados normais, limpando o terreno para que o Exército de Riven pudesse avançar. Isso ainda não tinha acontecido. A assassina já tinha gasto quase todas suas adagas envenenadas — que tinham sido recuperadas em um estoque antes dela sair da Base. Ela levou suas bolsas cheias com as armas arremessáveis —, e quase todas as agulhas também. Ela via alguns soldados caindo e tossindo sem parar, coisa que mostrava os efeitos dos venenos. Mas ainda assim, a quantidade de inimigos era tanta, que os soldados de Riven continuavam sendo empurrados pouco a pouco. E claro, o mais importante sobre isso era que as Guildas inimigas faziam o trabalho mais destrutivo.

Alguém veio de cima, pesadamente caindo com um golpe direto contra Mana. Foi bem assim, do nada. A percepção da assassina a alertou e fez seu corpo se movimentar para o lado, se esquivando da investida. Sem nem esperar, Mana atacou com dois cortes rápidos, mas foram defendidos por um escudo branco e grosso. Ela pulou para trás, se afastando e analisando seu inimigo. Alguém alto, forte, usando uma armadura completa de ferro pintado em branco, com uma espada que Mulkior diria ser “desenhada lindamente”, o escudo que já tinha sido comentado, e um capacete com aquela clássica pena no topo. Todo seu “set” era branco, e o brasão de Guilda era impossível de ser ignorado, preso no lado esquerdo do peito da armadura da pessoa.

— Ora, ora... — disse a pessoa, balançando a espada em sua frente. — Quem diria que nosso próximo encontro seria em um campo de batalha real?

— White. — falou Mana, em baixo tom. O Líder da White Lotus parecia imponente com sua nova armadura e novos armamentos, mas a assassina pôde ver que ele estava enfaixado em algumas partes do corpo. Tinha sido na luta contra Fildais, mas Mana não fazia ideia disso. — É uma pena saber que você vendeu sua guilda para Semangard.

— Infelizmente para você, essa não é a questão. — respondeu ele, sorrindo. — A White Lotus nunca se juntaria à uma causa sem uma boa finalidade. E nossa ajuda não é exatamente com Semangard, mas sim, com a Aliança dos Reinos Divinos. Mas acredito que assuntos internos das nossas Guildas não seja o tópico que você queira discutir aqui, não acha?

— Onde você quer chegar? — perguntou Mana, desconfiada. White parecia sem nenhuma intenção de ataca-la, o que era ainda mais estranho do que se ele simplesmente a atacasse com tudo.

— Nossa Aliança tentou convencê-los várias vezes. — começou ele, dando um só passo para frente. Até mesmo o grande Líder da White Lotus não era louco o suficiente para ficar no alcance da kodachi de uma das assassinas mais mortais do mundo. — Sabemos que, mesmo com poucos, vocês seriam aliados indispensáveis. Mas vocês atacaram nossas tropas e chegaram a matar um de nossos Capitães. — White fez uma pausa rápida, só para ver se Mana responderia algo sobre o assunto. Como ela se manteve em silêncio e não mudou nem a expressão facial, ele continuou. — Nossos Generais podem já ter desistido de vocês, mas eu, pessoalmente, gostaria muito que a Immortal Star fosse nossa aliada! Por favor Mana, tente entender nossa causa e se alie-se a nós!

— Eu não consigo entender como você diz uma coisa dessas no meio de um combate. Mas ainda assim, atingiu um certo tanto de curiosidade em mim. — disse Mana, firme. Estava na hora de usar um tipo de estratégia que só seu “parceiro” teria a cara de pau de fazer. — O que vocês estão ganhando com isso tudo? Com todas essas mortes sem sentido?

— Ah, isso é fácil de responder. — falou o Paladino, visivelmente mais animado. Ele tinha finalmente atingido o ponto certo da conversa. Talvez fosse por esse motivo que a Immortal Star não tinha dado ouvidos a eles até então. — Nossa recompensa é maior do que qualquer quantia que o maior burguês conseguiria nos pagar. Ganharemos um Reino!

— Um Reino? Dado a uma Guilda?

— Sim, exatamente! — respondeu ele, abrindo os braços. — Controlaremos um Reino como Reis, onde não haverá nenhuma outra Guilda a não ser a nossa. Todos os trabalhos daquela região serão obrigados a serem pedidos para nós. Iremos aumentar em número de membros e nos tornaremos tão fortes quanto um grande exército. Será a primeira vez na história da humanidade onde Reino e Guilda serão um só! — sua voz saiu alta, e poderia ter sido ouvida por todos ao redor se eles não estivessem mais preocupados em se manter vivos. — Então Mana, o que acha?

A Lâmina Sanguinária não respondeu imediatamente. Ela abaixou um pouco a cabeça e se manteve calada, como se estivesse pensando na oferta. White pareceu ainda mais contente. Ele realmente acreditava que poderia trazê-los para seu lado. Depois de sua luta contra Mulkior, ele percebeu que deveria ficar de olho nas ações daquele time. Mesmo depois do Torneio, ele colocou um espião que sempre se mantinha perto da Base da guilda, falando dos feitos e tipos de missões que eles faziam. Por algum motivo que ele não conseguia explicar, White tinha sentido um tipo de camaradagem com Mulkior, provavelmente porque eles tinham as mesmas atitudes. A única diferença que ele via nos dois, era o fato de White ser bem mais sonhador, querendo sempre do melhor para si e para sua Guilda, não se importando com as futuras consequências.

— White, seu plano é completamente maluco e difícil demais de ser realizado. — falou Mana, bem lentamente. Antes que White pudesse perder a compostura, Mana embainhou a kodachi, e então continuou. — Mas se tudo correr bem, então as vantagens seriam enormes! Agora entendo porque você decidiu participar dessa aliança.

— Ahahahah! Eu sabia que você me entenderia! — White falou rindo, claramente ignorando o resto das batalhas que aconteciam ao seu redor. — Tinha que ter alguém com sabedoria para o futuro em sua Guilda! Diga-me Mana, o que você acha de reconsiderar nossa oferta?

— Espere, nossa situação ainda é ruim. — falou Mana, dando mais um passo para frente. Os dois ainda tinham uns três metros de distância de cada um, mas não precisavam gritar tanto para conversarem, mesmo com a barulheira desenfreada ao redor. — Mesmo que eu veja que seu plano seja bom, ainda precisaria reunir todos os Capitães e Líderes da Guilda e ver o que eles acham. Além disso, como você mesmo disse, já atacamos a Aliança duas vezes, e não acho que eles iriam nos perdoar assim, de uma hora para a outra.

— Ah claro, mas para tudo, existe um jeito! — falou o Líder da White Lotus, não conseguindo esconder o feliz sorriso. Ele não sabia como conseguia ficar animado no meio de tanta matança. O fato de Mana ter guardado sua arma o deixou bem mais tranquilo também. — Sou um dos Líderes da Aliança, e posso fazer um apelo especial para o caso da Immortal Star. Vai ser complicado receber a aprovação de alguns velhotes de lá, principalmente das tropas que vocês atacaram. Mas pode ser que com algum trabalho imediato de vocês, a Aliança consiga colocar vocês em sua lista de companheiros.

— Ou seja, precisamos demonstrar serviço imediatamente para mostrar à Aliança dos Reinos Divinos que mudamos nossa opinião? — Mana perguntou e esperou alguma resposta de White, que balançou a cabeça positivamente, ainda bem alegre. A assassina pensou “Isso está fácil demais.” — Acho válido. Posso tentar reunir a Guilda em menos de uma hora, já que mandamos só uma tropa para ajudar no fronte de combate. Mas eu preciso da sua palavra de que irá tentar nos apoiar e que não seremos esfaqueados pelas costas.

— Você tem minha palavra! — respondeu o paladino, dando um soco leve no peito da armadura. — Para honrar minha promessa, você pode levar um de meus homens para servir como intermediário de nossas Guildas. O que acha?

— Ótimo, é uma boa ideia. — Mana deu mais um passo, e White não parecia se importar. — Mas se for para levar alguém comigo, eu quero que seja aquele ali. — falou a assassina, apontando para alguém que estava atrás do Líder de Guilda.

— Aquele? — questionou White, se virando para saber de quem se tratava. — De quem você está...

É claro que a cena estava bizarra. Quem, em sã consciência, iria parar no meio de uma guerra de larga escala, para ter uma conversa como aquela? Na verdade, os dois só conseguiram conversar, porque o campo de batalha era imenso, e ninguém queria se aproximar de nenhum dos dois. Mas White sabia que aquele diálogo todo estava assustador, pois os soldados dos dois lados nem sequer planejaram um ataque surpresa contra eles. Isso só pode ter como motivo, o fato de que nem aliados e nem inimigos conseguiam um segundo sequer de tranquilidade.

Agora deixe-me falar outro assunto. Eu vou fazer uma adivinhação. Quando eu disse que White tinha pulado em cima de Mana, você deve ter pensado em algo como “Que legal, uma luta entre esses dois! Vai ser incrível!”. Mas os fatos mudaram. White tentou uma aproximação mais pacífica... Na verdade, a palavra certa seria “enganosa”. Mas o paladino não tinha muita esperança que a assassina fosse ceder à conversa. Por isso ficou animado e confuso quando ela respondeu afirmativamente sobre a questão da Aliança.

Depois disso, vendo as respostas que Mana dava, você deve ter pensado “Não acredito que Mana vai ser uma traidora! Logo ela!”. A tonalidade de voz que Mana usou na conversa era firme e séria, e por isso White nunca duvidou das palavras. Uma outra coisa que ele tinha parecido com Mulkior, era o fato de confiar nas pessoas muito rapidamente. Mas as atitudes da Assassina, o fato dela tirar sua intenção assassina e de guardar sua arma eram motivos o suficiente para White ter achado que a “conquistou”. Ele sabia que Mana era um membro importante da Guilda, e seus pensamentos seriam ouvidos.

Mas a mente de White lhe pregou uma peça que lhe custaria a vida. Mesmo em uma Guilda oficial que só fazia trabalhos considerados “bons”, Mana continuava sendo uma assassina. E uma das melhores do mundo, como já foi dito. Para piorar, ela foi treinada na arte de ludibriar pessoas por ninguém menos que San, um cara que já conseguiu convencer um Rei a colocar fogo no próprio quarto (longa história).

E talvez você não vá gostar do que eu direi agora. Mas é a conclusão dessa conversa dos dois. White se virou para trás e observou a situação, procurando um possível aliado mais próximo. Imediatamente estranhou, pois todos estavam muito afastados dos dois. De fato, White viu alguns aliados mais a longe, mas será que Mana os conhecia? Será que ela conseguia enxergar tão bem assim? O Paladino estava cansado por ter tido uma luta difícil contra Fildais, e talvez isso tenha afetado seus sentidos.

White ia se virar de novo para Mana e perguntar de quem exatamente ela estava falando... Mas sua visão caiu de repente. Ele sentiu uma dor, algo caindo. Virou e enxergou um pé, depois outro. Pés protegidos por botas de ferro reforçado. Havia algo de familiar naquelas botas. O formato. E era branco. Os pés eram seus.

Mana quase não conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Como alguém pode ter caído em uma armadilha tão absurda? Como alguém acreditaria nas palavras proferidas de uma assassina com um grande histórico sobre decapitação? Mana não sabia o quanto White estava cansado e avariado, por isso acreditava que aquilo tinha sido uma ilusão.

Mas não. Mana tinha se aproximado perto o suficiente para que pudesse atacar com toda força em um só saque. White se virou, ela colocou a mão no cabo da arma e a puxou rápido, colocando um pouco de energia durante o balanço. Mira perfeita, força perfeita. A kodachi passou pelo pescoço do paladino, que era uma das poucas partes não protegidas de sua armadura. Sem poder fazer absolutamente nada, o Líder da White Lotus perdeu a cabeça por um erro próprio: o de confiar facilmente nos outros.

— Imaginar que eu trairia minha Guilda é um insulto, White. — falou Mana, como se o paladino ainda pudesse ouvi-la. Seu corpo morto caiu no chão pesadamente logo em seguida. — Eu ainda sou uma Assassina, mas meu “contrato” é vitalício, e não recebo só em dinheiro. Nunca deixaria minha família se aliar a um bando de malucos que acham mesmo que conseguirão controlar um reino sozinhos. — ela se virou e começou a andar para o próximo campo de batalha. — Descanse em paz, Paladino White, Ex-Líder da White Lotus. Espero que possa encontrar seus companheiros no outro mundo, porque você pode ter certeza de que eu irei manda-los para lá também.

San era maluco. Reita e Lelouch já sabiam bem disso. Era fácil perceber esse tipo de coisa quando a pessoa dava uma ideia de ser atirado por uma catapulta para invadir um castelo. Claro que San falou que estava brincando, mas os dois membros da Immortal Star ficaram olhando para ele por dois minutos inteiros, realmente acreditando que aquilo não era brincadeira.

Agora eles já estavam bem próximos ao Castelo Real. Mais especificamente, a um quarteirão dos grandes muros. A segurança estava incrivelmente pesada, o que já era esperado. Eles perderam alguns minutos preciosos se escondendo em cantos, deixando guardas passarem sem atrair a atenção. A última coisa que eles precisavam agora era de uma nova briga contra os soldados.

Nesse exato momento, eles analisavam a situação dentro de uma casa de dois andares, que tinha vista para os muros do Castelo. Como eles chegaram lá? San simplesmente disse para entrarem naquela casa, pois sabia que todos os cidadãos daquela área haviam sido removidos pelo perigo de ataque. Provavelmente havia algum tipo de esconderijo de proteção para esse povo, mas isso não importava agora. Os três membros da Immortal Star passaram pela janela da grande casa e foram até um quarto no andar superior, provando que realmente estava tudo vazio e quieto.

— Não estou gostando disso. — falou Lelouch, bem baixinho. — A segurança está triplicada nos muros. As vigias nas torres estão de prontidão e os arqueiros estão usando aquelas flechas de penetração de armaduras.

— Sim, as Infiltradoras. — concordou Reita, olhando mais para a direita, em direção ao grande portão frontal. — O portão da frente está tão atolado de soldados que eu nem pensaria em chegar perto. Aposto que a saída dos fundos também deve estar tão segura quanto.

— Realmente, parece bem improvável que alguém entre aí como invasor. — falou San, por último. Ele parecia ter uma expressão mais séria, mas como o quarto estava escuro, nenhum dos dois colegas perceberam. — Entre, ou saia. Se Shiro realmente está lá dentro, ele vai ter problemas para sair, mesmo com sua magia de se esconder nas sombras. Além disso, não sabemos se ele acabou sendo capturado.

— Temos que bolar outro plano. — voltou a falar Lelouch. — Invadir o castelo desse jeito pode acabar piorando nossa situação para com o Reino.

— Não, não temos tempo. — disse San, saindo da janela e procurando algo naquele quarto, ainda no escuro. — Vamos ter que fazer uma invasão diferente do que eu planejava.

— San, eu sei que você é bom com planos, mas você não pode estar falando sério! — falou Reita, quase elevando a voz alto demais. — Não importa o quão rápido você corra ou ataque, a quantidade de soldados armados e prontos para atacarem qualquer um que apareça por lá é simplesmente absurda!

— Reita, se eu tivesse conhecido a minha mãe, ela provavelmente estaria dizendo o mesmo que você. — respondeu San, coisa que fez Lelouch segurar o riso e Reita querer esfaquear o assassino mais uma vez. — Eu posso participar de muitas ações perigosas, mas eu não sou um suicida. Meu plano não é sair atacando todo mundo e entrar no castelo através da força.

— Mas você disse que precisava de nós aqui para lhe dar suporte de longo alcance. — lembrou o atirador de elite. Ele tentava enxergar no escuro, querendo saber o que San estava fazendo com as cortinas que arrancava da outra janela. — E que merda, o que você está fazendo? Assaltando a casa?

— O tráfico de tecidos está em alta agora, você não sabia? — perguntou San com sua cara inexpressiva clássica. Dessa vez, foi Reita que teve que segurar o riso. — As cortinas são para vocês. Usem como uma capa improvisada. Não acredito que elas serão extremamente necessárias, mas nunca sabemos quando alguém pode aparecer nos piores lugares possíveis.

San explicou o real plano dele. Vou pular a parte da explicação, de Reita e Lelouch ficando com cara de bobos enquanto ouviam e tentando fazer de tudo para entender de onde que o Grande Estrategista da Immortal Star conseguia ter ideias tão absurdas. Vou contar sobre o plano enquanto ele é realizado.

Vamos começar falando que Lelouch e Reita foram separados. O atirador foi para o leste, seguindo pelas ruelas mais estreitas e escuras, tentando evitar o máximo de atenção possível. Ele já estava usando a cortina com uma capa e capuz que ficavam horríveis nele, mas que escondiam sua roupagem e rosto. Ou pelo menos era isso que ele esperava. Ele corria com a mente cheia de perguntas e preocupações, e nenhuma delas eram com a própria segurança. Lelouch correu por cinco minutos sem parar, achou uma loja de roupas de três andares e usou as escadarias de trás para ir ao topo.

Já Reita, foi para o outro lado, para o oeste. Seu caminho foi mais difícil, pois algumas casas ainda estavam em chamas e alguns soldados estavam trabalhando para apagar tudo. Logo, ele teve que fazer caminhos mais compridos e perigosos. San tinha dito para ele correr por sete minutos sem parar, sempre mantendo uma distância exata dos muros do castelo. Distância essa que ele precisava para atirar uma flecha para dentro dos muros, caso precisasse. E era preciso.

Já San, tinha uma parte mais complicada do plano. Ele se manteve ali por aquela área mesmo, que era razoavelmente perto do portão frontal. Ele se esgueirou pelos cantos e espreitou os caminhos que os soldados faziam como ronda. Ele já tinha ficado de olho nisso enquanto estavam observando lá daquela casa, mas essa parte agora era mais difícil. San esperou até que dois soldados se dividiam para olhar lados diferentes, e foi atrás do que era mais baixo e carregava uma espada embainhada e uma tocha em mãos. Sem perder tempo, o assassino lutador pulou em cima do soldado e lhe aplicou um “mata leão”, colocando o braço direito em volta do pescoço vindo por trás, e o enforcando. Com a força aumentada de San, o soldado perdeu o fôlego em segundos e desmaiou.

O plano era para ser iniciado com o caçador. Ele achou um beco sem saída e com difícil acesso, assim como San tinha falado anteriormente. Reita subiu no muro mais alto que conseguiu e verificou a trajetória de sua flecha. Esperou alguns segundos sentindo o vento, dando o azar de perceber que estava bem forte. Provavelmente por causa da chuva que vinha do sul. Desceu do muro e preparou as flechas. Respirou fundo, se concentrando. Agora era a hora de clarear a mente. Afiar sua decisão. Separou cinco flechas, deixando em sua frente. Pegou a primeira. Passou uma densa quantidade de energia mágica para ela. Puxou a corda do arco, o levantando. Atirar.

— FLECHA EXPLOSIVA!

A flecha carregada voou rápido para cima e logo desceu, em um caminho de um “u” invertido aberto, indo diretamente para dentro da área do Castelo. Mas antes mesmo que ela chegasse ao chão, a flecha explodiu.

É impossível explicar detalhadamente o alvoroço que aquela primeira flecha causou nos soldados de prontidão. A flecha não atingiu ninguém, mas o susto fez todos os mais de duzentos soldados naquela área se espalharem e uma gritaria desenfreada se iniciou. Um dos soldados que ficava de vigia nas torres quase foi ao chão com o susto.

Em menos de um minuto depois, outra flecha veio fazendo quase a mesma trajetória, explodindo também antes de bater no chão. A movimentação de soldados piorou com a correria e a gritaria de “Estamos sob ataque!”. Os soldados vigilantes foram ordenados a encontrar a localização do atacante, e nisso, outra flecha veio e explodiu um pouco mais perto do chão. Não atingiu nenhum soldado também, mas fez eles ficarem ainda mais afastados e separados. Os três capitães que ali estavam pareciam a ponto de entrar em colapso nervoso.

A quarta flecha foi atirada em cima de uma das torres de vigília. Não foi disparada diretamente nos três soldados que lá estavam, mas os escombros os atingiram. A torre ficou praticamente inutilizada e os soldados tiveram que descer antes que se machucassem mais. Mas com isso, a localização quase exata de Reita tinha sido descoberta. San disse que isso aconteceria, então ele precisava agir rápido. Mirou sua última flecha na próxima torre ao lado daquela já atingida, e causou o mesmo estrago. A gritaria tinha aumentado, mas a organização dos soldados já estava pronta e eles começaram a marcha.

Agora era a vez de San arriscar seu plano de invasão. Ele apareceu no portão frontal, vindo do Leste, carregando o soldado que ele mesmo havia nocauteado. Antes de continuar explicando, é necessário dizer que San fez um trabalho e tanto na armadura que aquele soldado usava. Ele quebrou algumas partes da armadura e separou algumas peças, vestindo nele mesmo e deixando o resto no soldado desmaiado. Quem usava o capacete era ele.

— Ei, você! — gritou um dos soldados do portão, o primeiro que viu San caminhando na direção. Isso também alertou outros soldados mais próximos. — O que aconteceu?

— Estamos sendo atacados! — falou San. Com sua roupa meio rasgada, peças destruídas de armaduras e alguns arranhões improvisados, ele tinha o perfil perfeito para essa desculpa. — Meu colega foi ferido gravemente enquanto nós fazíamos a ronda daquele lado!

— Daquele lado? — perguntou outro soldado que tinha se aproximado deles. O soldados apontou para leste quando fez a pergunta. — Mas acabamos de ser bombardeados do oeste!

Foi com uma precisão perfeita. Uma nova explosão aconteceu, mas dessa vez, foi nos muros da parte leste. Outro susto abalou aqueles soldados e mais gritaria se iniciou. Essa parte do plano estava nas mãos de Lelouch, que primeiro deveria ficar em um lugar alto e atacasse com tudo assim que visse San se aproximando do portão. Para tal, ele transformou sua arma em uma “M79”, um lançador de granadas de médio porte. Diferente de Reita, Lelouch atirou seis vezes sem parar, criando um verdadeiro bombardeiro contra os muros do leste. Depois, se jogou para trás da casa, para não ser visto pela vigília daquele lado. Ele não tinha certeza se tinha sido visto, mas com certeza, conseguiu criar um caos horrendo na mente dos soldados.

Agora vamos analisar todo o plano até então. San sabia que não poderia entrar atacando todo mundo por vários motivos. Ele precisava criar uma distração para poder entrar. Mas mesmo algo simples, iria fazer com que ele fosse visto imediatamente. Não adiantava ele aparecer nos portões simplesmente vestido como soldado, pois os guardas da frente iriam querer verificar se ele era ou não um soldado real do Exército.

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Mas e se fosse criado um caos tão grande, que praticamente todos os soldados lá de dentro fossem obrigados a correrem, recebendo ordens diretas e imediatas dos Capitães? Ninguém teria tempo para fazer verificações de segurança. Mas o perigo tinha que ser real. Por isso ele dividiu os dois colegas e os fez atacar com tudo os dois lados diferentes do muro.

O que estava acontecendo agora era um alvoroço que os Capitães restantes do Exército de Riven lutavam para organizar. No exato momento, alguns soldados saiam pelo próprio portão da frente, em pequenos esquadrões, para irem atrás de seja lá quem estivesse atacando. Eles esperavam lutar contra as tropas inimigas, então foram com todos os equipamentos que tinham ali guardados. Um dos Capitães parou no lado de San e perguntou.

— Rapaz, onde você estava quando foi atacado?

— Senhor! — San reconheceu imediatamente a patente daquele soldado e bateu continência antes de continuar. — Fomos atacados na esquina à três quarteirões daqui, onde fica a loja de penhores do Lorde Valker! Era um esquadrão de mais ou menos quarenta soldados, por isso tivemos que recuar. Mas não antes do meu colega ser atingido.

— A três quarteirões então? Tudo bem soldado, leve seu colega para a enfermaria e se reequipe na sala de armamentos. Depois fique de prontidão aqui nos portões até segunda ordem!

— SIM SENHOR!

Com mais uma continência, San levou seu “colega” para dentro dos muros do Castelo, não sendo barrado por ninguém. Ele viu aquele capitão sair com outra tropa em direção a leste, onde ele esperava que Lelouch não estivesse mais. San tinha dito que assim que fizessem os ataques, eles deveriam recuar imediatamente, e se possível, voltassem para a Base para poder ajudar em qualquer coisa que pudesse acontecer por lá.

San levou o soldado desmaiado para a enfermaria, que ficava bem mais à esquerda do castelo. Na verdade, a quantidade de feridos era tanta, que muitas macas e tratamentos estavam sendo feitos ali na rua mesmo, mas San precisava de uma desculpa para entrar diretamente no castelo, e ele sabia que a enfermaria se conectava aos saguões principais do mesmo.

Dentro da enfermaria, estava um caos ainda pior do que lá fora. Os gritos de dores, sangue espalhado por todos os lados, médicos fazendo dez trabalhos ao mesmo tempo, enfermeiras tentando criar ainda mais espaço entre as macas e pacientes sentados no chão. Era um tipo de trabalho que o assassino lutador nunca gostaria de ter que fazer. Uma enfermeira, ao vê-lo, foi ao seu encontro, preocupada com mais um paciente. San tentou tranquiliza-la, falando que o soldado só estava desmaiado e precisava de repouso. A moça o ajudou a colocar deitado em um colchão no chão, e antes mesmo que ela pudesse perguntar como ele havia ficado naquele estado, San já havia desaparecido.

Mesmo que não tenha ido nenhum membro da Immortal Star para o lado leste de Riven, é necessário comentar sobre a situação de lá também. Na verdade, havia sim, acontecido coisas importantes para aquele lado, mas muitos chamariam aquilo de “coisas improváveis” e “mentiras da guerra”. Com certeza entraria para os livros de história de todo o mundo.

O lado leste estava sendo sim, atacado pesadamente. Ninguém tinha entendido “como”, pois o cerco nos limites do Reino não haviam sido ultrapassados. Mais especificamente, não haviam nem sequer atacado aquela área, pois o exército inimigo sabia que as tropas daquela região eram as mais poderosas de Riven.

Mas ainda assim, apareceram um grande número de tropas perto dos portões leste da Capital, o que levantou um também grande número de perguntas. Eles só descobririam mais tarde que havia um planejamento feito muito anteriormente, onde vários magos dos Reinos inimigos e de algumas guildas se juntaram para criar um “túnel mágico temporário” que passava pelos cercos daquele lado da região e vinham até dentro de uma pequena vila, há poucos quilômetros da Capital.

Foi assim que tropas da Aliança dos Reinos Divinos conseguiu atacar também aquele lado da cidade, fazendo uma investida de quatro frontes contra Riven. Aqui, haviam tropas do Reinado de Yokotsu, Trepasec — um grande reino que até então, era considerado extremamente pacífico — e Kaasmidar, o reino desértico. A quantidade de soldados não chegava nem próxima das tropas do sul ou do oeste, mas eram grandes o suficiente para fazer uma invasão de larga escala.

Liderando todas as tropas, vinha um dos principais líderes da Aliança: Orlandus Gargomel. Um homem forte, negro, com cabelo cheio, encaracolado e escuro. Tinha uma expressão alegre no rosto, sempre exibindo seus dentes bem branqueados. Usava sua armadura de guerra vermelha sangue, com o símbolo de sua guilda. Ah claro, devo dizer que ele também era Líder da Black Skull, uma das maiores guildas de mercenários do Leste.

Veja a situação de Riven. Muito de suas tropas primeiro foram deslocadas para o Sul, onde tudo começou. Depois, as tropas estacionárias nos limites do Reino no Norte tiveram que recuar, pois tinham ficado com poucas tropas para uma defesa total — e eles realmente foram os segundos a serem atacados. Com isso, todo o resto das tropas que ficavam na Capital foram divididas para o Norte, para dar mais suporte no Sul, e por fim, marchar para o Oeste, onde eles descobriram que já haviam inimigos quase em seus portões. Então o que sobrou para o Leste?

Haviam poucos soldados naquela guarnição, e todos estavam com medo de algo chegar por lá. O que lhes dava confiança, era que não havia chegado nenhuma notícia vista dos postos avançados daquele lado. Então quando um dos soldados gritou “INIMIGOS VINDO EM FRENTE!”, toda aquela tropa simplesmente se desesperou. Havia sim, um Capitão ali, que rapidamente os controlou e os colocou em posição defensiva. Mas quanto tempo você acredita que eles conseguiram defender contra um esquadrão com quatro formações inteiras?

Não muito longe dos portões onde estava acontecendo uma batalha — que também poderia ser chamado de “massacre” —, Orlandus observava em cima de seu cavalo. Ele realmente parecia feliz com todo o plano ter dado certo, mas no fundo, estava achando tudo chato demais pela falta de dificuldade. Só mais alguns minutos, e o portão leste seria dele. Tudo o que ele esperava era que perto do Castelo, as coisas ficassem mais “divertidas”.

— SENHOR! — disse um soldado com armadura leve que tinha acabado de se aproximar do cavalo do Líder. Ele era o que chamamos de Corredor, um tipo de mensageiro que passava notícias entre tropas durante uma guerra. — Temos novidades sobre nossa investida no Sul!

— Fale. — disse Orlandus, com sua voz grossa e intimidadora. Os que não o conheciam pessoalmente achariam que ele estava bravo, o que não era verdade.

— Finalmente nossas tropas conseguiram destruir as defesas do portão e já lutam dentro da Capital! Parece que eles foram barrados por alguém da Planetarium, por isso demoraram para continuarem avançando.

— Ahhh... A Planetarium! — falou ele, rindo. — Que azar nossa equipe não ter sido designada para atacar aquele lado junto com nossos aliados! Mas não importa mais. Bom trabalho, soldado. Volte para o Quartel General e diga que o Leste também é nosso. Esses poucos soldados não terão chances de nos segurar pelos próximos quinze minutos!

— SIM SENHOR!

Assim que terminou de saudar o Líder, o soldado virou as costas e voltou a correr. Alguns desses Corredores usavam cavalos, outros corriam mesmo, tentando não ser pegos em inspeções, utilizando suas habilidades furtivas. Orlandus voltou sua atenção para frente, ignorando todo o resto. Ele levantou sua mão, fazendo todos os outros soldados que ainda não tinha marchado se prepararem.

— AVANÇAR!!

Com sua voz trovejante e aceno de mão para frente, o restante das tropas começou a correr na direção dos portões, com armas levantadas e vozes alarmadas. Eles não estavam tão longe assim, então em poucos minutos eles já conseguiam enxergar bem como estava a situação no portão.

E não foi de se esperar que todos pararam quando viram o que viram. Orlandus tinha dividido o ataque em duas ondas, pois sabia que não precisava mandar todos os soldados de uma só vez para tomar posse daquele portão. Mas ainda assim, tinha centenas de soldados na Primeira Onda. E todos eles, sem nenhuma exceção, estavam agora, deitados no chão, cortados de inúmeras maneiras, como se tivessem passado por um moedor de humanos. Alguns se mexiam, outros não. Toda a terra tinha sido tingida de sangue, exalando também um forte cheiro. A cena foi tão absurda que muitos soldados que estavam juntos de Orlandus se viraram e vomitaram.

O próprio Líder da Black Skull não conseguiu fechar sua boca. Seu queixo caído e olhos arregalados criavam uma expressão que nenhum de seus aliados sequer havia visto. Ele olhou de um lado para o outro, tentando assimilar o que estava acontecendo. Realmente, não havia sobrado ninguém. Todos estavam no chão, prestes a morrer ou já mortos. Só havia um único homem em pé, exatamente no meio de todo aquele canteiro de corpos. E aquele homem foi a primeira “coisa” que impregnou um puro medo em Orlandus.

— Comandante! — chamou um colega de Guilda que estava bem ao lado de Orlandus. — Aquele lá...

— É Raziel. — falou o Líder, perdendo a potência na voz. — É o General das Tropas do Leste de Riven, Raziel Horth Von Zaruov!

Ao ouvirem o nome, muitos soldados engoliram seco. Já tinha sido comentado isso várias vezes, mas Raziel era conhecido mundialmente, e por vários motivos. O “General Invicto”, como também era conhecido por seus inimigos, permanecia no meio de todos aqueles corpos com sua espada graciosa desembainhada e pintada de vermelho. Vermelho esse que não havia saído das tintas colocadas no ferro.

— Eheh... — começou Orlandus, atraindo a atenção dos soldados mais próximos. — AHAHAHAH! Isso é impagável! — gritou o Líder, rindo. E assustando algumas pessoas também. — E eu aqui pensando em quão fácil estava sendo nossa investida surpresa! Ahahah! Não consigo acreditar na minha “sorte”! — ele enfatizou a última palavra fazendo uma voz ainda mais grossa. Ele desceu do cavalo, retirando sua enorme alabarda prateada e a girando com as duas mãos em frente ao corpo. — O homem mais poderosos do mundo! É um oponente digno!!

Notas finais
E no próximo capítulo, Shiro descobre um plano maior por alguém que não deveria estar lá naquele lugar absurdo.